Jornal de Negócios

16 março 2009

A tuberculose do Ministério da Saúde (e a outra)

O Professor José Agostinho Marques, director do Serviço de Pneumologia do Hospital de S. João e director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, antigo Coordenador da luta contra a Tuberculose na região Norte, afirma ao Jornal «Tempo Medicina» a propósito do XXII Congresso de Pneumologia, em Dezembro de 2006:

«"a falta de uma estrutura que se responsabilize pela luta contra a doença"e de "um programa que consagre os números a serem atingidos" são as razões porque a luta nacional contra a TB não tem obtido o sucesso esperado.»

«Nesse sentido, a comissão que está a elaborar o futuro programa de combate à tuberculose, e da qual Agostinho Marques faz parte, [em 2006] vai propor a nomeação "de um responsável nacional pela luta antituberculose, que reporte directamente ao ministro da Saúde", e que "deve ser independente das mudanças políticas, pois este é um combate a longo prazo" .»

«A estrutura comportaria ainda representantes em cada Administração Regional de Saúde com poder suficiente para fazer cumprir o programa e de o adaptar às realidades locais.»


«Nas declarações ao «TM», o pneumologista explicou que "tem de haver gente vocacionada para este combate" que, para além do tratamento engloba também o rastreio dos conviventes e o imperativo de "assegurar que os medicamentos são tomados todos os dias". Esta linha orientadora da estratégia DOTS (directly observed therapy short-course), não está a ser totalmente cumprida.»

« Apesar dos números favoráveis divulgados pela Direcção-Geral da Saúde, a "situação no terreno é diferente", pois ainda "há doentes referenciados que levam a medicação para casa", uma situação que favorece o abandono do tratamento, denunciou o pneumologista.»

« Este facto impede que o país alcance a meta dos 85% de taxa de cura, indicador da Organização Mundial de Saúde para medir o sucesso dos países na luta contra a tuberculose, e que leva José Agostinho Marques a concluir que "em Portugal se diagnostica bem a doença, mas trata-se mal".»
(...)

«Ao ver a tuberculose a descer para níveis mais confortáveis, os políticos "tendem a virar a atenção para outras áreas", nomeadamente para as doenças crónicas fruto das alterações demográficas, criticou.

«Por esse motivo, "são necessários outros argumentos" para convencer os políticos e os governantes que esta luta "não dá sossego a nenhum país".»

«É preciso adequar as respostas para fenómenos contemporâneos como a imigração oriunda de países com altas taxas de incidência ou a concomitância do bacilo de Koch com o vírus do VIH/SIDA

«A sugestão do pneumologista passa pela intervenção pública de organizações como a Sociedade Portuguesa de Pneumologia para influenciar o poder, já que "este tema pode não dar votos, mas pode retirar alguns se houver muito ruído na comunicação social".

«E o lugar que Portugal ocupa nesta matéria face à Europa já com 25 estados-membros, onde só os países de Leste têm taxas mais elevadas que a portuguesa, é "uma situação muito incómoda" para as entidades governativas, uma vez que os indicadores de tuberculose tendem a "exprimir bastante bem o que se passa num país, nomeadamente no que respeita a condições sanitárias", frisou o pneumologista.»

«Outro alerta deixado pelo especialista na conferência de encerramento disse respeito ao facto de a melhoria das taxas de incidência trazer também mais "casos difíceis", onde a tuberculose extrapulmonar ganha protagonismo, assim como a multirresistência.

É perante um cenário "em que são necessários mais esforços que os instrumentos do poder têm menos força", concluiu Agostinho Marques. »

Fala quem sabe, com saber de experiência feita. E também quem tem colaborado com os governos socialistas nesta área e conhece as hipocrisias do "sistema". Vale a pena comparar estas declarações, com as (pobres) declarações da Ministra da Saúde ... Tanta poeira!!!

Reprogramação de células adultas

Apesar de muito badaladas (as cotações em bolsa a isso obrigam ...), as células embrionárias continuam ser um quebra cabeças insolúvel pela incapacidade de "domesticar" estas células. De facto, com células embrionárias, neste momento, nada de clinicamente últil se faz.

