Jornal de Negócios

12 fevereiro 2010

Não é normal


«Não, o que nos está a acontecer não é normal nem tolerável»


Por José Manuel Fernandes


« Os casos recentes são apenas as últimas cenas de um pesadelo que se iniciou quando Armando Vara tutelava a RTP A 25 de Junho de 2009, José Sócrates jantou com Henrique Granadeiro na casa de Manuel Pinho. O chairman da PT informou então o primeiro-ministro que a compra da TVI pela empresa de telecomunicações não se concretizaria. No dia seguinte, no Parlamento, Sócrates anuncia aos jornalistas que se vai opor a um negócio que, nessa altura, já não existia. Estranho? Não, como o mesmo Sócrates explicou quarta-feira: "Do ponto de vista formal, o Governo não foi informado."


Pronto, e assim está tudo resolvido. Do "ponto de vista formal" nunca nada aconteceu. A começar pelo conteúdo das escutas reveladas pelo Sol, pois o senhor presidente do Supremo Tribunal e o senhor procurador-geral entenderam não haver indícios de crime contra o Estado de direito nesses documentos. Logo esses documentos não existem.


E tudo o resto quer-se fazer passar por "normal". Ou seja, é normal que um ex-jotinha de 32 anos, Rui Pedro Soares, seja nomeado para a administração da PT e premiado com um salário anual de mais de um milhão de euros. É normal que esse "gestor" em ascensão trate com Armando Vara, um outro "gestor" de fresca data e socrático apadrinhamento, da compra da TVI pela PT e discuta com ele e com Paulo Penedos a melhor forma de afastar José Eduardo Moniz e acabar com o Jornal de Sexta. É normal que um jornal propriedade de um "grupo amigo" publique manchetes falsas para dar uma justificação política e económica à compra da TVI pela PT. É normal que seja depois esse "grupo amigo" a comprar a TVI beneficiando de apoios financeiros do BCP de Armando Vara e da PT. É normal que, na sequência dessa aquisição, Moniz deixe a direcção da estação e acabe o Jornal de Sexta.


Se tudo isto é normal, também é normal que o BCP, que tinha uma participação no jornal Sol, tenha criado dificuldades de última hora à viabilização financeira daquele título, quando nele saíram as primeiras notícias sobre a investigação inglesa ao caso Freeport. Tal como é coincidência Vara já ser nessa altura administrador do BCP. Também será normal que o Turismo de Portugal tenha discriminado a TVI em algumas das suas campanhas - o mesmo, de resto, que fez com o PÚBLICO - e que o presidente desse organismo seja Luís Patrão, o velho amigo de Sócrates desde os tempos de liceu na Covilhã.


Como normal será Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, ter reuniões no ministério com Rui Pedro Soares quando o seu interlocutor natural é o presidente da PT. Como Lino disse à Sábado, é assim quando se conhece muita gente nas empresas. Como homem bem relacionado não se estranha que tenha recebido, de acordo com o Correio da Manhã, uma "cunha" de Armando Vara no âmbito do processo Face Oculta. No fundo é tudo boa gente.


Mas como todos estas factos padecem de várias "informalidades", passemos a eventos mais formais, que sabemos mesmo que aconteceram, que foram testemunhados e até deram origem a processos na ERC.


Como o das pressões exercidas pelos assessores de José Sócrates para desencorajarem qualquer referência pelas rádios e televisões à investigação do PÚBLICO sobre as condições em que o primeiro-ministro completou a sua licenciatura. Como o de o Expresso, que rompeu o bloqueio e prosseguiu com a investigação, ter sofrido depois um "boicote claro" e "uma hostilidade total do primeiro-ministro", como escreveu esta semana o seu director, Henrique Monteiro. Ou como o das palavras ameaçadoras dirigidas por Sócrates a um jornalista do PÚBLICO por alturas do congresso em que foi eleito líder, em 2004: "Você tem de definir o que quer para a sua vida e para o seu futuro."


