Jornal de Negócios

20 maio 2009

Os partidos e o financiamento


No Abrupto:
(...)
«a lei do financiamento partidário. Eu compreendo muito bem aquele voto unânime numa lei de interesse próprio, mas não é preciso ser uma águia do pensamento para perceber até que ponto tudo é errado, a lei, o que permite, a oportunidade e a... unanimidade.

Não percebo de todo por que razão um partido como o PSD, que quer ser alternativo ao poder existente, cuja direcção política deve perceber melhor do que ninguém as perversidades que a lei contém, a votou.» (...)

Copiar errado


No Reino Unido o governo admite que as iniciativas de educação sexual obrigatória nas escolas deram resultados opostos ao desejado. (Telegraph, Dezembro de 2007)

Pelos anos 70 as taxas de gravidez na adolescência em Inglaterra eram semelhantes às dos outros países europeus. Após vários décadas de educação sexual obrigatória e universal, e de 150 milhões de libras investidos, o Reino Unido está no primeiro lugar em grávidas adolescentes, na Europa ocidental, com cerca de 50 mil gravidezes anuais em jovens mães de menos de 18 anos.

Na página web do Ministério da Saúde inglês escreve-se que está a ocorrer uma "derrapagem" em relação a este tema.

As políticas seguidas até há pouco, em matéria de educação sexual nas escolas, eram de distribuir contraceptivos e a pílula do dia seguinte nas escolas, sem envolvimento dos pais. Perante a falência deste método, passou a ser possível também o acesso directo na farmácia.

Os críticos dizem que esta estratégia colocou os jovens, sobretudo as raparigas, debaixo de uma pressão crescente para terem relações sexuais cada vez mais cedo.

O porta-voz do Family Education Trust, Norman Wells, afirma que a mensagem que passou foi de que "se removeria qualquer questão que impedisse a actividade sexual" em jovens, enquanto se "mantiveram os pais alheados acerca dos filhos".

"Precisamos de uma cultura que mude radicalmente a ideia de que o sexo é uma mera actividade recreativa".

Os estudos dizem que o acesso aos métodos contraceptivos não reduziu nem a gravidez, que as infecções de transmissão sexual em jovens tem aumentado, bem como a taxa de abortamentos em menores de 18 anos. Também tem subido o insucesso escolar, a par com a taxa de alcoolismo.

Os dados oficiais dizem que entre 1999 e 2005 o número de raparigas com idades entre 16 a 17 anos que engravidaram foi de 39 804, subindo do anterior que já era 39 247. Se a este número se somarem as menores entre 13 a 15 anos de idade, que também engravidaram, o total sobe para 47 277 (também uma subida em relação ao anterior).

47% das gravidezes entre os 16 a 17 anos de idade, terminaram em aborto provocado, contra 42% em 1998. Nas raparigas ainda mais jovens, a taxa de abortos provocados foi de 58%, subindo dos 53% anteriores.

A situação é pior nas áreas mais pobres, segundo o mesmo relatório.

Uma comentarista de questões sociais, Anne Atkins, sublinha que a ênfase acentuada na educação sexual e na contracepção passa a mensagem de que é inevitável ter relações sexuais precoces.

"Parece uma boa ideia", continua, "ter eliminado a timidez em torno do sexo, que era típico dos anos 50, mas apenas a substituímos pela vergonha de ter bebés não planeados a serem educados por mães infantis."

Simon Blake, trabalha em voluntariado para jovens, na área da contracepção e diz: "Precisamos de oferecer aos jovens oportunidades de trabalharem em coisas úteis, de serem alguém na vida da comunidade, de modo que a gravidez na adolescencia não surja como uma hipótese tão atractiva. Nem tudo se resume a educação sexual e contracepção".

19 maio 2009

Discriminação sexual na Suécia - aborto selectivo


O aborto selectivo, em função do sexo, é praticado em larga escala para eliminar milhares de futuras mulheres em países como a China, a Índia ou a Coreia. É menos noticiado o que se passa na Suécia.

O Ministério da Saúde Sueco (Socialstyrelsen), reconheceu recentemente que é legal, na Suécia, o aborto em função do sexo. O caso foi despoletado pela queixa da Direcção de um Hospital, o Hospital de Mälarsjukhuset en Eskilstuna, a quem uma mulher solicitou pela segunda vez a prática de um aborto porque o feto era do sexo feminino.

