Jornal de Negócios

14 abril 2009

Conforme (muito) anunciado, o "inverno social" já começou

A sra. Ministra da Saúde anunciou a criação de (mais) um orgão consultivo, para identificar "situações de risco". Depois destes anos todos de avisos acerca do desastre demográfico em que estamos, aguarda-se que a Comissão-uma-mais-uma, também proponha medidas de combate para "defender, proteger e promover a saúde" durante o Inverno Demográfico para o qual nos empurraram (e continuam a empurrar).

É que o assunto já é velho e está bastante anunciado.


O que não faltam são diagnósticos. Mas as decisões, tardam

«Mortes ultrapassam os nascimentos» (Expresso, 23 de Setembro de 2008)

(...) «Para os demógrafos e demais especialistas, a informação não é nova. A notícia era esperada desde 1983, quando, na senda de uma descida reiterada do índice de fecundidade da mulher portuguesa, este caiu abaixo dos 2,1 - o número de filhos que assegura a substituição das gerações.» (...)

A ONU já tinha chamado a atenção para o problema em 2000.
A Comissão Europeia, emitiu um sério relatório, com avisos aos estados-membros, em 2005.
A OCDE manifestou a sua preocupação pela discriminação fiscal negativa que, em Portugal, se pratica sobre os casais com filhos.
Até o Ministro das Finanças reconheceu que em Portugal se penalizam os casais com filhos.

De facto continuamos a obedecer àquilo a que o (insuspeito) Prof. Mário Pinto chamou "o imperialismo americano": "Nos últimos anos da Administração Nixon, primeiros anos setenta, foi elaborado um estudo do Departamento de Estado que identificou o crescimento da população mundial como "um assunto da máxima importância» para os Estados Unidos, porque esse crescimento nos países em vias de desenvolvimento punha em perigo designadamente o acesso aos minerais e a outras matérias primas indispensáveis, constituindo uma ameaça à segurança económica e política. Qual era a solução? O controlo da população. Esse estudo deu origem a um célebre memorando de Kissinger".

Este Relatório (intitulado National Security Study Memorandum 200 , abreviadamente NSSM 200) diz, entre outras pérolas, o seguinte:

"Os EUA podem ajudar a diminuir as acusações de motivação imperialista por trás do seu apoio aos programas [de controle] populacionais declarando reiteradamente que tal apoio vem da preocupação que os EUA têm com:
a) o direito de cada casal escolher com liberdade e responsabilidade o número e o espaçamento de seus filhos e o direito de eles terem informações, educações e meios para realizar isso;
e b) o desenvolvimento social e económico fundamental dos países pobres nos quais o rápido crescimento populacional é uma das causas e consequência da pobreza generalizada".( Página 115)
(...)
"A grande necessidade é convencer as massas da população que é para o seu benefício individual e nacional ter, em média, só três ou então só dois filhos" (Página 158)
(...)
"Certos factos sobre o aborto precisam ser entendidos: - nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto"(Página 182). (...)

Assim chegámos à situação actual: O Inverno Demográfico. (documentário)

Não basta encher a boca com "as famílias", a saúde das famílias e a ajuda às famílias. Se nem sequer conseguem ter uma política fiscal decente para pagar o leite e os sapatos às crianças, falam de "família" a propósito de quê? Do folclore?

13 abril 2009

o malabarismo dos números


Parece que finalmente o Ministério da Saúde quer por ordem nas Declarações Obrigatórias de Doença. Mas o Director-Geral que assume o papel de moralizador dos números, necessários para o bom planeamento da saúde, é o mesmo a quem um deputado no Parlamento acusou de mentir, no que respeita aos números (da mesma Direcção Geral de Saúde) sobre complicações provocadas pelo aborto.

Pelos vistos, o dr. Francisco George, Director-Geral da Saúde, no Dia Mundial da Saúde, anunciou que em consequência da nova legislação sobre o aborto, foram eliminadas as complicações associadas ao aborto clandestino: "deixaram de surgir nas urgências hospitalares casos de órgãos perfurados e infecções" , disse.

