Jornal de Negócios

21 setembro 2009

Como o Estado trata as famílias com filhos a estudar ...

«Os custos de um filho no ensino superior público ainda não são suportáveis para muitas famílias portuguesas», no Diário de Notícias:

«As famílias portuguesas, mesmo as de classe média, têm dificuldades em suportar os custos de um filho no ensino superior. Algumas, nem com apoios do Estado conseguem fazer face às despesas. A distância das universidades do meio familiar é um dos factores que contribui para a situação. E, por vezes, só a ajuda de um filho pode fazer com que outro possa terminar uma licenciatura.


É o que se passa na família Ivo Gomes. "Com três filhos e um rendimento familiar que não ultrapassa os 1300 euros por mês não poderíamos suportar as despesas da Patrícia na universidade e mais as da Andreia, que está a acabar uma disciplina do 12.º ano e a frequentar um curso profissional para poder começar a trabalhar. Só com a ajuda do meu filho mais velho temos conseguido. Este ano foi ele quem pagou os 1002 euros de propinas da Patrícia", confessa» (...)

«Sai de manhã de casa para a faculdade e regressa à noite. Paga pelo passe mensal 50 euros e leva dez euros diariamente no bolso para almoçar e lanchar. Mesmo assim faz uma hora de transportes públicos e mais meia de caminhada em cada viagem de ida e volta.


Por isso, quase não compra livros. "Em cada semestre fotocopio os que necessito", conta a jovem. Como sabe que todos estão a dar uma ajuda para que termine a licenciatura não quer depois disso sobrecarregar mais a família. E, além da faculdade, este ano está a frequentar um curso técnico numa escola profissional,» (...)

Vêm aí as comemorações da República: boa oportunidade para voltar a falar em liberdade de escolha no ensino.


18 setembro 2009

o multiculturalismo

Helena Matos, no Publico, 17 de Setembro:

«O Bloco de Esquerda declara que a sua sede, no Porto, tem sido atacada por neonazis.

Começo por não conseguir perceber como chegou o BE a esta conclusão pois os ataques, ainda segundo o BE, "são perpetrados por pessoas que passam de carro e atiram pedras".

Mesmo dando de barato que com um simples olhar para viaturas em movimento o BE consegue avaliar a ideologia dos respectivos ocupantes, resta-me ainda um outro mistério. Mais propriamente o da linguagem. Em primeiro lugar, caso os agredidos fossem simples cidadãos ou um partido que não o BE estes factos teriam sido descritos com aquela linguagem politicamente correcta que é tão do agrado do BE.

Assim os ataques começariam por ser alegados. Os atacantes não seriam neonazis nem o quer que fosse. Quando muito dir-se-ia que as vítimas, provavelmente sem grande fundamento, suspeitavam de determinados grupos, sendo certo que logo se faria um enquadramento socio-económico sobre o desemprego, falta de expectativas e outros problemas que explicassem que umas criaturas se entretivessem a atirar pedras para as janelas dos outros. Para finalizar, as vítimas dos alegados ataques seriam descritas como estando imbuídas duma certa paranóia securitária que as levava a pedir mais policiamento e não acções de integração para os jovens e demais excluídos.

Creio que esta semana algo mudou no BE.

E não, não me estou a referir à possibilidade de Louçã vir a integrar um futuro governo de Sócrates. O que mudou mesmo é que o BE doravante e para o futuro terá de explicar como é que atirar pedras aos outros é crime em Portugal e acto de resistência na Palestina.

Por fim, mas não menos importante, o BE não só chamou a PSP como passou a considerar que faz falta polícia na rua. Ou mais precisamente faz falta na rua da sua sede do Porto.

Tenhamos paciência: há grandes mudanças que começaram mais discretas. Espero apenas que os alegados atacantes autores dos alegados ataques não tenham lido o programa do BE, nomeadamente as poucas linhas que na sua página 99 são dedicadas à segurança e onde são sugeridas como medidas de combate ao crime "a intervenção activa das populações, através de conselhos municipais e de freguesia em que estejam representadas todas as comunidades e em particular os mais jovens"; e a "intermediação cultural".

