Jornal de Negócios

29 maio 2009

SIDA - Washington está pior do que África

O médico oncologista Umberto Tirelli, Coordenador do GICAT (Grupo Italiano para a SIDA), recorda numa entrevista recente que «na capital do país mais avançado do mundo, onde a informação sobre o HIV está universalizada, e onde o Vaticano nada conta, o número de pessoas com mais de 12 anos de idade infectadas» supera em difusão o que se passa em alguns países africanos.

«O preservativo é um meio útil, mas a um fumador diz-se que para evitar o cancro do pulmão tem que parar de fumar. Achávamos que, aumentando o uso do preservativo, diminuiriam as infecções, mas o que os números nos dizem é o contrário. O que está a acontecer é que o número de relações sexuais ocasionais, e o número de parceiros, aumentaram.» Aquilo que na cosmopolita Washington não se consegue travar, como se irá resolver em África?

26 maio 2009

1974

Do blog o inimputável.
Demora a ler, mas talvez valha a pena o esforço.

Fazer campanha eleitoral com 5 mil euros

PARTIDO PUM+J (Por Um Mundo + Justo) - 126 mil votos no Senado espanhol, em 2008)


No ABC:

«- Aquilo que estão dizer soa a voluntariado, mas de facto o que querem fazer é política?

- Quem começou esta história foi um espanhol, o António Sieira, que um dia disse que era preciso erradicar a pobreza a partir da área política. Uma coisa tão simples e nunca ninguém a tinha dito de modo tão claro. Acabar com a pobreza é uma decisão política, apenas falta a vontade de o fazer! Conheci de perto a dura realidade em 13 países e acabo de chegar da República Democrática do Congo: o que vi é que o trabalho honesto de muita gente consegue melhorias pontuais, e transformações, que depois não perduram porque não há vontade política. Por isso queremos chegar até ao Parlamento Europeu no 7 de Junho. Isto, para nós, é muito claro.



- Parece-me é que têm mais moral do que uma equipa de futebol!

- Podes apostar. Eu até sou do Atlético! É preciso tentar. Somos um partido com cinco anos de vida e perseguimos um objectivo muito específico que é acabar com a pobreza. Se é verdade que todos os dias morrem crianças por causas evitáveis, é para essas crianças que trabalhamos, para lhes dar uma oportunidade. Não podemos ficar à espera até 2014. Ou melhor, nós até podemos esperar, mas essas crianças, não. Embora isto soe a conhecido, nós queremos ser "a voz dos que não têm voz". É por isso que queremos ser conhecidos. E queremos votos, obviamente.


- A verdade é que os partidos como o PUM+J só são conhecidos graças à Internet.

- É evidente. Também com orçamentos de campanha de 5 mil euros ... Tentamos ser criativos, mas também estar presentes na rua, com as pessoas. O próximo evento será na Praça de Touros de Madrid. Caso seja eleito, o meu salário de deputado irá directo para o sustento do partido.


- Os mal intencionados dirão que como sabem que não podem ganhar eleições, podem prometer o que quiserem ...

- Estes compromissos estão escritos e assinados! Não temos nenhum problema em cumpri-los e, além disso, estou com imensa vontade de o fazer. E a verdade é que estou convencido de que podemos ser eleitos.


- Com esse inconformismo, presumo que aceitem mal as absurdas doses ultra-mediáticas com episódios como o do alfaiate de Camps ...

-Não sei bem o que é que pode haver por trás de tanto gasto informativo à roda do assunto. Mas o Estatuto da Catalunha esteve vários anos no palco mediático e depois foram votá-lo 23% dos cidadãos ... Ainda antes de que eu nascesse, já se discutia se devíamos, ou não, dar 0,7% do nosso PIB para ajudas ao desenvolvimento. A verdade é que entre Setembro e Dezembro do ano passado demos 14,3% do PIB para ajudar a Banca! Portanto, as pessoas que valor têm? É isto que me preocupa.


- Como acha que conseguirá convencer os eleitores de que a sua opção não é um voluntarismo ingénuo?

