Jornal de Negócios

28 dezembro 2008

pontual, como os incêndios

Certinha, como os incêndios no verão, temos a "epidemia" mediático-política da "gripe". Este ano com a particularidade de que abriram nos Centros de Saúde de Lisboa, os mesmos serviços, que o Ministro anterior tinha encerrado por serem "desnecessários" e até "perigosos". Os mesmos serviços que a mesma ARS de Lisboa recusou aos nóveis centros de saúde, USF, na sua contratualização...

Mas afinal a gripe não é uma doença que não tem tratamento nem cura? E os únicos anti-víricos conhecidos (de eficácia tão limitada que não compensa geralmente usá-los) nem sequer são comparticipados (cerca de 25 € um "tratamento" de cinco dias, sem garantia de resultado ...)?

Claro que o Sr. Director Geral da Saúde apela a que o povo não vá à Urgencia, o que é lógico, visto ser tecnicamente inútil, mas esteve tão caladinho quando o nosso Primeiro Ministro foi à urgência do Hospital de Sto António, com uma " sindrome gripal" e ainda deu uma entrevista à saída. Pois é, mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo, diz o povo.

O mesmo povo que agora atulha as urgências.

23 dezembro 2008

O Natal não tem por que ser "mole" - Feliz Natal!

«Como disse Kierkegaard, a propósito de Sócrates e de Jesús, «a verdade será mortalmente espancada».

O filósofo não se referia a nenhuma época em especial. A arrogancia do poder, face à fraqueza da sabedoria, é de todas as épocas e lugares. Mas há momentos históricos em que esta realidade se torna mais visível.


O problema não é que se digam mentiras. É que se vive na mentira. A mentira recebe certificado de normalidade, instala-se na cultura dominante, e fica dona de todas as alavancas sociais, ridicularizando facilmente qualquer atitude a favor da evidência.

Um dos níveis extremos desta embriaguês é a negação da evidência, precedida geralmente de insultos ao clero e às instituições com autoridade.

A minha minoria social, geralmente formada por leitores dos jornais já com uma certa idade, fica boquiaberta quando descobre que a esquerda radical não admite que na história se faça menção da repressão contra os católicos em geral, ou contra os sacerdotes, bispos e religiosas, em particular.


Mas se todos sabem que foram milhares, liquidados de um dia para outro. Para quê negá-lo? Nem sequer é para estranhar muito. A novela de Vasili Grossman, Vida e Destino, traz recentemente à memória os milhões de vítimas da revolução bolchevique e do comunismo soviético.

Não é só o período de Estaline. Começa com Lenine e continua com os sucessores do estalinismo. O terror só acaba com a queda do Muro, em 1989. E ainda se prolonga por alguns anos depois, no bloco oriental. E continua actualmente na China, em outros países asiáticos, sem esquecer Cuba.

Hoje, com a esquerda radical intelectualmente liquidada nos países desenvolvidos, continua a brilhar - pela ausência - a autocrítica dos comunistas, e dos marxistas em geral.

Recordo vagamente que a universidade espanhola dos anos sessenta, setenta e oitenta estava povoada de revolucionários da esquerda. Mas não vi, nem ouvi, nenhum deles, pronunciar as palavras mágicas:«enganei-me».

Pelos vistos nem sequer cumprem o prescrito pelo seu manual de instruções. Pelo contrário, insultam todos aqueles que alertaram a tempo (sem serem escutados) contra as barbaridades desumanas dos fascistas e totalitários das várias linhagens.

Até se pode ler nalguns manuais de Educação Cívica que os comunistas foram minorias perseguidas. Aqui não foram, pelo menos recentemente.

Na universidade franquista os estudantes maltratados eram sobretudo social-democratas e cristão-democratas porque - assim o escutei da boca de uma dessas autoridades iluminadas - eram os mais perigosos para o regime de Franco.

O ponto mais forte, e fascinante, da esquerda foi sempre o seu clamor pela defesa dos humilhados deste mundo, dos pobres e dos marginalizados. Mas já nem disso se ouve falar.

Os progressistas assumiram as políticas neo-liberais e participam com entusiasmo na procissão do consumismo. Desprezam aqueles que tentam ajudar os emigrantes, os doentes incuráveis e os miseráveis, ao ponto de insultarem a Madre Teresa e João Paulo II, com mostras e exposições blasfemas, pagas com o dinheiro de todos.

