Jornal de Negócios

13 novembro 2009

Experiências em crianças - o simplex!


«A 'coisificação' da criança»

Maria José Nogueira Pinto, no DN 2009-11-12



No recente estudo de opinião efectuado pela Eurosondagem, 45,5% dos inquiridos concordam com o casamento homossexual, contra 49,5%, que se opõem. Contudo, à pergunta "E com a adopção por casais homossexuais?", o resultado do "não" (68,4%) mais que triplica o do "sim" (21,8%).

Um número significativo dos inquiridos - embora não maioritário - concorda que a união de duas pessoas do mesmo sexo possa ser integrada na categoria de um casamento civil, porque, julgam eles, o contrário significaria uma discriminação. Não têm tempo, paciência ou liberdade de espírito para pegar na questão e pô-la no seu lugar certo, nem que seja por um mero exercício intelectual: não há discriminação quando se trata diferentemente o que é diferente, nem o que é diferente passa a ser igual através da alteração de alguns artigos do Código Civil.


A única consequência será destituir de qualquer sentido o casamento civil, que, ao perder os seus pressupostos e objectivos, fica reduzido a um contrato subtraído à liberdade contratual das partes, por uma inexplicável ingerência do Estado.

Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar não há razão para proibir o casamento a termo certo (5, 10, 20 anos) ou o casamento poligâmico (um homem e três mulheres, uma mulher e dois homens). Fazia mais sentido a devolução deste contrato às partes, hetero ou homossexuais, permitindo que cada um estabelecesse livremente o modelo da sua união.


Quanto à segunda pergunta, isto é, se concorda ou não que casais homossexuais adoptem crianças, quase metade dos que antes diziam "sim" ao casamento dizem, agora, "não" à adopção.

É que enquanto o casamento só envolve os próprios, a adopção implica terceiros, crianças que não têm capacidade de exprimir a sua vontade e, por isso, precisam de quem as represente. Ora, sendo ao Estado que compete esta função, e sendo o Estado, ele próprio, o legislador, na prática as crianças ficam sem representante que defenda o seus superiores interesses. Aqui a situação complica-se e, à cautela, quem antes dizia sim passa a dizer não.


A ausência de debate permitiu que uns ocultem, e muitos desconheçam, um inexorável nexo de causalidade: o casamento dos homossexuais acarretará, automaticamente, o direito a adoptarem. Também aqui, basta um mero exercício intelectual.

De facto, assentando a iniciativa legislativa no princípio da igualdade, uma vez esta estabelecida por lei, não poderá manter-se uma capitis diminutio em nome da diferença. Porque é ela - a diferença - que cria dúvidas quanto à adopção, dúvidas que terão de ser engolidas após a aprovação da lei sob pena de se estar a consagrar casamentos de primeira e casamentos de segunda, ao arrepio de todo o discurso oficial e, julgo mesmo - agora sim -, da Constituição.


É esta a verdadeira questão. Não estamos perante um mero exercício intelectual, nem no âmbito restrito da contenda política. É mais grave, é mais sério. As crianças adoptáveis são crianças privadas, por diversos motivos, dos seus pais biológicos. Vêm de famílias tão ausentes que se tornaram inexistentes e são entregues à tutela do Estado, a quem compete providenciar um novo projecto de vida que passa pela realização do direito de cada criança a ter um pai e uma mãe adoptivos, na falta dos biológicos.

A tarefa é enorme e só quem nunca lidou com estas crianças, os seus percursos, as dúvidas e angústias na construção de um novo destino assente no respeito absoluto pelo melhor interesse de cada uma delas, pensa que uma promessa eleitoral transformada em lei pelo Parlamento, sem um maior escrutínio da sociedade, pode varrer todos os valores e princípios que enformam o sistema de protecção dos menores.


Esta lei pode ser a consagração da "coisificação" das crianças, a sua utilização como uma coisa, um adorno de uma mera simbologia. Uma irresponsabilidade atroz para a qual ninguém recebeu mandato.»

