Jornal de Negócios

27 julho 2009

falta de memória

«O tempo é uma coisa tramada» ( J. Pacheco Pereira na Sábado on-line)

“Seria uma grande irresponsabilidade construir estes estádios que depois não fossem utilizados” (José Sócrates, 1999, entrevista no programa Hermann99)


«O que impressiona nesta entrevista é ouvir Sócrates falar exactamente na mesma, usando as mesmas expressões, o mesmo tom enfático, as mesmas palavras, os mesmos argumentos, o mesmo apelo a que o nosso desejo corresponda ao dele, a que o acompanhemos, a mesma tensão discursiva, com que fala hoje.
Na altura falava dos estádios do Euro 2004, hoje fala do TGV ou do novo aeroporto ou das novas auto-estradas. E diz exactamente o mesmo, sem tirar nem pôr.» (JPP)

20 julho 2009

O que cada um pode fazer contra a gripe


A gripe é (será ...) um problema social, de organização de cada casa e de cada família, para atravessar um período em que parte do país e dos cidadãos não estarão em condições de garantir todas as respostas a que nos habituámos (água, luz, comida, transportes, etc.).


Este sítio contém informação do Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica e os seus relatórios periódicos.

Por exemplo:

«
O primeiro passo a dar no planeamento pessoal e familiar para uma pandemia de gripe é estar-se informado. Um correcto planeamento na nossa rede familiar, prepara-nos para agir contra a Gripe. Devemos colocar questões fundamentais, para as quais temos a tarefa de procurar respostas: · Que fontes de informação temos disponíveis? · Temos garantidas as necessidades especiais (para os doentes crónicos, por exemplo)? · Quem tomará conta dos meus filhos, se eu adoecer? · Quem cuidará dos familiares que dependem de mim? · Que bens essenciais devo ter em casa? · Temos meios de comunicação suficientes? · Se a escola dos meus filhos fechar, quem tomará conta deles? · O que fazer em caso de sintomas? · O que fazer em caso de contacto com alguém que revele sintomas? Procurar respostas para estas questões ajuda-nos na preparação para enfrentar a Gripe»
(http://agircontraagripe.blogspot.com/)

O Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Fundação Gulbenkian e o Ministério da Saúde.

15 julho 2009

Tropeçando nos próprios pés


Pelos vistos agora há quem se queixe de que as mulheres optaram pelo aborto de modo habitual.

Pelos vistos agora há quem reclame que as mulheres "que fazem mais do que um aborto deviam começar a pagar pela segunda interrupção".

Ou seja, só é perigoso o aborto clandestino na 1ª vez. Nas vezes seguintes o aborto clandestino já será excelente!

Ou seja, a opção da mulher é de respeitar quando elimina o primeiro filho, passa a ser pouco respeitável nos seguintes.

Ou seja, criticar quem aborta é uma intolerância, no primeiro aborto, e um dever no segundo? (Será preciso pedir o registo clínico às senhoras antes de tomar posição?)


Por outro lado, os dados da Direcção Geral de Saúde já diziam que nos anos de 2003, 2004 e 2005, PRÉVIOS à liberalização do aborto, os registos de "perfurações do útero / outros órgãos", eram zero.

Em 2006, registam 1 caso, e em 2007, o ano da liberalização do aborto, registaram doze (12).

(Direcção Geral de Saúde, Episódios de Internamento por aborto espontâneo e IVG, Quadro III).

Portanto, esta gente tem agora ataques de moralismo público em nome de quê?

11 julho 2009

a pseudo ética - "não se trata de ser competente, mas competitivo"


Na sociedade actual "não se trata de ser competente, mas competitivo.

Não basta ter dinheiro, é preciso ter mais dinheiro que o cunhado.

Não é importante escrever um bom livro: é preciso é que venda mais do que o anterior."

Alejandro LLano, La vida lograda, Ariel: Barcelona, 2002. ->



"Vivemos no meio de uma ética de regras, não de bens ou de virtudes. O problema então é: como é que aplicamos estas regras? Porque, como disse Wittgenstein, (...) o uso das regras não pode estar, por sua vez, submetido a regras, até ao infinito.

O projecto ideal de uma mecanismo jurídico (...) instrumentalmente neutro, é um constructo (...) utópico.