Excessos de quem ferve em pouca água? Infelizmente não. A actuação metódica e planeada sempre foram uma marca deste primeiro-ministro e dos que lhe são mais próximos no PS. Por isso, quando Vara teve a tutela da comunicação social, criou um monstro chamado Portugal Global que integrava a RTP, a RDP e a Lusa e nomeou para a sua presidência um deputado do PS, João Carlos Silva. Pouco tempo depois, caído Vara em desgraça, seria José Sócrates a conseguir colocar na RTP o seu amigo Emídio Rangel. Um favor logo retribuído: na noite eleitoral que se seguiu (e que determinaria a demissão de Guterres), os únicos comentadores em estúdio foram o próprio Sócrates e o seu advogado, Daniel Proença de Carvalho; e na curta travessia do deserto até ao PS regressar ao poder, Sócrates pôde ter, a convite de Rangel, um programa semanal de debate com Santana Lopes.


Já primeiro-ministro apressou-se a propor um conjunto de leis - estatuto do jornalista, lei da televisão, lei sobre a concentração dos órgãos de informação - que se destinavam, segundo Francisco Pinto Balsemão, a "debilitar e enfraquecer os grupos privados" de informação - ou seja, os que não dependem do Governo.


E não, não é verdade estarmos apenas perante mal-entendidos, excessos pontuais ou uma mera má relação com as críticas: estamos face a uma forma de actuar autoritária e que não olha a meios para atingir os fins. Até porque o que se relatou é apenas a pequena parte do que temos vivido (vide caso Crespo).


Da mesma forma não existe nenhuma má vontade congénita dos jornalistas para fazer de Sócrates, como lamentou Mário Soares, o primeiro-ministro mais mal tratado pelos órgãos de informação. O que houve de novo foi Portugal ter como primeiro-ministro alguém que esteve várias vezes sob investigação judicial (por causa de um aterro sanitário na Cova da Beira, por causa do Freeport), cujo processo de licenciatura levantou dúvidas e que se distinguiu como projectista de maisons no concelho da Guarda.


Isto para além de ter mostrado uma tal incontinência ao telemóvel que somou e soma dissabores em escutas realizadas noutros processos, como os da Câmara da Nazaré, da Casa Pia e, agora, no Face Oculta.


Ainda é possível achar que tudo é normal? Ou porventura desculpável? Só se estivéssemos definitivamente anestesiados. »

08 fevereiro 2010

E ainda ...


(...) «da encenação grosseira destes últimos dias à volta da Lei das Finanças Regionais, uma mistura de farronca e de dolo, cujo único efeito foi agravar ainda mais o espectáculo da instabilidade política face aos mercados internacionais.

O Governo, que se prestou a este espectáculo, não tem qualquer espécie de noção da gravidade da situação em que colocou o país, isto na hipótese benigna. Porque, na hipótese menos benigna, sabe muito bem o que nos espera qualquer dia destes, e pretende arranjar um pretexto para se pôr a milhas, de preferência culpabilizando outros por uma "situação explosiva" que sempre negou existir e que, bem pelo contrário, ajudou e muito a agravar.

Já toda a gente percebeu que Portugal é mesmo uma Grécia que acabará por ter que fazer à força, e por imposição exterior, aquilo que se recusou a fazer, mesmo apesar de ter sido de há dois anos para cá avisado dia sim, dia não, por quase todos os economistas, pelo Presidente da República e por essa senhora frágil que todos atacam e que disse sempre as coisas certas para Portugal, sem qualquer vantagem pessoal e política, pagando um preço elevado por o ter feito num país de irresponsabilidade optimista, outro nome para o desperdício, sob a égide da Casa de Sócrates.» (...)

No Abrupto.

O fim da linha 2


Manifesto saído no Público de hoje:
(...)

«“É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.

É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa. É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.

É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições”» (...)

No dia 11 há manifestação junto à AR.

"O Fim da Linha"

Num blog vizinho:

«O Fim da Linha, por Mário Crespo»

«Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.

Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.

Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”.

É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar.

Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.


Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.

Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.»

«Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.»

03 fevereiro 2010

Sair do pântano


(...) "O Eng. Guterres fez uma das mais sagazes análises da história nacional quando a 16 de Dezembro de 2001 disse que se demitia para "evitar que o país" caísse "num pântano político".

Foi para o pântano que o seu mandato nos conduziu e é no pântano que temos estado desde então.