05 novembro 2009

ainda os "bónus" dos gestores


«Se os bancos estão a ter lucros, pois então que usem esse dinheiro, como reserva, para melhorarem a sua situação e poderem emprestar mais à economia»

Ditas por Jean Claude Trichet, actual Presidente do Banco Central Europeu. (no Jornal de Negócios)

04 novembro 2009

a esquerda que parou em 68 ... (II)


... continuação ... (do artigo de J. Contreras, Univ. de Sevilha)

... Esta pós-esquerda do século XXI orbita em torno do orgasmo, de W. Reich e também de Gramsci. António Gramsci, já nos anos 30, tinha teorizado sobre a necessidade da esquerda conquistar a hegemonia cultural ("a guerra de tomar posição"), antes de tentar o assalto ao Estado e às relações de produção ("a guerra das manobras").

Para facilitar a revolução político-económica, era preciso fazer primeiro a revolução dos costumes, das crenças e dos códigos morais. Esta missão corresponderia aos "intelectuais do aparelho" que deveriam trabalhar, de modo coordenado, para ganhar o imaginário social.

Era preciso substituir a visão tradicional do mundo, pela visão marxista. Para Gramsci, o rival natural destes "intelectuais do aparelho" é a Igreja. Esta esquerda precisa de centrar a sua guerra no combate às crenças religiosas. (cfr. De Mattei, A Ditadura do Relativismo)


Na verdade, na esquerda clássica, tanto W. Reich, como Gramsci, eram figuras de segunda linha. Reich conseguiu inclusive ser expulso, sucessivamente, da URSS (1929), do SPD Alemão (1930) e finalmente do PC Alemão, em 1934, acusado de "transformar o Partido num bordel".

Hoje seria surpreendente que alguém fosse expulso de um partido da esquerda por mau comportamento sexual, o que significa que esta esquerda , pós-68, é bastante diferente da de então.



Além disto, em Marcuse e Gramsci o ataque à moral "tradicional" é apenas um meio para atingir o fim supremo da revolução socialista. Mas nesta esquerda pós-moderna, que já não acredita na revolução socialista, a subversão da moral sexual e dos costumes ligados à família, converteu-se num fim. O único fim que esta esquerda céptica e acomodada consegue arvorar como bandeira.

A liberdade sexual (a própria libertinagem sexual) perderam já o seu potencial subversivo. A reivindicação de uma liberdade sexual ilimitada e promíscua, é o modo actual de ir ao sabor da corrente, de mostrar submissão ao poder dominante. Nas circunstâncias actuais, o comportamento promíscuo é a atitude integrada e convencional. (Josep Miró, O Fim do Estado de Bem-Estar)


Em 1968 ainda estavam presentes os "grandes relatos" do marxismo, pelo menos nas livrarias das Universidades, e nos tanques do Pacto de Varsóvia. Sempre era possível alguém deixar-se convencer de que o sexo era uma arma de subversão, ou que "fazendo amor, se faz a revolução".

Mas passaram os anos ... A década de 70 mostrou como o modelo de bem-estar do pós-guerra não era sustentável. O gigantismo do sector público, o custo das nacionalizações, do ensino e da saúde estatais mostraram as fragilidades dos modelos económicos socialistas e social-democratas. Esta esquerda fica sem referenciais económicos. Aparece um Frideman. Sucede-lhe Keynes. (Tortella, As Origens do Capitalismo)

Na década de 80 afundam-se os regimes do bloco soviético. É a vez da esquerda mais radical ficar sem modelo económico.

A partir de 90, este vazio fica apto a ser preenchido pelo "sessentaeoitismo".. Esta esquerda já não precisa de desculpas anti-capitalistas para defender a liberdade sexual sem limites. Esta liberdade irrestrita passa a ser, por si mesma, a meta, o valor supremo. (Haaland, Janne. Os direitos humanos desprezados e a ditadura do relativismo)

(continua ...)

Back to USA


«Os eleitores do estado do Maine, no nordeste dos Estados Unidos, rejeitaram uma lei do estado que permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, segundo resultados parciais de um referendo local realizado terça-feira»



(...) « Com 87 por cento dos votos contados, o 'não' vencia com 55 por cento, o que constitui um revés para o movimento dos direitos da comunidade homossexual na zona do país mais favorável ao casamento gay.