Estas regras ou normas sempre terão que ser feitas, aplicadas e respeitadas por pessoas. E estas pessoas têm uma coerência de vida que depende dos valores e virtudes que forjam. "

Mas se estes valores e virtudes foram marginalizados do discurso público, não podemos recorrer a eles para conseguir que os cidadãos valorizem as normas ou as respeitem ...

Alejandro LLano, Humanismo Cívico, Ariel: Barcelona, 1999.

10 julho 2009

Estão preparados?


«Se ficar doente, permaneça em casa! Se estiver com sintomas de gripe, fique em casa e contacte a Linha Saúde 24, pelo número 808 24 24 24, de forma a proteger-se e evitar o contágio a outras pessoas.» (Ministério da Saúde, Portal da Saúde)

Ou seja, é preciso estar preparado para permanecer em casa até que passe a "trovoada" viral.

Pinceladas, sem rigor, mas com sentido prático:

1) Na epidemia de 1918, o pico de aceleração dos casos durou (grosso modo) 90 dias.
2 ) Na China, durante a epidemia da impropriamente chamada "pneumonia atípica", em 2003, foram precisos 8 meses para controlar a situação.
3) A OMS calcula que são preciso 12 semanas até que seja possível reduzir a transmissão da infecção, depois do início da epidemia da gripe.
4) Muitos dos problemas, em período de epidemia, não se devem à gripe, mas ao MEDO que leva a comportamentos perigosos e contraprodutivos.

Portanto, preparar para hibernar! (Se for preciso)

- Prever o que fazer de modo a que seja possível viver em casa sem sair à rua:

1) Ter em casa os medicamentos de uso mais comum, desde o paracetamol para a febre e dores, até àqueles que geralmente tomamos, de modo habitual ou ocasional. Lembre-se que em caso de doença leve, sair para ir ao médico, ou ao hospital pode ser a pior coisa a fazer. Sai com um doença leve, e regressa com um vírus mais grave ...
2) Água, comida, pilhas, rádio a pilhas, lanterna. (Temos que prever que o fornecimento de água e electricidade pode tornar-se mais irregular; também pode não ser seguro sair para fazer compras, durante cerca de 2 semanas).
3) Algum dinheiro em notas e moedas. Meia dúzia de máscaras para a eventualidade de ter um doente em casa, ou de ter que ir a algum local fechado. Na rua, como se sabe, a máscara é inútil.
4) Montes de gel para lavar as mãos (lavar de 2 em 2 horas), de preferência em recipientes que possam ser usados sem lhes tocar com as mãos. Toalhetes para limpar (diariamente) os puxadores das portas, os manípulos das torneiras, as superfícies de trabalho, etc.
4) Assegurar que as portas e janelas do exterior são seguras contra intrusões (nunca se sabe se os ladrões adoecem, ou não...)
5) Manter secas as toalhas de mãos e panos de cozinha: os vírus permanecem viáveis em ambientes húmidos. Ou seja, secar as mãos num pano húmido é uma péssima ideia (pode estar a contaminar as mãos acabadas de lavar).
6) Cumprimentar, só à distância: as mãos e a cara são locais de fácil contágio e contacto. MANTER AS DISTÂNCIAS (a 1 metro, é a recomendação).

Por último: manter a saúde mental - ouça apenas as notícias necessárias. No geral, desligar a TV é uma opção saudável!

07 julho 2009

auto-estima, mecânica e reparações


Não adianta pensar que «tudo está bem, só pelo facto de que fomos nós próprios a fazê-lo (e nós nunca falhamos) ...

Trata-se é de não nos tratarmos com uma dureza desproporcionada. Somos quem somos e, ao fim e ao cabo, somos o amigo mais próximo de nós próprios.


Não podemos fechar os olhos a tudo o que há em nós e que podia, ou devia, melhorar. Mas não nos obrigaremos a isso através do auto-desprezo ou da auto-punição. (...)

Reconheçamos o que há de bom em nós, sem foguetório, nem entusiasmos balofos. Mas se temos motivos para estar orgulhosos então caramba!, vamos estar orgulhosos.»

Transcrito de Paloma Gomez Borrero, . La Alegria. Ed. Martinez Roca, Barcelona, 2000)

06 julho 2009

É chato, mas é verdade!

