Jornal de Negócios

30 dezembro 2009

governo e jornais


«A polícia considerou que as verdades reveladas pelo Daily Telegraph eram de interesse público e suspendeu as averiguações por fuga de informação.

"É horrível! São todos uns vigaristas!" Assim desabafava, ontem, um cidadão britânico face às câmaras de televisão, mostrando até que ponto a descrença no regime é avassaladora entre o povo.


Horas antes, pela primeira vez em trezentos anos, o presidente da Câmara dos Comuns demitira-se no último episódio do escândalo da utilização indevida de dinheiros públicos por parte de pelo menos 18 deputados e que afecta já todos os partidos.

As despesas abusivamente apresentadas e pagas pelos contribuintes, não tinham aparentemente limites: desde o pagamento de hipotecas, à compra de electrodomésticos, passando pelos pagamentos aos jardineiros, a comida para cão ou aos enfeites de Natal.

Mas no meio desta hecatombe surge uma boa notícia: a polícia considerou que as verdades reveladas pelo Daily Telegraph eram de interesse público e suspendeu as averiguações por fuga de informação.


O escândalo, longe de ser uma espécie de golpe de misericórdia num regime podre, confere-lhe uma hipótese de redenção.

São mais actuais do que nunca as palavras de Jefferson, um dos pais fundadores da América, numa carta escrita em 1787: “Se a base dos nossos Governos é a opinião das pessoas, o primeiríssimo objectivo deve ser salvaguardar esse direito”.
E rematava: “Se fosse chamado a escolher entre um Governo sem jornais ou jornais sem Governo, não hesitaria um momento em escolher o último”.
Os britânicos estão neste ponto. E escolheram bem!»

(No RR on-line, 20 de Maio de 2009, por Graça Franco, "Governo sem jornais ou jornais sem Governo"
)

26 dezembro 2009

«o Ministério está a assumir pesadíssimas responsabilidades de ser um cúmplice do enterro da reforma dos cuidados de saúde primários»


«o Ministério está a assumir pesadíssimas responsabilidades de ser um cúmplice do enterro da reforma dos cuidados de saúde primários», diz o sindicalista e Presidente da FNAM (Federação Nacional dos Médicos).

Excertos retirados do jornal Tempo Medicina (28-12-2009):

«Esse processo está, neste momento, novamente a ser revisto, vamos ver o que acontece.» Foram estas as parcas palavras de Ana Jorge sobre a polémica gerada pela divulgação do documento "Cálculo de Indicadores de Desempenho – Critérios a Observar na sua Implementação".»

«De recordar que o texto, resultante do trabalho da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) para a harmonização do cálculo dos indicadores de desempenho dos profissionais das unidades de saúde familiar (USF), foi criticado pela Unidades de Saúde Familiar — Associação Nacional e pelos sindicatos médicos (ver «TM» de 07/12 e de 14/12) que alertaram para a necessidade de o documento passar pela negociação sindical, pois vai alterar a portaria que rege a atribuição dos incentivos às equipas.»
(...)

«Carlos Arroz, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM): «O SIM tem a caixa do correio limpa, não há nada em cima da mesa.

O sindicalista reiterou que «os incentivos das USF pertencem a uma portaria que foi negociada com os sindicatos e se houve uma alteração da portaria tem de haver negociação, não é nenhum favor, é uma obrigação legal».


Uma opinião partilhada por Mário Jorge Neves, [FNAM] que considera «imperativa a eliminação imediata daquele documento», o qual, por não ter passado por «qualquer processo de negociação sindical como passou a anterior portaria», é «ilegal». Além disso, o presidente da Fnam frisa que «a Missão [para os Cuidados de Saúde Primários] não tem nenhuma competência legal para estar a aprovar alterações de incentivos e a ACSS também não. Isto parece uma brincadeira de garotos com coisas que são demasiadamente sérias».

