Jornal de Negócios

21 abril 2010

«Intolerâncias»

No Correio da Manhã, de 20 de Abril de 2010

Constança Cunha e Sá

«Um Estado laico não é um Estado anti-religioso, incapaz de compreender a dimensão pública da fé.
Como seria de esperar, a visita do Papa a Portugal já deu origem a uma pequena e comovente polémica sobre a tolerância de ponto decretada pelo Governo. Os fanáticos do costume decretaram que pretendiam trabalhar nesses três dias a bem da separação do Estado e da Igreja e – pasme-se – em prol da produtividade nacional que, na sua douta opinião, não pode ser abalada pela visita de um "líder religioso qualquer" que decida deslocar-se ao nosso país.

Até a CIP e as centrais sindicais, esses pilares da nossa economia, se pronunciaram patrioticamente contra a decisão tomada pelo Governo, alertando para a crise em que vivemos e para a necessidade dos funcionários públicos contribuírem, com o seu trabalho, para o aumento da produtividade e para o desenvolvimento da pátria.


É evidente que este reconhecimento súbito do estado em que nos encontramos não deixa de ser salutar, sendo de esperar, nomeadamente por parte dos sindicatos, exemplos futuros de responsabilidade e compreensão pela situação em que se encontram as finanças públicas e a economia portuguesa.

Custa-me a crer que sindicalistas, tão atentos aos custos da visita do Papa, se entretenham depois a promover greves que, para além de não levarem em linha de conta a crise em que nos encontramos, não contribuem certamente para o dito aumento da produtividade.

Tudo isto seria um pouco ridículo – e é – se por trás destes nobres objectivos não se escondesse o velho preconceito contra a Igreja e o zelo anticlerical de meia dúzia de figuras públicas, sempre em busca de crucifixos nas escolas e de outros sinais religiosos no espaço público. Ao contrário do que tem sido dito, o que está em causa não é a neutralidade do Estado em relação às diversas religiões, mas a incapacidade de perceber que, num país de tradição católica, o Papa não é um "líder religioso qualquer", como tem sido amplamente referido.


Pretender equiparar a visita de Bento XVI à visita de qualquer outro líder religioso (hindu ou muçulmano, como já vi defender) é não compreender a realidade portuguesa e desconhecer totalmente a sua história.

Há uma ligação entre o País (e o ocidente, em geral) e a Igreja que um Estado laico deve saber reconhecer. Um Estado laico não é sinónimo de um Estado anti-religioso, incapaz de compreender a dimensão pública da fé.

E a crer nalgumas coisas que por aí têm sido escritas, dá ideia de que o Papa, não lhe sendo retirado o direito de viajar pelo mundo, devia ter, pelo menos, a decência de o fazer clandestinamente. De forma a não importunar ninguém. Porque o problema é que este Papa, em particular, importuna. (Constança Cunha e Sá, Jornalista)

Polónia e Alemanha com taxas de desemprego a descer

Segundo o IESE News, as taxas de desemprego na Alemanha e na Polónia estão a descer e ambos os países têm actualmente taxas menores do que tinham no início da recessão.

De acordo com o Euroindex, na leitura feita pela Adecco e o IESE, o resto do panorama económico global mantém-se cinzento. O Euroindex agrega a informação económica de 7 países, entre os quais Portugal.


Na zona Euro o desemprego irá aumentar em 9 % (cerca de 1 milhão e meio de pessoas) embora este número represente uma desaceleração (a maior nos últimos 18 meses) do desemprego.

A Alemanha é o único país em que a população activa cresceu, embora ligeiramente. (...)

19 abril 2010

até o Vasco Pulido Valente ...

«Em 1936, um historiador alemão que vivia na Catalunha ouviu por acaso um grupo de camponeses que falava sobre a Igreja. Para espanto dele, os camponeses, que tinham assassinado e torturado milhares de católicos, repetiam as críticas dos folhetos contra Roma, distribuídos na Alemanha do século XVI.

Se a Igreja não muda, o anticlericalismo também não. De Lutero ao "Iluminismo" e da grande revolução francesa aos pequenos jacobinos de Portugal e Espanha, que há pouco menos de cem anos queriam ainda, como Voltaire, "esmagar a Infame", a Igreja é invariavelmente acusada pela sua presuntiva riqueza e pelo comportamento sexual do clero.