Mas, segundo a Nature, o cientista japonês Shinya Yamanaka, mostrou que é possível "reprogramar" uma célula somática, para a converter em pluripotente. Com a aplicação desta técnica às células humanas, mudou o panorama da investigação com células estaminais, tornando praticamente supérfluos os esforços - ainda não eficazes - com células embrionárias.

Explicado aqui abaixo (em compliquês ;-))




12 março 2009

O que aconteceu às crianças?

Os países que optaram pela educação "neutra" estão a pagar uma elevadíssima factura. Será que ainda os queremos copiar?

«O que Aconteceu às Crianças?», por Kay S. Hymowitz», em Nova Cidadania II, Número 5, Julho/Setembro 2000, Ed. Principia, Pub. Universitárias e Científicas

Retirei alguns excerptos do artigo, neste blog:

(...) «dois rapazes aparentemente banais, oriundos de famílias normais da classe média, entraram no liceu que frequentavam numa zona próspera perto de Denver, dispararam e mataram 12 dos seus colegas assim como a professora, antes de virarem as pistolas contra si próprios. Foi uma fractura na vida contemporânea americana, uma perda definitiva da inocência que levou os pais e os professores a encararem as suas crianças com um sentimento desconhecido, feito de ansiedade e de dúvida»

(...) «O que perturbou os americanos nos acontecimentos de Columbine foi a combinação da viciosidade extraordinariamente consciente do massacre com a pertença à classe média típica dos seus perpetradores e com o sítio da exacção.»

(...) «respostas a estas perguntas. Os artigos oferecem – através de uma análise profunda da vida quotidiana das crianças da classe média nas suas interacções com a família e com a escola – uma visão realista das raízes da alienação e da futilidade dos adolescentes que culminaram em Columbine.»

«Completam um retrato devastador dos adultos, que não se mostram negligentes nem opressores no sentido convencional das palavras, mas que, além das casas ostentadoras e de diversões em profusão, não têm nada de substancial a transmitir aos seus filhos.»

«Embora os autores e os realizadores não compreendam inteiramente aquilo que descobriram, o retrato que pintam corrobora a suspeita de que Columbine possa ser o espelho do vazio emocional e espiritual da própria cultura da classe média americana contemporânea, que os adolescentes em crise enchem com os seus fantasmas mais grotescos, geralmente repletos de raiva.»
(...)

A harmonia aprende-se na família

Repescando ideias em posts não muito antigos:

Lembrei-me disto a propósito de um blogue vizinho e de um post sobre educação para os valores (ou sobre a falta deles, na sociedade da violência).

Os países que fizeram a experiência da educação "neutra" estão a pagar uma altíssima factura em violência social.

Como em Columbine, lembram-se?

(...)«
Mas Columbine foi diferente. Columbine forçou-nos a perguntar se não estaríamos a negar a existência de uma doença no coração da cultura da classe média a que pertence a maioria das crianças americanas. “Onde estavam os pais?”, perguntaram alguns, intrigados; “Como será que dois adolescentes conseguiram reunir um tal arsenal nos seus próprios quartos sem que o pai ou a mãe reparassem nisso?”; “Que género de escola instituímos?” interrogaram-se outros, quando foi dito que os dois protagonistas faziam vídeos e redacções sobre os seus ignóbeis fantasmas no âmbito dos respectivos trabalhos de casa, sem que ninguém ficasse particularmente alarmado com isso.»
(...)
«Erik Erikson definiu a idade adulta como um período de criatividade, no qual a maturidade alimenta os jovens vulneráveis e os prepara para uma vida independente. As reportagens de Frontline e da revista Time levam a pensar que, em muitas partes dos Estados Unidos, uma tal idade adulta desapareceu. Os adultos não têm estímulos culturais significativos que possam alimentar a imaginação vazia dos filhos, não têm nada que os possa ajudar a ordenar as suas vidas caóticas, informes. Para as crianças da classe média, uma geração mais rica do que qualquer outra na história da humanidade, a situação é lúgubre. Estão à procura do sentido da humanidade, e encontram adultos a olhar fixamente para o chão. O que basta para enlouquecer algumas crianças.» (Kay S. Hymowitz, Nova Cidadania II, Número 5, Julho/Setembro 2000, Ed. Principia)

Escrito depois do massacre na Escola de Columbine, como resultado da investigação sociológica levada a efeito.

