Jornal de Negócios

27 agosto 2009

Casamento forçado

Cartas ao Director, Publico, 27 de Agosto:

«É um dos temas quentes do momento: o veto do Presidente à nova lei das uniões de facto. Diz o PÚBLICO, na secção Sobe e Desce de 25 de Agosto, que é "um chumbo sobretudo ideológico".

Não sei se a ideologia esteve, ou não, na base do veto de Cavaco Silva. Sei que, pela primeira vez na minha vida, aplaudi uma decisão deste Presidente.

E apenas porque a nova lei das uniões de facto é um grave atentado à minha liberdade individual. Vivo em união de facto há dezoito anos. Foi uma opção tomada racionalmente, uma opção livre de duas pessoas que, por mútuo consentimento, quiseram manter-se afastadas de quaisquer constrangimentos jurídicos ou patrimoniais. Estamos juntos porque queremos, não porque contratualizámos uma relação. Não precisamos de leis para nos mantermos juntos, nem de leis para nos separarmos.

Com que justificação vem agora o Estado pretender impor-nos direitos e obrigações que livremente rejeitámos? Se quiséssemos juntar ao enlace afectivo um enlace júridico teria sido fácil: casávamo-nos.

Pretende o Estado sujeitar-nos a um conjunto de regras que mais não são do que o tal "casamento" que livremente evitamos desde há dezoito anos? Vão obrigar-me a "casar"?

Não percebo o que é que isto tem a ver com ideologia. E não aceito que uma opção de vida que apenas diz respeito às pessoas que a tomaram seja destruída, de um momento para o outro, por um conjunto de partidos políticos, esses sim, ao que parece, muito preocupados com os valores ideológicos e nada preocupados com a liberdade individual.»
(Luís Lopes, Aveiro )

13 agosto 2009

questões de probabilidade

Ninguém gosta que a ciência seja uma questão de probabilidades (como a educação, a bolsa de valores, ou os acidentes na estrada). Mas, parafraseando Popper, não é possível obter certezas quanto às teorias científicas, nem sequer precisamos das certezas na ciência. Basta criar uma teoria e ir excluindo os erros. E mesmo isto é, também, uma teoria hipotética, embora geralmente funcione :-)

A revista médica British Medical Journal, publica um estudo de revisão sobre os efeitos do antivírico mais usado na Gripe (na A e na A-H1N1v).

O estudo diz o que já se sabia, e sempre se soube: (...) «Os inibidores da neuraminidase [o tal antivírico] têm um benefício pequeno, encurtando o tempo de doença nas crianças com gripe sasonal, e reduzindo o contágio entre os conviventes. Têm pouco efeito na asma ou na redução do uso de antibióticos. O seu efeito nas complicações graves, ou no caso do vírus H1N1, não está demonstrado.»

(video da Universidade do Porto: recomendações para parar o contágio)

Ou seja, não cura, não mata o vírus, mas encurta (cerca de 36 horas, diz o fabricante) a duração do tempo total de doença.

Vamos ter que nos organizar com sentido prático. E se não for pelo medo da doença, pelo menos para não ir preso: é que o crime de "propagação de doença infecciosa" é punido com prisão de "1 a 8 anos" (Safa! É pior que a gripe que só dura uma semana...)

Em França, o Ministro da Educação admite que "o encerramento das creches, dos estabelecimentos de ensino e de formação, dos internatos e das instituições de acolhimento de menores", está prevista na fase 6 do Plano de Contingência do País. Os canais de TV, France 5 e France Culture, irão funcionar como plataformas de ensino à distância de modo a poder atrasar a abertura das escolas em cerca de 90 dias (notícia aqui, no Le Monde). Trata-se de um plano já desenhado anteriormente para a pandemia de gripe aviária e que agora é reformulado. Para além deste plano nacional, cada escola terá liberdade de usar as suas plataformas digitais para manter contacto personalizado entre professores, alunos e escolas.

Por cá, ainda não se sabe, embora a UE já se tenha pronunciado no sentido de que apenas valerá a pena encerrar escolas se isso contribuir para reduzir a velocidade do contágio.

07 agosto 2009

Kirchner & Kirchner

(...) «realizar um esforço solidário que contribua para reduzir o escândalo da pobreza e da inequidade social, cumprindo assim as exigências evangélicas que exortam a tornar possível uma sociedade mais justa e solidária» (...)

Escrito por Bento XVI aos católicos da Argentina.


Parece que o governo não gostou.

As estatísticas oficiais do Instituto de Estatística, que sofreu a intervenção do governo, liderado pelo casal Kirchner, são de 15,3% de pobres.


Mas a Igreja Católica local colocou em marcha um plano de ajuda, com base em informação do "terreno", para cerca de 40% de pessoas abaixo do limiar de pobreza.