(...)
«O presidente da Ordem dos Médicos (OM) considerou, no Porto, que Portugal «vai absorver os médicos» que saírem dos novos curso de Medicina, criados recentemente nas universidades do Algarve e Aveiro, mas avisa que, dentro de 6 a 10 anos, estes clínicos podem não encontrar lugar nos internatos. «A abertura de novos cursos é absolutamente desnecessária — é uma mistificação dizer-se que abrem para que haja mais médicos», afirmou (...) »

«Cerca de 1200 médicos fizeram já, ou irão ainda fazer, o Juramento de Hipócrates, incluindo médicos portugueses formados em universidades europeias. Em Lisboa, fizeram já juramento cerca de 500 e, no Porto, 400, faltando ainda a cerimónia em Coimbra. Neste momento, as universidades portuguesas admitem anualmente 1650 médicos, havendo ainda cerca de 500 que são admitidos em faculdades de Medicina de outros países europeus, como, por exemplo, Espanha, República Checa, Roménia ou Itália.»

«A falta de médicos na periferia «é outro dos mitos da nossa comunicação», defendeu Pedro Nunes ao ser questionado, lembrando que não é no Interior que há mais portugueses sem médico de família, mas nos arredores do Porto, Lisboa, Setúbal e outras grandes cidades para onde a população migrou e não foram abertos lugares» (...)



21 dezembro 2009

O país das mentirinhas


Do Jornal Torrejano:
«O Atestado Médico, por José Ricardo Costa»

«Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância.

Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.

Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta. Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la? Passemos então à parte divertida.

A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar a sua ausência na sala do exame.

Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.

Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI.

O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.

Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente. Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.

Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade. Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade.

Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o "ET", que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões.

O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D. Afonso Henriques, que Deus me perdoe.

A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados. Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade.

Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida. Se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei.

Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho. Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.

Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.

Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.

Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.»

Este artigo data de 2005! Se lerem os posts anteriores, percebem algumas das causas da nossa falta de produtividade:é a isto que os nossos líderes deveriam responder.

20 dezembro 2009

"Aquecimento" global à pancada

«Por que razão a nobre, elevada, consciente, responsável, séria, causa de impedir que o planeta entre numa catástrofe sem saída provocada pelas alterações climáticas, no dizer dos seus organizadores, junta como um magneto a maior colecção de grupos anarquistas, extremistas, de direita e de esquerda, que há no planeta?

Por que razão a mesma nobre causa provoca cenas de pancadaria deliberadas e instigadas pelos próprios grupos de manifestantes, com a polícia dinamarquesa, que não é propriamente uma polícia especialmente repressiva, num país particularmente intolerante?»

(...)«o que os move é mais uma versão do velho anticapitalismo que sempre moveu uma parte de jovens radicais na Europa e nos EUA, a que se somam aqueles a que Marx chamava o “lumpenproletariado” e que habitam as cidades entre os vários rendimentos mínimos e o desemprego, e que tem uma cultura de violência que tanto dá para o Porto – Benfica, como para as cenas de destruição que se vêem em Copenhaga, nas reuniões do G7 ou 8 ou 10.

Não é ambiente que lhes interessa, é partir uma vidraça de algum estabelecimento do “big business” que é fonte de todos os males, o corruptor da terra.

Pode a cimeira chegar aos melhores resultados que eles continuam imperturbáveis, com o silêncio incomodado dos que fazem de conta que isto não acontece e só vêem à frente o bonacheirão politicamente correcto Al Gore.»
(JPP, no Abrupto)

17 dezembro 2009

Uma questão "assassina"

Excertos adaptados duma entrevista ao sociólogo australiano Michael Casey:


(...)
Pergunta: Reparo que hoje em dia muitas pessoas têm vergonha de levantar a questão sobre o sentido da vida. É uma impressão minha? Ou é um denominador comum da cultura do momento?


M Casey: Essa é certamente a pergunta certa se se
quiser matar uma conversa. Atirar com a "questão do sentido" ("meaning question") para o debate parece envergonhar as pessoas. As pessoas que se atrevem a fazê-lo são consideradas como falhas de competências sociais, com classificações que vão desde o "demasiado sério", ao simplesmente "estranho".

Mas estas mesma pessoas "envergonhadas", dizem-nos com toda a franqueza as suas opções em política, religião ou sexo, mesmo que não perguntemos. E descem a pormenores que realmente preferiríamos não saber.
E estão sempre prontas a mostrar a sua adesão ao Big Bang, ou ao evolucionismo, ao mínimo pretexto, seja a origem da vida, do universo, ou qualquer outra coisa.
A verdade é que quase todos os lugares comuns da conversa do dia-a-dia nos levam à questão do sentido da vida e do valor que damos aos seus diferentes aspectos.