Ora num atoleiro nunca se encontram leões. Quem quer ver animais nobres tem de ir a outros lados. No charco só existe o tipo de batráquios que nos tem governado estes anos." (...)


"Mas nós hoje não temos um problema. Somos o problema. Por isso não andamos em busca de uma solução. A resposta para as nossas dificuldades é evidente há anos. O que tem faltado não é o caminho, mas vontade para o percorrer. Se aparecer um líder que nos indique o rumo, ele será geralmente desprezado. Aliás, foi isso mesmo que aconteceu." (...)


"Nós não precisamos de bons políticos. Precisamos de vontade para tomar os remédios amargos que eles nos indicariam. Infelizmente temos preferido a embriaguez dos eflúvios pantanosos. Enquanto apodrecermos na lama, veremos a zoologia que escolhemos.



Quais são os tais remédios amargos? Para o caso de ainda haver alguém com dúvidas, é fácil descrevê-los. O pântano guterrista é apenas o país em que sempre habitámos, mas agora alagado em dívida. E o caminho para fora desse atoleiro é bem conhecido. Basta apertar o cinto e adquirir hábitos de consumo mais adequados às nossas posses. Não é preciso apertar muito, porque já somos um país rico. Mas temos de cortar. A crise internacional força grande parte dos nossos cidadãos a isso. Todos os que trabalham em empresas concorrenciais sofrem na pele essa necessidade, que é gritante nos muitos que caem no desemprego. O sol seca o pântano.


Essa é a parte fácil. O obstáculo está nos muitos que vivem de fundos públicos. Políticos, mas também pensionistas, subsidiados, funcionários, professores, médicos, polícias, militares, construtoras, concessionárias e tantos outros, pagos por impostos, não só não perderam com a crise mas até ganharam na deflação. Essa é a base do problema orçamental, face visível do pântano. Habituados à vida anfíbia, esses até sonham com leões, mas recusam abandonar o paul."


J. César das Neves, Ecologia do Pântano, no DN de 1 de Fevereiro)

31 janeiro 2010

a esquerda que parou em 68 ... (IV)

(... continuação)

«A aceitabilidade de quaisquer relações sexuais é a pedra angular, o dogma intocável deste supostamente novo progressismo. (...) seja anátema quem falar contra! E se, no início, se fala de relações entre adultos, livremente consentidas, a prática leva a que se rebaixe sistematicamente a idade de consentimento legal para ter relações sexuais.

Na Holanda, as propostas apontam para os 11 anos, por ser esta a idade - ironicamente - que a lei holandesa prevê para consentimento de menores em caso de eutanásia.

Quase todas as reivindicações desta esquerda de 68 se relacionam - com lógica política - com exigências de liberdade sexual.

Isto é bastante evidente no caso do aborto: o movimento pró-abortivo ganha força, no Ocidente, nos anos 70, na esteira de alguns movimentos dos anos 60.

Uma sociedade sexualmente libertada precisa do aborto livre como rede de segurança contraceptiva para as falhas e esquecimentos, inevitáveis, dos contraceptivos.

O mesmo se diga dos chamados "novos modelos de família": a normalização das relações homossexuais que pressupõe a liberalização do que seja a "normalidade", alargada a um sector minoritário da população; as "novas" famílias monoparentais, recompostas, etc., que são na realidade fragmentos de famílias "tradicionais", destroçadas frequentemente por um desejo de maior liberdade sexual, ou de um uso adúltero dessa liberdade; as uniões de facto, não só reconhecidas, mas sobretudo promovidas, para que se apresentem como modelo de desfrute sexual sem o compromisso do casamento ...»

Toda uma imensa cartilha - obrigatória e dogmática - de pensamento único, com o recurso à demolição personalizada dos que discordarem: uma nova e mediática inquisição pos-moderna que queima a personalidade dos "hereges" políticos.

«Mesmo a hostilidade militante contra a Igreja Católica só se torna inteligível nesta perspectiva: a Igreja é um obstáculo porque se recusa a reconhecer a licitude moral das relações sexuais fora do casamento e, portanto, tampouco as suas consequências lógicas (aborto, reconhecimento legal das relações extra-conjugais, dos pares homossexuais, etc.)