(...)
«Não foi só dentro de alguns ministérios de Berlim que foram inventadas as câmaras de gás de Maidanek, Auschwitz e Treblinka. Elas foram sendo preparadas nos gabinetes, e salas de aula, de cientistas e filósofos niilistas, entre os quais se contavam, e contam, Prémios Nobel.

De facto, se a vida humana não passa do insignificante produto acidental de umas moléculas compostas por proteínas, pouco importa que um deficiente mental seja eliminado, como inútil, e que ao deficiente se acrescentem mais uns quantos povos inferiores: trata-se de um raciocínio perfeitamente lógico e consequente." (...)


Viktor E. Frankl, El hombre en busca de sentido, Editorial Herder, Barcelona,2004.

(Sobrevivente do campo de concentração de Dachau, Viktor E. Frankl foi catedrático de Neurologia e Psiquiatría da Universidade de Viena. Foi o fundador da logoterapia ou “terceira escola de psicoterapia” (as outras duas são a psicanálise e a psicologia individual). Ensinou em Harvard, Stanford, Dallas y Pittsburgh)

O livro é bastante positivo e lê-se bem. Esta é a tal parte dolorosa, mas realista e muito actual.
A wook vende o livro traduzido em português pela editora Vozes (1991, Brasil).


Este ainda não está traduzido (que eu saiba):
(...)
«quando se escreve, e age, como se o os dados clínicos da experiência comprovada, da genética, dos estudos sobre o cérebro, da biologia, da psicologia e da sociologia tivessem demonstrado que o espírito humano não é independente, temos que reparar que é precisamente o contrário que é evidente. Os resultados das investigações clínicas falam a favor da obstinação do espírito.

Ontem como hoje, hoje como há mais de 100 anos, quando foram escritas estas palavras por um personagem eminente da Escola de Medicina de Viena:


"À Medicina tem-se reprovado que favoreça a tendencia para o materialismo, isto é, para uma concepção do mundo que ignora o espírito. Mas esta crítica é injusta, pois ninguém tem mais motivos para reconhecer a caducidade da matéria e a força do espírito do que o médico.

Se ele não está convencido disto, a culpa não é da ciência, mas dele próprio porque não estudou o suficiente."»


(V. E. Frankl,
La Psicoterapia al alcance de todos, Herder: Barcelona, 2003)

"as batalhas antigas eram contra as proibições, não pela imposição de novas proibições"

J. César das Neves, no DN:

(...) «As autoridades muçulmanas ao imporem a burka mostram falta de tolerância. Tal como as autoridades francesas o farão se vierem a proibir a burka.

Mais irónico é este debate realizar-se à volta de uma questão de vestuário, precisamente o tema onde a liberdade de costumes se começou a expressar na contemporânea. Há cem anos não passava pela cabeça de ninguém que um homem sério saísse à rua sem chapéu e bengala ou que as damas mostrassem o tornozelo. Fardas e uniformes eram omnipresentes em todas as classes. Os filhos dessa geração afirmaram a sua autonomia precisamente pela sua aparência exterior. Cabelos compridos, roupa desalinhada, calças de ganga, minissaias pareceram como combates importantes no caminho da liberdade. Agora os franceses, ao proibirem a burka, pensam estar no mesmo combate»



(...) «as batalhas antigas eram contra as proibições, não pela imposição de novas proibições.

O problema é mais vasto do que parece. Como Sarkozy com a burka, o Parlamento Europeu e o Governo português estão empenhados, há anos, em limitar a vida a fumadores, automobilistas, pais e cidadãos com as melhores intenções. Esquecem que todas as ditaduras, mesmo ferozes, sempre se justificaram com o bem dos cidadãos.»

30 junho 2009

Sem direcção

(...)

«Temos um Estado que ignora a linha estratégica do País e os grandes problemas nacionais. Não sabe o que quer no futuro nem como lá se chega, mas ocupa-se com embalagens de iogurtes, fumo nos edifícios, cadeirinhas nos automóveis e educação sexual. Os governantes tratam do que nos compete, sem fazerem o que lhes compete. Vivemos num equilibrismo mediático e em escaramuças pontuais, esquecendo os desígnios básicos. Assim, o debate eleitoral só pode passar ao lado dos grandes problemas nacionais.»
João César das Neves, no DN

Familias sanduiche

(...) «o estudo da TESE serve para revelar aquele que é, hoje, o principal estrangulamento da sociedade portuguesa: há um conjunto de famílias que beneficiando de recursos materiais que são suficientes para as excluírem do acesso às prestações sociais de combate à pobreza, têm contudo recursos insuficientes para fazer face às suas despesas e cumprir expectativas e aspirações naturais de vida.