Acontece que nos dados oficiais do serviço que este senhor dirige - a Direcção-Geral da Saúde - nos anos de 2003, 2004, 2005, prévios à liberalização do aborto, os registos de "perfurações do útero / outros orgãos", indicam, zero.

Em 2006, registam 1 caso, e em 2007, ano da liberalização do aborto, registam doze (12). (fonte: Direcção Geral de Saúde, Episódios de Internamento por aborto espontâneo e IVG, Quadro III).

11 abril 2009

Einstein

Einstein - A Sua Vida e Universo,
por Walter Isaacson.
Ed. Casa das Letras, 2008 (á venda aqui e aqui)

O jornalista Walter Isaacson publica uma biografia bastante rigorosa que se lê com a facilidade de uma coluna de jornal.

A obra conta com a consultadoria de alguns nomes famosos do mundo da Física.

Einstein visto pelo prisma da ciência, da política e da família. Um retrato credível e realista. Com luzes e sombras, sem paternalismo, mas com perfil humano.

09 abril 2009

Continuar


A economia europeia começará a recuperar, lentamente, em 2010, a uma taxa previsível de 0,2%, segundo o EEAG (European Economic Advisory Group) no seu relatório para 2009.

01 abril 2009

Ménage a trois, estilo holandês

Com a abertura do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo, será difícil recusar que quaisquer outros tipos de agrupamentos humanos, conjugais ou não, exijam o mesmo tratamento.

Na Holanda o debate já começou, com a primeira união de facto entre três pessoas.

Embora formalmente não se trate de um casamento, mas uma coabitação legal, abre o caminho a outras situações idênticas, de homo ou bissexualidade, relançando o debate sobre o que é, ou não, o casamento.

Embora se trate de uma união civil, segundo a lei holandesa, na prática isto consiste na legalização da poligamia.

A Holanda foi pioneira na legalização da união civil entre pares do mesmo sexo, em 1998, com a legalização do casamento civil homossexual e a adopção a partir de 2001.

O elemento masculino do trio, Victor de Bruijn, de 46 anos, "casa" com Bianca, de 31 anos, e Miriam, de 35.

"Gosto igualmente da Bianca e da Miriam, portanto caso com as duas", disse.

Este homem já era casado com Bianca, e conheceu Mirjam Geven, há cerca de dois anos, num chat da Internet. Dois meses depois do ciber-encontro, Mirjam deixou o seu marido da altura, para ir viver com Victor e Bianca.
Depois do divórcio de Mirjam, os três decidiram casar-se entre si.

"Por enquanto, na Holanda, um casamento formal entre três pessoas não é possível, mas uma união civil, sim. Portanto fomos ao notário, vestidos para casamento, e trocámos os aneis durante a cerimónia. Consideramos que este é um casamento como qualquer outro", diz Victor Brujin. "Não temos problemas de ciúmes porque elas (Bianca e Mirjam) são bissexuais. Penso que se fossem heterossexuais, seria mais difícil".

Aproveita a entrevista para acrescentar que ele é "100 por cento heterossexual".

Entretanto o Supremo Tribunal Holandês não aceitou que se banisse um partido que defende a pedofilia, o PNVD (Partij voor Naastenliefde, Vrijheid en Diversiteit) (Partido para o Amor entre vizinhos, a Liberdade e a Diversidade). Este Partido, para já, não tem representação parlamentar.

O Tribunal, pela decisão do juiz HFM Hofhuis, deliberou que o Partido pedófilo tem o mesmo direito de existir como os restantes partidos políticos. Os pedidos de proibição, diz o Tribunal, "reflectem preocupações de carácter moral e isso não é suficiente para banir um partido".

