Excertos adaptados duma entrevista ao sociólogo australiano Michael Casey:(...) Pergunta: Reparo que hoje em dia muitas pessoas têm vergonha de levantar a questão sobre o sentido da vida. É uma impressão minha? Ou é um denominador comum da cultura do momento?
M Casey: Essa é certamente a pergunta certa se se quiser matar uma conversa. Atirar com a "questão do sentido" ("meaning question") para o debate parece envergonhar as pessoas. As pessoas que se atrevem a fazê-lo são consideradas como falhas de competências sociais, com classificações que vão desde o "demasiado sério", ao simplesmente "estranho".
Mas estas mesma pessoas "envergonhadas", dizem-nos com toda a franqueza as suas opções em política, religião ou sexo, mesmo que não perguntemos. E descem a pormenores que realmente preferiríamos não saber.
E estão sempre prontas a mostrar a sua adesão ao Big Bang, ou ao evolucionismo, ao mínimo pretexto, seja a origem da vida, do universo, ou qualquer outra coisa.
A verdade é que quase todos os lugares comuns da conversa do dia-a-dia nos levam à questão do sentido da vida e do valor que damos aos seus diferentes aspectos.
E claro que os momentos especiais da vida - o nascimento, a morte dos pais ou de um filho, uma doença, as amarguras da vida - nos obrigam a pensar nas tais coisas "demasiado sérias". Tal como acontece quando nos confrontamos com a violência e com o sofrimento.
O que realmente mudou na nossa cultura não são estas questões. O que mudou é a ausência de referenciais que nos ajudem a procurar o sentido destas coisas.
Uma das funções da cultura é ajudar as pessoas a aprofundar os seus questionamentos e reflexões sobre os significados das coisas.
Sem este quadro de referencias é muito difícil conseguir a integração dos vários sítios em que nos movemos no dia-a-dia. Esta situação deixa as pessoas entregues aos seus próprios recursos. Isto impede as pessoas de se questionarem sobre as "questões profundas", a menos que se venha de um ambiente favorecido, ou se tenha algum tipo de conhecimento religioso.Ficamos entregues ás nossas próprias e subjectivas soluções acerca do significado das coisas. Aceitamos viver com múltiplos "pequenos se ..." para as pequenas questões do quotidiano, abandonando a procura de uma fonte de significados que esteja acessível a todos.
Neste momento, as questões relativas ao ambiente voltam a levantar o problema: em que nos apoiamos para propor novos modelos? Por exemplo:
«O Papa Bento XVI defende "uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento". Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, que se assinala a 1 de Janeiro, o Papa acusa mesmo os países industrializados de serem responsáveis pela "crise ecológica" que se vive.
E diz ser necessário "reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações". (Noticia, Publico, 17 de Dezembro de 2009)