Criticam Bento XVI por qualquer pormenor irrelevante, mas passam por alto as suas palavras duríssimas contra o capitalismo ("Jesus de Nazaré"), contra a globalização e a fome de milhões de crianças, o abandono a que estão votados os deserdados da economia.

Só ele se atreveu a dizer, não há muito tempo, que uma economia baseada apenas no principio do lucro é inumana. Mas se calhar é isto que não se perdoa à Igreja Católica: que continue na linha da frente, na defesa dos não nascidos, a favor da família, e não dos seus sucedâneos, contra a manipulação ideológica do ensino.

Os cristãos sabem que aquilo que o permissivismo moral permite é o domínio dos mais débeis, pelos mais fortes. Mas dizer isto, aqui e agora, é perigoso.

Mas não é possível ficar calado, mesmo sendo acusado de pessimista, romântico ou saudoso de outros tempos. Não me parece que algum tempo passado fosse melhor. Pelo menos não o foi na Espanha autoritária e classista.

Ainda bem que a têmpera de um país não é feita pela vontade da sua burocracia política, nem pela avidez da sua tecno-estructura económica. Mas sim pelos cidadãos, com palavras corajosas e actuações livres.»

(Alejandro Llano, Professor Universitário de Filosofia, in a esquerda e o Cristianismo, mal traduzido por mim. Escrevendo a propósito de Espanha, obviamente ...)

19 dezembro 2008

Um rapaz de titânio



«Olá, sou o Paolo, um rapaz de 95.» Diz que é fã do Juventus e adepto dos jogos em Playstation.

Criou um blog, aos 13 anos de idade, para se manter comunicável com os seus amigos e colegas, enquanto conta - como se fosse uma piada - a aventura dos tratamentos ao tumor da perna (osteosarcoma).

«Sou um homem biónico», comenta a propósito da prótese de titânio que substitui o joelho extirpado.«A partir de agora podeis chamar-me Paulo Titânio».

Quando o Paulo não pode escrever, é o pai que mantém o blog actualizado. O pai chama à luta do Paulo "o grande prémio da montanha". Na escola o blog é visto em tempo real, com uma webcam, que permite que o Paulo e os colegas conversem.
«Não vos preocupeis. Estou a curar-me, graças à quimio e à equipa médica.»

As mulheres que se cuidem


Hoje no Publico pode ler-se:
«A proporção de partos por cesariana voltou a aumentar em 2007, reforçando a tendência observada ao longo dos últimos anos.

Apesar das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e das metas traçadas no Plano Nacional de Saúde (PNS), o número de partos por acto cirúrgico não pára de crescer e representa agora mais de um terço (35,3 por cento) do total de nascimentos em Portugal.

É o segundo país da UE com maior taxa de cesarianas, de acordo com o relatório do projecto Euro-Peristat.» (...)

No entanto o relatório salienta que, entre outras causas, isto também se deve ao «facto de as mulheres pedirem cesarianas». Ou seja, para estes sábios a "opção da mulher" só é válida se ela quiser abortar o filho?

18 dezembro 2008

impacte visual


«O impacto visual de uma 'muralha de aço' de 1,5 km de comprimento e 12 metros de altura à beira-Tejo foi uma das razões que motivaram a polémica em torno do aumento do terminal de contentores de Alcântara, decidido pelo Governo e pela Administração do Porto de Lisboa (APL). Um impacto negativo, sobre a zona de lazer das Docas e a Gare Marítima de Alcântara, que a APL, o Executivo e a concessionária, Liscont, têm negado.

Mas se o volume dos contentores não impressiona a APL, um "outdoor" do CDS denunciando essa decisão provocou uma reacção enérgica dos responsáveis do Porto de Lisboa. A APL considerou que a iniciativa partidária tem um impacto visual inaceitável sobre a Gare Marítima de Alcântara e ordenou ao CDS que o retirasse - caso contrário, a APL faria essa remoção.» No Expresso

17 dezembro 2008

zig-zag atestado (e carimbado)


Secção: O Mirante dos Leitores
do Jornal O Mirante

«População da Ribeira e Meia-Via contra falta de médicos»

«Na notícia publicada na vossa edição de 6 de Novembro, sobre a falta de médicos de família no Centro de Saúde de Torres Novas, o porta-voz da Administração Regional de Saúde apela para que os utentes usem de forma racional os serviços, "só recorrendo aos serviços quando necessário".

