
No Reino Unido o
governo admite que as iniciativas de educação sexual obrigatória nas escolas deram
resultados opostos ao desejado. (
Telegraph, Dezembro de 2007)Pelos anos 70 as taxas de gravidez na adolescência em Inglaterra eram semelhantes às dos
outros países europeus. Após vários décadas de educação sexual obrigatória e universal, e de 150 milhões de libras investidos, o Reino Unido está no primeiro lugar em grávidas adolescentes, na Europa ocidental, com cerca de 50 mil gravidezes anuais em jovens mães de menos de 18 anos.
Na
página web do Ministério da Saúde inglês escreve-se que está a ocorrer uma "derrapagem" em relação a este tema.
As políticas seguidas até há pouco, em matéria de educação sexual nas escolas, eram de distribuir contraceptivos e a pílula do dia seguinte nas escolas, sem envolvimento dos pais. Perante a falência deste método, passou a ser possível também o acesso directo na farmácia.
Os críticos dizem que esta estratégia colocou os jovens, sobretudo as raparigas, debaixo de uma pressão crescente para terem relações sexuais cada vez mais cedo.
O porta-voz do Family Education Trust, Norman Wells, afirma que a mensagem que passou foi de que "se removeria qualquer questão que impedisse a actividade sexual" em jovens, enquanto se "mantiveram os pais alheados acerca dos filhos".
"Precisamos de uma cultura que mude radicalmente a ideia de que o sexo é uma mera actividade recreativa".
Os estudos dizem que o acesso aos métodos contraceptivos não reduziu nem a gravidez, que as infecções de transmissão sexual em jovens tem aumentado, bem como a
taxa de abortamentos em menores de 18 anos. Também tem
subido o insucesso escolar, a par com a taxa de alcoolismo.
Os dados oficiais dizem que entre 1999 e 2005 o número de raparigas com idades entre 16 a 17 anos que engravidaram foi de 39 804, subindo do anterior que já era 39 247. Se a este número se somarem as menores entre 13 a 15 anos de idade, que também engravidaram, o total sobe para 47 277 (também uma subida em relação ao anterior).
47% das gravidezes entre os 16 a 17 anos de idade, terminaram em aborto provocado, contra 42% em 1998. Nas raparigas ainda mais jovens, a taxa de abortos provocados foi de 58%, subindo dos 53% anteriores.
A situação é pior nas áreas mais pobres, segundo o mesmo relatório.
Uma comentarista de questões sociais, Anne Atkins, sublinha que a ênfase acentuada na educação sexual e na contracepção passa a mensagem de que é inevitável ter relações sexuais precoces.
"Parece uma boa ideia", continua, "ter eliminado a timidez em torno do sexo, que era típico dos anos 50, mas apenas a substituímos pela vergonha de ter bebés não planeados a serem educados por mães infantis."
Simon Blake, trabalha em voluntariado para jovens, na área da contracepção e diz: "Precisamos de oferecer aos jovens oportunidades de trabalharem em coisas úteis, de serem alguém na vida da comunidade, de modo que a gravidez na adolescencia não surja como uma hipótese tão atractiva. Nem tudo se resume a educação sexual e contracepção".