O pedido argumentava que esta proibição era necessária para proteger os menores. Este partido propõe que não seja proibido a menores de 16 anos participar em filmes pornográficos. Também propõe que a idade de consentimento legal para ter relações sexuais passe dos actuais 16 anos, para 12 anos.
(Noticia ANP)

A questão já foi levantada pelo Parlamento Europeu, com a Comissão a não responder, considerando que a questão está fora do seu âmbito ...

Portugal também faz parte do "mercado potencial" para este tipo de questões.

27 março 2009

"compensação de risco"

«Não encontrámos associação [estatística] consistente entre o uso de preservativos e uma redução na taxa de infecção por HIV o que, ao fim de 25 anos de pandemia, já deveria estar a acontecer, se este tipo de intervenção resultasse» (...)

«Isto pode dever-se, em parte, ao fenómeno conhecido como compensação do risco. Isto é, quando se usa uma 'tecnologia' de redução de danos, como os preservativos, geralmente perde-se o benefício (a redução do risco), por causa da 'compensação' associada ao facto de que se arrisca mais ,precisamente porque se julga estar protegido.»

Entrevista de Edward C. Green, director do AIDS Prevention Research Project (APRP) do Harvard Center for Population and Development Studies.



Mais leituras:
  • Nos Studies in Family Planning, deste mês, uma abordagem dos riscos e implicações das várias formas estruturadas dos relacionamentos sexuais, em África.
  • No Lancet (já há algumtempo) um Consenso Internacional para a redução de risco da transmissão do HIV, assinada por pesos-pesados da ciência e da política.
  • No AIDS and Behaviour (2006) uma análise do (invulgar) sucesso do Uganda na redução significativa de novas infecções por HIV.
  • Uma resposta no Lancet (2009; 373(9663):544-5) sobre a necessidade de dar respostas feitas à medida das populações e das pessoas, e não programas-tipo cegos (e caros).
  • No British Medical Journal (Jan 2008), artigo: porque é que a epidemia das infecções de transmissão sexual (não-HIV) não se reduziu com o uso de preservativos.
  • Na Science, uma análise do sucesso invulgar do Uganda na redução drástica de novas infecções por HIV, atrvés da aplicação do Consenso ("ABC").

Para quem gosta mais de evidências, do que de palavras, há aqui, e aqui , muito que ler.


19 março 2009

Os adolescentes não são totós ...

Conferência do Professor Thomas Lickona, especialista em Psicologia Evolutiva, da Universidade Pública de Nova Iorque: “Educating for Character in the Sexual Domain".

Em resumo:

É por demais conhecido o pre-conceito (no sentido de ideia prévia, assumida sem demonstração) de que, por exemplo, na educação sexual dos adolescentes "seria muito bom apresentar o autocontrole como a melhor opção, mas é preciso ser realista e ensinar como se manuseia um preservativo".

Na área da toxicodependência, obviamente, o discurso coerente (e a incongruencia é muito facilmente apontada pelos jovens aos adultos) será: "é melhor que evites as drogas, mas por via das dúvidas, vou-te mostrar como obter drogas mais seguras".

No álcool (que está envolvido em grande parte dos acidentes e na violência doméstica), será caso para dizer (como é habitual aqui no burgo) "se o vinho for purinho, do lavrador, não faz mal".
O resultado final é que, do ponto de vista da comunicação com os jovens, não há comportamentos de risco, mas apenas "falhas técnicas".

Os resultados são conhecidos - no Reino Unido, por exemplo, a população entre os 15 e os 25 anos é a única que mantém as mesmas elevadas taxas de mortalidade no último quarto de século, enquanto todos os outros grupos etários a viram reduzida.
As infecções de transmissão sexual têm vindo a atingir idades cada vez mais jovens (11 anos ...), sobretudo na população escolarizada.

Os peritos em saúde pública dizem que esta é uma situação não controlável visto que o aumento do número de relações sexuais, o aumento do número de parceiros, e a precocidade das relações se somam à taxa de falhas do preservativo para criar uma maré crescente de gente infectada.