Ora estas declarações são, no mínimo, bizarras, já que o próprio Ministério da Saúde promove esta a irracionalidade. Veja-se a quantidade de declarações e atestados que inundam os consultórios dos médicos de família. Ressalvando uns poucos que são necessários e úteis, na sua maioria são manifestamente irracionais e representam pura e simples perda de tempo, que é como quem diz, desperdício de recursos que se reconhecem ser escassos.



Vejam-se, a título de exemplo, as famigeradas declarações para os infantários. A própria Sociedade Portuguesa de Pediatria contestou publicamente, não só a racionalidade, como a própria legitimidade destas declarações. Que eu saiba, o Ministério nunca explicou a sua utilidade, mas não revogou a obsoleta legislação que as impõe.

O tempo dispendido não é assim tão pouco quanto isso porque estamos a falar de centenas de milhares de pais que anualmente se deslocam aos centros de saúde, onde vão engrossar as longas bichas de utentes que recorrem aos serviços e das consequentes horas de trabalho desviadas das tarefas efectivamente importantes. Mais do que inútil, trata-se dum documento verdadeiramente farisaico, que pode propiciar injustiças e mal-entendidos.


Outro efeito pernicioso da enxurrada de atestados e declarações inúteis é a mensagem que lhe está subadjacente: o Ministério da Saúde tem pouco respeito pelo trabalho dos médicos de família ou seja pouca consideração pelo dinheiro dos contribuintes. Qual a legitimidade do Ministério ao pedir racionalidade que ele próprio despreza?»

Acácio Gouveia (Médico de Família)
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Aqui, informação sobre crianças, febre e infantários, entrevista com o médico Pediatra, Manuel Salgado, do Hospital Pediátrico de Coimbra.
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E aqui, mais uma acção de propaganda e promoção do consumo de serviços de saúde...

14 dezembro 2008

Os pais nunca podem ganhar


«Nós pais nunca podemos ganhar, não é? Quando se trata de vencer, todos são melhores do que nós, incluindo os que nem sequer têm filhos.

Uma mãe recente aprende esta primeira lição quando sai pela primeira vez, para a rua, com o filho no carrinho (com a criança virada para si porque, felizmente, as investigações da psicologia confirmaram esta básica questão de bom senso...). O primeiro estranho bem-intencionado que encontra garante-lhe que a criança está irrequieta, por estar demasiado presa; o bem-intencionado seguinte, garante-lhe que a criança está em risco, por estar demasiado solta.



Lê-se muito, hoje em dia, sobre os chamados pais-helicóptero. Também já vimos atrás os chamados pára-quedistas bem intencionados ... Os pais-helicóptero envolvem-se pessoalmente em cada pormenor da existência dos seus filhos, permanentemente pairando, vôo circular, para protegerem as crianças não só do mal exterior, mas delas próprias. Se acham a Wikipédia credível, então a expressão "pais-helicóptero" é original do séc. XXI.


Claro que hoje em dia, os pais não têm grande alternativa senão planarem como helicópteros; de facto até é isso mesmo que a sociedade espera deles. Lembro-me logo dos trabalhos de casa (TPC's). Tendo acompanhado a ida para a escola de 10 crianças, ao longo dos últimos 16 anos, senti claramente a mudança no modo como as crianças são ensinadas a lidar com os deveres e os compromissos. A responsabilidade por estas tarefas foi transferida dos alunos, para os seus pais.»
(...) Num blogue aqui ao lado.

12 dezembro 2008

sociedade fragmentada


Em Espanha o Tribunal de Família obriga uma mãe a permanecer afastada do filho durante mais de um ano, por lhe ter dado uma "cachaçada". O filho tem 12 anos, e não quer ficar afastado da mãe.

Aqui a noticia (Publico.es)
(...)
«Muitas perguntas e bastante agitação é o resultado da sentença que condenou, na semana pasada, uma mãe de Jaén a 45 días de prisão mais uma pena de afastamento de 500 metros do seu filho, durante um ano e 45 dias. (...)