E claro que os momentos especiais da vida - o nascimento, a morte dos pais ou de um filho, uma doença, as amarguras da vida - nos obrigam a pensar nas tais coisas "demasiado sérias". Tal como acontece quando nos confrontamos com a violência e com o sofrimento.
O que realmente mudou na nossa cultura não são estas questões. O que mudou é a ausência de referenciais que nos ajudem a procurar o sentido destas coisas.

Uma das funções da cultura é ajudar as pessoas a aprofundar os seus questionamentos e reflexões sobre os significados das coisas.
Sem este quadro de referencias é muito difícil conseguir a integração dos vários sítios em que nos movemos no dia-a-dia. Esta situação deixa as pessoas entregues aos seus próprios recursos. Isto impede as pessoas de se questionarem sobre as "questões profundas", a menos que se venha de um ambiente favorecido, ou se tenha algum tipo de conhecimento religioso.

Ficamos entregues ás nossas próprias e subjectivas soluções acerca do significado das coisas. Aceitamos viver com múltiplos "pequenos se ..." para as pequenas questões do quotidiano, abandonando a procura de uma fonte de significados que esteja acessível a todos.

Neste momento, as questões relativas ao ambiente voltam a levantar o problema: em que nos apoiamos para propor novos modelos? Por exemplo:

«O Papa Bento XVI defende "uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento". Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, que se assinala a 1 de Janeiro, o Papa acusa mesmo os países industrializados de serem responsáveis pela "crise ecológica" que se vive.

E diz ser necessário "reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações". (Noticia, Publico, 17 de Dezembro de 2009)


16 dezembro 2009

Contrato Social


(...) «parece haver mal-estar no país, em relação ao RSI [Rendimento Social de Inserção, "Rendimento Mínimo"] que urge evitar. A frieza dos números mostra-nos que 18% dos portugueses vive abaixo do limiar de pobreza. Muitos mais seriam, não fossem as prestações sociais.

Uma sociedade solidária compreende e aceita a necessidade de medidas de apoio a quem precisa de um mínimo de dignidade. Esse mínimo é um direito. Mas devemos organizar melhor a sua execução, para que seja mais justo e temporário.

O Movimento Esperança Portugal propõe a substituição do RSI pelo Contrato de Inserção Social. O beneficiário tem de ser responsável pela execução do contrato, sob pena de ele poder terminar.

Trabalho com populações vulneráveis, pelo que sei a dificuldade. A maior pobreza, para além da escassez de meios, é a dificuldade para comunicar e conhecer, sair de si, agir. A nossa obrigação solidária é combater a passividade, promover a autonomia.» (...)

«Apenas 3% dos beneficiários entraram em formação profissional! Mais habilitações e reconversão de conhecimentos são prioridades. Mas há outras necessidades: a formação parental, a formação em economia e vida doméstica, a formação cívica, o treino de competências pessoais e sociais. Se nada fizermos, a pobreza gera pobreza, a exclusão maior exclusão, maior risco.

Temos de ser capazes de romper estes ciclos.
A solidariedade pode e deve ser um investimento produtivo. Pode ser início de vida nova. Para todos nós. Tem de sê-lo!

Margarida Neto (pdf de uma entrevista aqui)
Vice-presidente do MEP (Movimento Esperança Portugal)
» (Publicado no Sol, em 14 de Dezembro)

15 dezembro 2009

Os portugueses querem Estado máximo e Governo mínimo ...

«Existe um impasse na vida política portuguesa? Existe. E não adianta andar numa chuva de acusações aos “políticos” pela sua “irresponsabilidade”, porque bem vistas as coisas, ninguém vota nos políticos que podiam fazer a diferença, a comunicação social abate-os para gaúdio dos piores, e ninguém, a começar pelos portugueses, está disposto a votar em soluções que impliquem risco e dificuldades.