Por que não dá o BE o exemplo e começa já com a "intermediação cultural", convidando os alegados atiradores de pedras que certamente ainda são jovens para falarem na Assembleia Municipal do Porto? Quem sabe não sofrem dum trauma que os remeteu para as margens da sociedade por não terem tido fisgas quando eram pequeninos?!»

15 setembro 2009

Política engripada


Entrevista com o Prof. J. R. Laporte, Catedrático de Farmacologia na Universidade Autónoma de Barcelona, Chefe de Serviço de Farmacologia do Hospital Vall' Hebron em Barcelona. Dirige o Instituto Catalão de Farmacologia, que é um dos centros colaboradores da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Publicada no elperiodico.com em 13 de Setembro. Mesmo a propósito.

(...)

– A Conselheira da Saúde [ministra da província de Barcelona] disse que é provável que não tenhamos vacina para o Inverno.

– Não vamos mesmo ter vacina. De momento não há vacina. Arranjaram um nó cego impressionante.

E se houvesse vacina, o Senhor ir-se-ia vacinar?

– Não. Em princípio não tenho intenção de me vacinar, embora ao pessoal de saúde se recomende a vacina. Se me chegarem dados convincentes de ensaios clínicos que indiquem que a vacina é realmente protectora, então pensarei no assunto.
Também o faria no caso, muito improvável, de que a epidemia fosse gravíssima. Mas os dados que nos chegam da Austrália, onde ainda é Inverno, indicam o contrário.

A vacina que está a ser preparada não lhe inspira confiança?

– Não tenho provas de que não se esteja a trabalhar bem. Normalmente as vacinas contra a gripe elaboram-se com uma certa rapidez porque existe uma base prévia comum às vacinas anteriores. Mas esta vacina nova é um pouco diferente, por causa da origem porcina do vírus A/H1N1. As bases de conhecimento de que dispomos são inferiores. Os ensaios que vão ser feitos medem as quantidades de anticorpos que a vacina gera nas pessoas, medem a resposta imunitária, mas não medem o grau de protecção que a comunidade vacinada terá perante o vírus. Isso só se saberá quando a vacina seja administrada a milhões de pessoas.

– Acha que foi precipitado o anúncio de que iria haver uma vacina?

– Tudo isto faz parte da maneira de funcionar dos políticos que necessitam de transmitir aos cidadãos a mensagem de que: "Está tudo sob controle. Estou a trabalhar no assunto. Não se preocupem. Estamos a fazer tudo o possível." Além disso, a Ministra da Saúde mostrou o seu desejo de protagonismo.

– É incorrecto transmitir calma?

–Não. Mas se lhes perguntarem como é que têm tudo sob controle, respondem que é porque pagaram 300 milhões de euros a este e àquele laboratório para que nos vendam vacinas da Gripe A, ou que compraram ainda mais antivírico Tamiflu, além do muito que já tínhamos. Isto é, fizeram uma série de coisas em que não existe forma de demonstrar que sirvam para alguma coisa.

– E o que é que deveriam ter feito?

– A mim parece-me muito mais sensato que se quiserem dizer alguma coisa tranquilizadora (porque acham que devem), o digam, mas que acrescentem que, sobretudo, o que se está a fazer é investigar. Perante uma doença provocada por um vírus desconhecido, não se pode dizer que está tudo sob controle.

–Disse que essa política de tranquilização passou pela aquisição de antivíricos?

–Os antivirais, em concreto o Tamiflu que foi o que foi comprado, não é uma arma médica, nem sanitária, nem farmacológica. Talvez se pudesse usar em pessoas com pneumonias muito graves, mas é um fármaco pouco eficaz. Talvez reduza a duração da infecção gripal de 4-5 dias para 2-3 dias. É muito delicado usá-la como arma preventiva em toda a população. Antes disso seria preciso avaliar tanto a sua eficácia, como os seus efeitos adversos.