Desde que começou a ser submetido ao voto popular, o casamento entre pessoas do mesmo sexo perdeu até agora em todos os estados onde os eleitores se pronunciaram, num total de 31.»

Deve ser por isto que há quem tenha medo dos referendos.
(Noticia no Sol, 4 Nov)

02 novembro 2009

capitalismo socialista ...

A maioria dos países da zona euro rejeitou a possibilidade de cobrança de taxas no pagamento feito com cartões, mas o governo português transpôs essa directiva para a lei nacional, diz o Diário Económico.

Ou seja, a menos que haja alguma novidade posterior, a partir de agora convém andar bem recheado de notas, ou os custos vão sentir-se no fim do mês...

É interessante reparar como as vantagens do capitalismo só se tornam "boas" com governos socialistas ...

O outro lado do "avanço" do país ...

No Expresso (31 Out 2009), Ricardo Costa:

«Confesso o meu espanto com o silêncio a que a política e a banca se remeteram quando a operação 'Face Oculta' lhes caiu em cima. (...) o caso envolve pressões a ministros, empresas do Estado, gestores públicos, advogados espertos e o vice-presidente do maior banco privado português.

O enredo não tem offshores, milhões de euros a circular, almoços no Ritz ou gente com gravatas Hermès. Tem sucata, envelopes em dinheiro vivo, carros de sonho de patos-bravos e almoços em que o fato fica a cheirar a peixe pela tarde fora.

(...) Em Portugal ganha-se muito mais dinheiro em médios negócios feitos à sombra do Estado e longe dos holofotes do escrutínio público do que nos negócios de que todos falamos.

No TGV, nos contentores, nas pontes e auto-estradas há somas monstruosas envolvidas, mas também há (felizmente) muita gente a ver tudo o que corre mal. Noutras áreas, como o Ambiente, circula imenso dinheiro e favores sem qualquer escrutínio ou atenção.

Só isso é que explica o à-vontade com que Manuel Godinho terá montado uma "rede tentacular integrada" para ser favorecido em concursos públicos. Tudo se passava num sector de que ninguém fala. Godinho estava tão à vontade como os beneficiários. Quem é que liga à sucata?

(...) A rede de sucata de Godinho está a mostrar outra face do nosso país. Longe das grandes concessões trocam-se favores, manobram-se ministros e gestores. Tudo isto com pouco dinheiro e nenhum esforço.

Em poucos meses, o fio de um sucateiro levou a uma meada que põe em causa a gestão de algumas das maiores empresas, lançou mais uma bomba no BCP e remeteu o PS a um silêncio catatónico. Só se pede que a Justiça seja rápida. O país não aguenta outra 'operação Furacão'.»

O problema é que o país "aguenta" tudo, inclusive premiar eleitoralmente quem aldraba ...

28 outubro 2009

a esquerda que parou em 68 ...


Adaptado do artigo de J. Contreras (Catedrático de Filosofia, Universidade de Sevilha)


(...)

Há uma esquerda que fracassou ao longo do século XX: a que tinha por bandeira as aspirações clássicas de nacionalizar os meios de produção e de substituir o capitalismo pelo socialismo.

De facto o que aconteceu foi exactamente o contrário, com largo apoio de faixas crescentes da população.

Esta esquerda não desapareceu, simplesmente mudou de bandeira: substituiu a revolução social e económica pela revolução sexual.

No campo económico, a diferença entre esquerda e direita foi-se atenuando.

Das direitas veio uma cada vez maior tendencia a confiar no mercado, em detrimento da empresa individual; da esquerda, uma reclamação à intervenção reguladora do Estado. A esquerda já não contesta globalmente o capitalismo (já nem sequer usa o termo), e até propõe políticas económicas claramente apostadas no mercado.

A direita reclama o abaixamento de impostos, o que costuma provocar uma reactivação do crescimento e a criação de postos de trabalho; a esquerda tende a aumentar a pressão fiscal, aumentando o emprego público, o que traz alguma desaceleração do crescimento e gera desemprego privado, mas tudo isto dentro de uma certa parcimónia mercantilista.