- Não é, não. É fácil. Olhe [agita o Programa Eleitoral], aqui estão recolhidas 15 medidas para acabar com a pobreza. São medidas práticas e efectivas. Perdões de dívida, patentes de medicamentos, comércio de armas ... Temos que ser sérios. As balas de espingarda que matam no Congo são fabricadas em Espanha.


- O vosso grupo afirma-se com militância ideologicamente variada. Defendem aquilo a que se chama actualmente "transversalidade"?

- Aquilo que defendemos não é monopólio da direita, nem da esquerda. Há um slogan que repetimos muito: somos a primeira geração capaz de acabar com a pobreza. Houve 189 Chefes de Estado que assinaram os objectivos de desenvolvimento para o milénio, uns compromissos minimalistas. O que lhes pedimos é que os cumpram! E como parece que, afinal, não o fazem, graças à linguagem dos votos, iremos a Bruxelas pedir-lhes contas!

20 maio 2009

Os partidos e o financiamento


No Abrupto:
(...)
«a lei do financiamento partidário. Eu compreendo muito bem aquele voto unânime numa lei de interesse próprio, mas não é preciso ser uma águia do pensamento para perceber até que ponto tudo é errado, a lei, o que permite, a oportunidade e a... unanimidade.

Não percebo de todo por que razão um partido como o PSD, que quer ser alternativo ao poder existente, cuja direcção política deve perceber melhor do que ninguém as perversidades que a lei contém, a votou.» (...)

Copiar errado


No Reino Unido o governo admite que as iniciativas de educação sexual obrigatória nas escolas deram resultados opostos ao desejado. (Telegraph, Dezembro de 2007)

Pelos anos 70 as taxas de gravidez na adolescência em Inglaterra eram semelhantes às dos outros países europeus. Após vários décadas de educação sexual obrigatória e universal, e de 150 milhões de libras investidos, o Reino Unido está no primeiro lugar em grávidas adolescentes, na Europa ocidental, com cerca de 50 mil gravidezes anuais em jovens mães de menos de 18 anos.

Na página web do Ministério da Saúde inglês escreve-se que está a ocorrer uma "derrapagem" em relação a este tema.

As políticas seguidas até há pouco, em matéria de educação sexual nas escolas, eram de distribuir contraceptivos e a pílula do dia seguinte nas escolas, sem envolvimento dos pais. Perante a falência deste método, passou a ser possível também o acesso directo na farmácia.

Os críticos dizem que esta estratégia colocou os jovens, sobretudo as raparigas, debaixo de uma pressão crescente para terem relações sexuais cada vez mais cedo.

O porta-voz do Family Education Trust, Norman Wells, afirma que a mensagem que passou foi de que "se removeria qualquer questão que impedisse a actividade sexual" em jovens, enquanto se "mantiveram os pais alheados acerca dos filhos".

"Precisamos de uma cultura que mude radicalmente a ideia de que o sexo é uma mera actividade recreativa".

Os estudos dizem que o acesso aos métodos contraceptivos não reduziu nem a gravidez, que as infecções de transmissão sexual em jovens tem aumentado, bem como a taxa de abortamentos em menores de 18 anos. Também tem subido o insucesso escolar, a par com a taxa de alcoolismo.

Os dados oficiais dizem que entre 1999 e 2005 o número de raparigas com idades entre 16 a 17 anos que engravidaram foi de 39 804, subindo do anterior que já era 39 247. Se a este número se somarem as menores entre 13 a 15 anos de idade, que também engravidaram, o total sobe para 47 277 (também uma subida em relação ao anterior).

47% das gravidezes entre os 16 a 17 anos de idade, terminaram em aborto provocado, contra 42% em 1998. Nas raparigas ainda mais jovens, a taxa de abortos provocados foi de 58%, subindo dos 53% anteriores.

A situação é pior nas áreas mais pobres, segundo o mesmo relatório.

Uma comentarista de questões sociais, Anne Atkins, sublinha que a ênfase acentuada na educação sexual e na contracepção passa a mensagem de que é inevitável ter relações sexuais precoces.