A virulência das reacções às palavras do Papa em África, também se enquadra nesta lógica política. Dizer que a SIDA não se pode vencer apenas com preservativos coincide com os factos epidemiológicos. São os países que também apostaram em campanhas que promovem a fidelidade que estão com melhores resultados. Isso mesmo é reconhecido pela própria OMS e seus responsáveis.

A reacção irada a estas afirmações do Papa não decorre de que estejam convencidos de que Bento XVI desconheça a realidade. É precisamente ao contrário: saberem que os dados científicos dão razão ao Papa é intolerável, porque põe em causa o dogma sessentaeoitista da liberdade sexual ilimitada. Este dogma está no centro da sua visão do mundo e não é questionável.»

(Traduzido e adaptado do artigo do Prof. Francisco Contreras, Catedrático de Filosofia do Direito, Universidade de Sevilha)

30 janeiro 2010

Gente como nós



«O Síndroma de Down NÃO é uma doença. As pessoas com Síndroma de Down NÃO estão à procura de medicamentos para se curarem: querem ser aceites pela sociedade da MESMA MANEIRA que as outras» (escrito por
quem sabe). Versão em ppt aqui.

29 janeiro 2010

A gata

do blog O-Povo:


(...) «A definição do casamento como união de um homem com uma mulher é tão arcaica quanto o matrimónio para a procriação: o casamento moderno não tem nada que ver com a família ou com a geração, porque foi elevado à sublime condição do mais libérrimo amor.

Ora o amor não se afirma apenas entre os humanos, como muito bem sabem quantos estimam os animais mais do que os seus semelhantes que, salvo melhor opinião, não são as ditas bestas.

Assim sendo, espera-se agora que a D. Arlete, que, desde que faleceu o marido e os filhos abalaram para parte incerta, se entregou de alma e coração à sua gata Britney, exija que o Estado português lhe permita institucionalizar esta sua amantíssima relação com o seu bichano, bem mais fiel do que o seu defunto ente querido, e muito mais carinhoso do que a sua ingrata prole.

É provável que o zeloso funcionário de turno não queira abençoar esta revolucionária união e que, mais uma vez, os tribunais confirmem a recusa, em nome de um qualquer alfarrábio ultramontano. Mas se a D. Arlete, à imagem e semelhança do amoroso casalinho das meninas Jéssica e Nádia, perseverar no seu revolucionário empenho, é certo e sabido que tem garantida a vitória nos corações de todos os portugueses, sejam eles gatos ou não.


E, mesmo que os tribunais não lhe dêem a razão, terá decerto direito ao prime time dos noticiários de todas as televisões e, depois, à bênção nupcial do Governo e do Parlamento. (Nota: todos os nomes são fictícios, menos o da gata, à qual se pede desculpa pela inconfidência). » (Gonçalo Portocarrero)

o outro lado da economia da mentira

Hospitais de Paris vão despedir cerca de 1000 médicos» (entre outros). (La Tribune, 24 de Janeiro de 2010)


«"Iremos suprimir entre 3 a 4 mil postos de trabalho, no total de 92 mil. A maioria serão assistentes e médicos. Os restantes será pessoal administrativo.", disse o Director da Assistencia Pública / Hospitais de Paris (AP-HP).»

Claro que a questão não é se despedem médicos, ou enfermeiros ou pessoal do secretariado. A questão é que - lá como cá - tudo isto foi escondido e mantido em banho-maria durante muito tempo atrás das frases: "falta de médicos" (e de enfermeiros), "é preciso abrir mais escolas" (de médicos e enfermeiros), a culpa é "deles" (médicos e enfermeiros) que não querem concorrencia, etc.

Agora ...

23 janeiro 2010

As crianças não têm direito a um casamento e a uma família normais?


As crianças não têm direito a um casamento e a uma família normais?

Fonte: Instituto Valenciano de Fertilidade, Sexualidade e Relações Familiares (IVAF)

Há já bastante tempo que alguns meios de comunicação se empenham em desvalorizar (e até ridicularizar) qualquer tentativa de oposição à ideología do homosexualismo. O facto de que haja razões científicas e sociais para se opor ao “casamento”, e respectiva adopção, por pessoas homossexuais, parece ser irrelevante.