Ou seja, esta esquerda clássica está privada do seu projecto habitual, e necessita de novas bandeiras. Não querendo alinhar com as esquerdas mais liberais, ou as "terceiras vias", precisa de uma bandeira simples que possa usar como elemento de identificação.

Encontrou-o facilmente na amálgama da ideologia libertária freudiano-marxista que também explodiu em 68, aquilo a que poderíamos chamar o "sessentaeoitismo" - a ideologia de género, a permissividade sexual, o aborto livre, o questionamento da "família tradicional", a hostilidade ao cristianismo, o pacifismo radical, o multiculturalismo assimétrico, o ecologismo anti-humano ...


Em paralelo, a direita foi-se afunilando numa míopia (típica), perante esta mutação sessentaeoitista. Foi propalando que se tatava de meras "cortinas de fumo", lançadas por estes grupos de esquerda para distrair dos problemas reais.

Foi berrando que medidas como a legalização do "casamento" gay, a liberalização total do aborto, a imposição escolar de disciplinas ideológicas como a educação cívica, ou os crescentes ataques à Igreja, eram meros "fait-divers".


Tal com existe uma esquerda, presa no tempo, também esta direita continua a operar com um velho modelo de trabalho que herdou do século passado, em que a fractura entre esquerda e direita era mais óbvia e relacionada com a maneira de organizar os sistemas de produção.

Esta direita não consegue entender que o centro de gravidade do combate ideológico já não passa pela economia, mas pela cultura:
- pela diferença entre mulheres e homens e pelo seu relacionamento;
- pelos "direitos reprodutivos";
- pelo modelo de família;
- pela atitude perante o início e o fim da vida humana;
- pelo papel social da religião ...

Não entende, ou não quer entender para não ter que tomar posição ...

À medida que esta esquerda aumenta o seu campo, isto é, à medida que a esquerda se "sessentaeoitiza" mais, há como que um triunfo póstumo dos profetas de 68 - Reich, Marcuse, A. Kinsey ...

Reich é um caso de sucesso. Foi o grande teórico da revolução sexual. Sustentou que a repressão sexual era o mecanismo essencial sobre o qual assentava a ordem burguesa; propôs como táctica político-revolucionária a superação dos tabús e inibições sexuais. Uma sociedade sem classes seria a consequencia da libertação sexual.

Claro que para obter a total liberdade da líbido, seria preciso eliminar a família. A família, por definição, cria restrições à liberdade sexual. Também o aborto livre é necessário: só assim a mulher pode desfrutar da sua sexualidade sem o entrave da gravidez. (Basta ler, em diagonal, REICH, W., The Function of the Orgasm [1942], Condor Books, 1979; REICH, W., The Sexual Revolution [1945], Vision Press, Londres, 1951.)

(continua ...)

26 outubro 2009

Em Madrid, manifestação de rua contra o aborto


Em Madrid, mais de um milhão de pessoas saíram à rua manifestando-se contra o aborto. A Câmara Municipal reconhece que foram cerca de 1 milhão e 200 mil os manifestantes (dois milhões, segundo a organização).

A manifestação ampliou as divisões dentro do PSOE espanhol, tal como anteriormente já tinha criado divisões no Comitê de Bioética do governo.

Entretanto continuam as denuncias de que o aborto é cada vez mais um negócio, internacional.

"claustrofobia democrática"


Pacheco Pereira no Público (24 Out. 2009) e no seu blogue:
(...)
«Seria interessante perguntar o que é que mudou para melhor, desde que Rangel fez o seu discurso, na "claustrofobia democrática"? Mudou, só que para pior.

Os dois órgãos de comunicação que o primeiro-ministro atacou publicamente estão abatidos. O Jornal Nacional da TVI encerrou como espaço crítico do Governo, e o PÚBLICO está sujeito a uma campanha para mudar a sua linha editorial e o seu director.

Somaram-se os assuntos tabu, a começar pelas investigações que envolvem o primeiro-ministro, como o caso Freeport e outros, em que ninguém se interroga como é que uma imprensa livre aceita tão grande condicionamento ao ponto de tornar "excessivo" quem tem coragem de falar. Fosse no Reino Unido ou nos EUA e veriam se era assim.

