Jornal de Negócios

22 junho 2009

Leituras

Aprender a escutar

Um livro sobre a mais acessível ferramenta das relações humanas, escrito por um psiquiatra e professor de medicina.

Como falar, como escutar.

Edições
DIEL, Lisboa 2009, 352 páginas.


Intelectuais


Do famoso historiador inglês, Paul Johnson. Um livro provocador
sobre a biografia de intelectuais de grande peso histórico, como Rousseau, Marx, Tolstoi, Russell, Edmund Wilson, entre outros.

Editora
Guerra e Paz, Lisboa 2009, 496 páginas.






Um Mundo sem pobreza.

Mais um livro de Yunus, com as histórias de sucesso de milhares de pessoas anónimas que sairam da pobreza para se tornarem empresários por conta própria.

Conta também a história do próprio Yunus e a de muitas mulheres que constituem não só 94% dos beneficiários do banco, como também grande parte dos "funcionários" da instituição, a quem se exige um trabalho no terreno, muito longe das burocracias e teorias dos G's da "grande" (e falida ...) economia global.


Editora Difel.



A epidemia do narcisismo: The narcissism epidemics, living in the age of entitlement, por Jean M. Twenge, W. Keith Campbell. Free Press. New York (2009).




Dois sociólogos norte-americanos exploram os determinantes desta nova epidemia - a obsessão pelo ego (egotismo) - que se difunde graças à proliferação dos recursos para a auto-promoção.



15 junho 2009

Maneiras de acabar com os pobres ... (mas não com a pobreza)


Vem no Times que o Clube de multimilionários Gates + 6 , resolveu dedicar-se a propor um modo de reduzir a população mundial.

Deste exclusivo clube, além do patrão da Microsoft, Bill Gates, fazem parte os mais ricos dos EUA: David Rockefeller Jr., Warren Buffet, George Soros, Michael Bloomberg, Ted Turner e Oprah Winfrey.

Reunidos em casa de Paul Nurse, Prémio Nobel de bioquímica e Presidente da Rockefeller University, tinham como objectivo definir qual a próxima causa filantrópica a apoiar, causa que lhes garantisse, ao mesmo tempo, cobrir eventuais riscos para as suas fortunas.


Há uns meses, Bill Gates já o tinha dito e com números: “Official projections say the world’s population will peak at 9.3 billion [up from 6.6 billion today] but with charitable initiatives, such as better reproductive healthcare, we think we can cap that at 8.3 billion”. (“As projecções oficiais dizem que a população do mundo chegará ao ponto máximo de 9,3 mil milhões [hoje, são 6,6 mil milhões]; mas com iniciativas caritativas, tais como melhores serviços de saúde reprodutiva, pensamos que poderemos estabilizar nos 8,3 mil milhões”)


No calão actual, “better reproductive healthcare” / "saúde reprodutiva", quer dizer negócios millionários, à escala global, vendendo produtos para contracepção e aborto, especialmente nos países pobres, vistos como uma ameaça para os países ricos ... De facto, o famoso e antigo Relatório Kissinger, continua bastante na moda: o aumento da população dos países menos desenvolvidos é considerado uma ameaça à prosperidade do mundo capitalista.

Gates e os seus multimilionários amigos não referem que o que está a acontecer à população é uma coisa bem diferente: como diz
Barry McLerran, autor do documentário Demographic Winter, a taxa de crescimento da população diminuiu cerca de 50% nos últimos 30 anos.

A fertilidade nos países desenvolvidos está abaixo do índice de renovação das gerações. Se as coisas não mudarem, a tendência indica que, em vez de excesso de população, a crise que virá a meados deste século será oposta: uma crise de subpopulação.


Mas para estes americanos ricos, geralmente conhecidos por WASP (White Anglo-Saxon Protestant), o mundo é, em última análise, um mercado.

Mas mesmo que o fosse – e não é – a ideia de aplicar as estratégias e tácticas de mercado de modo nenhum garante que isso favoreça o bem comum e a vida da humanidade.

Tem um sabor desagradável, a raiar a cultura do traficante, considerar as populações como números e agentes do mercado, em vez de as considerar como pessoas e cidadãos.

Mas a verdade é que, como diz no seu artigo Michael Cook, ("Governments have few tools to increase births"), é que analisando os dados disponíveis (...) "using every tool available, governments may be able to increase the number of children being born by a bit – but just a little bit. And nothing they do will stop population ageing".