– E que efeitos são?

– São potencialmente muito graves. Digestivos e neuropsiquiátricos. No Japão, onde foram administrados a uma grande quantidade de população, foram descritos suicídios muito violentos. Aqui fala-se em dá-lo a grávidas, quando nem sequer sabemos que efeitos têm no feto. Só se pensa em dar, e dar, quando o que é preciso é investigar.

– Acha que houve excesso de expectativas em relação ao perigo da gripe A?

– Houve exagero. Há muita gente interessada em exagerar os riscos da gripe A: todos os que vendem alguma coisa relacionada com ela, desde medicamentos antivirais, até vacinas ou máscaras. A face aparente disto tudo são os meios de comunicação social. Corre demasiada informação não seleccionada, e as pessoas estão intoxicadas.

E porque é que se exagerou?

–Porque estamos perante uma doença que afecta os países ricos. A OMS encontrou nesta gripe uma forma de recuperar o protagonismo perdido, embora ainda seja a entidade mundial com mais autoridade moral. Há 15 anos atrás, era a única instituição que actuava nas políticas sanitárias, mas agora apareceram outras que têm mais recursos. A gripe A é a sua panaceia.

O que julga que vai acontecer com a gripe A, neste Inverno?

– Terá uma repercussão menor que a gripe do Inverno passado, e haverá menos mortos. Tenho muito medo de que os serviços de saúde colapsem devido à política exagerada da Administração. Basta ver os documentos que a Saúde e a Educação elaboraram.

Refere-se ao plano de contingência escolar contra a gripe?

– Sim. Um dos itens diz: "Perante uma criança com sintomas de gripe, será isolada e avisa-se a sua família e as famílias dos seus colegas". Isto é, os professores vão passar o dia a telefonar para os pais, que deverão abandonar os seus trabalhos e ir à escola buscar os filhos. E mantê-los em casa! Ou isto não se aplica, ou o sistema vai colapsar e, através da escola, pára-se toda a sociedade. É um regulamento impossível de cumprir.»

27 agosto 2009

Casamento forçado

Cartas ao Director, Publico, 27 de Agosto:

«É um dos temas quentes do momento: o veto do Presidente à nova lei das uniões de facto. Diz o PÚBLICO, na secção Sobe e Desce de 25 de Agosto, que é "um chumbo sobretudo ideológico".

Não sei se a ideologia esteve, ou não, na base do veto de Cavaco Silva. Sei que, pela primeira vez na minha vida, aplaudi uma decisão deste Presidente.

E apenas porque a nova lei das uniões de facto é um grave atentado à minha liberdade individual. Vivo em união de facto há dezoito anos. Foi uma opção tomada racionalmente, uma opção livre de duas pessoas que, por mútuo consentimento, quiseram manter-se afastadas de quaisquer constrangimentos jurídicos ou patrimoniais. Estamos juntos porque queremos, não porque contratualizámos uma relação. Não precisamos de leis para nos mantermos juntos, nem de leis para nos separarmos.

Com que justificação vem agora o Estado pretender impor-nos direitos e obrigações que livremente rejeitámos? Se quiséssemos juntar ao enlace afectivo um enlace júridico teria sido fácil: casávamo-nos.

Pretende o Estado sujeitar-nos a um conjunto de regras que mais não são do que o tal "casamento" que livremente evitamos desde há dezoito anos? Vão obrigar-me a "casar"?