Será que para um menor é pior uma bofetada que recebeu há 2 anos ou o afastamento da mãe? Será que a protecção decretada pelo Tribunal não comete uma desprotecção maior? Se ouvirmos a criança, actualmente com 12 anos de idade, assim parece: "Não quero que a minha mãe se vá embora". Hoje, sexta-feira, esta família vem protestar para a rua, acompanhada pelos vizinhos, para que seja publicamente conhecida a sua situação.

O David tem um carácter difícil e entrou em conflito com a mãe por causa dos deveres. Assim está escrito na sentença do tribunal. Como a mãe se zangou com ele por não ter feito os deveres, o David atirou com um sapato à mãe e fugiu para a cada-de-banho, onde se trancou. Quando a mãe furiosa consegiu entrar, levantou-o do chão pegando-lhe pelo pescoço e deu-lhe uma bofatada. O menino bateu com a cabeça no lavatório e começou a sangrar do nariz. Na escola o professor notou o sangue e sinalizou a situação como sendo de maus-tratos. Foi levado ao médico que registou os hematomas presentes. Tudo aconteceu em Outubro de 2006.

Ambos os pais do David são surdo-mudos e têm outro filho com 6 anos. Ainda não sabem como irão conseguir arranjar alojamento para a mãe, caso o tribunal a obrigue a sair. O pai trabalha na construção civil, a 170 Km de casa, e não pode encarregar-se de levar consigo os filhos.
(...)

08 dezembro 2008

"Verdades como punhos"

No Público de 06 Dez., JPP
e no Abrupto:

«O que nunca chega aos jornais»
(Excerto - a versão completa aqui)


«No início desta semana João César das Neves publicou no Diário de Notícias um artigo muito crítico do jornalismo português. (...) Nele se escreviam estas verdades como punhos:


"(...) relatar o sucedido é o que menos interessa.
O jornalista vai ao evento para impor a agenda mediática que levou da sede.
(...) O público não é informado da orientação do meio que escolheu, porque todos dizem apenas a verdade. Todos os repórteres têm opinião, mas todos são isentos de orientações e partidarismos."

(...)

Esta semana tive ocasião de assistir em directo e, de algum modo, participar num evento que ilustra de forma exemplar como se faz informação em Portugal. Convidado a participar no 2.º Encontro Nacional de Centros Novas Oportunidades, pude assistir ao modo como as coisas funcionam e como chegam (ou não chegam) ao conhecimento público.(...)


Eu conhecia o programa oficial do encontro, onde participava num dos debates, só que, na verdade, o que aconteceu foi mais uma sessão preparada para que o primeiro-ministro tivesse a sua dose diária de televisão, num evento "positivo", com a vantagem de poder fazer um comício para 1500 pessoas, professores na sua esmagadora maioria, que tinham que lá estar por obrigação profissional.

No programa oficial não há qualquer menção à presença do primeiro-ministro, devendo o encontro ser aberto pela ministra da Educação e pelo ministro do Trabalho. Só que se percebia de imediato, pelo aparato na rua, que ia haver um participante não anunciado, José Sócrates.

Aliás, a comunicação social também fora prevenida, porque estava lá um batalhão de jornalistas, câmaras, carros de reportagem, etc. Este chegou com quase uma hora de atraso, sem qualquer pedido de desculpas, e tudo esperou por ele.

Eu, que não gosto de ser "levado", ainda hesitei se continuaria ou não na sala, mas decidi continuar, caminhando para a última fila. As intervenções dos ministros da Educação e do Trabalho foram sóbrias e correspondentes ao espírito de um encontro de trabalho, como era suposto este ser.

Só que depois veio o primeiro-ministro e, no meio da agitação dos jornalistas, fez o seu comício diário para a televisão, cheio de "paixões" e "desejos" e "intenções" e sentimentos vários a que, obviamente, só o seu Governo respondeu na história da nação. As Novas Oportunidades somaram-se a muitas outras "mais importantes" iniciativas do Governo.

Em cada uma ele diz que é "a mais importante", mas ninguém dá pelo contra-senso.(...)



Os nossos jornalistas não se apercebem, ou apercebem-se bem de mais, do seu papel de instrumentos de propaganda, sem qualquer conteúdo informativo, e acham natural o que se passa. Terminado o comício, Sócrates saiu e com ele os jornalistas todos (se algum ficou não dei por ela).

Quando resolvi ficar, decidi também que iria acrescentar à minha comunicação sobre as Novas Oportunidades, algo mais: uma referência à politização e governamentalização daquela iniciativa, e aos seus efeitos perversos bem visíveis, ouvindo-se o primeiro-ministro.