É também porque há um coro de "folclore transmontano" que ninguém se incomoda em perguntar porque razão é que Portugal baixou de 16º para 30º no índice de liberdade de imprensa. Pelos vistos os Repórteres Sem Fronteiras acham que sempre há "asfixia democrática". Por cá, tudo a assobiar para o lado.»
(...)

16 outubro 2009

Ping-pong viral (ainda a gripe)

(...) «As pessoas responsáveis, perante o cenário visível, situam-se num ponto equilibrado: nem tocam alarmes, nem pregam conspirações mundiais que não são passíveis de demonstração (e que implicariam a todos os governos do mundo, os laboratórios farmacêuticos e os meios de comunicação).

As outras atitudes são próprias das extremas, direita e esquerda, que procuram sistematicamente, ao longo da história, confabulações construídas contra os seus sistemas.

Obviamente que o facto de que a chamada gripe A não seja uma conspiração, com motivações económicas, não inibe que as empresas farmacêuticas vejam nela um filão de negócio.

A leitura que faz Teresa Forcades, de que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os laboratórios se juntaram numa conspiração para enriquecer é um pouco triste, sobretudo numa pessoa que se consagrou à vida religiosa.

(...)
Além disso incorre em erros na sua comunicação: por exemplo, o de que a vacina é obrigatória; ou que a OMS obriga os países a vacinar.

A OMS não tem poder legal para obrigar nenhum país a vacinar, nem tem poder para fazer legislação em matéria sanitária sobre os países.


Também não pode multar ou impor sanções aos cidadãos que sejam contrários à vacinação contra a gripe A.» (...)

(traduzido do Forum Libertas)

12 outubro 2009

Comitê de Bioética de Espanha confirma que a vida humana começa na fecundação


A Comissão de Bioética espanhola , instituição pública agregada ao Ministério da Ciência e Inovação, confirma num parecer publicado que a vida humana começa na fecundação:

(...) «a fecundação dos gâmetas dá lugar a uma entidade biológica nova, com a dotação genética característica da espécie humana» (...) (noticia Europa-Press)

No entanto, o mesmo parecer suporta o agravamento da nova lei do aborto, com o aumento dos prazos para abortar e a possibilidade das menores abortarem sem consentimento parental.

Dos doze membros, um deles, César Nombela, catedrático de Microbiología da Faculdade de Farmácia da Universidade Complutense, recusou assinar o texto porque considera que é contraditório uma vez que reconhece que a vida começa na fecundação mas mantém a possibilidade de "acabar com ela, de modo voluntário" nas primeiras 14 semanas de gestação."

05 outubro 2009

"Há muitas toneladas de talento feminino que estão a ser desperdiçadas"

Feminista, mulher de negócios, uma das mulheres que está no top-ten management do mundo dos estudos sobre empresas e empreendedorismo.

Speaker
na conferencia do Trinity College (o mesmo, onde esteve S. Beckett) sobre Mulheres e Ambição.

Nuria Chinchila escreve sobre como é possível conciliar a vida profissional, familiar e pessoal. É Doutorada em Economia e Direcção de Empresas
.

A outra co-autora do livro, Maruja Moragas, também esteve em Portugal a promover o livro e ambas explicaram porque é que os portugueses trabalham muito e produzem pouco.

"Há muitas toneladas de talento feminino que estão a ser desperdiçadas por não se flexibilizarem os horários de trabalho. " afirmam. (Entrevista no DN em Maio 2009)



Senhores do nosso destino
Alêtheia ed., Lisboa, 2009

30 setembro 2009

«A dignidade humana não torna o mal impossível, torna-o injusto. »

Entrevista a Robert Spaemann (Professor de Filosofia, na univ. de Munique, eticista):

(...)

«E o diagnóstico pre-implantatório? Existe o direito a ter um filho saudável?

Existe o desejo justo a ter um filho saudável. O direito, propriamente, não existe. Está-se a usar uma linguagem torcida. "Direito a um filho saudável" é uma fórmula sugestiva que se usa como se fosse possível converter uma criança doente, numa saudável. Isto soa fantasticamente. Mas a questão é outra: é permitido matar uma criança doente, para obter uma criança sã? Naturalmente, este direito não existe.»