06 março 2009

04 março 2009

Seduzidos pela morte

Herbert Hendin, é médico psiquiatra, Professor de Psiquiatria no New York Medical College, e Presidente da Fundação para a Prevenção do Suicício.

«Na Holanda, a prática do suicídio assistido está legalizada há muito tempo pelo que a experiência deste país tem um enorme interesse para o resto do mundo.

São poucos os Consultores em Eutanásia que actuam com independência na avaliação dos doentes. Os estudos publicados com patrocínio do governo apenas utilizam os dados de um grupo restrito de médicos, que são escolhidos porque na sua prática irão estar envolvidos neste tipo de decisões. É o caso dos estudos conduzidos por Maas e colaboradores, entre 1990 e 1995.

Em cada um destes estudos, mais de 6 mil médicos responderam a inquéritos e cerca de 400 foram entrevistados. Mas a análise dos resultados tem sido criticada por se ter concentrado nas dificuldades em aplicar o sistema, ignorando vícios em questões básicas e substantivas como, por exemplo, a não oferta de alternativas ao suicídio assistido que tornariam desnecessária a prática de eutanásia.

O mesmo problema é encontrado no estudo de Onwuteaka-Philipsen e colaboradores, que se baseia em entrevistas individuais a médicos que actuaram como consultores em casos de eutanásia, tal como é requerido pela lei holandesa. O objectivo desta consultadoria seria confirmar que o médico assistente verificou rigorosamente as regras em relação ao consentimento voluntário do doente, à informação prestada, à presença de sofrimento intratável e à falta de alternativas de tratamento.

Num número substancial de casos verifica-se que não existe qualquer consultadoria. Nestes casos, além disto, também não existe geralmente a comunicação obrigatória da prática de eutanásia às autoridades (59% dos casos). Em cada ano, entre 900 a 1000 doentes são mortos sem o seu consentimento explícito e sem que o consultor, que a lei requer, tenha sequer sido chamado.

No estudo referido, apenas no ano de 1995, 21% destes doentes eram mentalmente capazes de se pronunciar. No caso destes doentes, o consultor raramente foi chamado.

No trabalho de Onwuteaka-Philipsen e colaboradores, 42% dos médicos entrevistados já tinha sido consultor de outros médicos, em casos de eutanásia ou suicídio assisitido. Os Clínicos Gerais eram mais frequentemente consultados do que os especialistas (49% x 30%). Dos que tinham sido consultados por outros médicos, mais do que uma vez, metade eram contactados pelo mesmo médico. Perto de um quarto das vezes (24%), o médico assistente e o consultor já tinham sido consultores um do outro em outras ocasiões.

Estes "pares" de médicos e consultores recíprocos estão identificados como um obstáculo à independência dos consultores. Mas não parece que tal esteja a ser tratado.

Na prática o consultor
funciona como um mero pro-forma que apenas afirma que o doente quereria a prática de eutanásia.

Isto não é de admirar, tanto mais que 12% destes médicos reconhecem que nem sequer viram os doentes. Esta atitude foi-me relatada pessoalmente pelos Colegas holandeses que referem que apenas usam os consultores, e a consultadoria, porque a lei o exige.

A maioria dos médicos entrevistados reconhecem que não têm treino, nem competências, na área da eutanásia. Apenas 27% tinham feito mais de 3 consultas, nestes casos, e só 3% tinham mais de 10 consultas.

Por outro lado, o que me foi dito por médicos holandeses que tinham sido consultores em bastantes casos de eutanásia, foi que conheciam mal, e não tinham prática, de cuidados paliativos.

Tampouco conheciam com pormenor o processo psicológico do adoecer e a ambivalência da comunicação com o doente terminal. Ou seja, certificavam "vontades" cuja avaliação desconheciam!

Funcionavam como facilitadores do processo de eutanásia, mais do que como avaliadores independentes, não se envolvendo no processo de tratamento da dor e do sofrimento, mas apenas nas questões técnicas de como matar mais eficientemente, com rapidez e sem dor.

Um dos médicos confidenciou-me que o seu papel era mais o de acabar com as dúvidas dos médicos assistentes que hesitavam em praticar a eutanásia.

Não têm faltado os estudos que revelam o pouco investimento que na Holanda se faz nos cuidados paliativos e nas Unidades de Cuidados Terminais.