Existe alguma base científica para este tipo de opção?
Daniel Siegel (UCLA) e Kurt Fischer (Programa Mente, Cérebro e Educação, Harvard), dizem que os cientistas estão apenas no início do que poderá ser a investigação sobre o funcionamento dos sistemas cerebrais.

“Claro que existe a pretensão de usar as ciencias do cérebro para definir políticas e métodos, mas o nosso conhecimento limitado impõe limitações muito restritas a esse objectivo. Neste estado actual do conhecimento, as neurociencias não conseguem produzir uma educação baseada no conhecimento do desenvolvimento cerebral."


Robert Epstein, que foi director da Revista
Psychology Today e é Director dos Colaboradores da Scientific American, diz o seguinte, sobre as teorías do cérebro adolescente imaturo:

- "Os adolescentes são tão capazes como os adultos, dentro de uma enorme panóplia de competências.Sabemos que ultrapassam os adultos em testes de memória, inteligência e percepção.
A tese de que os adolescentes têm um ‘cérebro imaturo’, que necesariamente os coloca em crise, fica completamente desmentida pela investigação antropológica. Existem mais de cem sociedades no mundo em que as crises da adolescência faltam por completo. Na maioria dessas sociedades nem sequer existe o conceito de adolescente."

"Há dados bastante abundantes que revelam que quando se atribuem aos jovens verdadeiras responsabilidades, e a possibilidade de interagir com adultos, eles aceitam facilmente o desafio e aparece o ‘adulto que levam dentro’” (Harvard,
Education Week, 4-04-2007).

18 março 2009

2+2 = 4, 2-2 = 0!

«Com apenas 270 utentes apoiados em 2007 [nos cuidados paliativos] , pode-se dizer que quando a cura não é possível o apoio é quase inexistente.

A Organização Mundial de Saúde diz que devem existir entre 80 e 100 camas para cuidados paliativos por milhão de habitantes. Em Portugal há menos de 100 para todo o país!»
(Teresa Caeiro, deputada do CDS-PP, "Correio da Manhã", 14/10/08)


«A Associação Portuguesa de Bioética vai entregar um parecer ao Governo, ao Parlamento e ao Presidente da República a propor a realização de um referendo nacional sobre a prática da eutanásia.

Rui Nunes, presidente da instituição que já avançou que não vai assumir uma posição sobre o assunto, considera que os portugueses estão preparados para se pronunciar sobre a legalização da morte medicamente assistida.»
(Público, 14/10/2008)

E como pano de fundo, a crónica falta de dinheiro nos hospitais, e a recessão económica. Portanto, a pressão da "gestão" (e da política) vai ser no sentido de eliminar (perdão, "ajudá-los" a sair ...) para "descongestionar" o sistema?

(Mais uma boa oportunidade para os seguros de saúde privados!)

Como fazer

«Transmitimos o que pensamos mas, sobretudo, transmitimos o que somos. O que realmente comove [move com ...], convence, impele, estimula, é a personalidade do outro.

Uma história antiga conta que, um dia, uma mãe desesperada procurou um rabino, que tinha fama de sábio, e lhe perguntou: "Que posso fazer pelo meu filho? Ele é completamente dependente dos amigos. Passa o dia a comparar-se com eles, e faz tudo o que eles decidem. Não tem vontade própria. Como posso mudá-lo?"

O rabino respondeu: " Não tens que mudar o teu filho, mas a ti mesma. Os problemas do teu filho reflectem os teus próprios problemas. Muda-te a ti própria!"

Este diagnóstico não se pode, nem se deve, obviamente, aplicar a qualquer família com dificuldades. Seria uma injustiça, muito grave, visto que a nossa sociedade está plena de "co-educadores", mais ou menos escondidos.

Mas pode-se aplicar ao conjunto da geração. Isto é, os jovens exprimem de modo claro, com alguma frequência, as atitudes mais profundas dos mais velhos: se estes gozassem de uma maior liberdade interior, e de uma independencia saudável em relação ao exterior, os filhos seriam diferentes, mais independentes e mais livres.