A situação actual é um bom espelho disso mesmo: os portugueses quiseram um PS sem maioria, dois partidos tribunícios a crescer e a única alternativa do governo enfraquecida. Ou seja, os portugueses quiseram protestar mesmo que isso significasse a ingovernabilidade. E quiseram-no muito conscientemente, porque a situação actual foi desejada pelo eleitorado, até muito racionalmente.

Querem um Estado que continue a dar-lhes o que tem e o que não tem (votaram no PS), querem palco para as críticas demagógicas e populistas em que se reconhecem (votaram no PP e no BE) e não querem ninguém a mandar muito, porque, se querem estado máximo, querem governo mínimo (e por isso retiraram a maioria ao PS).» (J Pacheco Pereira, Abrupto, 12 Dezembro)

Ele sabe que a paz é possível


«Não temos de matar outras pessoas para conseguir os nossos objectivos. Só temos de encontrar coragem para fazer o que está certo.»

Propostas de Ray Hanania, candidato a presidente da Palestina.

(...) «Sei que a verdadeira oposição virá dos extremistas que não querem a paz e exploram 62 anos de tragédia em benefício pessoal. Eles criaram uma indústria que lhes deu empregos e uma razão de ser, embora vivam como um povo sem Estado ou direitos. Para eles, é difícil aceitar a paz, porque, ao aceitá-la, as suas carreiras como activistas desaparecem. Prefiro que eles fiquem sem emprego do que ver mais um centímetro da Palestina desaparecer.

A sociedade palestiniana está a tornar-se mais restritiva desde a ascensão do Hamas e dos islamistas políticos ao poder, em 2006. São estes fanáticos religiosos, e não os muçulmanos per se, que estão a intimidar e a ameaçar os palestinianos cristãos, como eu, ou como o presidente da Câmara de Taybeh, só porque ele é o dono da fábrica de cerveja.

Os cristãos no Médio Oriente e no mundo islâmico enfrentam muitos desafios, mas não podemos estar sempre a culpar Israel. Esta é também uma das razões por que eu assumi esta causa e pergunto publicamente: "Podem os palestinianos, árabes e muçulmanos, eleger um cristão como presidente da Palestina?" Uma coisa é responder sim, outra é pôr isso em prática. Os muçulmanos não podem ignorar os palestinianos cristãos e criticar Israel por violar os direitos dos que não são judeus. E Israel também não pode discriminar os cristãos e os muçulmanos, fingindo que existimos sem direitos.

Os que acreditam no compromisso e em dois Estados como solução vão olhar para o meu plano como a única maneira de resolver o conflito. Só temos de deixar de sonhar com o passado, que é realmente um pesadelo de sofrimento, e abrir os olhos para uma visão de futuro, em que os palestinianos possam viver como seres humanos, com respeito e dignidade no seu próprio país.» (...)
(No Público on-line, 15 de Dezembro de 2009)

14 dezembro 2009

a malquerida maternidade

(...) «As queixas de mulheres trabalhadoras aumentaram significativamente na Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE): só nos primeiros nove meses deste ano foram apresentadas 125 reclamações, mais do triplo em relação ao total de 2008 (36). De entre as queixosas, são as grávidas e mães que têm mais problemas.


(...) os processos mais frequentes são aqueles que envolvem as questões da maternidade.


As grávidas e as lactantes queixam-se de serem incluídas em processos de despedimentos colectivos, com a desculpa de que o seu posto de trabalho foi extinto. Reclamam ainda por serem dispensadas sem justa causa e sem que haja uma prova das suas falhas; e de não lhes ter sido concedido o horário flexível para amamentar.


(...) "Neste momento, as principais questões prendem-se com o não pagamento do subsídio de natalidade."


Existem trabalhadoras que reclamam por terem sido discriminadas por serem mulheres e por não poderem usar os mecanismos ao seu dispor para conciliar a vida familiar e a profissão.» (No Diário de Notícias, 14-12-2009)

O aborto livre tem vários custos: um deles é a noção de que as trabalhadoras grávidas estão apenas a exercer uma opção caprichosa que nem todos os empresários estarão dispostos a pagar.Pois se até o Estado permite "libertarem-se" do "problema"... Alguns dos que criaram o sarilho, reclamam agora dos resultados. Talvez fosse melhor reconehcer o que - previsivelmente - falhou. Avisos não faltaram.

não tarda, vai receber uma medalha ...