"Parece uma boa ideia", continua, "ter eliminado a timidez em torno do sexo, que era típico dos anos 50, mas apenas a substituímos pela vergonha de ter bebés não planeados a serem educados por mães infantis."

Simon Blake, trabalha em voluntariado para jovens, na área da contracepção e diz: "Precisamos de oferecer aos jovens oportunidades de trabalharem em coisas úteis, de serem alguém na vida da comunidade, de modo que a gravidez na adolescencia não surja como uma hipótese tão atractiva. Nem tudo se resume a educação sexual e contracepção".

19 maio 2009

Discriminação sexual na Suécia - aborto selectivo


O aborto selectivo, em função do sexo, é praticado em larga escala para eliminar milhares de futuras mulheres em países como a China, a Índia ou a Coreia. É menos noticiado o que se passa na Suécia.

O Ministério da Saúde Sueco (Socialstyrelsen), reconheceu recentemente que é legal, na Suécia, o aborto em função do sexo. O caso foi despoletado pela queixa da Direcção de um Hospital, o Hospital de Mälarsjukhuset en Eskilstuna, a quem uma mulher solicitou pela segunda vez a prática de um aborto porque o feto era do sexo feminino.

O Hospital tentou recusar por não querer colaborar numa prática de "discriminação". Mas o parecer jurídico do Ministério é claro: não é possível negar o aborto a uma mulher sejam quais forem as motivações dessa mulher.

O médico responsável pelo Hospital argumenta que "pessoalmente", gostaria de ter a capacidade de objectar ao aborto motivado pela discriminação de sexo. Mas outros dizem que esta discussão é inútil: se há liberdade para abortar, como se separam os motivos "politicamente correctos", dos "outros " motivos?

Na Suécia, a lei o prazo para abortar livermente é até à 18 ª semana. Hoje em dia, uma simples análise de sangue da grávida permite conhecer o sexo do bebé a partir da 8ª semana.

13 maio 2009

Lutas pela paz

O Papa pede o fim do bloqueio à "martirizada Gaza", na homilia da Missa celebrada hoje em Belém.

Ontem, na multitudinária emoção da primeira Missa ao ar livre celebrada em Jerusalém por um Papa, afirmou que a presença dos crentes nos santos lugares é decisiva, uma riqueza para todos e um instrumento de paz.

“Ainda que os cristãos sejam poucos, sua presença é muito importante, porque são os que conseguem dialogar com ambas as partes das populações que vivem aqui”, diz um comentador.

11 maio 2009

O berço vazio

Mais uma reposição a propósito desta noticia.

Considerado um homem de esquerda, cara conhecida da
New America Foundation, um think-tank ideologicamente alinhado, Phillip Longman, demógrafo e investigador, escreveu há cerca de três anos o seu livro mais lido - The Empty Cradle (O Berço Vazio), em que analisa as consequências económicas, políticas e sociais da baixa fecundidade.


Embora a população mundial ainda cresça muito em termos absolutos (cerca de 77 milhões de pessoas por ano), o decréscimo da natalidade é universal, de tal modo que, presentemente, há menos crianças com idade inferior a cinco anos que em 1990.

A fecundação está abaixo do nível de renovação de gerações em praticamente todo o mundo, com excepção da África subsariana.


Isto, acrescenta Longman, não é totalmente mau. «Tanto para as nações, como para os indivíduos, não ter filhos traz muitas vantagens, pelo menos, até se envelhecer».

Muitos economistas acreditam que a baixa da natalidade permitiu o crescimento económico em flecha no Japão e noutros países asiáticos porque reduziu o grau de dependência. Contudo, com o tempo, chega-se a um envelhecimento da população em geral que traz novos problemas.


O mais importante é que há, cada vez menos activos para sustentar cada vez mais velhos, o que está a afectar a Segurança Social e as próprias famílias. «Se uma pessoa não tem irmãos, como acontece cada vez com mais frequência em grande parte do mundo actual, não terá ninguém que partilhe com ele o encargo de cuidar dos pais quando forem mais velhos».