Não percebo o que é que isto tem a ver com ideologia. E não aceito que uma opção de vida que apenas diz respeito às pessoas que a tomaram seja destruída, de um momento para o outro, por um conjunto de partidos políticos, esses sim, ao que parece, muito preocupados com os valores ideológicos e nada preocupados com a liberdade individual.»
(Luís Lopes, Aveiro )

13 agosto 2009

questões de probabilidade

Ninguém gosta que a ciência seja uma questão de probabilidades (como a educação, a bolsa de valores, ou os acidentes na estrada). Mas, parafraseando Popper, não é possível obter certezas quanto às teorias científicas, nem sequer precisamos das certezas na ciência. Basta criar uma teoria e ir excluindo os erros. E mesmo isto é, também, uma teoria hipotética, embora geralmente funcione :-)

A revista médica British Medical Journal, publica um estudo de revisão sobre os efeitos do antivírico mais usado na Gripe (na A e na A-H1N1v).

O estudo diz o que já se sabia, e sempre se soube: (...) «Os inibidores da neuraminidase [o tal antivírico] têm um benefício pequeno, encurtando o tempo de doença nas crianças com gripe sasonal, e reduzindo o contágio entre os conviventes. Têm pouco efeito na asma ou na redução do uso de antibióticos. O seu efeito nas complicações graves, ou no caso do vírus H1N1, não está demonstrado.»

(video da Universidade do Porto: recomendações para parar o contágio)

Ou seja, não cura, não mata o vírus, mas encurta (cerca de 36 horas, diz o fabricante) a duração do tempo total de doença.

Vamos ter que nos organizar com sentido prático. E se não for pelo medo da doença, pelo menos para não ir preso: é que o crime de "propagação de doença infecciosa" é punido com prisão de "1 a 8 anos" (Safa! É pior que a gripe que só dura uma semana...)

Em França, o Ministro da Educação admite que "o encerramento das creches, dos estabelecimentos de ensino e de formação, dos internatos e das instituições de acolhimento de menores", está prevista na fase 6 do Plano de Contingência do País. Os canais de TV, France 5 e France Culture, irão funcionar como plataformas de ensino à distância de modo a poder atrasar a abertura das escolas em cerca de 90 dias (notícia aqui, no Le Monde). Trata-se de um plano já desenhado anteriormente para a pandemia de gripe aviária e que agora é reformulado. Para além deste plano nacional, cada escola terá liberdade de usar as suas plataformas digitais para manter contacto personalizado entre professores, alunos e escolas.

Por cá, ainda não se sabe, embora a UE já se tenha pronunciado no sentido de que apenas valerá a pena encerrar escolas se isso contribuir para reduzir a velocidade do contágio.

07 agosto 2009

Kirchner & Kirchner

(...) «realizar um esforço solidário que contribua para reduzir o escândalo da pobreza e da inequidade social, cumprindo assim as exigências evangélicas que exortam a tornar possível uma sociedade mais justa e solidária» (...)

Escrito por Bento XVI aos católicos da Argentina.


Parece que o governo não gostou.

As estatísticas oficiais do Instituto de Estatística, que sofreu a intervenção do governo, liderado pelo casal Kirchner, são de 15,3% de pobres.


Mas a Igreja Católica local colocou em marcha um plano de ajuda, com base em informação do "terreno", para cerca de 40% de pessoas abaixo do limiar de pobreza.

06 agosto 2009

gosto muito quando as portuguesas vêm


«gosto muito quando as portuguesas vêm»

(menino caboverdeano, em 1 de Agosto de 2009, durante o Projecto Cabo Verde)




Um dos cerca de 100 que participam, além dos cerca de 400 adultos ...

Há quem faça férias no Algarve ou nas Bahamas. Há quem prefira o calor, os mosquitos e a falta de água ... (Nesta paragens o banho é a "técnica da garrafa")

03 agosto 2009

A promoção da algália

Noticia o Semanário Económico:

«Ryanair quer que passageiros deixem de usar WC nos aviões»

«Continua a saga de cortes de custos na Ryanair. Agora, o presidente da companhia quer reduzir o número de WC nos aviões e cobrar as idas à casa de banho.

E perante a questão "e se o avião é afectado por alguma indisposição colectiva, como intoxicação alimentar?", a resposta é pronta e irónica: "Nós não servimos comida suficiente a bordo para que toda a gente fique intoxicada".» (...)