Essas famílias são adequadamente descritas como "famílias sanduíche": estão fora da rede de apoios sociais de combate à pobreza, mas não deixam por isso de ser pobres.

Esta asfixia das classes médias baixas tem várias consequências. Com os fracos rendimentos não são só as famílias portuguesas que estão ensanduichadas, é a própria democracia.

Sem classes médias cooptadas para o sistema, a democracia vive uma permanente crise de legitimidade. E não há cooptação possível quando as classes médias vivem maioritariamente com menos de 900 euros por mês e, não menos grave, com a percepção que as trajectórias de mobilidade social ascendente que, ainda assim, tiveram, não se reproduzirão nos seus filhos.

Não por acaso, o estudo revela que 70% dos portugueses não confia nas instituições que nos governa» (...)

«O objectivo não pode apenas passar por continuar a responder às formas mais severas de pobreza, como revela este estudo, é urgente encontrar soluções para os que estando acima da linha de pobreza, não deixam por isso de ser pobres.»

(Pedro Adão e Silva, no Diário Económico.)

Discutimos o quê?

A propósito da discussão sobre educação sexual nas escolas, fui espreitar as estatísticas da OMS sobre abortos e gravidez na adolescência na Europa.

Pelos dados da OMS estamos melhor do que a Inglaterra, a Noruega, a Suécia e outros países "invejáveis", que apostaram neste tipo de educação há mais de uma década ...

Convinha não copiar o que os outros já não querem.


22 junho 2009

Ainda agora encerraram as urnas ...

No Abrupto ("o Abrupto feito pelos leitores"):

«O Conselho Europeu reuniu-se há alguns dias. Entre as decisões tomadas, os Chefes de Estado e de Governo reunidos no Conselho Europeu adotaram uma decisão que é suposta dar garantias sobre matérias que "preocupam o povo irlandês" e abrir caminho a um novo referendo do tratado de Lisboa. Essas matérias dizem respeito ao direito à vida, família e educação, à tributação, e à segurança e defesa. Até aqui parece-me bem, independentemente do que cada um de nós pensa do dito tratado.

Mas, nas suas conclusões, o Conselho afirmou que a dita decisão não era somente uma declaração política, mas que era "juridicamente vinculativa". E eu pergunto uma pergunta que até agora não vi, nem ouvi nenhum comentador, professor de Direito ou jornalista perguntar. Qual é a base legal dessa decisão "juridicamente vinculativa"? É que a decisão propriamente dita não o indica. De fato, tal base legal não existe. Ou seja a decisão é efetivamente juridicamente inexistente face o direito europeu em vigor, inexistente face aos direito nacionais e logo inconstitucional.

Não discuto o conteúdo da dita decisão; não é esse o ponto. Se fosse uma simples declaração política, nada eu teria a acrescentar. O problema é a afirmação que a decisão é "juridicamente vinculativa."

E o Conselho Europeu sabe bem que a sua decisão que se afirma "juridicamente vinculativa" não o é. Por isso se comprometeram (mas este compromisso é puramente político e não "juridicamente vinculativo") a que no momento da conclusão do próximo Tratado de Adesão, as disposições da dita decisão sejam incluídas num Protocolo a anexar ao Tratado da União Europeia e ao Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Ora, se a dita decisão é "juridicamente vinculativa" porque precisa ela de vir a ser incluída num protocolo a anexar aos tratados no futuro? Ou seja, a dita declaração não carece de nova ratificação, dizem eles; mas virá a ser ratificada disfarçadamente quando se discutir a adesão da Croácia ou da Islândia.

Mesmo a um europeísta e federalista como eu, isto cheira a esturro.»
«(Pedro Ferreira)»

Leituras

Aprender a escutar

Um livro sobre a mais acessível ferramenta das relações humanas, escrito por um psiquiatra e professor de medicina.

Como falar, como escutar.

Edições
DIEL, Lisboa 2009, 352 páginas.


Intelectuais


Do famoso historiador inglês, Paul Johnson. Um livro provocador
sobre a biografia de intelectuais de grande peso histórico, como Rousseau, Marx, Tolstoi, Russell, Edmund Wilson, entre outros.