O Hospital tentou recusar por não querer colaborar numa prática de "discriminação". Mas o parecer jurídico do Ministério é claro: não é possível negar o aborto a uma mulher sejam quais forem as motivações dessa mulher.

O médico responsável pelo Hospital argumenta que "pessoalmente", gostaria de ter a capacidade de objectar ao aborto motivado pela discriminação de sexo. Mas outros dizem que esta discussão é inútil: se há liberdade para abortar, como se separam os motivos "politicamente correctos", dos "outros " motivos?

Na Suécia, a lei o prazo para abortar livermente é até à 18 ª semana. Hoje em dia, uma simples análise de sangue da grávida permite conhecer o sexo do bebé a partir da 8ª semana.

13 maio 2009

Lutas pela paz

O Papa pede o fim do bloqueio à "martirizada Gaza", na homilia da Missa celebrada hoje em Belém.

Ontem, na multitudinária emoção da primeira Missa ao ar livre celebrada em Jerusalém por um Papa, afirmou que a presença dos crentes nos santos lugares é decisiva, uma riqueza para todos e um instrumento de paz.

“Ainda que os cristãos sejam poucos, sua presença é muito importante, porque são os que conseguem dialogar com ambas as partes das populações que vivem aqui”, diz um comentador.

11 maio 2009

O berço vazio

Mais uma reposição a propósito desta noticia.

Considerado um homem de esquerda, cara conhecida da
New America Foundation, um think-tank ideologicamente alinhado, Phillip Longman, demógrafo e investigador, escreveu há cerca de três anos o seu livro mais lido - The Empty Cradle (O Berço Vazio), em que analisa as consequências económicas, políticas e sociais da baixa fecundidade.


Embora a população mundial ainda cresça muito em termos absolutos (cerca de 77 milhões de pessoas por ano), o decréscimo da natalidade é universal, de tal modo que, presentemente, há menos crianças com idade inferior a cinco anos que em 1990.

A fecundação está abaixo do nível de renovação de gerações em praticamente todo o mundo, com excepção da África subsariana.


Isto, acrescenta Longman, não é totalmente mau. «Tanto para as nações, como para os indivíduos, não ter filhos traz muitas vantagens, pelo menos, até se envelhecer».

Muitos economistas acreditam que a baixa da natalidade permitiu o crescimento económico em flecha no Japão e noutros países asiáticos porque reduziu o grau de dependência. Contudo, com o tempo, chega-se a um envelhecimento da população em geral que traz novos problemas.


O mais importante é que há, cada vez menos activos para sustentar cada vez mais velhos, o que está a afectar a Segurança Social e as próprias famílias. «Se uma pessoa não tem irmãos, como acontece cada vez com mais frequência em grande parte do mundo actual, não terá ninguém que partilhe com ele o encargo de cuidar dos pais quando forem mais velhos».


As pessoas da tendência ideológica de Longman não costumam falar assim. O próprio reconhece que «a maioria dos que se chamam “progressistas” não concordam comigo quando considero que a baixa fecundidade é um problema». Uns acreditam que, assim, haverá mais recursos para os pobres; muitos ecologistas consideram que, a diminuição da população, é um bem para o meio ambiente; «a feministas, gays e, de um modo geral, aos que não querem ter filhos, costuma soar-lhes a ameaça a ideia de que a sociedade actual precise de mais crianças».


Mas Longman estudou o problema e está preocupado. «Por exemplo, nos Estados Unidos o ar e a água são mais puros actualmente dos que em 1940, quando a população era metade da que é actualmente. Não é paradoxo. O aumento da população estimula a utilização dos recursos de modo mais eficaz e limpo (…). De igual modo, foi o aumento da população é o que os levou a descobrir como melhorar o rendimento dos terrenos de cultivo».


«Efectivamente, a produção de alimentos por cabeça é a mais alta de sempre, embora a população mundial ultrapasse os seis mil milhões». Além disso, nos «Estados Unidos da América há mais área de floresta do que no século XIX, devido ao facto de haver menos necessidade de terreno para cultivar».