«Frequentemente apelidado de rude e indelicado, este empresário, que acredita que os passageiros das companhias aéreas low-cost estão dispostos a suportar virtualmente todas as indignidades, desde que os bilhetes sejam baratos e os aviões aterrem a horas, tem-se revelado também um dos mais bem sucedidos empresários da Irlanda.» (...)

Sobrinha de Luther King escreve no Washington Times


Alveda King, sobrinha de Marthin Luther King escreve no Washington Times que a organização americana pro-aborto "Planned Parenthood", aceitou donativos a troco de promover o aborto entre a população negra.

A
"Planned Parenthood" é parte de uma multinacional com a designação IPPF (International Planned Parenthood Federation), que tem sucursais por todo o mundo, incluindo Portugal (APF, Associação para o Planeamento da Família).


Neste artigo, a sobrinha de Luther King sublinha que embora a população negra represente 13% do total da população dos EUA, é vítima de 37% dos abortos totais. Isto deve-se aos objectivos perseguidos pela Planned Parenthood, segundo afirma, cujo lema seria "mais filhos para os aptos, menos filhos para os menos aptos". Entre os "menos aptos" estariam os negros e os brancos pobres.

Denuncia ainda que a inspiradora da "Planned Parenthood", Margaret Sanger, não se coibiu de ter cerca de uma dúzia de encontros com a Ku Klux Klan.

As gravações telefónicas em que se combinaram os donativos estão no YouTube.

01 agosto 2009

Lá como cá ...


Em Espanha, um jornal médico online faz este pedido aos médicos:

«És médico e estás desempregado, ou conheces quem esteja? Conta-nos a tua história.»

«O desemprego começa a chegar à profissão médica, apesar de que a Administração insiste em que há escassez de médicos.»


Lá, como cá ... Como diz o estudo encomendado pela Administração Regional de Saúde do Norte, «é possível concluir para a Área Metropolitana do Porto que:
• Em termos globais, de acordo com o rácio de substituição ajustado, existirão, já em 2009,
cerca de 1,5 futuros médicos especialistas por cada eventual saída, proporção que aumenta
progressivamente até alcançar, em termos acumulados até 2014, cerca de 3,3 futuros médicos
especialistas por cada eventual saída, no mesmo período»

(...) «Não existem especialidades médicas em que o rácio de substituição ajustado até 2013 seja inferior a 1, o que implica que no período em análise não se prevê uma taxa de substituição deficitária em qualquer das especialidades

O estudo até prevê que não será possível assegurar o Internato Médico de Especialidade a todos os alunos que terminam o curso, ou seja, face à legislação europeia, arriscam-se a terminar o curso e não poder exercer por falta de especialidade. Pois é...

Um caso real, aqui, relatado no El Pais (Março 2009).

28 julho 2009

A economia não é neutra

«A última Encíclica Papal – Caridade na Verdade – merece ser lida e discutida. Quem escreve isto é um não crente que reconhece a influência da Igreja Católica e acha que a sua doutrina social continua a oferecer recursos para pensar criticamente a economia e as transformações necessárias para a tornar mais solidária.

(...) a configuração do mercado global emergente enfraqueceu sindicatos e erodiu direitos laborais e sociais ao favorecer a chantagem da deslocalização de empresas demasiado concentradas nos interesses dos accionistas e muito pouco no trabalho digno


(…) Mesmo que estes conceitos possam e devam ser debatidos, parece-me relevante a recusa de qualquer separação artificial entre economia e moralidade, a partir do reconhecimento de que as decisões económicas nunca são neutras.


Destaco ainda a defesa da coexistência de uma pluralidade de “formas institucionais de empresa” – das empresas privadas e públicas às experiências associativas – prosseguindo vários objectivos e favorecendo uma “hibridização dos comportamentos de empresa”.

Isto não está longe de algumas preocupações da economia solidária, um frutífero ponto de encontro de muitos socialistas e católicos. Trata-se no fundo de não desistir de buscar os arranjos que nos permitam “ir mais além da lógica da troca de equivalentes e do lucro como fim em si mesmo”.