Não são poucos os que defendem que o progresso social estaría ligado a uma superação das barreiras discriminatórias contra os homossexuais. Muitos dos que defendem esta posição, manifestam uma agressividade feroz – e difamatória – contra os que defendem o direito das crianças a terem a melhor família possível, e o direito da sociedade a propor o casamento como a união de um homem e de uma mulher. Dizem que estamos a impor aos outros as nossas convicções "religiosas" e que impedimos o reconhecimento de direitos civis para todos.

Isto não é simplesmente verdade.

Haver um registo público onde as pessoas homossexuais possam identificar as suas amizades íntimas, como uniões de facto, no quadro da protecção social respectiva, é possível e já foi feito em vários países. Mas chamar a este registo “casamento” vai contra o bem-estar público e, de forma particular, contra o equilibrio e o desenvolvimento afectivo dos filhos.

As pessoas homossexuais devem ser respeitadas e protegidas, como pessoas, mas o seu estilo de vida não debe ser proposto às crianças como se fosse uma opção de vida inócua.

É necessário ter uma opinião sobre este assunto. Alguns dados que podem ajudar a reflectir.

1.- Os homossexuais podem casar-se, como qualquer outro(a) cidadão(ã). Que muitos prefiram não casar-se, não constitui uma discriminação. Os homossexuais podem casar-se, assumindo os mesmo direitos e obrigações que todos os outros cidadãos que se casam. Isto é, podem casar-se – tal como os restantes cidadãos – com uma pessoa do sexo oposto, que tenha a idade legal de consentimento e que exprima ese consentimento de forma libre.

Que alguém, que se afirma homossexual, se queixe de discriminação porque não o deixam casar-se com alguém do mesmo sexo, tem a mesma lógica que um polígamo que se queixasse de discriminação porque não o deixam casar-se com várias mulheres ao mesmo tempo; ou porque não o deixam casar-se com várias mulheres e homens ao mesmo tempo. (Já agora, porque não?)

A isto não se chama discriminação: a lei é igual para todos. A sociedade tem um modelo de casamento que demonstrou a sua eficacia ao longo de muitos séculos.



2.- Chamar casamento à união homossexual reflecte um experimentalismo social arriscado, nunca tentado. Algumas civilizações que não só permitiam a homossexualidade, como até a fomentavam (como na Grécia Antiga, nalguns grupos e clases sociais), nunca pretenderam chamar-lhe casamento. Entendiam o casamento como uma união estável entre um homem e uma mulher, organizada em função da abertura aos filhos.

Uma coisa são as práticas sexuais dalgumas pessoas, outra muito diferente, a família como espaço de criação e educação dos filhos. A homossexualidade é muito antiga e adoptou muitas formas diferentes, em diferentes sociedades, mas nunca foi aparentada com o casamento.

Fazer experimentalismo social é irresponsável e perigoso. Pior quando a motivação para estas arriscadas experiências não é científica, nem social, mas apenas ideológica. Não existe sequer pressão social: a esmagadora maioria das pessoas está contra esta opção.

3.- Não existe nenhum gene da homossexualidade. O homossexual não nasce, faz-se. Não há evidencia científica de que a homossexualidade esteja ligada à herança genética, ou que a inclinação homossexual esteja determinada desde o nascimento.

Há, isso sim, evidencias de que a tendencia homossexual se encontra ligada a factores do ambiente, sobretudo ligados à educação e à psicología.

Qualquer pessoa, desde que o queira, pode praticar actos homossexuais, como também pode deixar de os praticar. Por isso mesmo, muitos homossexuais deixaram de o ser, com ajuda profissional.

A ideología homossexualista insiste no carácter inato da homossexualidade para defender que é uma questão da natureza humana, mas a ciencia diz-nos que a homossexualidade não está na natureza humana através da genética, mas através de outras coisas, também humanas, como o ambiente em que se vive e as decisões pessoais.

Um ambiente favorável à homossexualidade, faz aumentar o número de homossexuais nesse ambiente. Em ambientes tolerantes à homossexualidade, mas em que essas práticas não se promovem, o número de homossexuais não aumenta.