Portanto vale a pena tomar consciência da nossa responsabilidade. Tudo o que fazemos influencia o ambiente que nos rodeia.» (Burggraf, J. )

17 março 2009

se a moda pega ...

Um tribunal de Barcelona condenou a prisão a propietária de uma discoteca, por ter difundido música acima dos níveis de ruído permitidos por lei, ignorando os sucessivos avisos legais.

A dona do pub Donegal em Las Ramblas, foi condenada a cinco anos e meio de prisão, em consequencia de ter "agredido física e mentalmente" com ruído os seus vizinhos. Os juízes descrevem o som, difundido desde manhã cedo até à madrugada, como "uma forma de tortura". (BBC on line)

16 março 2009

Wow!


O actual Presidente da União Europeia (UE), o checo Vaclav Klaus, discurosu na abertura da Conferencia Internacional sobre Alterações Climáticas, na semana passada.

Na Conferencia participam pesos-pesados da questão, como Richard Lindzen, William Gray, Willie Soon, Roy Spencer ou Joseph Shaviv.

Grande parte das comunicações destinaram-se a explicar o fracasso do protocolo de Quioto, e as razões do chamado "fracasso espanhol" que é, neste momento, um case-study sobre a questão. O representante do Instituto espanhol da ciencia, Gabriel Calzada, manifestou as suas questões sobre o risco de se avançar com politicas deste tipo em todos os países, sem bases científicas sólidas.

Segundo explicou, as políticas climáticas em Espanha, para o cumprimento do protocolo de Quioto, tiveram um custo elevado e um benefício climático quase inexistente.

"O milagre das energias renováveis em Espanha, produziu-se à custa de ajudas públicas, devido à ineficiência destas energias, produzindo uma borbulha especulativa artificial e insustentável. Tratou-se de um processo massivo de redistribuição de dinheiro, em que alguns poucos conseguiram somas avultadas, com rentabilidades financeiras entre 12 e 20% ao ano, à custa da classe média e média-baixa. (...) O sector solar e eólico criou em Espanha empregos subprime: postos de trabalho inviáveis, que custaram mais postos de trabalho do que os empregos que criaram."

(...) trata-se de um “modelo energético insustentável" que se afundou pela “impossibilidade de aumentar exponencialmente as ajudas de que dependia o seu crescimento, e pelo défice tarifário que gerou". De facto, actualmente, "as empresas de energias renováveis estão a despedir milhares de trabalhadores".

Em Espanha, apesar da aplicação do protocolo de Quioto, as emissões de CO2 aumentaram mais de 50% desde o ano base (1990). Por outro lado, os custos fomentaram a deslocalização de empresas, encareceram a energia eléctrica doméstica, e distribuiram o dinheiro dos contribuintes por muito poucos.


Por seu turno o Presidente Vaclav Klaus, manifestou, na abertura do Congresso, a frustração que lhe provoca o debate em torno às alterações climáticas, porque não serve para aproximar da realidade, mas apenas para esgrimir argumentos.

O Presidente, ele próprio doutorado em economia, advertiu para o risco de, pela primeira vez na História, se prescindir das velhas tecnologias sem ter ainda disponíveis as novas tecnologias que as substituem.

A tuberculose do Ministério da Saúde (e a outra)

O Professor José Agostinho Marques, director do Serviço de Pneumologia do Hospital de S. João e director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, antigo Coordenador da luta contra a Tuberculose na região Norte, afirma ao Jornal «Tempo Medicina» a propósito do XXII Congresso de Pneumologia, em Dezembro de 2006:

«"a falta de uma estrutura que se responsabilize pela luta contra a doença"e de "um programa que consagre os números a serem atingidos" são as razões porque a luta nacional contra a TB não tem obtido o sucesso esperado.»