06 agosto 2009

gosto muito quando as portuguesas vêm


«gosto muito quando as portuguesas vêm»

(menino caboverdeano, em 1 de Agosto de 2009, durante o Projecto Cabo Verde)




Um dos cerca de 100 que participam, além dos cerca de 400 adultos ...

Há quem faça férias no Algarve ou nas Bahamas. Há quem prefira o calor, os mosquitos e a falta de água ... (Nesta paragens o banho é a "técnica da garrafa")

03 agosto 2009

A promoção da algália

Noticia o Semanário Económico:

«Ryanair quer que passageiros deixem de usar WC nos aviões»

«Continua a saga de cortes de custos na Ryanair. Agora, o presidente da companhia quer reduzir o número de WC nos aviões e cobrar as idas à casa de banho.

E perante a questão "e se o avião é afectado por alguma indisposição colectiva, como intoxicação alimentar?", a resposta é pronta e irónica: "Nós não servimos comida suficiente a bordo para que toda a gente fique intoxicada".» (...)


«Frequentemente apelidado de rude e indelicado, este empresário, que acredita que os passageiros das companhias aéreas low-cost estão dispostos a suportar virtualmente todas as indignidades, desde que os bilhetes sejam baratos e os aviões aterrem a horas, tem-se revelado também um dos mais bem sucedidos empresários da Irlanda.» (...)

Sobrinha de Luther King escreve no Washington Times


Alveda King, sobrinha de Marthin Luther King escreve no Washington Times que a organização americana pro-aborto "Planned Parenthood", aceitou donativos a troco de promover o aborto entre a população negra.

A
"Planned Parenthood" é parte de uma multinacional com a designação IPPF (International Planned Parenthood Federation), que tem sucursais por todo o mundo, incluindo Portugal (APF, Associação para o Planeamento da Família).


Neste artigo, a sobrinha de Luther King sublinha que embora a população negra represente 13% do total da população dos EUA, é vítima de 37% dos abortos totais. Isto deve-se aos objectivos perseguidos pela Planned Parenthood, segundo afirma, cujo lema seria "mais filhos para os aptos, menos filhos para os menos aptos". Entre os "menos aptos" estariam os negros e os brancos pobres.

Denuncia ainda que a inspiradora da "Planned Parenthood", Margaret Sanger, não se coibiu de ter cerca de uma dúzia de encontros com a Ku Klux Klan.

As gravações telefónicas em que se combinaram os donativos estão no YouTube.

01 agosto 2009

Lá como cá ...


Em Espanha, um jornal médico online faz este pedido aos médicos:

«És médico e estás desempregado, ou conheces quem esteja? Conta-nos a tua história.»

«O desemprego começa a chegar à profissão médica, apesar de que a Administração insiste em que há escassez de médicos.»


Lá, como cá ... Como diz o estudo encomendado pela Administração Regional de Saúde do Norte, «é possível concluir para a Área Metropolitana do Porto que:
• Em termos globais, de acordo com o rácio de substituição ajustado, existirão, já em 2009,
cerca de 1,5 futuros médicos especialistas por cada eventual saída, proporção que aumenta
progressivamente até alcançar, em termos acumulados até 2014, cerca de 3,3 futuros médicos
especialistas por cada eventual saída, no mesmo período»

(...) «Não existem especialidades médicas em que o rácio de substituição ajustado até 2013 seja inferior a 1, o que implica que no período em análise não se prevê uma taxa de substituição deficitária em qualquer das especialidades

O estudo até prevê que não será possível assegurar o Internato Médico de Especialidade a todos os alunos que terminam o curso, ou seja, face à legislação europeia, arriscam-se a terminar o curso e não poder exercer por falta de especialidade. Pois é...

Um caso real, aqui, relatado no El Pais (Março 2009).

28 julho 2009

A economia não é neutra

«A última Encíclica Papal – Caridade na Verdade – merece ser lida e discutida. Quem escreve isto é um não crente que reconhece a influência da Igreja Católica e acha que a sua doutrina social continua a oferecer recursos para pensar criticamente a economia e as transformações necessárias para a tornar mais solidária.

(...) a configuração do mercado global emergente enfraqueceu sindicatos e erodiu direitos laborais e sociais ao favorecer a chantagem da deslocalização de empresas demasiado concentradas nos interesses dos accionistas e muito pouco no trabalho digno


(…) Mesmo que estes conceitos possam e devam ser debatidos, parece-me relevante a recusa de qualquer separação artificial entre economia e moralidade, a partir do reconhecimento de que as decisões económicas nunca são neutras.


Destaco ainda a defesa da coexistência de uma pluralidade de “formas institucionais de empresa” – das empresas privadas e públicas às experiências associativas – prosseguindo vários objectivos e favorecendo uma “hibridização dos comportamentos de empresa”.