As pessoas da tendência ideológica de Longman não costumam falar assim. O próprio reconhece que «a maioria dos que se chamam “progressistas” não concordam comigo quando considero que a baixa fecundidade é um problema». Uns acreditam que, assim, haverá mais recursos para os pobres; muitos ecologistas consideram que, a diminuição da população, é um bem para o meio ambiente; «a feministas, gays e, de um modo geral, aos que não querem ter filhos, costuma soar-lhes a ameaça a ideia de que a sociedade actual precise de mais crianças».


Mas Longman estudou o problema e está preocupado. «Por exemplo, nos Estados Unidos o ar e a água são mais puros actualmente dos que em 1940, quando a população era metade da que é actualmente. Não é paradoxo. O aumento da população estimula a utilização dos recursos de modo mais eficaz e limpo (…). De igual modo, foi o aumento da população é o que os levou a descobrir como melhorar o rendimento dos terrenos de cultivo».


«Efectivamente, a produção de alimentos por cabeça é a mais alta de sempre, embora a população mundial ultrapasse os seis mil milhões». Além disso, nos «Estados Unidos da América há mais área de floresta do que no século XIX, devido ao facto de haver menos necessidade de terreno para cultivar».


Há ainda um outro argumento. «os progressistas costumam esquecer que muitas das suas opiniões sobre a reprodução humana, bem como o “direito da mulher a escolher”, só ganharam apoio suficiente quando o medo da superpopulação começou a impregnar a cultura nos anos sessenta e setenta. (…) Também esquecem que se eles próprios recusam ter filhos, o futuro estará nas mãos dos que militam no lado contrário. Finalmente, os progressistas esquecem que se a população não cresce, as suas «queridas jóias da coroa», o Estado do bem-estar e a Segurança Social, se tornam insustentáveis».


Quem são, afinal os que – apesar de tudo – têm famílias numerosas? interroga-se Logman. «A resposta mais exacta é: as pessoas com profundas convicções religiosas». Por exemplo, na Europa, afirma Longman, calcula-se que a diferença de fecundidade entre crentes e não crentes é de 15 a 20%.

Em conclusão, especifica Longman, nem todos os que nascem em famílias profundamente religiosas o são por sua vez; contudo, muitos deles sim, são religiosos e, então é mais provável que também eles próprios tenham filhos. «Deste modo, os crentes começam a «herdar» a sociedade “devido à retirada dos rivais”. A população total do Ocidente talvez baixe ou fique ao mesmo nível durante algum tempo, mas uma parte desproporcionadamente grande dos que restarem, serão defensores convictos da causa de Deus e da família».
(resumo em Aceprensa)




08 maio 2009

"Um só propósito" (liberdade precisa-se)

Reponho este post, porque vem mesmo a propósito de um assunto do momento em que se debate a liberdade, essa coisa tão cara a todos, e essencial à democracia:


António Barreto, sociólogo e professor universitário, fez a apresentação do livro de "homílias e escritos pastorais" do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, "Um só Propósito".

«A vontade de ser lido e ouvido por todos (e de por eles ser comentado) é outra forma de grandeza», disse.

«O meu entendimento é o de que a Igreja deve intervir publicamente em tudo o que à condição humana diz respeito. »

(...)
«Se assim for, a Igreja exige para si a liberdade que reconhece aos outros. Os cidadãos ficam a ganhar com isso. É absurdo pensar que a Igreja apenas se ocupa de religião. Qualquer que seja o seu Deus ou a sua concepção da vida eterna, é sempre na Terra, em sociedade, na República, na cidade, que os homens vivem as suas vidas.»

(...)
«Por outro lado, é obviamente um erro pensar que a Igreja se limita aos sacerdotes ou à hierarquia. A Igreja é composta por todos os crentes, os fiéis, a congregação ou a comunidade. Seria incompreensível que apenas os sacerdotes fossem condicionados e limitados, na sua expressão, aos assuntos religiosos. E seria absurdo que as pessoas religiosas não tivessem todos os direitos de cidade!»

