«A última Encíclica Papal – Caridade na Verdade – merece ser lida e discutida. Quem escreve isto é um não crente que reconhece a influência da Igreja Católica e acha que a sua doutrina social continua a oferecer recursos para pensar criticamente a economia e as transformações necessárias para a tornar mais solidária.
(...) a configuração do mercado global emergente enfraqueceu sindicatos e erodiu direitos laborais e sociais ao favorecer a chantagem da deslocalização de empresas demasiado concentradas nos interesses dos accionistas e muito pouco no trabalho digno
(…) Mesmo que estes conceitos possam e devam ser debatidos, parece-me relevante a recusa de qualquer separação artificial entre economia e moralidade, a partir do reconhecimento de que as decisões económicas nunca são neutras.
Destaco ainda a defesa da coexistência de uma pluralidade de “formas institucionais de empresa” – das empresas privadas e públicas às experiências associativas – prosseguindo vários objectivos e favorecendo uma “hibridização dos comportamentos de empresa”.
Isto não está longe de algumas preocupações da economia solidária, um frutífero ponto de encontro de muitos socialistas e católicos. Trata-se no fundo de não desistir de buscar os arranjos que nos permitam “ir mais além da lógica da troca de equivalentes e do lucro como fim em si mesmo”.
É uma pista promissora para quem deseja retirar todas as consequências do fracasso da construção neoliberal de uma economia divorciada do bem comum.»
(João Rodrigues, economista, no I online de 20 de Julho)
(…) Mesmo que estes conceitos possam e devam ser debatidos, parece-me relevante a recusa de qualquer separação artificial entre economia e moralidade, a partir do reconhecimento de que as decisões económicas nunca são neutras.
Destaco ainda a defesa da coexistência de uma pluralidade de “formas institucionais de empresa” – das empresas privadas e públicas às experiências associativas – prosseguindo vários objectivos e favorecendo uma “hibridização dos comportamentos de empresa”.
Isto não está longe de algumas preocupações da economia solidária, um frutífero ponto de encontro de muitos socialistas e católicos. Trata-se no fundo de não desistir de buscar os arranjos que nos permitam “ir mais além da lógica da troca de equivalentes e do lucro como fim em si mesmo”.
É uma pista promissora para quem deseja retirar todas as consequências do fracasso da construção neoliberal de uma economia divorciada do bem comum.»
(João Rodrigues, economista, no I online de 20 de Julho)