(...) «usando todos os instrumentos disponíveis, os governos podem aumentar ligeiramente o número de nascimentos – mas só ligeiramente. E nada do que façam poderá parar o envelhecimento demográfico.»


Esta é uma verdade inconveniente que trará muitos dissabores às próximas gerações, tantos mais, quanto mais tarde começarmos a mudar de rumo.

10 junho 2009

Je suis noir et je n'aime pas le manioc


«existe uma exploração mediática do continente ou da sua miséria por parte de algumas personalidades do espectáculo e da política. Tornou-se quase uma moda fazer-se fotografar com os pobres, os doentes e os miseráveis do continente africano»
(...) mas há «pelo menos outros três modos nos quais se costuma falar da África e dos africanos, representados respectivamente por três autores contemporâneos. Enquanto Kuki Gallmann (Sognavo l’Africa, Milão, Mondadori, 1993) fala do continente com amor e nostalgia, Gaston Kelman (Je suis noir et je n'aime pas le manioc, Paris, Max Milo, 2003) usa o humorismo e uma série de anedotas, contos e argúcias para enfrentar vários preconceitos que as pessoas de ascendência africana encontram fora, mas também dentro da África (...) (Mons. Nwachukwu, Secretaria De Estado do Vaticano)

«Pourquoi me reconnaîtrais-je dans le malheur ? Jusqu'à
quand est-on descendant d'esclave ? Je n'ai pas vocation à me soucier des Noirs plus que des autres.
Si j'ai une communauté, c'est la France. »

(G Kelman)

01 junho 2009

células pluripotentes adultas tratam Anemia de Fanconi


Na Universidade Autónoma de Barcelona, cientistas do Centro de medicina Regenerativa e do Departamento de Genética, em parceria com o Instituto Salk, na California, usaram células da pele de doentes com Anemia de Fanconi, que depois de reprogramadas (células iPS), foram implantadas em doentes com anemia hereditária de Fanconi, com inicio da produção de células sanguíneas normais.

Embora este trabalho, publicado na edição online da Nature de 31 de Maio, ainda esteja na fase experimental, é a primeira vez que se consegue gerar células saudáveis a partir de células dos próprios doentes, ultrapassando os problemas da compatibilidade e da rejeição que surgem quando se usam células alheias.

"Ainda é cedo para se falar de cura de doentes", explica um dos investigadores. "Para já apenas «curámos» uma célula, mas se se provar que este método pode ser aplicado clinicamente", não haverá limites ao que poderemos fazer.


29 maio 2009

SIDA - Washington está pior do que África

O médico oncologista Umberto Tirelli, Coordenador do GICAT (Grupo Italiano para a SIDA), recorda numa entrevista recente que «na capital do país mais avançado do mundo, onde a informação sobre o HIV está universalizada, e onde o Vaticano nada conta, o número de pessoas com mais de 12 anos de idade infectadas» supera em difusão o que se passa em alguns países africanos.

«O preservativo é um meio útil, mas a um fumador diz-se que para evitar o cancro do pulmão tem que parar de fumar. Achávamos que, aumentando o uso do preservativo, diminuiriam as infecções, mas o que os números nos dizem é o contrário. O que está a acontecer é que o número de relações sexuais ocasionais, e o número de parceiros, aumentaram.» Aquilo que na cosmopolita Washington não se consegue travar, como se irá resolver em África?

26 maio 2009

1974

Do blog o inimputável.
Demora a ler, mas talvez valha a pena o esforço.

Fazer campanha eleitoral com 5 mil euros

PARTIDO PUM+J (Por Um Mundo + Justo) - 126 mil votos no Senado espanhol, em 2008)


No ABC:

«- Aquilo que estão dizer soa a voluntariado, mas de facto o que querem fazer é política?

- Quem começou esta história foi um espanhol, o António Sieira, que um dia disse que era preciso erradicar a pobreza a partir da área política. Uma coisa tão simples e nunca ninguém a tinha dito de modo tão claro. Acabar com a pobreza é uma decisão política, apenas falta a vontade de o fazer! Conheci de perto a dura realidade em 13 países e acabo de chegar da República Democrática do Congo: o que vi é que o trabalho honesto de muita gente consegue melhorias pontuais, e transformações, que depois não perduram porque não há vontade política. Por isso queremos chegar até ao Parlamento Europeu no 7 de Junho. Isto, para nós, é muito claro.