(...)

«Os médicos não estão em perigo de entrar num dilema moral persistente, se se opuserem a determinados procedimentos?

A questão, hoje em dia, é a seguinte: como é que os médicos vêem o seu próprio trabalho? Continuam firmememte sujeitos à ética tradicional, na qual devem ajudar a promover a vida, e não a destruí-la?

Falar de dilema induz em erro. Não se trata de saber se o médico é, ou não, culpado. Não existe uma culpa automática e inevitável: se não presto uma ajuda que não posso prestar, não sou culpado.
Se só posso ajudar uma pessoa matando outra, não posso ajudá-la. Não sou culpado por não matar alguém. Nenhum de nós é Deus, ninguém pode ser responsável por tudo.

(...)

«O apelo à ética é , hoje em dia, mais sonoro do que nunca. Mas não falta quem diga que a ética está presa ao passado ...

Penso inclusivamente que este apelo constante à ética é até perigoso. Na realidade está-se apelar é para os especialistas em ética. São eles que dizem até onde se pode ir. Parece-me que se produziu uma certa perversão do que entendemos por ética.

O ethos faz parte do homem, sustenta os seres humanos e as suas comunidades. O ethos não se pode construir. Parecem-me sem sentido as fórmulas como, por exemplo, a usada por H. Kung "projecto de ética mundial" (Projekt Weltethos).

O ethos não pode ser um projecto, porque para elaborar qualquer projecto já é preciso ter um ethos. O problema hoje é que o ethos tradicional compoem-se de normas que não parecem adequar-se às actuais novas situações. Nestes casos, precisamos de regressar àquelas intuições fundamentais que servem de base à nossa actuação.
Nem sempre é necessário um novo ethos, mas sim novas normas de aplicação daquilo que sempre nos serviu para discernir entre o que era bom e o que era mau.

Não precisamos de médicos e peritos em moral; o que precisamos é de médicos com moralidade»

(...)
«Que recomendações gostaria de dar aos que fazem leis?

Há regras muito simples. O legislador precisa de se colar ao princípio fundamental de que não se deve matar a uns seres humanos para que outros vivam melhor.

O argumento de que isto já se faz há muito tempo em muitos lugares do mundo, está gasto. Pelo facto de que se faça mal , não se pode concluir que nós também o devamos fazer.

A dignidade humana não torna o mal impossível, torna-o injusto.» (...)

21 setembro 2009

Como o Estado trata as famílias com filhos a estudar ...

«Os custos de um filho no ensino superior público ainda não são suportáveis para muitas famílias portuguesas», no Diário de Notícias:

«As famílias portuguesas, mesmo as de classe média, têm dificuldades em suportar os custos de um filho no ensino superior. Algumas, nem com apoios do Estado conseguem fazer face às despesas. A distância das universidades do meio familiar é um dos factores que contribui para a situação. E, por vezes, só a ajuda de um filho pode fazer com que outro possa terminar uma licenciatura.


É o que se passa na família Ivo Gomes. "Com três filhos e um rendimento familiar que não ultrapassa os 1300 euros por mês não poderíamos suportar as despesas da Patrícia na universidade e mais as da Andreia, que está a acabar uma disciplina do 12.º ano e a frequentar um curso profissional para poder começar a trabalhar. Só com a ajuda do meu filho mais velho temos conseguido. Este ano foi ele quem pagou os 1002 euros de propinas da Patrícia", confessa» (...)

«Sai de manhã de casa para a faculdade e regressa à noite. Paga pelo passe mensal 50 euros e leva dez euros diariamente no bolso para almoçar e lanchar. Mesmo assim faz uma hora de transportes públicos e mais meia de caminhada em cada viagem de ida e volta.


Por isso, quase não compra livros. "Em cada semestre fotocopio os que necessito", conta a jovem. Como sabe que todos estão a dar uma ajuda para que termine a licenciatura não quer depois disso sobrecarregar mais a família. E, além da faculdade, este ano está a frequentar um curso técnico numa escola profissional,» (...)

Vêm aí as comemorações da República: boa oportunidade para voltar a falar em liberdade de escolha no ensino.