É uma pista promissora para quem deseja retirar todas as consequências do fracasso da construção neoliberal de uma economia divorciada do bem comum.»

(João Rodrigues, economista, no I online de 20 de Julho)

Fazer de conta(s)


(...) «O caso de um aluno que passou de ano (o 8.º) com nove negativas despertou por aí certos queixumes. É vontade de dizer mal.

Antes de mais, o aluno em causa não é uma excepção, é um exemplo: pelos vistos, "transitar" criancinhas com sete, oito, nove ou dez negativas já se tornou prática relativamente comum nas escolas nacionais. E o hábito não é tão negativo quanto aparenta. Muito pelo contrário (...)

Em primeiro lugar, acaba com a discriminação entre disciplinas. Até agora, inúmeros alunos saltitavam de ano em ano sem saberem nada de matemática. Agora, são livres de saltitar sem saberem nada de coisa nenhuma. Um ponto a favor da "interdisciplinaridade".»

(...) «o fim das "retenções" acaba com alguns traumas no Orçamento de Estado. Há tempos, a sra. ministra explicou: cada aluno custa ao erário público 3 mil euros por ano, logo um aluno reprovado fica por 6 mil.

Em 2007, os "chumbos" no ensino básico e secundário pesaram 600 milhões na despesa, uma enormidade que poderá perfeitamente ser aplicada no aprimoramento tecnológico da rede escolar, de modo a que os alunos que "transitam" na maior ignorância o façam nas melhores condições.» (...)

(Alberto Gonçalves, Dias Contados, no DN On-line, 26 Julho 2009)

27 julho 2009

falta de memória

«O tempo é uma coisa tramada» ( J. Pacheco Pereira na Sábado on-line)

“Seria uma grande irresponsabilidade construir estes estádios que depois não fossem utilizados” (José Sócrates, 1999, entrevista no programa Hermann99)


«O que impressiona nesta entrevista é ouvir Sócrates falar exactamente na mesma, usando as mesmas expressões, o mesmo tom enfático, as mesmas palavras, os mesmos argumentos, o mesmo apelo a que o nosso desejo corresponda ao dele, a que o acompanhemos, a mesma tensão discursiva, com que fala hoje.
Na altura falava dos estádios do Euro 2004, hoje fala do TGV ou do novo aeroporto ou das novas auto-estradas. E diz exactamente o mesmo, sem tirar nem pôr.» (JPP)

20 julho 2009

O que cada um pode fazer contra a gripe


A gripe é (será ...) um problema social, de organização de cada casa e de cada família, para atravessar um período em que parte do país e dos cidadãos não estarão em condições de garantir todas as respostas a que nos habituámos (água, luz, comida, transportes, etc.).


Este sítio contém informação do Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica e os seus relatórios periódicos.

Por exemplo:

«
O primeiro passo a dar no planeamento pessoal e familiar para uma pandemia de gripe é estar-se informado. Um correcto planeamento na nossa rede familiar, prepara-nos para agir contra a Gripe. Devemos colocar questões fundamentais, para as quais temos a tarefa de procurar respostas: · Que fontes de informação temos disponíveis? · Temos garantidas as necessidades especiais (para os doentes crónicos, por exemplo)? · Quem tomará conta dos meus filhos, se eu adoecer? · Quem cuidará dos familiares que dependem de mim? · Que bens essenciais devo ter em casa? · Temos meios de comunicação suficientes? · Se a escola dos meus filhos fechar, quem tomará conta deles? · O que fazer em caso de sintomas? · O que fazer em caso de contacto com alguém que revele sintomas? Procurar respostas para estas questões ajuda-nos na preparação para enfrentar a Gripe»
(http://agircontraagripe.blogspot.com/)

O Centro de Análise da Resposta Social à Gripe Pandémica é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Fundação Gulbenkian e o Ministério da Saúde.