Há ainda um outro argumento. «os progressistas costumam esquecer que muitas das suas opiniões sobre a reprodução humana, bem como o “direito da mulher a escolher”, só ganharam apoio suficiente quando o medo da superpopulação começou a impregnar a cultura nos anos sessenta e setenta. (…) Também esquecem que se eles próprios recusam ter filhos, o futuro estará nas mãos dos que militam no lado contrário. Finalmente, os progressistas esquecem que se a população não cresce, as suas «queridas jóias da coroa», o Estado do bem-estar e a Segurança Social, se tornam insustentáveis».


Quem são, afinal os que – apesar de tudo – têm famílias numerosas? interroga-se Logman. «A resposta mais exacta é: as pessoas com profundas convicções religiosas». Por exemplo, na Europa, afirma Longman, calcula-se que a diferença de fecundidade entre crentes e não crentes é de 15 a 20%.

Em conclusão, especifica Longman, nem todos os que nascem em famílias profundamente religiosas o são por sua vez; contudo, muitos deles sim, são religiosos e, então é mais provável que também eles próprios tenham filhos. «Deste modo, os crentes começam a «herdar» a sociedade “devido à retirada dos rivais”. A população total do Ocidente talvez baixe ou fique ao mesmo nível durante algum tempo, mas uma parte desproporcionadamente grande dos que restarem, serão defensores convictos da causa de Deus e da família».
(resumo em Aceprensa)




08 maio 2009

"Um só propósito" (liberdade precisa-se)

Reponho este post, porque vem mesmo a propósito de um assunto do momento em que se debate a liberdade, essa coisa tão cara a todos, e essencial à democracia:


António Barreto, sociólogo e professor universitário, fez a apresentação do livro de "homílias e escritos pastorais" do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, "Um só Propósito".

«A vontade de ser lido e ouvido por todos (e de por eles ser comentado) é outra forma de grandeza», disse.

«O meu entendimento é o de que a Igreja deve intervir publicamente em tudo o que à condição humana diz respeito. »

(...)
«Se assim for, a Igreja exige para si a liberdade que reconhece aos outros. Os cidadãos ficam a ganhar com isso. É absurdo pensar que a Igreja apenas se ocupa de religião. Qualquer que seja o seu Deus ou a sua concepção da vida eterna, é sempre na Terra, em sociedade, na República, na cidade, que os homens vivem as suas vidas.»

(...)
«Por outro lado, é obviamente um erro pensar que a Igreja se limita aos sacerdotes ou à hierarquia. A Igreja é composta por todos os crentes, os fiéis, a congregação ou a comunidade. Seria incompreensível que apenas os sacerdotes fossem condicionados e limitados, na sua expressão, aos assuntos religiosos. E seria absurdo que as pessoas religiosas não tivessem todos os direitos de cidade!»

(...)
«Tenho para mim que a religião não se deve imiscuir directa e concretamente na vida política e partidária, como o não deve fazer em questões científicas, artísticas ou estéticas. E reciprocamente. A biologia não pede aos cientistas certidão de crença religiosa. A arte musical não se confina a uma religião. A crença religiosa não exclui nem exige preferências políticas. Tal como não é confortável ver políticos interferir na vida da Igreja, não me parece aceitável observar sacerdotes manifestar as suas simpatias por um partido político.»

(...)
«Nos tempos que correm, os homens e as mulheres, as sociedades em geral, têm sentido falta de palavras de contenção e serenidade. Ora, a doutrina cristã, a sua tradição moral e o “ethos” sacerdotal predominante estão bem colocados para contribuir.»

(...)
«É verdade que, entre os religiosos, há forças fundamentalistas geralmente inimigas da tolerância. Mas há uma outra verdade: entre os chamados laicos, entre os agnósticos e os ateus, o fundamentalismo reina também. Os intolerantes que conheço são tanto religiosos como agnósticos. Excluem-se com a mesma fúria e têm a certeza de que os outros estão sempre no erro. Há um fundamentalismo anti-religioso tão perturbador e tão fracturante das sociedades quanto os fundamentalismos religiosos»
(texto completo aqui)

06 maio 2009

depois da pena de morte, moratória sobre o abortamento

O Jornal italiano Il Foglio, propôs nas suas páginas que seja abertamenta discutida uma proposta de moratória sobre o aborto, à semelhança do que se fez com a pena de morte.

