
Artigo de opinião traduzido de arvo.net:
«Só o tempo nos dirá se a tomada de posse de Barak Obama como 44º Presidente dos Estados Unidos foi, ou não, um día histórico, uma data que a história mudou de rumo.
Neste momento, ninguém o sabe. Mas pode-se dizer que os cidadãos dos Estados Unidos, e de muitos outros países, o viveram como um dia histórico.
O dia 20 de Janeiro de 2009 foi uma data memorável pela simples razão de que nesse dia um país - não um país qualquer, mas a nação mais poderosa do mundo - assumiu-se a si mesmo, e acreditou em si mesmo, como um povo único.
Sentir-se um povo com uma tarefa nobre e valiosa a realizar, uma missão a cumprir, é uma das coisas mais grandiosas que é dado viver aos seres humanos.
O discurso de posse de Obama esteve à altura das circunstâncias. Foi o epílogo perfeito para uma campanha eleitoral que soube captar, e simultaneamente provocar, um movimento de esperança e de entusiasmo que estava latente nas pessoas.
Por enquanto, Obama é apenas o seu discurso, a sua palavra. Mas uma palavra que parece dar a impressão de ter posto em marcha um país. Por isso, vale a pena fixar a atenção neste discurso.
Numa perspectiva europeia, o mais significativa talvez seja o facto de se tratar de um discurso impensável nesta cansada, céptica e doente Europa.
Um discurso destes não é imaginável neste lado do Atlântico, porque o discurso do presidente americano pivota em torno das grandes palavras.
De facto, Obama baseou a sua mensagem de entusiasmo e mudança no regresso às raízes da nação americana.
Não quis inventar nada, simplesmente tentou lançar um futuro melhor a partir daquilo que os americanos reconhecem como a base e a origem do seu país. Para isso apelou às grandes palavras:"a promessa divina de que todos são iguais, todos são livres, e todos merecem a oportunidade de alcançar a felicidade plena".
Falou de sacrifício, do valor de entregar a vida pelo seu país, de patriotismo, de lealdade, de trabalho e de responsabilidade; pediu a ajuda de Deus.
Fez o que deve fazer um líder verdadeiro: não esconder os problemas, e colocar as pessoas perante a sua responsabilidade, perante a exigência de se comprometerem para que o país - e não só a vida - melhore, e contribua para melhorar a situação de outros países.
Mas trata-se, insisto, de um discurso improvável na Europa. Obama é moderno, mas não pós-moderno. O seu discurso representa o oposto do cinismo, da desconfiança perante os "grandes relatos", as grandes palavras e os grandes ideiais.
A Europa parece que continua a ser pós-moderna, incrédula, céptica e desesperançada; desconfiada perante as grandes palavras. No dia em que a Europa acredite nas grandes palavras, nesse dia, talvez possa ser uma verdadeira União Europeia e exercer liderança global.»
(Francisco Borja, Arvo.net)
«Só o tempo nos dirá se a tomada de posse de Barak Obama como 44º Presidente dos Estados Unidos foi, ou não, um día histórico, uma data que a história mudou de rumo.
Neste momento, ninguém o sabe. Mas pode-se dizer que os cidadãos dos Estados Unidos, e de muitos outros países, o viveram como um dia histórico.
O dia 20 de Janeiro de 2009 foi uma data memorável pela simples razão de que nesse dia um país - não um país qualquer, mas a nação mais poderosa do mundo - assumiu-se a si mesmo, e acreditou em si mesmo, como um povo único.
Sentir-se um povo com uma tarefa nobre e valiosa a realizar, uma missão a cumprir, é uma das coisas mais grandiosas que é dado viver aos seres humanos.
O discurso de posse de Obama esteve à altura das circunstâncias. Foi o epílogo perfeito para uma campanha eleitoral que soube captar, e simultaneamente provocar, um movimento de esperança e de entusiasmo que estava latente nas pessoas.
Por enquanto, Obama é apenas o seu discurso, a sua palavra. Mas uma palavra que parece dar a impressão de ter posto em marcha um país. Por isso, vale a pena fixar a atenção neste discurso.
Numa perspectiva europeia, o mais significativa talvez seja o facto de se tratar de um discurso impensável nesta cansada, céptica e doente Europa.
Um discurso destes não é imaginável neste lado do Atlântico, porque o discurso do presidente americano pivota em torno das grandes palavras.
De facto, Obama baseou a sua mensagem de entusiasmo e mudança no regresso às raízes da nação americana.
Não quis inventar nada, simplesmente tentou lançar um futuro melhor a partir daquilo que os americanos reconhecem como a base e a origem do seu país. Para isso apelou às grandes palavras:"a promessa divina de que todos são iguais, todos são livres, e todos merecem a oportunidade de alcançar a felicidade plena".
Falou de sacrifício, do valor de entregar a vida pelo seu país, de patriotismo, de lealdade, de trabalho e de responsabilidade; pediu a ajuda de Deus.
Fez o que deve fazer um líder verdadeiro: não esconder os problemas, e colocar as pessoas perante a sua responsabilidade, perante a exigência de se comprometerem para que o país - e não só a vida - melhore, e contribua para melhorar a situação de outros países.
Mas trata-se, insisto, de um discurso improvável na Europa. Obama é moderno, mas não pós-moderno. O seu discurso representa o oposto do cinismo, da desconfiança perante os "grandes relatos", as grandes palavras e os grandes ideiais.
A Europa parece que continua a ser pós-moderna, incrédula, céptica e desesperançada; desconfiada perante as grandes palavras. No dia em que a Europa acredite nas grandes palavras, nesse dia, talvez possa ser uma verdadeira União Europeia e exercer liderança global.»
(Francisco Borja, Arvo.net)