Um dos poucos especialistas em cuidados paliativos na Holanda, Zbigniew Zylicz, foi ouvido perante a Cãmara Alta do Parlamento holandês, revelando como a situação dos cuidados paliativos é muito deficitária porque a alternativa - a morte provocada dos doentes - é muito mais fácil. De facto, em toda a Holanda há apenas 70 (setenta) camas de cuidados paliativos. [A população holandesa é de cerca de 16 milhões e meio de habitantes]

A imagem de que na Holanda apenas se pratica eutanásia quando todas as alternativas foram esgotadas, não corresponde aos dados, nem aos resultados da observação.

Nem os médicos assistentes, nem os médicos consultores, nem os médicos que fizeram os estudos para o governo tinham qualquer treino em cuidados paliativos. Ou seja, não tinham competências para avaliar a situação sobre a qual se pronunciavam.

Nos tribunais a situação também não é muito diferente. Embora a lei requeira que exista sofrimento insuportável e falta de alternativas, na prática ninguém é condenado por não tratar a dor a um doente, ou não o informar das alternativas á eutanásia.

Um estudo de opiniões de médicos sobre a eutanásia, feito nos EUA, mostrou que são tanto menos favoráveis à eutanásia, quanto mais treino têm em cuidados paliativos. Dar a um doente terminal, um médico ignorante em tratamento de dor ou em cuidados de conforto ao donete terminal, é um método expedito para "aliviar" camas.» (Publicado no Medical Journal of Australia, 1999)

O estudo está traduzido em castelhano pela editorial Planeta: "Seducidos por la Muerte"

02 março 2009

A invisibilidade da pobreza

(...) «ver como durante dias Courbet era designado por locutores e comentadores na rádio e televisão por Cubete, Curbete, Cuber, Curber, ou como o tema era comentado por gente escandalizada com a "censura" mas que se percebia à distância que não fazia a mínima ideia de quem era o autor do quadro.

By the way, convém também não esquecer que a obra era mesmo na sua origem pornográfica, encomendada para fazer parte de um "gabinete erótico", e que não é líquido que o seu estatuto de obra de arte não impeça a sua exposição com reserva. Mesmo os jornais que mais espaço dedicaram ao acto "estúpido" e "ignorante" da polícia, não ousaram colocá-la na capa, como certamente não o fariam com uma fotografia de Mapplethorpe, e isso não era censura nenhuma.

Passar por estas coisas com todo o simplismo de as ver apenas como uma luta entre a liberdade sem limites e a censura estúpida, é típico dos blogues, mas não devia ser típico dos jornais. Estes são editados, não são?» (...) (JPP, no Abrupto)

«Blogues e comunicação social dão relevância muito semelhante a temas deste tipo, em detrimento de questões sociais muito mais sérias e que quase não existem nos blogues, como seja os despedimentos, as condições laborais, a condição operária, o mundo rural, etc.» (...) (idem)

25 fevereiro 2009

Liderança em tempos de incerteza

«Uma boa liderança assenta em três pilares - profissionalismo, integridade e espírito de serviço. Nos negócios, o foco será mais o processo do que o objectivo.»

os «CEO's precisam de comunicar os erros, pedir desculpa se for adequado, e esgotar todos os meios para reparar os danos»

(Jordi Canals, "Rethinking Leadership During Times of Uncertainty", Singapura)

22 fevereiro 2009

Ter abortado é um indicador de maus-tratos e violencia de género

Resolvi repescar esta notícia, porque se tornou actual:

Aplicando o "Protocolo Común de Violencia de Género" do Ministerio da Saúde espanhol, a Associação de Vítimas do Aborto (AVA) promoveu um estudo, recolhendo dados dos profissonais de saúde que entrevistaram 824 mulheres com abortos provocados.

Em 92,8% dos casos havia indícios de coacção do companheiro e, em 73%, também havia pressão da entidade patronal.


Esta associação exige ao governo uma adequada detecção da coacção e dos maus-tratos às mulheres em situação de gravidez, e apela à sensibilização de todos os profissionais da saúde e dos serviços sociais.


Em Espanha, em 2005, houve cerca de 92 000 abortos, que subiram para 100 000 em 2006.