- Parece-me é que têm mais moral do que uma equipa de futebol!

- Podes apostar. Eu até sou do Atlético! É preciso tentar. Somos um partido com cinco anos de vida e perseguimos um objectivo muito específico que é acabar com a pobreza. Se é verdade que todos os dias morrem crianças por causas evitáveis, é para essas crianças que trabalhamos, para lhes dar uma oportunidade. Não podemos ficar à espera até 2014. Ou melhor, nós até podemos esperar, mas essas crianças, não. Embora isto soe a conhecido, nós queremos ser "a voz dos que não têm voz". É por isso que queremos ser conhecidos. E queremos votos, obviamente.


- A verdade é que os partidos como o PUM+J só são conhecidos graças à Internet.

- É evidente. Também com orçamentos de campanha de 5 mil euros ... Tentamos ser criativos, mas também estar presentes na rua, com as pessoas. O próximo evento será na Praça de Touros de Madrid. Caso seja eleito, o meu salário de deputado irá directo para o sustento do partido.


- Os mal intencionados dirão que como sabem que não podem ganhar eleições, podem prometer o que quiserem ...

- Estes compromissos estão escritos e assinados! Não temos nenhum problema em cumpri-los e, além disso, estou com imensa vontade de o fazer. E a verdade é que estou convencido de que podemos ser eleitos.


- Com esse inconformismo, presumo que aceitem mal as absurdas doses ultra-mediáticas com episódios como o do alfaiate de Camps ...

-Não sei bem o que é que pode haver por trás de tanto gasto informativo à roda do assunto. Mas o Estatuto da Catalunha esteve vários anos no palco mediático e depois foram votá-lo 23% dos cidadãos ... Ainda antes de que eu nascesse, já se discutia se devíamos, ou não, dar 0,7% do nosso PIB para ajudas ao desenvolvimento. A verdade é que entre Setembro e Dezembro do ano passado demos 14,3% do PIB para ajudar a Banca! Portanto, as pessoas que valor têm? É isto que me preocupa.


- Como acha que conseguirá convencer os eleitores de que a sua opção não é um voluntarismo ingénuo?

- Não é, não. É fácil. Olhe [agita o Programa Eleitoral], aqui estão recolhidas 15 medidas para acabar com a pobreza. São medidas práticas e efectivas. Perdões de dívida, patentes de medicamentos, comércio de armas ... Temos que ser sérios. As balas de espingarda que matam no Congo são fabricadas em Espanha.


- O vosso grupo afirma-se com militância ideologicamente variada. Defendem aquilo a que se chama actualmente "transversalidade"?

- Aquilo que defendemos não é monopólio da direita, nem da esquerda. Há um slogan que repetimos muito: somos a primeira geração capaz de acabar com a pobreza. Houve 189 Chefes de Estado que assinaram os objectivos de desenvolvimento para o milénio, uns compromissos minimalistas. O que lhes pedimos é que os cumpram! E como parece que, afinal, não o fazem, graças à linguagem dos votos, iremos a Bruxelas pedir-lhes contas!

20 maio 2009

Os partidos e o financiamento


No Abrupto:
(...)
«a lei do financiamento partidário. Eu compreendo muito bem aquele voto unânime numa lei de interesse próprio, mas não é preciso ser uma águia do pensamento para perceber até que ponto tudo é errado, a lei, o que permite, a oportunidade e a... unanimidade.

Não percebo de todo por que razão um partido como o PSD, que quer ser alternativo ao poder existente, cuja direcção política deve perceber melhor do que ninguém as perversidades que a lei contém, a votou.» (...)

Copiar errado


No Reino Unido o governo admite que as iniciativas de educação sexual obrigatória nas escolas deram resultados opostos ao desejado. (Telegraph, Dezembro de 2007)

Pelos anos 70 as taxas de gravidez na adolescência em Inglaterra eram semelhantes às dos outros países europeus. Após vários décadas de educação sexual obrigatória e universal, e de 150 milhões de libras investidos, o Reino Unido está no primeiro lugar em grávidas adolescentes, na Europa ocidental, com cerca de 50 mil gravidezes anuais em jovens mães de menos de 18 anos.

Na página web do Ministério da Saúde inglês escreve-se que está a ocorrer uma "derrapagem" em relação a este tema.