(...) «Joe Berardo, presidente do Conselho de Remuneração do Banco Comercial Português, remeteu para o Conselho de Administração do banco o eventual regresso de Armando Vara à instituição financeira. Ainda assim considera que "não há razões para não continuar a colaborar com o BCP". » (...) No Jornal de Negócios.

12 dezembro 2009

dizer o óbvio


(...) «Casamento e família não são palavras criadas e definidas pelo Estado. Não são o Cartão do Cidadão, nem uma direcção-geral ou instituto público.


São palavras - e realidades que as palavras exprimem - criadas pela Humanidade e pela História, longamente sedimentadas no conceito social.

São palavras - e realidades - nucleares e estruturantes da própria sociedade. O Estado recebe-as para o que lhe importa; mas deves-lhe respeito, não domínio. Não tem sobre elas qualquer senhorio; muito menos um senhorio tão poderoso que lhe permitisse redefini-las por engenharia jurídica, nem tão arbitrário que o pudesse fazer sem sequer perguntar» (...) (No Diário Económico)

Resta saber se os nossos "sessentaeoitistas" são sensíveis ao óbvio ...

08 dezembro 2009

a corrupção e o escândalo


«O ser humano actual está a perder o sentido físico do olfacto. Tanto a guerra tenaz contra os maus cheiros, como a confiança na saúde dos alimentos que nos vendem - embora todos sejam, de algum modo, "plastificados" - tornaram o nosso nariz inútil, excepto para respirar ou para dar um toque estético à nossa cara.


Mas o olfacto da inteligência tem-se desenvolvido cada vez mais, pela necessidade de captar o que se passa à nossa volta, de captar o que realmente acontece, para além das aparências.

Era de prever. Qualquer sociedade que, tal como a nossa, viva das aparências, empurra as pessoas a afinarem o cheiro da corrupção. Nada disto é novo. No século XIX, em França, tornou-se comum a frase: "Tout est pourri", está tudo pôdre.

Quem não actua correctamente em privado, ou seja, quem desvaloriza o privado, transfere, cedo ou tarde, a sua prática, os seus costumes, a sua ética, para o público.


A origem da corrupção pessoal e social é fácil de detectar: consiste em converter o público em privado, e o privado em público. Deste modo, tudo perde o seu verdadeiro ser.

Entende-se por corrupção política a utilização do público em benefício privado. Já quanto à utilização do privado como se fosse público não costumamos chamar corrupção, mas escândalo. No fundo, é o mesmo: quem vende a sua vida privada, tornando-a do domínio público, corrompe-a.


No primeiro caso, perdemos o ser, a verdade, da coisa pública, por um interesse privado inadequado. Neste caso, perdemos a verdade do privado, por um inadequado interresse individual.


O público e o privado autênticos não se opoem, complementam-se. Se a esfera pública for correcta, a vida privada melhora. Mas acontece que se esqueceu que a qualidade das coisas públicas depende - muito - da qualidade das coisas privadas; muito mais do que o contrário.

Hoje pretende difundir-se a ideia de que o privado é o reino do "vale tudo", enquanto o público funciona com regras (funciona "perfeitamente" com as "suas" regras)

"Quid leges sine moribus", diziam os romanos: de que servem as leis, sem as boas práticas, sem a ética? As leis e as regras não conseguem substituir a ética. Quando as pessoas actuam bem, o direito serve para reforçar este poder correcto.

Quando as pessoas não sabem agir bem, o direito converte-se num instrumento para aumentar o poder corrupto.

Nem a ética, nem a religião, têm substitutos válidos.

A situação actual não é transitória: o problema não é que não cheiremos a corrupção, isso é um dado adquirido. O problema é que agora até temos dúvidas sobre as polícias e os juízes. Isto já é o bater no fundo.

Um fundo de que não sairemos antes de que a minoria dirigente assuma uma consciência ética e, sobretudo, sem a potenciação moral das famílias e das escolas.»

(Traduzido e adaptado do artigo do Prof. Rafael Alvira - Dep. de Filosofia da Universidade de Navarra, publicado em La Gaceta de
los Negocios, 7 de Novembro 2009)

06 dezembro 2009

«são mais de 1200 os portugueses que estudam Medicina no estrangeiro»


O défice do Serviço Nacional de Saúde subiu recentemente para mais de 71 milhões de euros. noticia o Público na sua edição em rede.