Editora
Guerra e Paz, Lisboa 2009, 496 páginas.






Um Mundo sem pobreza.

Mais um livro de Yunus, com as histórias de sucesso de milhares de pessoas anónimas que sairam da pobreza para se tornarem empresários por conta própria.

Conta também a história do próprio Yunus e a de muitas mulheres que constituem não só 94% dos beneficiários do banco, como também grande parte dos "funcionários" da instituição, a quem se exige um trabalho no terreno, muito longe das burocracias e teorias dos G's da "grande" (e falida ...) economia global.


Editora Difel.



A epidemia do narcisismo: The narcissism epidemics, living in the age of entitlement, por Jean M. Twenge, W. Keith Campbell. Free Press. New York (2009).




Dois sociólogos norte-americanos exploram os determinantes desta nova epidemia - a obsessão pelo ego (egotismo) - que se difunde graças à proliferação dos recursos para a auto-promoção.



15 junho 2009

Maneiras de acabar com os pobres ... (mas não com a pobreza)


Vem no Times que o Clube de multimilionários Gates + 6 , resolveu dedicar-se a propor um modo de reduzir a população mundial.

Deste exclusivo clube, além do patrão da Microsoft, Bill Gates, fazem parte os mais ricos dos EUA: David Rockefeller Jr., Warren Buffet, George Soros, Michael Bloomberg, Ted Turner e Oprah Winfrey.

Reunidos em casa de Paul Nurse, Prémio Nobel de bioquímica e Presidente da Rockefeller University, tinham como objectivo definir qual a próxima causa filantrópica a apoiar, causa que lhes garantisse, ao mesmo tempo, cobrir eventuais riscos para as suas fortunas.


Há uns meses, Bill Gates já o tinha dito e com números: “Official projections say the world’s population will peak at 9.3 billion [up from 6.6 billion today] but with charitable initiatives, such as better reproductive healthcare, we think we can cap that at 8.3 billion”. (“As projecções oficiais dizem que a população do mundo chegará ao ponto máximo de 9,3 mil milhões [hoje, são 6,6 mil milhões]; mas com iniciativas caritativas, tais como melhores serviços de saúde reprodutiva, pensamos que poderemos estabilizar nos 8,3 mil milhões”)


No calão actual, “better reproductive healthcare” / "saúde reprodutiva", quer dizer negócios millionários, à escala global, vendendo produtos para contracepção e aborto, especialmente nos países pobres, vistos como uma ameaça para os países ricos ... De facto, o famoso e antigo Relatório Kissinger, continua bastante na moda: o aumento da população dos países menos desenvolvidos é considerado uma ameaça à prosperidade do mundo capitalista.

Gates e os seus multimilionários amigos não referem que o que está a acontecer à população é uma coisa bem diferente: como diz
Barry McLerran, autor do documentário Demographic Winter, a taxa de crescimento da população diminuiu cerca de 50% nos últimos 30 anos.

A fertilidade nos países desenvolvidos está abaixo do índice de renovação das gerações. Se as coisas não mudarem, a tendência indica que, em vez de excesso de população, a crise que virá a meados deste século será oposta: uma crise de subpopulação.


Mas para estes americanos ricos, geralmente conhecidos por WASP (White Anglo-Saxon Protestant), o mundo é, em última análise, um mercado.

Mas mesmo que o fosse – e não é – a ideia de aplicar as estratégias e tácticas de mercado de modo nenhum garante que isso favoreça o bem comum e a vida da humanidade.

Tem um sabor desagradável, a raiar a cultura do traficante, considerar as populações como números e agentes do mercado, em vez de as considerar como pessoas e cidadãos.

Mas a verdade é que, como diz no seu artigo Michael Cook, ("Governments have few tools to increase births"), é que analisando os dados disponíveis (...) "using every tool available, governments may be able to increase the number of children being born by a bit – but just a little bit. And nothing they do will stop population ageing".

(...) «usando todos os instrumentos disponíveis, os governos podem aumentar ligeiramente o número de nascimentos – mas só ligeiramente. E nada do que façam poderá parar o envelhecimento demográfico.»


Esta é uma verdade inconveniente que trará muitos dissabores às próximas gerações, tantos mais, quanto mais tarde começarmos a mudar de rumo.