Foi o que fiz, referindo como sinais dessa politização, que pode pôr em causa os objectivos das Novas Oportunidades, a obsessão pelas estatísticas e os números redondos (por muitos números redondos que se atirem, o objectivo apontado para 2010 de um milhão de participantes está muito longe de ser alcançado), a condição básica de exigência na certificação, e, por fim, a necessidade de medir os resultados do programa por uma avaliação externa e pelo seu impacto na empregabilidade e no aumento da produtividade nacional.

Parece que referir esta necessidade de resultados mensuráveis, a prazo sem dúvida mais dilatado, incomoda muita gente, mas é inteiramente coerente com os objectivos da iniciativa, porque não se pode considerar que a "batalha da qualificação" se fica só pelos "saberes" mais ou menos intangíveis dos participantes ou por um diploma que não serve para nada.

Que estas preocupações são partilhadas pelos formadores presentes na sala, que também não devem ter gostado muito do comício a que foram obrigados a assistir, está o facto de eu ter sido o único participante a receber palmas em plena intervenção e exactamente nas partes mais críticas para a governamentalização da iniciativa.

Mas o que aconteceu foi mais um não-evento, como muitos outros que devem ocorrer pelo país fora, e que não encaixam no padrão comunicacional da subserviência ao poder.

Eu sei que este meu artigo traduzido em "jornalistês" dá qualquer coisa como isto: ele quer comparar-se ao primeiro-ministro de Portugal no "critério jornalístico", e está danado por ter ido lá dizer coisas a despropósito, ninguém lhe ter ligado e não vir nos telejornais. Nem sequer precisam de se esforçar, porque eu sei o que as casas gastam. Se isto não vier nos jornais, vem nos blogues dos jornalistas.

Mas, voltando ao sério, continuam para mim de pé as afirmações mais duras de César das Neves:

"O actual Governo goza de clara benevolência jornalística. Apesar da contestação e inevitáveis 'gaffes', o tratamento não se compara com o dos antecessores. (...) Muitos dos que relatam o jogo participam nas equipas. Quando o jogo se suja, avolumam-se as suspeitas. Isto ainda não afecta o poder da imprensa, mas já degrada a classe."

Os jornalistas sérios sabem que é assim, mas mesmo esses deviam fazer mais do que o que fazem para não pecarem por omissão. Também se vai para o Inferno por isso.

05 dezembro 2008

Realidade incómoda ...

...mas nem sequer recente.

«Aumenta a pobreza envergonhada» (No Jornal de Notícias, de 05-Dez)


«O presidente da União das Misericórdias, Manuel Lemos, revelou que o número de pessoas que, sob garantia de anonimato, procuram as instituições a pedir comida tem vindo a aumentar.

"As pessoas sabem que eu não vou dizer que é o senhor A ou o senhor B. Estamos perante a pobreza envergonhada", afirmou Manuel Lemos durante a tertúlia "Reacontece", subordinada ao tema "SOS Crise", que decorreu na noite de quinta para sexta-feira no Casino da Figueira da Foz.

Manuel Lemos frisou que "todos os dias" recebe pedidos por e-mail de pessoas que perguntam "como é que podem ter comida, como é que podem arranjar emprego", considerando a situação um reflexo da crise actual.

Questionado pelo jornalista Carlos Pinto Coelho, moderador da tertúlia, indicou ainda a busca de alojamento como outra das preocupações de quem procura ajuda.

(...) Exemplificou com o caso da Misericórdia do Barreiro, onde, revelou, citando o provedor da instituição, "o aumento exponencial das pessoas que vão lá comer é brutal".

(...) assinalou, por outro lado, a mudança no perfil das pessoas que recorrem às Misericórdias em busca de alimentos, frisando que "dantes era o idoso" que para além da refeição convive no local e agora "chegam outro tipo de pessoas, mais novos, que comem rapidamente".

Presente na sala, o provedor da Misericórdia-Obra da Figueira assumiu que a situação na Figueira da Foz é idêntica a outras zonas do país.

(...) O provedor aludiu, a exemplo de Manuel Lemos, à alteração de perfil das pessoas que recorrem à instituição, sublinhando o número crescente de pedidos oriundos da classe média e faixas etárias "cada vez mais baixas", disse.