Talvez por isso , não espantem as declarações do Presidente da Associação dos Estudantes de Medicina, que estudam no estrangeiro, quando diz que o país não conta com eles, nem se interessa.
É sempre mais rentável - políticamente - dizer que se vai buscar médicos ao outro lado do Atlântico para colmatar as alegadas faltas de médicos.

Fora de Portugal, mais perto, muito mais perto, por esta Europa fora à qual dizemos pertencer, estudam neste momento cerca de 1200 estudantes portugueses, em Medicina. E vêm com espanto que o país - que diz carecer de médicos, de forma catastrófica - não conta com o seu regresso.

Entrevista aqui, no jornal Tempo Medicina:

«são mais de 1200 os portugueses que estudam Medicina no estrangeiro. Em entrevista ao «TM», Francisco Pavão, presidente da associação que os representa, fala de como se sentem pouco considerados pela tutela e desapoiados no regresso. E diz ter dúvidas de que o sistema de Saúde português conte com eles.


«Tempo Medicina» — A Associação Nacional de Estudantes de Medicina no Estrangeiro (ANEM) foi formada há relativamente pouco tempo. Com que objectivos?

Francisco Pavão — Desde a fundação da ANEME passaram oito meses apenas. O nosso principal objectivo é a representação e defesa dos interesses dos estudantes de nacionalidade portuguesa que se encontram a frequentar o curso de Medicina em países da Europa.

«TM» — Ao todo, quantos portugueses estão a estudar Medicina no estrangeiro e por que países estão espalhados?
FP — No passado mês de Maio, em resposta a um pedido da sr.ª ministra da Saúde, realizámos um levantamento do número de portugueses a estudar Medicina no estrangeiro. Deparou-se-nos um número superior a 1200 alunos, no ano académico de 2008-2009, em diferentes faculdades e países europeus. Na República Checa há 360 estudantes, sete estão na Eslováquia, um em Malta, cerca de 30 no Reino Unido e mais de 800 em Espanha. Há ainda estudantes em países como Alemanha, França, Bélgica, Polónia, Hungria, Bulgária e Roménia.
Fora da Europa, já fomos contactados por colegas que frequentam o curso em Moçambique, na Argentina, Brasil e República Dominicana.


«TM» — Quais os principais problemas com que se debatem?

FP — Dando a minha situação como exemplo, estando na República Checa a frequentar o 4.º ano do Mestrado Integrado em Medicina, o maior problema é a língua. Contudo, na generalidade dos alunos os grandes problemas são a distância de casa, as saudades da família e dos amigos.
Mas o principal problema é a indiferença das nossas instituições e responsáveis políticos que persistem em desconhecer a nossa realidade. Neste contexto, não deixo de registar o procedimento da banca portuguesa, que não concede aos estudantes portugueses no estrangeiro as mesmas condições de empréstimo que oferece aos estudantes em Portugal.

«TM» — O argumento da falta de médicos em Portugal existe há muito. Se assim é, como se sentem por terem sido «obrigados» a ir estudar para o estrangeiro?

FP — Eu não diria «obrigados». O País não nos nega o acesso ao curso, mas dificulta. A verdade é que, ainda há pouco tempo, o Ministério da Saúde contratou médicos estrangeiros e isso não nos passa despercebido, causando até algum desconforto. Não sabemos por quanto tempo estes médicos irão ficar, nem quais foram os critérios do seu recrutamento e do seu contrato. Nos últimos dias, a Comunicação Social tem alertado para a falta de médicos em Portugal e, ao que soubemos, o Ministério da Saúde divulgou incentivos para os médicos que exercerem no Interior do País. Nesta perspectiva, verificamos que o Governo continua a desaproveitar os alunos de Medicina no estrangeiro, que poderiam concluir o curso em Portugal e ser uma alternativa à apressada e «desconhecida» contratação de médicos fora da União Europeia.

(...)
«TM» — Falando no regresso a Portugal. Que dificuldades encontram neste processo?