Agora chegou a vez da pedofilia, porque na sociedade contemporânea a pedofilia se tornou no último crime sexual. Claro que Bento XVI já disse que a pedofilia era um crime, além de ser um pecado, e acrescentou que os padres pedófilos tinham feito mais mal à Igreja do que mil anos de perseguição. Claro que Bento XVI mandou investigar o caso, removeu bispos, suspendeu padres, castigou culpados. Claro que nem ele, nem a Igreja são responsáveis pelas declarações de algumas figuras menores do Vaticano ou da Conferência Episcopal Portuguesa.

Mas, como de costume, a lógica não abala o anticlericalismo. O anticlericalismo decretou que a Igreja intencionalmente encobre (ou encobriu) a pedofilia e não vai mudar. Quem sabe, mesmo à superfície, alguma história sabe que desde o princípio isto foi assim. Ratzinger, que não nasceu ontem, com certeza que não se perturba. Até porque provavelmente percebe que, por detrás do escândalo do encobrimento, está o ódio ao Papa "reaccionário"; ao Papa que se recusou a transigir com a cultura dominante em matérias como o divórcio, o aborto, a homossexualidade, o celibato do clero e a ordenação de mulheres.

Não ocorre ao anticlericalismo que a integridade da Igreja pode exigir essa rigidez, como já mostrou a rápida ruína do anglicanismo. Ratzinger compreende que, sem o apoio do Estado ou influência sobre ele, a Igreja depende essencialmente da convicção e da força com que conseguir conservar a sua doutrina. Qualquer fraqueza a transformará numa instituição vulgar, à mercê da opinião pública e das mudanças do mundo. Isso Bento XVI não quer. Como não quer encobrir a pedofilia.»

Vasco Pulido Valente. Público

Mas não faltarão os surdos do costume ...

Os malandros dos americanos ...

«Segundo uma estimativa tornada pública pelo Centro de Política Fiscal, em Washington, 47% dos residentes nos Estados Unidos da América não irá pagar IRS relativamente aos rendimentos recebidos em 2009.


Os imposto para famílias de rendimentos baixos e médios foram reduzidos tendo resultado na eliminação por completo da tributação do rendimento em sede de IRS para praticamente metade dos contribuintes americanos.


Por exemplo, hoje em dia, uma família com um rendimento anual de 50.000 dólares (aproximadamente 37.500 euros) e com dois filhos menores anos não suporta qualquer IRS.

Nos Estados Unidos, os 10% mais ricos da população suportam 73% dos impostos federais.» (noticia em Impostos-Press)

14 abril 2010

Especialistas em Pediatria dizem que não se nasce homossexual

«Não há evidência científica de que alguém nasça gay ou transexual.

Portanto este Colégio [de Especialidade] adverte que as escolas não devem ensinar, ou deixar implícito, que a atracção sexual é inata, vitalícia ou inalterável.

As investigações demonstraram que as terapias de recuperação da atracção heterossexual são efectivas em muitos casos»
American College of Pediatricians.

Documento integral em inglês, aqui (pdf)

09 abril 2010

Num blogue aqui ao lado: verdades incómodas

Dados numéricos, num blogue aqui ao lado:

(...) «dado "incómodo". O relatório do John Jay College of Criminal Justice faz uma análise temporal aos dados estatísticos. O "pico" dos casos de abuso coincide com o "pico" do número de acusações, e calha no ano de 1980.

A curva que se pode ver na página 28 do dito estudo é ilustrativa: é uma curva em forma de montanha, com uma curva acentuada de crescimento que se nota a partir de 1960. Depois do "pico" de 1980, a curva desce acentuadamente, até 1995, ano em que atinge os valores de 1950.

(...) o comportamento desta curva, que sustenta todos aqueles que têm relacionado este fenómeno com a revolução sexual dos anos 60 e 70, bem como todos os que têm dito, em defesa da Igreja, que desde o final do século passado, a Santa Sé tomou as rédeas deste problema. Olhando para esta curva, característica dos EUA, se os números não mentem, algo aconteceu para esta queda acentuada no número de casos entre 1980 e 1995 (ver ainda o gráfico da página 35).

Ainda outro dado "incómodo". Segundo o mesmo relatório, 80,9% dos casos reportados nos EUA são abusos a rapazes. Para aqueles que juram a pés juntos que este escândalo não tem nada a ver com homosexualidade, estes números frios merecem segunda reflexão...

Os números da Alemanha, outro país alvo da especulação em torno dos padres pedófilos, reportam 210.000 casos de abusos de menores desde 1995. Os casos relacionados com padres ou religiosos da Igreja foram apenas 94 desse total. Falamos de 0,04%!