O jornal dá exemplos, como a Índia, onde todos os anos se praticam mais de treze milhões de abortos, dos quais a maioria (cerca de 10 milhões) são femininos.

O Director do Jornal, Giuliano Ferrara, define-se a si próprio como "ateu devoto" e trata o assunto como uma questão de cidadania.

“Há uma coisa que nunca na minha vida consegui suportar: a hipocrisia, o mentir a si próprio, saber como vão as coisas e optar por não o dizer. O humanitarismo é uma coisa muito bonita mas, sem uma nova reflexão sobre o facto de, nas últimas três décadas, terem sido abortados mil milhões de seres humanos, a um ritmo de cinquenta milhões por ano, de o aborto ter adquirido uma orientação eugénica, isto é, de melhoramento da espécie, de inspiração sexista… sem isso, o humanitarismo é uma farsa.”


Em seu apoio, tem gente como Lenin Raghavarshi, ateu, comunista, presidente da Comissão Popular de Vigilância dos Direitos Humanos em Uttar Pradesh:

“Não há coisa mais absurda nem mais ridícula do que sugerir que o aborto é uma solução para o problema da fome, porque permite o controlo da população.

Ainda mais absurda e ridícula é a concepção – típica das agências da ONU – de que o excesso de população é o maior perigo para a saúde de uma nação…

Na realidade, o mundo devia atentar com urgência nos aspectos sociopolíticos, a fim de eliminar a fome, a pobreza e a miséria das pessoas”.


Afinal, se queremos atitudes mais consentâneas com a protecção animal, não deveríamos começar pelos humanos? Não é paradoxal que se fale dos "direitos dos animais" enquanto se discriminam os seres humanos na fase mais frágil da vida?

04 maio 2009

Edgar regressa às brincadeiras na rua


O menino mexicano que foi o primeiro caso da gripe que o mundo teme, já está de novo a brincar no seu local do costume, a rua.

01 maio 2009

A má fé ...

A péssima fé

artigo de
Alberto Gonçalves
Sociólogo - alberto@netcabo.pt, no DN, Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

«Sou ateu (por convicção), assisti a duas missas (por favor) e nunca falei com um padre (por acaso). Por isso acho graça a certas pessoas que fazem questão de exibir desprezo pelas opiniões da Igreja e passam os dias a escrutinar as opiniões da Igreja, de modo a dedicar-lhes fúria ou galhofa. E desprezo, claro. Imagino que, à semelhança de uma temporada num spa, o exercício tenha efeitos retemperadores. Desde logo, permite aos iluminados pela descrença confrontarem o seu "progressismo" com a tradição religiosa e sentirem-se imensamente "modernos", "racionais" e, vamos lá, superiores.

É por isso que essa gente aguenta calamidades sem se distrair do essencial: se Lisboa sofresse um terramoto de magnitude oito, os fundamentalistas ateus estariam no meio dos escombros, a criticar nos respectivos blogues as últimas declarações de um bispo qualquer sobre a homossexualidade. Não conheço católicos assim atentos à doutrina eclesiástica.

Ainda há dias, as notícias de que a economia nacional afocinhou para níveis quase inéditos foram, em alguns meios, ignoradas em favor de uma frase do cardeal patriarca acerca dos contraceptivos. Disse D. José Policarpo: "O preservativo é falível". Num ápice, as caixas de comentários on line encheram-se de comentários furiosos com a irresponsabilidade e o reaccionarismo do homem. Inchados com o seu íntimo esclarecimento, nenhum dos comentadores desmentiu um simples facto: o preservativo é falível.


A polémica, aliás, limitou-se a reproduzir à escala caseira a anterior polémica global que envolveu o Papa. O Papa disse: "Combater a sida (em África) com preservativos pode agravar o problema." Seguiram-se indignação, protestos e acusações de que Bento XVI aspira ao extermínio dos africanos. Nenhum dos indignados ouviu as inúmeras vozes locais que invocaram especificidades (culturais, económicas, sexuais, clínicas, etc.) para defender uma tese (naturalmente discutível): combater a sida em África com preservativos pode agravar o problema.