As políticas seguidas até há pouco, em matéria de educação sexual nas escolas, eram de distribuir contraceptivos e a pílula do dia seguinte nas escolas, sem envolvimento dos pais. Perante a falência deste método, passou a ser possível também o acesso directo na farmácia.

Os críticos dizem que esta estratégia colocou os jovens, sobretudo as raparigas, debaixo de uma pressão crescente para terem relações sexuais cada vez mais cedo.

O porta-voz do Family Education Trust, Norman Wells, afirma que a mensagem que passou foi de que "se removeria qualquer questão que impedisse a actividade sexual" em jovens, enquanto se "mantiveram os pais alheados acerca dos filhos".

"Precisamos de uma cultura que mude radicalmente a ideia de que o sexo é uma mera actividade recreativa".

Os estudos dizem que o acesso aos métodos contraceptivos não reduziu nem a gravidez, que as infecções de transmissão sexual em jovens tem aumentado, bem como a taxa de abortamentos em menores de 18 anos. Também tem subido o insucesso escolar, a par com a taxa de alcoolismo.

Os dados oficiais dizem que entre 1999 e 2005 o número de raparigas com idades entre 16 a 17 anos que engravidaram foi de 39 804, subindo do anterior que já era 39 247. Se a este número se somarem as menores entre 13 a 15 anos de idade, que também engravidaram, o total sobe para 47 277 (também uma subida em relação ao anterior).

47% das gravidezes entre os 16 a 17 anos de idade, terminaram em aborto provocado, contra 42% em 1998. Nas raparigas ainda mais jovens, a taxa de abortos provocados foi de 58%, subindo dos 53% anteriores.

A situação é pior nas áreas mais pobres, segundo o mesmo relatório.

Uma comentarista de questões sociais, Anne Atkins, sublinha que a ênfase acentuada na educação sexual e na contracepção passa a mensagem de que é inevitável ter relações sexuais precoces.

"Parece uma boa ideia", continua, "ter eliminado a timidez em torno do sexo, que era típico dos anos 50, mas apenas a substituímos pela vergonha de ter bebés não planeados a serem educados por mães infantis."

Simon Blake, trabalha em voluntariado para jovens, na área da contracepção e diz: "Precisamos de oferecer aos jovens oportunidades de trabalharem em coisas úteis, de serem alguém na vida da comunidade, de modo que a gravidez na adolescencia não surja como uma hipótese tão atractiva. Nem tudo se resume a educação sexual e contracepção".

19 maio 2009

Discriminação sexual na Suécia - aborto selectivo


O aborto selectivo, em função do sexo, é praticado em larga escala para eliminar milhares de futuras mulheres em países como a China, a Índia ou a Coreia. É menos noticiado o que se passa na Suécia.

O Ministério da Saúde Sueco (Socialstyrelsen), reconheceu recentemente que é legal, na Suécia, o aborto em função do sexo. O caso foi despoletado pela queixa da Direcção de um Hospital, o Hospital de Mälarsjukhuset en Eskilstuna, a quem uma mulher solicitou pela segunda vez a prática de um aborto porque o feto era do sexo feminino.

O Hospital tentou recusar por não querer colaborar numa prática de "discriminação". Mas o parecer jurídico do Ministério é claro: não é possível negar o aborto a uma mulher sejam quais forem as motivações dessa mulher.

O médico responsável pelo Hospital argumenta que "pessoalmente", gostaria de ter a capacidade de objectar ao aborto motivado pela discriminação de sexo. Mas outros dizem que esta discussão é inútil: se há liberdade para abortar, como se separam os motivos "politicamente correctos", dos "outros " motivos?

Na Suécia, a lei o prazo para abortar livermente é até à 18 ª semana. Hoje em dia, uma simples análise de sangue da grávida permite conhecer o sexo do bebé a partir da 8ª semana.

13 maio 2009

Lutas pela paz

O Papa pede o fim do bloqueio à "martirizada Gaza", na homilia da Missa celebrada hoje em Belém.

Ontem, na multitudinária emoção da primeira Missa ao ar livre celebrada em Jerusalém por um Papa, afirmou que a presença dos crentes nos santos lugares é decisiva, uma riqueza para todos e um instrumento de paz.

“Ainda que os cristãos sejam poucos, sua presença é muito importante, porque são os que conseguem dialogar com ambas as partes das populações que vivem aqui”, diz um comentador.

11 maio 2009

O berço vazio

Mais uma reposição a propósito desta noticia.