Os números da Irlanda são graves pelo fenómeno social em si, que envolve muita gente, não apenas padres, e não apenas membros da hierarquia da Igreja Católica. Primeiro, há que ver que o Relatório Ryan contém dados desde 1914. É importante saber o intervalo temporal dos dados recolhidos, para fazermos comparações justas em termos de números absolutos de sacerdotes e de casos de abusos!

No Relatório Ryan temos 1.090 casos de violência contra menores (sexual, física e psicológica). O total de elementos do clero envolvidos nestes casos é de 23 (0,02%). Muitos dos casos de abuso dizem respeito a pessoal auxiliar educativo (professores, contínuos, etc.).

Eu devo confessar que, no início de Março, quando começou esta palhaçada mediática, eu senti-me sinceramente chocado, porque os "media" faziam passar a imagem de um escândalo em larga escala, quer nos crimes sexuais, quer na ocultação. Passado um mês, penso que os "media" e os agentes anti-católicos forçaram demasiado a barra, e caem no descrédito. Foram várias as notícias desmentidas, e toda a campanha mediática tem pés de barro.

Os crimes, apesar de serem todos graves e horríveis, têm uma dimensão bem diferente da que nos querem vender. A montanha pariu um rato. Notícias como esta da Noruega, ainda por cima um país pouco religioso, e da parte que é religiosa, pouco católico, não ajudam a causa anti-católica. Antes pelo contrário: ajudam ao descrédito.

Esta campanha mediática começa a ser vista por aquilo que é: uma palhaçada imoral. Uma difamação em grande escala. Mas o mais grave não está na campanha em si, pois grande parte dela, como todas as campanhas, é movida pelo dinheiro. O que me parece particularmente grave, em tudo isto, é a sanha com que as notícias são lidas e difundidas. Há muita gente que reage indignada (mesmo que secretamente feliz) a estes escândalos, porque é uma oportunidade imperdível para manifestar um ódio profundo à Igreja Católica.

Os críticos da praxe dirão que estou a exagerar, e a fazer dos católicos as vítimas. Sejamos claros: há aqui dois tipos de vítimas: as dos abusos sexuais e as de difamação. Certamente que é um crime muitíssimo mais grave o de abuso sexual, quando comparado com o de difamação. Mas esta justa comparação não nos deve impedir a nós, católicos, de dizermos "basta!" a esta campanha infame.» (...)

É que o ódio anti-católico existe e é bem real. Basta ler, por exemplo, os recentes "posts" de um conhecido blogue nacional, onde pululam corifeus da tribo anti-católica, tribo essa que não tem dado descanso ao teclado nos últimos dias, certamente com um sorriso na cara (sorriso esse que a Internet, felizmente para eles, esconde com eficácia).

Toda esta gente sempre odiou a Igreja Católica. Não a odeiam por causa dos seus rituais, por causa da (treta) da suposta incompatibilidade da religião com a Ciência, não a odeiam por causa de certos erros históricos do passado da Igreja, não a odeiam por causa da sua dimensão à escala global, e não a odeiam por causa do seu imenso trabalho planetário de assistência social.» (...) (http://espectadores.blogspot.com; Bernardo Motta, Duarte Fragoso)

afinal há fronteiras na UE


Depois de alguns autarcas da zona minhota terem acordado com os seus congéneres espanhóis o uso comum dos serviços de saúde da zona galega, o Ministério da Saúde português, através de uma nota informativa da Direcção-Geral da Saúde, avisou que se o fizerem, receberão a factura em casa. O Serviço Nacional de Saúde português não aceita esta opção.

A união europeia, a livre circulação e a liberdade de escolha são, afinal , bandeiras de quem?

08 abril 2010

Coisas práticas


Uma associação de 5 cinco municípios do Alto Minho e 16 da Galiza vai estudar a hipótese de uso comum dos serviços de saúde das duas regiões pelos cidadãos de ambos os lados da fronteira. (Notícia do Expresso)

Parece-me um bom exemplo de união europeia ...

07 abril 2010

contas

Orçamento da ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA para 2010. Rubricas existentes no Orçamento conforme Diário da República (www.dre.pt) nº 28, I série, de 10 de Fevereiro de 2010 - Resolução da Assembleia da República nº 11/2010.