(...)
«Tenho para mim que a religião não se deve imiscuir directa e concretamente na vida política e partidária, como o não deve fazer em questões científicas, artísticas ou estéticas. E reciprocamente. A biologia não pede aos cientistas certidão de crença religiosa. A arte musical não se confina a uma religião. A crença religiosa não exclui nem exige preferências políticas. Tal como não é confortável ver políticos interferir na vida da Igreja, não me parece aceitável observar sacerdotes manifestar as suas simpatias por um partido político.»

(...)
«Nos tempos que correm, os homens e as mulheres, as sociedades em geral, têm sentido falta de palavras de contenção e serenidade. Ora, a doutrina cristã, a sua tradição moral e o “ethos” sacerdotal predominante estão bem colocados para contribuir.»

(...)
«É verdade que, entre os religiosos, há forças fundamentalistas geralmente inimigas da tolerância. Mas há uma outra verdade: entre os chamados laicos, entre os agnósticos e os ateus, o fundamentalismo reina também. Os intolerantes que conheço são tanto religiosos como agnósticos. Excluem-se com a mesma fúria e têm a certeza de que os outros estão sempre no erro. Há um fundamentalismo anti-religioso tão perturbador e tão fracturante das sociedades quanto os fundamentalismos religiosos»
(texto completo aqui)

06 maio 2009

depois da pena de morte, moratória sobre o abortamento

O Jornal italiano Il Foglio, propôs nas suas páginas que seja abertamenta discutida uma proposta de moratória sobre o aborto, à semelhança do que se fez com a pena de morte.

O jornal dá exemplos, como a Índia, onde todos os anos se praticam mais de treze milhões de abortos, dos quais a maioria (cerca de 10 milhões) são femininos.

O Director do Jornal, Giuliano Ferrara, define-se a si próprio como "ateu devoto" e trata o assunto como uma questão de cidadania.

“Há uma coisa que nunca na minha vida consegui suportar: a hipocrisia, o mentir a si próprio, saber como vão as coisas e optar por não o dizer. O humanitarismo é uma coisa muito bonita mas, sem uma nova reflexão sobre o facto de, nas últimas três décadas, terem sido abortados mil milhões de seres humanos, a um ritmo de cinquenta milhões por ano, de o aborto ter adquirido uma orientação eugénica, isto é, de melhoramento da espécie, de inspiração sexista… sem isso, o humanitarismo é uma farsa.”


Em seu apoio, tem gente como Lenin Raghavarshi, ateu, comunista, presidente da Comissão Popular de Vigilância dos Direitos Humanos em Uttar Pradesh:

“Não há coisa mais absurda nem mais ridícula do que sugerir que o aborto é uma solução para o problema da fome, porque permite o controlo da população.

Ainda mais absurda e ridícula é a concepção – típica das agências da ONU – de que o excesso de população é o maior perigo para a saúde de uma nação…

Na realidade, o mundo devia atentar com urgência nos aspectos sociopolíticos, a fim de eliminar a fome, a pobreza e a miséria das pessoas”.


Afinal, se queremos atitudes mais consentâneas com a protecção animal, não deveríamos começar pelos humanos? Não é paradoxal que se fale dos "direitos dos animais" enquanto se discriminam os seres humanos na fase mais frágil da vida?

04 maio 2009

Edgar regressa às brincadeiras na rua


O menino mexicano que foi o primeiro caso da gripe que o mundo teme, já está de novo a brincar no seu local do costume, a rua.

01 maio 2009

A má fé ...

A péssima fé

artigo de
Alberto Gonçalves
Sociólogo - alberto@netcabo.pt, no DN, Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

«Sou ateu (por convicção), assisti a duas missas (por favor) e nunca falei com um padre (por acaso). Por isso acho graça a certas pessoas que fazem questão de exibir desprezo pelas opiniões da Igreja e passam os dias a escrutinar as opiniões da Igreja, de modo a dedicar-lhes fúria ou galhofa. E desprezo, claro. Imagino que, à semelhança de uma temporada num spa, o exercício tenha efeitos retemperadores. Desde logo, permite aos iluminados pela descrença confrontarem o seu "progressismo" com a tradição religiosa e sentirem-se imensamente "modernos", "racionais" e, vamos lá, superiores.