Considerado um homem de esquerda, cara conhecida da
New America Foundation, um think-tank ideologicamente alinhado, Phillip Longman, demógrafo e investigador, escreveu há cerca de três anos o seu livro mais lido - The Empty Cradle (O Berço Vazio), em que analisa as consequências económicas, políticas e sociais da baixa fecundidade.


Embora a população mundial ainda cresça muito em termos absolutos (cerca de 77 milhões de pessoas por ano), o decréscimo da natalidade é universal, de tal modo que, presentemente, há menos crianças com idade inferior a cinco anos que em 1990.

A fecundação está abaixo do nível de renovação de gerações em praticamente todo o mundo, com excepção da África subsariana.


Isto, acrescenta Longman, não é totalmente mau. «Tanto para as nações, como para os indivíduos, não ter filhos traz muitas vantagens, pelo menos, até se envelhecer».

Muitos economistas acreditam que a baixa da natalidade permitiu o crescimento económico em flecha no Japão e noutros países asiáticos porque reduziu o grau de dependência. Contudo, com o tempo, chega-se a um envelhecimento da população em geral que traz novos problemas.


O mais importante é que há, cada vez menos activos para sustentar cada vez mais velhos, o que está a afectar a Segurança Social e as próprias famílias. «Se uma pessoa não tem irmãos, como acontece cada vez com mais frequência em grande parte do mundo actual, não terá ninguém que partilhe com ele o encargo de cuidar dos pais quando forem mais velhos».


As pessoas da tendência ideológica de Longman não costumam falar assim. O próprio reconhece que «a maioria dos que se chamam “progressistas” não concordam comigo quando considero que a baixa fecundidade é um problema». Uns acreditam que, assim, haverá mais recursos para os pobres; muitos ecologistas consideram que, a diminuição da população, é um bem para o meio ambiente; «a feministas, gays e, de um modo geral, aos que não querem ter filhos, costuma soar-lhes a ameaça a ideia de que a sociedade actual precise de mais crianças».


Mas Longman estudou o problema e está preocupado. «Por exemplo, nos Estados Unidos o ar e a água são mais puros actualmente dos que em 1940, quando a população era metade da que é actualmente. Não é paradoxo. O aumento da população estimula a utilização dos recursos de modo mais eficaz e limpo (…). De igual modo, foi o aumento da população é o que os levou a descobrir como melhorar o rendimento dos terrenos de cultivo».


«Efectivamente, a produção de alimentos por cabeça é a mais alta de sempre, embora a população mundial ultrapasse os seis mil milhões». Além disso, nos «Estados Unidos da América há mais área de floresta do que no século XIX, devido ao facto de haver menos necessidade de terreno para cultivar».


Há ainda um outro argumento. «os progressistas costumam esquecer que muitas das suas opiniões sobre a reprodução humana, bem como o “direito da mulher a escolher”, só ganharam apoio suficiente quando o medo da superpopulação começou a impregnar a cultura nos anos sessenta e setenta. (…) Também esquecem que se eles próprios recusam ter filhos, o futuro estará nas mãos dos que militam no lado contrário. Finalmente, os progressistas esquecem que se a população não cresce, as suas «queridas jóias da coroa», o Estado do bem-estar e a Segurança Social, se tornam insustentáveis».


Quem são, afinal os que – apesar de tudo – têm famílias numerosas? interroga-se Logman. «A resposta mais exacta é: as pessoas com profundas convicções religiosas». Por exemplo, na Europa, afirma Longman, calcula-se que a diferença de fecundidade entre crentes e não crentes é de 15 a 20%.

Em conclusão, especifica Longman, nem todos os que nascem em famílias profundamente religiosas o são por sua vez; contudo, muitos deles sim, são religiosos e, então é mais provável que também eles próprios tenham filhos. «Deste modo, os crentes começam a «herdar» a sociedade “devido à retirada dos rivais”. A população total do Ocidente talvez baixe ou fique ao mesmo nível durante algum tempo, mas uma parte desproporcionadamente grande dos que restarem, serão defensores convictos da causa de Deus e da família».
(resumo em Aceprensa)




08 maio 2009

"Um só propósito" (liberdade precisa-se)

Reponho este post, porque vem mesmo a propósito de um assunto do momento em que se debate a liberdade, essa coisa tão cara a todos, e essencial à democracia:


António Barreto, sociólogo e professor universitário, fez a apresentação do livro de "homílias e escritos pastorais" do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, "Um só Propósito".