1 - Vencimento de Deputados ..............
..12 milhões e 349 mil Euros

2- Ajudas de Custo de Deputados....
........ 2 milhões e 724 mil Euros

3 - Transportes de Deputados ...........
..... 3 milhões 869 mil Euros

4 - Deslocações e Estadias ............
........ 2 milhões e 363 mil Euros

5 - Assistência Técnica ........................
. 2 milhões e 948 mil Euros

6 - Outros Trabalhos Especializados ....... 3 milhões e 593 mil Euros

7 - Serviço de restaurante, refeitório e cafetaria
... 961 mil Euros

8 - Subvenções aos Grupos Parlamentares............ 970 mil Euros

9 - Equipamento de Informática .............
2 milhões e 110 mil Euros

10 - Outros Investimentos ............ ....... 2 milhões e 420 mil Euros

11 - Edificios ....................
.................. 2 milhões e 686 mil Euros

12 - Transfer's Diversos ..................... 13 milhões e 506 mil Euros

13 - Subvenção aos PARTIDOS representados na Assembleia da República......... ........................................................16 milhões e 977 mil Euros

14 - Subvenções para CAMPANHAS ELEITORAIS ...3 milhões e 798 mil Euros


TOTAL da DESPESA orçamentada para 2010-
€ 191 405 356,61

Nos termos do disposto no Artigo 148º. da Constituição da República Portuguesa : "A Assembleia da República tem o mínimo de cento e oitenta deputados e o máximo de duzentos e trinta deputados, nos termos da Lei Eleitoral
"

01 abril 2010

a espuma


(...) «numa política cada vez mais dominada pela espectacularização, pelo marketing, pelo soundbite, pela mentira orwelliana, existe de facto uma problema de “verdade” em política, problema puramente político.

E isso é um enorme incómodo para pessoas como Sócrates, mas também para uma comunicação social que vive da espuma dos dias e que comparticipa na mesma espectacularidade que constrói um contínuo entre políticos e jornalistas, cada vez mais iguais nos defeitos.» (...) JPP no Abrupto.

24 março 2010

A mal-querida maternidade (2)



Professora de Famalicão recebe do Ministério da Educação aviso para repor parte dos vencimentos já recebidos. Motivo: ter estado em licença de maternidade! (Sol, 24-03-2010)

Os retroactivos da sua progressão na carreira não são devidos em caso de licença por gravidez.

Para o Estado a gravidez passou a ser uma doença, com direito a "tratamento" ...
Não se "tratou", perde direitos.

23 março 2010

Problemas insolúveis


No Sol, acerca do problema crescente da violência entre alunos (bullying)

«Desde a semana passada que a CNIPE (Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação) atende pais e alunos com queixas de violência nas escolas no 964 466 499. «É preciso que as pessoas deixem de ter medo de falar», diz Joaquim Ribeiro» (...)

À medida que a nossa sociedade se vai tornando mais violenta, as escolas não conseguem pôr barreiras àquilo que é um problema do mundo adulto envolvente. Basta ver como se comportam os nossos líderes, que tipo de filmes e leituras se promovem, que exemplo dão os nossos desportistas ...

Para pensar

No Corriere de la Sera (17 de Março de 2010):

«Uma agressão ao Papa.

por Marcello Pera, Filósofo, agnóstico e senador.

Caro Director,

A questão dos sacerdotes pedófilos ou homossexuais, que rebentou recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. E, dadas as enormidades temerárias da imprensa, cometeria um grave erro quem pensasse que o golpe não acertou no alvo – e um erro ainda mais grave quem pensasse que a questão morreria depressa, como morreram tantas questões parecidas. Não é isso que se passa. Está em curso uma guerra.

Não propriamente contra a pessoa do Papa porque, neste terreno, tal guerra é impossível: Bento XVI tornou-se inexpugnável pela sua imagem, pela sua serenidade, pela sua limpidez, firmeza e doutrina; só aquele sorriso manso basta para desbaratar um exército de adversários. Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo.

Os laicistas sabem perfeitamente que, se aquela batina branca fosse tocada, sequer, por uma pontinha de lama, toda a Igreja ficaria suja, e se a Igreja ficasse suja, suja ficaria igualmente a religião cristã. Foi por isso que os laicistas acompanharam esta campanha com palavras de ordem do tipo: «Quem voltará a mandar os filhos à igreja?», ou «Quem voltará a meter os filhos numa escola católica?», ou ainda: «Quem internará os filhos num hospital ou numa clínica católica?» Há uns dias, uma laicista deixou escapar uma observação reveladora: «A relevância das revelações dos abusos sexuais de crianças por parte de sacerdotes mina a própria legitimação da Igreja Católica como garante da educação dos mais novos.»