«Nesse sentido, a comissão que está a elaborar o futuro programa de combate à tuberculose, e da qual Agostinho Marques faz parte, [em 2006] vai propor a nomeação "de um responsável nacional pela luta antituberculose, que reporte directamente ao ministro da Saúde", e que "deve ser independente das mudanças políticas, pois este é um combate a longo prazo" .»

«A estrutura comportaria ainda representantes em cada Administração Regional de Saúde com poder suficiente para fazer cumprir o programa e de o adaptar às realidades locais.»


«Nas declarações ao «TM», o pneumologista explicou que "tem de haver gente vocacionada para este combate" que, para além do tratamento engloba também o rastreio dos conviventes e o imperativo de "assegurar que os medicamentos são tomados todos os dias". Esta linha orientadora da estratégia DOTS (directly observed therapy short-course), não está a ser totalmente cumprida.»

« Apesar dos números favoráveis divulgados pela Direcção-Geral da Saúde, a "situação no terreno é diferente", pois ainda "há doentes referenciados que levam a medicação para casa", uma situação que favorece o abandono do tratamento, denunciou o pneumologista.»

« Este facto impede que o país alcance a meta dos 85% de taxa de cura, indicador da Organização Mundial de Saúde para medir o sucesso dos países na luta contra a tuberculose, e que leva José Agostinho Marques a concluir que "em Portugal se diagnostica bem a doença, mas trata-se mal".»
(...)

«Ao ver a tuberculose a descer para níveis mais confortáveis, os políticos "tendem a virar a atenção para outras áreas", nomeadamente para as doenças crónicas fruto das alterações demográficas, criticou.

«Por esse motivo, "são necessários outros argumentos" para convencer os políticos e os governantes que esta luta "não dá sossego a nenhum país".»

«É preciso adequar as respostas para fenómenos contemporâneos como a imigração oriunda de países com altas taxas de incidência ou a concomitância do bacilo de Koch com o vírus do VIH/SIDA

«A sugestão do pneumologista passa pela intervenção pública de organizações como a Sociedade Portuguesa de Pneumologia para influenciar o poder, já que "este tema pode não dar votos, mas pode retirar alguns se houver muito ruído na comunicação social".

«E o lugar que Portugal ocupa nesta matéria face à Europa já com 25 estados-membros, onde só os países de Leste têm taxas mais elevadas que a portuguesa, é "uma situação muito incómoda" para as entidades governativas, uma vez que os indicadores de tuberculose tendem a "exprimir bastante bem o que se passa num país, nomeadamente no que respeita a condições sanitárias", frisou o pneumologista.»

«Outro alerta deixado pelo especialista na conferência de encerramento disse respeito ao facto de a melhoria das taxas de incidência trazer também mais "casos difíceis", onde a tuberculose extrapulmonar ganha protagonismo, assim como a multirresistência.

É perante um cenário "em que são necessários mais esforços que os instrumentos do poder têm menos força", concluiu Agostinho Marques. »

Fala quem sabe, com saber de experiência feita. E também quem tem colaborado com os governos socialistas nesta área e conhece as hipocrisias do "sistema". Vale a pena comparar estas declarações, com as (pobres) declarações da Ministra da Saúde ... Tanta poeira!!!

Reprogramação de células adultas

Apesar de muito badaladas (as cotações em bolsa a isso obrigam ...), as células embrionárias continuam ser um quebra cabeças insolúvel pela incapacidade de "domesticar" estas células. De facto, com células embrionárias, neste momento, nada de clinicamente últil se faz.

Mas, segundo a Nature, o cientista japonês Shinya Yamanaka, mostrou que é possível "reprogramar" uma célula somática, para a converter em pluripotente. Com a aplicação desta técnica às células humanas, mudou o panorama da investigação com células estaminais, tornando praticamente supérfluos os esforços - ainda não eficazes - com células embrionárias.

Explicado aqui abaixo (em compliquês ;-))