Isto não está longe de algumas preocupações da economia solidária, um frutífero ponto de encontro de muitos socialistas e católicos. Trata-se no fundo de não desistir de buscar os arranjos que nos permitam “ir mais além da lógica da troca de equivalentes e do lucro como fim em si mesmo”.

É uma pista promissora para quem deseja retirar todas as consequências do fracasso da construção neoliberal de uma economia divorciada do bem comum.»

(João Rodrigues, economista, no I online de 20 de Julho)

Fazer de conta(s)


(...) «O caso de um aluno que passou de ano (o 8.º) com nove negativas despertou por aí certos queixumes. É vontade de dizer mal.

Antes de mais, o aluno em causa não é uma excepção, é um exemplo: pelos vistos, "transitar" criancinhas com sete, oito, nove ou dez negativas já se tornou prática relativamente comum nas escolas nacionais. E o hábito não é tão negativo quanto aparenta. Muito pelo contrário (...)

Em primeiro lugar, acaba com a discriminação entre disciplinas. Até agora, inúmeros alunos saltitavam de ano em ano sem saberem nada de matemática. Agora, são livres de saltitar sem saberem nada de coisa nenhuma. Um ponto a favor da "interdisciplinaridade".»

(...) «o fim das "retenções" acaba com alguns traumas no Orçamento de Estado. Há tempos, a sra. ministra explicou: cada aluno custa ao erário público 3 mil euros por ano, logo um aluno reprovado fica por 6 mil.

Em 2007, os "chumbos" no ensino básico e secundário pesaram 600 milhões na despesa, uma enormidade que poderá perfeitamente ser aplicada no aprimoramento tecnológico da rede escolar, de modo a que os alunos que "transitam" na maior ignorância o façam nas melhores condições.» (...)

(Alberto Gonçalves, Dias Contados, no DN On-line, 26 Julho 2009)

27 julho 2009

falta de memória

«O tempo é uma coisa tramada» ( J. Pacheco Pereira na Sábado on-line)

“Seria uma grande irresponsabilidade construir estes estádios que depois não fossem utilizados” (José Sócrates, 1999, entrevista no programa Hermann99)


«O que impressiona nesta entrevista é ouvir Sócrates falar exactamente na mesma, usando as mesmas expressões, o mesmo tom enfático, as mesmas palavras, os mesmos argumentos, o mesmo apelo a que o nosso desejo corresponda ao dele, a que o acompanhemos, a mesma tensão discursiva, com que fala hoje.
Na altura falava dos estádios do Euro 2004, hoje fala do TGV ou do novo aeroporto ou das novas auto-estradas. E diz exactamente o mesmo, sem tirar nem pôr.» (JPP)

20 julho 2009

O que cada um pode fazer contra a gripe


A gripe é (será ...) um problema social, de organização de cada casa e de cada família, para atravessar um período em que parte do país e dos cidadãos não estarão em condições de garantir todas as respostas a que nos habituámos (água, luz, comida, transportes, etc.).


Este sítio contém informação do Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica e os seus relatórios periódicos.

Por exemplo:

«
O primeiro passo a dar no planeamento pessoal e familiar para uma pandemia de gripe é estar-se informado. Um correcto planeamento na nossa rede familiar, prepara-nos para agir contra a Gripe. Devemos colocar questões fundamentais, para as quais temos a tarefa de procurar respostas: · Que fontes de informação temos disponíveis? · Temos garantidas as necessidades especiais (para os doentes crónicos, por exemplo)? · Quem tomará conta dos meus filhos, se eu adoecer? · Quem cuidará dos familiares que dependem de mim? · Que bens essenciais devo ter em casa? · Temos meios de comunicação suficientes? · Se a escola dos meus filhos fechar, quem tomará conta deles? · O que fazer em caso de sintomas? · O que fazer em caso de contacto com alguém que revele sintomas? Procurar respostas para estas questões ajuda-nos na preparação para enfrentar a Gripe»
(http://agircontraagripe.blogspot.com/)

O Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Fundação Gulbenkian e o Ministério da Saúde.

15 julho 2009

Tropeçando nos próprios pés


Pelos vistos agora há quem se queixe de que as mulheres optaram pelo aborto de modo habitual.

Pelos vistos agora há quem reclame que as mulheres "que fazem mais do que um aborto deviam começar a pagar pela segunda interrupção".

Ou seja, só é perigoso o aborto clandestino na 1ª vez. Nas vezes seguintes o aborto clandestino já será excelente!

Ou seja, a opção da mulher é de respeitar quando elimina o primeiro filho, passa a ser pouco respeitável nos seguintes.