Pouco importa que semelhante sentença seja desprovida de qualquer base de prova, porque a mesma aparece cuidadosamente latente: «A relevância das revelações»; quantos são os sacerdotes pedófilos? 1%? 10%? Todos? Pouco importa também que a sentença seja completamente ilógica; bastaria substituir «sacerdotes» por «professores», ou por «políticos», ou por «jornalistas» para se «minar a legitimação» da escola pública, do parlamento, ou da imprensa. Aquilo que importa é a insinuação, mesmo que feita à custa de um argumento grosseiro: os sacerdotes são pedófilos, portanto a Igreja não tem autoridade moral, portanto a educação católica é perigosa, portanto o cristianismo é um engano e um perigo. Esta guerra do laicismo contra o cristianismo é uma guerra campal; é preciso recuar ao nazismo e ao comunismo para se encontrar outra igual. Mudam os meios, mas o fim é o mesmo: hoje, como ontem, aquilo que se pretende é a destruição da religião. Ora, a Europa pagou esta fúria destrutiva ao preço da própria liberdade.

É incrível que sobretudo a Alemanha, que bate continuamente no peito pela memória desse preço que infligiu a toda a Europa, se esqueça dele, hoje que é democrática, recusando-se a compreender que, destruído o cristianismo, é a própria democracia que se perde. No passado, a destruição da religião comportou a destruição da razão; hoje, não conduz ao triunfo da razão laica, mas a uma segunda barbárie.

No plano ético, é a barbárie de quem mata um feto por ser prejudicial à «saúde psíquica» da mãe. De quem diz que um embrião é uma «bola de células», boa para fazer experiências. De quem mata um velho porque este já não tem família que cuide dele. De quem apressa o fim de um filho, porque este deixou de estar consciente e tem uma doença incurável. De quem pensa que progenitor «A» e progenitor «B» é o mesmo que «pai» e «mãe». De quem julga que a fé é como o cóccix, um órgão que deixou de participar na evolução, porque o homem deixou de precisar de cauda. E por aí fora. Ou então, e considerando agora o lado político da guerra do laicismo contra o cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, eliminado o cristianismo, restará o multiculturalismo, de acordo com o qual todos os grupos têm direito à sua cultura. O relativismo, que pensa que todas as culturas são igualmente boas. O pacifismo, que nega a existência do mal.

Mas esta guerra contra o cristianismo seria menos perigosa se os cristãos a compreendessem; pelo contrário, muitos deles não percebem o que se está a passar. São os teólogos que se sentem frustrados com a supremacia intelectual de Bento XVI. Os bispos indecisos, que consideram que o compromisso com a modernidade é a melhor maneira de actualizar a mensagem cristã.

Os cardeais em crise de fé, que começam a insinuar que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor repensar essa questão. Os intelectuais católicos que acham que a Igreja tem um problema com o feminismo e que o cristianismo tem um diferendo por resolver com a sexualidade. As conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e, enquanto auguram uma política de fronteiras abertas a todos, não têm a coragem de denunciar as agressões de que os cristãos são alvo, bem como a humilhação que são obrigados a suportar por serem colocados, todos sem descriminação, no banco dos réus. Ou ainda os chanceleres vindos do Leste, que exibem um ministro dos negócios estrangeiros homossexual, ao mesmo tempo que atacam o Papa com argumentos éticos; e os nascidos no Ocidente, que acham que este deve ser laico, que o mesmo é dizer anti-cristão. A guerra dos laicistas vai continuar, quanto mais não seja porque um Papa como Bento XVI sorri, mas não recua um milímetro.

Mas aqueles que compreendem esta intransigência papal têm de agarrar na situação com as duas mãos, não ficando de braços cruzados à espera do próximo golpe. Quem se limita a solidarizar-se com ele, ou entrou no horto das oliveiras de noite e às escondidas, ou então não percebeu o que está ali a fazer.»

22 março 2010

A crise está a acabar, ou ainda não começou?


Conferência de Martin Wolf, colunista económico do Financial Times, dirigida a alunos do IESE Business School (Espanha) - tanto os EUA, como os restantes países, continuam a endividar-se de uma forma insustentável.

Para este perito, as origens da crise económica global remontam aos anos 80, quando a América latina teve a sua própria crise, à qual se seguiram o que chamou de "corridas ao ouro", como a subida - e queda - das empresas dot.com.

O excesso de liquidez no mercado, sobretudo com origem nos mercados asiáticos em expansão rápida, conjugado com a crise do sub-prime, mantém um fluxo de capitais dos países em desenvolvimento, para os países desenvolvidos que não estão preparados para os absorver.


Segundo este analista, os países asiáticos deviam ser importadores de capitais, não exportadores, como está a acontecer.

À medida que os países vão ficando insolventes, a crise financeira transforma-se em crise de governo. Segundo este analista, o sector financeiro privado não existe no mundo desenvolvido, "é um ilusão", afirma.