E, de qualquer modo, ninguém notou a irrelevância de tudo isto num continente em que os próprios políticos (e as políticas que produzem) chegam a recusar a existência de doenças venéreas. Na África do Sul, onde vive quase um terço dos africanos infectados com Sida, o presidente recém-eleito viu-se em 2006 julgado por violação de uma portadora de VIH. Acabou absolvido e a proclamar que o vírus mal contamina os homens e que, se contaminar, sai com um duche. Já o antecessor de Jacob Zuma, Thabo Mbeki, negava o vírus e nomeava ministras da Saúde avessas a medicamentos e crentes nas virtudes curativas do alho e do limão.


Talvez a sida se resolva mesmo com alho e limão, não sei. Sei que muitos profissionais da racionalidade não condenam o ANC, dono e senhor do território, pelo genocídio calculado de que acusam com furor uma religião sem poder real e seguida (ou "seguida") por 7% dos sul-africanos. Exotismo? Paternalismo? Oportunismo? Ideologia? Mandela? Seria útil perceber o critério que decide entre a aflição humanitária e a indiferença, mas suspeito tratar-se, ironicamente, de uma questão de fé. Boa ou má-fé, de acordo com o ponto de vista.»

28 abril 2009

MEP (versão Monty Python)

O Movimento Esperança Portugal (MEP) montou este video no YouTube a propósito das próximas Eleições Europeias.

27 abril 2009

Big Brother


J. Pacheco Pereira, no Público em 25 de Abril de 2009

(...)
«estamos a construir uma sociedade vigiada e controlada, sempre pelas melhores e mais "eficazes" razões, mas que é um maná para quem começar a abusar da lei.

E mais: se houver uma deriva totalitária ela começará por aí, pela utilização destes novos instrumentos instalados por governantes yuppies sem respeito pelas liberdades, e para quem a palavra "indivíduo" é um anátema e o estado um dogma racional.

Todas as comissões reguladoras, todas as "entidades", todas as múltiplas instâncias que nos deviam "proteger" da violação dos nossos dados, defendendo a nossa privacidade, acabarão por ser controladas pelo melhor método, pela escolha das pessoas certas para os lugares certos, pela crescente aprovação de leis que as tornam ineficazes, pela redução ao quixotesco, arcaico e pouco moderno dessas preocupações antiquadas com a liberdade contra a eficácia e comodismo das novas tecnologias.


Neste 25 de Abril preocupa-me estarmos a construir a perfeita sociedade totalitária em plena democracia. A preparar o órgão, a polir a função. Só falta haver alguém que o queira usar, que tem tudo preparado. Por nós.»
(acesso integral no Abrupto)

Gripe

Instruções da Direcção Geral da Saúde:
(...)
«Os viajantes que regressem de áreas atingidas ou que tenham tido contacto próximo com
qualquer pessoa infectada e que apresentem sintomas de gripe (febre alta de início súbito,
tosse, dificuldade respiratória, dores musculares e dores de cabeça)

devem permanecer em casa
e ligar para a Linha Saúde 24, através do número 808 24 24 24
e seguirem as instruções»

Noticia no Público, citando Jaime Mina, especialista do Instituto Ricardo Jorge: (...) «daí que Direcção-Geral de Saúde insista para que as pessoas que estão doentes vão rapidamente aos serviços de saúde»

Para país pequeno, somos bastante grandes ... Não admira que as pessoas já estejam a ligar para o Saúde 24 "por curiosidade". Entretanto com a identificação do primeiro caso, em Espanha, ficou mais perto. Boa altura para ir comprar máscaras, para a cara, e sabão, para as mãos.

Medidas preventivas em épocas de actividade gripal (inspirado no site da Direcção Geral da Saúde)
«1 - COBRIR A BOCA E O NARIZ QUANDO TOSSIR OU ESPIRRAR
CobrIR a boca e o nariz com lenço de papel - evitaR tossir para as mãos
ColocaR o lenço de papel no caixote do lixo (ou nos sanitários)

2 - LAVAR AS MÃOS
LavaR as mãos com água e sabão por, pelo menos, 10 a 15 segundos depois de:
- tossir ou espirrar
- usar a casa de banho
- manusear lixo ou dejectos de animais

3 - MANTER LIMPAS AS ÁREAS ONDE SE PASSA MAIS TEMPO
Limpar estas áreas com detergentes domésticos. Se necessário, desinfectar com lixívia ou álcool, mas com CUIDADO

4 - MANTER “AS DISTÂNCIAS”
Evitar aglomerados de pessoas
Ficar em casa, sempre que possível»

23 abril 2009

Eleições na África do Sul - quem será a primeira-dama?