18 fevereiro 2009

assine a petição contra os carteiristas oficiais

«Exmos Senhores»

«O negócio recentemente anunciado entre a Caixa Geral de Depósitos e Manuel Fino, no que concerne à venda de 10% do capital da Cimpor à CGD, é patentemente ruinoso, injusto e, dir-se-ia, mesmo uma afronta ao povo em geral, e aos investidores em particular.

Não é concebível que para evitar dificuldades financeiras de um especulador, o maior banco do Estado (a CGD) vá ao ponto de lhe comprar os seus investimentos falhados 25% acima do valor de mercado, quando na realidade e perante essas mesmas dificuldades, este especulador ou qualquer outro ver-se-ia sempre forçado a vender essas mesmas posições ao preço de mercado ou abaixo deste.

A diferença entre aquilo que a CGD pagou por esta posição e o preço de mercado, foi uma dádiva pura e simples, de mais de 64 milhões de euros, a este especulador, que se podem considerar retirados directamente dos bolsos do povo português para o bolso do especulador.»


"Falam do que não sabem, prometem o que não podem"

Belmiro de Azevedo interveio no Fórum para a Competitividade, com palavras duras para os que estão a tempo inteiro na política por falarem “do que não sabem e prometerem o que não podem cumprir”. “Temos uma crise de líderes no Governo, temos uma crise de líderes nos partidos, temos uma crise de líderes entre os empresários e temos uma crise de líderes nos sindicatos".

(...) "os governos acreditaram que o milagre de uma receita elástica é eterno”.
“O Estado tem-se comportado sob a premissa de que tem uma máquina de fazer notas e que tem acesso a crédito ilimitado".

(...) “agora que se começa a fazer o downgrading das notações financeiras percebe-se que o dinheiro não é tão abundante assim, pode tender para zero, e seguramente tende para infinito em termos de encargos e juros no longo prazo” (No Jornal de Negócios)

Direito à igualdade ou direito à diferença?

Leio num blogue de economia:

«O Casamento é uma instituição pré-Estado e extra-Estado, em primeiro lugar! Nasce muito antes de nós, ocidentais, termos Estados centralizados e organizados com leis codificadas. É uma instituição definida pela sociedade, enquanto “corpo”, e, por maioria de razão, só deveria ser por esta alterado, e não pela “conveniente” mão do Estado.

Mas este nem é o meu maior problema. O meu maior problema é a principal argumentação a favor: Somos uma República Democrática com igualdade de direitos e ninguém pode ser descriminado pela sua orientação sexual.

Isto é um argumento perigoso. Muito perigoso. Porque, se eu admito legalizar o casamento homossexual com base nesse argumento, i.e., o casamento é uma união entre duas pessoas que se amam, independentemente do seu sexo, o que me impede de legalizar, por consequência lógica, a poligamia e o incesto?

Antes de me acusarem de “gajo de direita radical” - sou Liberal Conservador, mas não sou Católico, por isso dispensem o argumento “A culpa é da Igreja” - pensem um pouco no argumento: duas pessoas com laços de consanguinidade estão proíbidas de se casarem. Porquê?» (...) (No Blogue de Guilherme Diaz-Berrio)

(...) «não descriminação por orientação sexual. Se duas pessoas do mesmo sexo se amam, devem poder casar.

Se dois irmãos se amam, devem poder casar. Vêem como foi simples? Aceitar o Casamento Homossexual, e a consequente destruição da instituição tradicional do casamento, é aceitar um mar de novas excepções. Incesto por um lado, Poligamia pelo outro. Excepções que eu não estou preparado, nem tenho qualquer intenção, de fazer.

Há alturas em que a igualdade não se aplica. Trate-se de modo diferente o que é diferente.

Um filho de um casal homossexual terá uma infância normal? Peço desculpa a todos os homossexuais que possam ler isto: não. É psicologia 101. Nós temos como ideal do que queremos ser, um dos progenitores, e como ideal do que queremos “ter”/amar o outro progenitor. E, homossexualidade não é um comportamento típico do Homem, enquanto especie: apenas 2% da população mundial é homossexual. Tal como é Biologia 101 que é mau termos dois irmãos a ter filhos.» (...)

17 fevereiro 2009

a morte simplex

Artigo de Mário Crespo, no JN:

«Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido. Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia.»

«Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte.

No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo"»(...)


«Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência» (...)

«Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.»

(...)«quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.»