Joaquim de Sousa explicou ainda o modo como a distribuição de alimentos é feita a partir da Misericórdia da Figueira da Foz, com garantia de anonimato dos destinatários, que classificou como "procedimento de bom senso".

"Há uma lista de 100 pessoas que eu não conheço, nem ninguém naquela casa conhece. Essa lista só conhece a encarregada dos serviços de aprovisionamento que todas as semanas distribui com a maior descrição possível, às vezes procuramos até que essa distribuição seja feita através de terceiros", declarou.»

02 dezembro 2008

para manter o equilíbrio ...


Para equilibrar o post anterior (ao gosto do modernismo jornalístico ...), esta notícia do Expresso:
"Fast food aumenta risco de Alzheimer"

"Ratos submetidos ao longo de nove meses a uma dieta rica em gordura, açúcar e coleterol desenvolveram alterações no cérebro semelhantes às que ocorrem nos doentes de Alzheimer." (...)

Pode sempre objectar-se que eram ratos, porque se fossem ursos ...

Já agora, continuando no registo gastronómico, temos ainda o "frango" de Quim, empatado na Luz ;-)

O desporto faz bem à saúde?

Em Barcelona aconteceu no mês passado o XXX Congresso Mundial de Medicina do Desporto.

Uma das comunicações diz (literalmente): "Durante la prática de exercício continuado, as aurículas direita e esquerda dilatam-se o que, a prazo, pode provocar arritmias importantes".

Isto de desporto e saúde ainda tem muito que esclarecer!

Como diz o MEC:
"Quanto tempo levam os ursos a compreender que não vale a pena andarem aí ao frio, a desperdiçar dez calorias de preciosa barriga por cada caloria nova a que conseguem dar o dente? Nenhum. Os ursos sabem que mais vale estar quieto.

Hibernar não é um hábito - é uma reacção. Não é uma modorra anímica em que os bichos se deixam tombar por serem umas bestas - é uma utilização económica do tempo e da energia. É inteligente. E é bom. Não é assim muito difícil perceber isto que qualquer urso percebe." (Pública, 30 Nov 2008)

28 novembro 2008

IRS 2009 e famílias com filhos: "Uma gigantesca aldrabice"


É como descreve a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN), o que aconteceu com o anunciado "acabar com a discriminação fiscal dos pais casados ou viúvos relativamente aos pais com outros estados civis", do OE para 2009.

O comunicado aqui.
Comentado num blog vizinho, aqui.

27 novembro 2008

Os trapalhões continuam


«A maioria parlamentar (PS) apresentou na sexta-feira passada um pacote de alterações fiscais para o Orçamento do Estado 2009 (...)o imposto sobre salários e rendimentos, dos divorciados.

A proposta socialista elimina a actual dedução da pensão de alimentos no imposto, pela totalidade (ao rendimento colectável). Caso a maioria socialista aprove a proposta, em 2009 serão possíveis deduzir à colecta apenas 20% da pensão de alimentos. "
À colecta devida pelos sujeitos passivos", refere a proposta do grupo parlamentar do PS, "são deduzidas 20% das importâncias comprovadamente suportadas e não reembolsadas respeitantes a encargos com pensões de alimentos a que o sujeito esteja obrigado por sentença judicial» (Noticia no DN, 25 de Novembro)



(...)
« No actual quadro, a injustiça não está no lado de quem paga pensão de alimentos.

Com efeito, se um contribuinte pagar vários milhares de euros de pensão de alimentos, obviamente que deverá poder deduzir esse valor do seu rendimento, uma vez que fica sem ele.

A injustiça perante os contribuintes casados ou viúvos consiste em que, quem recebe essa pensão, pode deduzir até 6000 EUR dessa fonte de rendimento.

P
elo contrário, os casados ou viúvos não podem deduzir qualquer valor ao rendimento que recebem para suportar as despesas normais do "simples viver" - comer, vestir, calçar, porque não podem ser objecto dessa fonte de rendimento»

Comunicado da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (21 de Novembro de 2008)

Curioso como a imprensa geralmente ignorou este comunicado, ou - pior - aldrabou o conteúdo do comunicado para fazer o jeito ao governo.


Está na altura de assinar a Petição, aqui, contra a discriminação dos casados e viúvos em sede de IRS. (Discriminação dos viúvos? Sim, espantoso! Leia e assine.