4.- Para evitar abusos contra homossexuais, ou entre os próprios homossexuais entre si, não precisamos de inventar um "casamento" homossexual. Praticamente todos os direitos do casamento que se referem a heranças, trasmissão de bens, partilha de propiedades, etc., podem ser regulados por quaisquer pessoas, por acordo mútuo e livre, diante de um notário, sem que tenham que declarar que têm relações sexuais.

20 janeiro 2010

a subida dos impostos


(...) «Algumas das medidas anunciadas no último Conselho de Ministros passam por reduções ou isenções temporárias das contribuições para a Segurança Social pelos empregadores que cumprirem determinados requisitos em futuras contratações de jovens ou de desempregados.

O director-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Paulo Vaz, nada tem a obstar contra estas "medidas que foram avaliadas" e que espera "sejam transitórias", mas, mesmo assim, frisa que "não são as medidas de apoio ao emprego que criam postos de trabalho; as boas políticas económicas e a sua implementação é que permitem de novo o crescimento, o aumento da competitividade e do investimento".

Lembra, igualmente, que "é papel do Estado apoiar em alturas de crise como esta", mas, sublinhou, "os rendimentos não são elásticos, e tal vai acabar por chegar aos bolsos dos portugueses, com mais impostos ou degeneração do nível de vida"» (...)

13 janeiro 2010

competitividade estruturalmente baixa, mesmo em período de pujança


No Diário Económico:

(...) «"Portugal está a sangrar e a perder recursos a um ritmo elevado (...) O risco de uma morte lenta é elevado", pode ler-se numa nota de análise da agência internacional Moody's.

Dizem os analistas da Moody's que Grécia e Portugal são dois bons exemplos de países que manifestam uma competitividade estruturalmente baixa dentro da zona euro, mesmo nos períodos de pujança económica, que se traduziu em défices muito elevados.

"Esta falha de competitividade vai resultar provavelmente num ‘sangramento' do potencial económico e, consequentemente, no aumento dos impostos se a situação não se inverter", continua a casa de ‘rating' internacional.

Para a agência "Portugal e Grécia estão a sangrar e a perder recursos a um ritmo galopante", dado o aumento do endividamento dos países e, por consequência, dos encargos para com os credores estrangeiros.» (...)

capitalismo socialista (II)


No Correio da Manhã, 12 Janeiro 2010:

Médicos cubanos recebem 500 euros de salário


«Polémica: Ministério da Saúde garante que paga o salário da tabela
Cubanos só recebem 500 euros.


Cada médico cubano contratado pelo Estado português recebe apenas 500 euros por mês dos cerca de 2500 euros de salário pago pelo Ministério da Saúde através do governo de Cuba. Quinze euros vão para as famílias e o restante, cerca de 2000 euros, vão directos para os cofres do Estado cubano, ou seja, 80 por cento do salário vai para o regime de Havana. Cabe às autarquias muitos dos encargos com estes médicos, como rendas de casa, transportes e facturas de água e de luz.


O Governo português está satisfeito com o negócio, porque resolveu o problema da falta de médicos, e Cuba recebe divisas. A situação choca os clínicos portugueses, mas os visados não se queixam e remetem-se ao silêncio.
Inicialmente os médicos cubanos recebiam 300 euros, o equivalente ao que recebem no seu país, mas o custo de vida em Portugal obrigou Cuba a pagar-lhes 500 euros mensais.

Para muitos médicos portugueses, as condições dos cubanos são desumanas. Carlos Santos, dirigente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), declarou ao CM que o assunto já motivou a reclamações às Autoridades Regionais de Saúde do Alentejo e Algarve, regiões que acolhem a maioria dos 44 médicos cubanos, em Portugal desde Agosto de 2009.


A maioria destes médicos não quer falar à imprensa por "não estar autorizada", segundo confidenciou ao CM um dos clínicos.


O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, nega ao CM que haja discriminação. "O Estado português paga em iguais condições aos médicos cubanos como a qualquer outro médico de família estrangeiro ou português a fazer 40 horas semanais. E paga horas extra se forem feitas." Quanto ao magro rendimento, Pizarro sublinha que "o Governo português não tem nada a ver com a forma como o pagamento da remuneração é feita por Cuba aos médicos." (...) »