É por isso que essa gente aguenta calamidades sem se distrair do essencial: se Lisboa sofresse um terramoto de magnitude oito, os fundamentalistas ateus estariam no meio dos escombros, a criticar nos respectivos blogues as últimas declarações de um bispo qualquer sobre a homossexualidade. Não conheço católicos assim atentos à doutrina eclesiástica.

Ainda há dias, as notícias de que a economia nacional afocinhou para níveis quase inéditos foram, em alguns meios, ignoradas em favor de uma frase do cardeal patriarca acerca dos contraceptivos. Disse D. José Policarpo: "O preservativo é falível". Num ápice, as caixas de comentários on line encheram-se de comentários furiosos com a irresponsabilidade e o reaccionarismo do homem. Inchados com o seu íntimo esclarecimento, nenhum dos comentadores desmentiu um simples facto: o preservativo é falível.


A polémica, aliás, limitou-se a reproduzir à escala caseira a anterior polémica global que envolveu o Papa. O Papa disse: "Combater a sida (em África) com preservativos pode agravar o problema." Seguiram-se indignação, protestos e acusações de que Bento XVI aspira ao extermínio dos africanos. Nenhum dos indignados ouviu as inúmeras vozes locais que invocaram especificidades (culturais, económicas, sexuais, clínicas, etc.) para defender uma tese (naturalmente discutível): combater a sida em África com preservativos pode agravar o problema.


E, de qualquer modo, ninguém notou a irrelevância de tudo isto num continente em que os próprios políticos (e as políticas que produzem) chegam a recusar a existência de doenças venéreas. Na África do Sul, onde vive quase um terço dos africanos infectados com Sida, o presidente recém-eleito viu-se em 2006 julgado por violação de uma portadora de VIH. Acabou absolvido e a proclamar que o vírus mal contamina os homens e que, se contaminar, sai com um duche. Já o antecessor de Jacob Zuma, Thabo Mbeki, negava o vírus e nomeava ministras da Saúde avessas a medicamentos e crentes nas virtudes curativas do alho e do limão.


Talvez a sida se resolva mesmo com alho e limão, não sei. Sei que muitos profissionais da racionalidade não condenam o ANC, dono e senhor do território, pelo genocídio calculado de que acusam com furor uma religião sem poder real e seguida (ou "seguida") por 7% dos sul-africanos. Exotismo? Paternalismo? Oportunismo? Ideologia? Mandela? Seria útil perceber o critério que decide entre a aflição humanitária e a indiferença, mas suspeito tratar-se, ironicamente, de uma questão de fé. Boa ou má-fé, de acordo com o ponto de vista.»

28 abril 2009

MEP (versão Monty Python)

O Movimento Esperança Portugal (MEP) montou este video no YouTube a propósito das próximas Eleições Europeias.

27 abril 2009

Big Brother


J. Pacheco Pereira, no Público em 25 de Abril de 2009

(...)
«estamos a construir uma sociedade vigiada e controlada, sempre pelas melhores e mais "eficazes" razões, mas que é um maná para quem começar a abusar da lei.

E mais: se houver uma deriva totalitária ela começará por aí, pela utilização destes novos instrumentos instalados por governantes yuppies sem respeito pelas liberdades, e para quem a palavra "indivíduo" é um anátema e o estado um dogma racional.

Todas as comissões reguladoras, todas as "entidades", todas as múltiplas instâncias que nos deviam "proteger" da violação dos nossos dados, defendendo a nossa privacidade, acabarão por ser controladas pelo melhor método, pela escolha das pessoas certas para os lugares certos, pela crescente aprovação de leis que as tornam ineficazes, pela redução ao quixotesco, arcaico e pouco moderno dessas preocupações antiquadas com a liberdade contra a eficácia e comodismo das novas tecnologias.


Neste 25 de Abril preocupa-me estarmos a construir a perfeita sociedade totalitária em plena democracia. A preparar o órgão, a polir a função. Só falta haver alguém que o queira usar, que tem tudo preparado. Por nós.»
(acesso integral no Abrupto)