Ou seja, criticar quem aborta é uma intolerância, no primeiro aborto, e um dever no segundo? (Será preciso pedir o registo clínico às senhoras antes de tomar posição?)


Por outro lado, os dados da Direcção Geral de Saúde já diziam que nos anos de 2003, 2004 e 2005, PRÉVIOS à liberalização do aborto, os registos de "perfurações do útero / outros órgãos", eram zero.

Em 2006, registam 1 caso, e em 2007, o ano da liberalização do aborto, registaram doze (12).

(Direcção Geral de Saúde, Episódios de Internamento por aborto espontâneo e IVG, Quadro III).

Portanto, esta gente tem agora ataques de moralismo público em nome de quê?

11 julho 2009

a pseudo ética - "não se trata de ser competente, mas competitivo"


Na sociedade actual "não se trata de ser competente, mas competitivo.

Não basta ter dinheiro, é preciso ter mais dinheiro que o cunhado.

Não é importante escrever um bom livro: é preciso é que venda mais do que o anterior."

Alejandro LLano, La vida lograda, Ariel: Barcelona, 2002. ->



"Vivemos no meio de uma ética de regras, não de bens ou de virtudes. O problema então é: como é que aplicamos estas regras? Porque, como disse Wittgenstein, (...) o uso das regras não pode estar, por sua vez, submetido a regras, até ao infinito.

O projecto ideal de uma mecanismo jurídico (...) instrumentalmente neutro, é um constructo (...) utópico.

Estas regras ou normas sempre terão que ser feitas, aplicadas e respeitadas por pessoas. E estas pessoas têm uma coerência de vida que depende dos valores e virtudes que forjam. "

Mas se estes valores e virtudes foram marginalizados do discurso público, não podemos recorrer a eles para conseguir que os cidadãos valorizem as normas ou as respeitem ...

Alejandro LLano, Humanismo Cívico, Ariel: Barcelona, 1999.

10 julho 2009

Estão preparados?


«Se ficar doente, permaneça em casa! Se estiver com sintomas de gripe, fique em casa e contacte a Linha Saúde 24, pelo número 808 24 24 24, de forma a proteger-se e evitar o contágio a outras pessoas.» (Ministério da Saúde, Portal da Saúde)

Ou seja, é preciso estar preparado para permanecer em casa até que passe a "trovoada" viral.

Pinceladas, sem rigor, mas com sentido prático:

1) Na epidemia de 1918, o pico de aceleração dos casos durou (grosso modo) 90 dias.
2 ) Na China, durante a epidemia da impropriamente chamada "pneumonia atípica", em 2003, foram precisos 8 meses para controlar a situação.
3) A OMS calcula que são preciso 12 semanas até que seja possível reduzir a transmissão da infecção, depois do início da epidemia da gripe.
4) Muitos dos problemas, em período de epidemia, não se devem à gripe, mas ao MEDO que leva a comportamentos perigosos e contraprodutivos.

Portanto, preparar para hibernar! (Se for preciso)

- Prever o que fazer de modo a que seja possível viver em casa sem sair à rua:

1) Ter em casa os medicamentos de uso mais comum, desde o paracetamol para a febre e dores, até àqueles que geralmente tomamos, de modo habitual ou ocasional. Lembre-se que em caso de doença leve, sair para ir ao médico, ou ao hospital pode ser a pior coisa a fazer. Sai com um doença leve, e regressa com um vírus mais grave ...
2) Água, comida, pilhas, rádio a pilhas, lanterna. (Temos que prever que o fornecimento de água e electricidade pode tornar-se mais irregular; também pode não ser seguro sair para fazer compras, durante cerca de 2 semanas).
3) Algum dinheiro em notas e moedas. Meia dúzia de máscaras para a eventualidade de ter um doente em casa, ou de ter que ir a algum local fechado. Na rua, como se sabe, a máscara é inútil.
4) Montes de gel para lavar as mãos (lavar de 2 em 2 horas), de preferência em recipientes que possam ser usados sem lhes tocar com as mãos. Toalhetes para limpar (diariamente) os puxadores das portas, os manípulos das torneiras, as superfícies de trabalho, etc.
4) Assegurar que as portas e janelas do exterior são seguras contra intrusões (nunca se sabe se os ladrões adoecem, ou não...)
5) Manter secas as toalhas de mãos e panos de cozinha: os vírus permanecem viáveis em ambientes húmidos. Ou seja, secar as mãos num pano húmido é uma péssima ideia (pode estar a contaminar as mãos acabadas de lavar).
6) Cumprimentar, só à distância: as mãos e a cara são locais de fácil contágio e contacto. MANTER AS DISTÂNCIAS (a 1 metro, é a recomendação).

Por último: manter a saúde mental - ouça apenas as notícias necessárias. No geral, desligar a TV é uma opção saudável!