«A vontade de ser lido e ouvido por todos (e de por eles ser comentado) é outra forma de grandeza», disse.

«O meu entendimento é o de que a Igreja deve intervir publicamente em tudo o que à condição humana diz respeito. »

(...)
«Se assim for, a Igreja exige para si a liberdade que reconhece aos outros. Os cidadãos ficam a ganhar com isso. É absurdo pensar que a Igreja apenas se ocupa de religião. Qualquer que seja o seu Deus ou a sua concepção da vida eterna, é sempre na Terra, em sociedade, na República, na cidade, que os homens vivem as suas vidas.»

(...)
«Por outro lado, é obviamente um erro pensar que a Igreja se limita aos sacerdotes ou à hierarquia. A Igreja é composta por todos os crentes, os fiéis, a congregação ou a comunidade. Seria incompreensível que apenas os sacerdotes fossem condicionados e limitados, na sua expressão, aos assuntos religiosos. E seria absurdo que as pessoas religiosas não tivessem todos os direitos de cidade!»

(...)
«Tenho para mim que a religião não se deve imiscuir directa e concretamente na vida política e partidária, como o não deve fazer em questões científicas, artísticas ou estéticas. E reciprocamente. A biologia não pede aos cientistas certidão de crença religiosa. A arte musical não se confina a uma religião. A crença religiosa não exclui nem exige preferências políticas. Tal como não é confortável ver políticos interferir na vida da Igreja, não me parece aceitável observar sacerdotes manifestar as suas simpatias por um partido político.»

(...)
«Nos tempos que correm, os homens e as mulheres, as sociedades em geral, têm sentido falta de palavras de contenção e serenidade. Ora, a doutrina cristã, a sua tradição moral e o “ethos” sacerdotal predominante estão bem colocados para contribuir.»

(...)
«É verdade que, entre os religiosos, há forças fundamentalistas geralmente inimigas da tolerância. Mas há uma outra verdade: entre os chamados laicos, entre os agnósticos e os ateus, o fundamentalismo reina também. Os intolerantes que conheço são tanto religiosos como agnósticos. Excluem-se com a mesma fúria e têm a certeza de que os outros estão sempre no erro. Há um fundamentalismo anti-religioso tão perturbador e tão fracturante das sociedades quanto os fundamentalismos religiosos»
(texto completo aqui)

06 maio 2009

depois da pena de morte, moratória sobre o abortamento

O Jornal italiano Il Foglio, propôs nas suas páginas que seja abertamenta discutida uma proposta de moratória sobre o aborto, à semelhança do que se fez com a pena de morte.

O jornal dá exemplos, como a Índia, onde todos os anos se praticam mais de treze milhões de abortos, dos quais a maioria (cerca de 10 milhões) são femininos.

O Director do Jornal, Giuliano Ferrara, define-se a si próprio como "ateu devoto" e trata o assunto como uma questão de cidadania.

“Há uma coisa que nunca na minha vida consegui suportar: a hipocrisia, o mentir a si próprio, saber como vão as coisas e optar por não o dizer. O humanitarismo é uma coisa muito bonita mas, sem uma nova reflexão sobre o facto de, nas últimas três décadas, terem sido abortados mil milhões de seres humanos, a um ritmo de cinquenta milhões por ano, de o aborto ter adquirido uma orientação eugénica, isto é, de melhoramento da espécie, de inspiração sexista… sem isso, o humanitarismo é uma farsa.”


Em seu apoio, tem gente como Lenin Raghavarshi, ateu, comunista, presidente da Comissão Popular de Vigilância dos Direitos Humanos em Uttar Pradesh:

“Não há coisa mais absurda nem mais ridícula do que sugerir que o aborto é uma solução para o problema da fome, porque permite o controlo da população.

Ainda mais absurda e ridícula é a concepção – típica das agências da ONU – de que o excesso de população é o maior perigo para a saúde de uma nação…

Na realidade, o mundo devia atentar com urgência nos aspectos sociopolíticos, a fim de eliminar a fome, a pobreza e a miséria das pessoas”.


Afinal, se queremos atitudes mais consentâneas com a protecção animal, não deveríamos começar pelos humanos? Não é paradoxal que se fale dos "direitos dos animais" enquanto se discriminam os seres humanos na fase mais frágil da vida?