FP — As dificuldades que os alunos encontram são as normais de quem não tem qualquer informação sobre o desenrolar do processo e vê por parte do seu País um desinteresse total
. A ANEME, na sua página da internet, disponibiliza as informações necessárias, estando sempre ao dispor para ajudar sempre que for preciso.

«TM» — Em Julho, no 1.º Encontro da ANEME, a ministra da Saúde garantiu que os jovens serão bem recebidos quando voltarem a Portugal. Sente que o «sistema» conta convosco?

FP — Se o sistema conta connosco?! Tenho as minhas dúvidas. Em primeiro lugar, deveria ser revisto o decreto-lei que nos confere uma média final de curso; por outro lado, não deveriam acontecer situações como a de um colega que concluiu o curso na Hungria (país membro da UE) e não vê reconhecida a sua média final, não recebe ajuda nem compreensão por parte das instituições competentes
.

«TM» — Sente que estão a ser criadas as condições para aliciar os jovens a voltar ao seu país para exercer a sua profissão?

FP — De modo nenhum. Até à presente data não registámos, nem chegou até nós nenhum sinal nem qualquer testemunho que traduza qualquer medida que esteja a ser criada para facilitar o regresso a Portugal dos alunos de Medicina a estudar no estrangeiro.
O que é pena, pois estamos em condições de dar um grande contributo.

(www.aneme.org, e TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2009.12.07)

02 dezembro 2009

ser tolerante não é ser tolo ...

No jornal Público, de 9 de Janeiro de 2009, vinha uma notícia sobre alegadas mensagens pedófilas que passaram no teletexto da SIC e TVI "que podem indiciar a prática de crimes de abuso sexual de crianças, actos sexuais com adolescentes ou de recurso à prostituição de menores".

Ontem, 1 de Dezembro de 2009, «a Entidade Reguladora para a Comunicação Social emitiu (...) uma deliberação onde intima os “operadores de distribuição de televisão nacionais” a cumprir com a lei não disponibilizando conteúdos pornográficos sem acesso condicionado.» (notícia no Público, 2-12-2009)

É preocupante, mas a condenação destas práticas não é uma questão tão consensual como pode parecer. O próprio jornal Público, no dia 24 de Dezembro de 2008, em caixa destacada e assinada por um seu colaborador, escrevia:
(...)
"Há quem defenda que a liberdade de expressão não é para toda a gente e que pessoas como o Papa devem ter tento na língua. Mas eu não concordo. Toda a gente deve ter liberdade de expressão e o Papa em qualquer caso fala apenas para os católicos. Para quem haveria de falar? Se ele me disser que não devo entregar-me às alegrias da pederastia com suecos de dois metros de altura e que calçam o 45, estou-me nas tintas. Ele tem o direito de dizer isso e eu tenho o direito de ir para cama com eles." (...)

Malhar no Papa e nos Católicos vai sendo um desporto aparentemente inócuo, mas entretanto as mensagens negativas e violentas vão fazendo o seu caminho.

Para os defensores da "teoria de género", o sexo com menores é apenas uma consequencia "natural" da liberdade de escolha. Aliás chamam-lhe "sexo intergeracional", não pedofilia ou pederastia (que são nomes "feios"), como tem vindo a ser defendido há bastante tempo pela NAMBLA - North American Man/Boy Love Association (Associação Americana pelo Amor entre Homens e Meninos).

Esta Associação já esteve integrada na ILGA - International Lesbian and Gay Association (Associação Internacional de Gays e Lésbicas). Em 1993, a ILGA alcançava o status de membro consultivo na ONU, e aumentaram na sociedade norte-americana as críticas à ligação entre a ILGA e a NAMBLA. A ILGA, desvinculou-se da NAMBLA em 1994. Ainda assim, a ILGA perdeu o seu carácter consultivo na ONU e só o recuperou em Dezembro de 2006.

Na Holanda o NVD, constitui-se como partido (as siglas significam "Amor ao Próximo com Liberdade e Diversidade) e defende a legalização das relações sexuais com menores.

A questão irá estar cada vez mais na agenda mediática, seguindo o princípio de "normalizar" a questão até que a sociedade a aceite.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai ter que fazer melhor do que apenas investigar o teletexto ...