As próximas eleições presidenciais na África do Sul têm levantado algumas questões interessantes.

O candidato favorito, J
acob Zuma, líder do ANC, tem uma dificuldade de escolha persistente nos comícios. Zuma, um polígamo assumido, vai no quinto casamento, embora apenas lhe restem apenas três esposas, já que uma delas se suicidou, e de outra se divorciou, a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Nkosazana Dlamini. No total, Zuma tem 17 ou 18 filhos, dependendo das fontes ouvidas, Um verdadeiro «pai fundador», tanto em termos políticos como biológicos.

Quem será a primeira-dama?

A constituição sul-africana admite que, aquando do casamento, a pessoa opte pelo regime de poligamia.

A possibilidade de ter um presidente polígamo tem despertado alguma polémica. Que mensagem é que isto transmite aos cidadãos? Qual será a imagem do país no exterior? Isto é compatível com a promoção da igualdade entre sexos?

Há quem diga que a poligamia de Zuma é um sinal do seu atraso cultural, que o desclassifica como candidato a presidente. Mas a África do Sul é um país democrático, com diferentes culturas,: não será que Zuma tem o direito de seguir os seus próprios valores ?S erá a união poligâmica um modelo familiar pior que a monogâmica?

O ANC, tem gerido a situação com algum embaraço: «não vemos nada de mau no desejo de Zuma contrair novo casamento, de acordo com os costumes africanos e a prática tradicional».

É um facto que a poligamia é bastante tradicional nestas paragens. Seguramente mais tradicional que o casamento entre homossexuais, que o Tribunal Constitucional da África do Sul reconheceu em 2005. Se o sexo dos parceiros é irrelevante para o casamento, por que se há-de implicar com o número de parceiros?

De resto, o candidato afirmou sempre, sem complexos, o seu orgulho de polígamo: «Há muitos políticos que têm amantes e filhos que escondem para aparentar que são monogâmicos. Eu prefiro ser sincero. Amo as minhas mulheres e tenho orgulho nos meus filhos.»

Se Zuma for eleito e conseguir escolher a first lady sem pôr em causa a paz familiar, será um sinal da sua capacidade de negociação política...


20 abril 2009

"O debate sobre células estaminais, morreu"

No programa da Oprah:


Num debate televisivo em que estavam presentes o médico comentador residente, Dr. Mehmet Oz, e o rosto da causa da doença de Parkinson, o actor Michael J. Fox, o Dr. Oz disse que "o debate sobre as células estaminais morreu".

"O que vou dizer é um pouco provocador... O que eu penso, Oprah, é que o debate sobre as células estaminais morreu, e explico porquê...

O problema com as células estaminais embrionárias é que essas células estaminais embrionárias provêm de embriões, tal como todos nós viemos de embriões, e essas células podem tornar-se uma célula qualquer no corpo. Mas é muito difícil controlá-las e por isso elas podem transformar-se em células cancerígenas."

"Mas enquanto andávamos a lutar à volta do assunto - luta que desacelerou a investigação - aconteceu uma enorme quantidade de mudanças. Só no último ano fizemos uns 10 anos de avanços. Chegámos onde nunca pensámos chegar."

"E a coisa é assim.
Eu posso pegar num bocadinho da tua pele, tiro umas células, faço-as recuar no tempo, de modo a serem como foram quando foste concebida, e então elas começam a fabricar a tal dopamina. Eu penso que essas células, porque não são susceptíveis de se transformarem em cancro e porque são dos teus genes, vão ser as que irão ser usadas para curar a doença de Parkinson."

"Ninguém pode dizer quanto tempo vamos demorar até conseguir, mas falei com muitos especialistas nesta matéria, e penso que em poucos anos teremos grandes novidades para a saúde dos doentes de Parkinson, e também para os diabéticos, as vítima de ataques cardíacos..."

"Podem ser ainda 8 ou 9 anos, mas será durante a nossa vida e isso é fascinante para todos nós na medicina."
(video aqui)