Jornal de Negócios

18 outubro 2010

o orçamento são meras juras de drogado

No DN de 18 de Outubro (por J. CÉSAR DAS NEVES):

«É patético Portugal viver obcecado por uma entidade abstracta e longínqua, os mercados internacionais. O busílis da política nacional é: se o Parlamento reprova o Orçamento, será que os credores se zangam? Os níveis asfixiantes da dívida põem-nos a adivinhar eflúvios da finança mundial, contemplando ânsias e caprichos dessa fluida personalidade planetária, que aliás supinamente desprezamos.
Ninguém domina os movimentos de milhões de credores. A teoria económica explica a razão lógica porque os mercados são imprevisíveis. Mas, por muitos defeitos que tenham, uma coisa é certa: não são estúpidos. As nossas medidas ambíguas, joguinhos de imagem, discursos comoventes e intrigas palacianas não os impressionam.


No passado dia 29 o senhor primeiro-ministro veio à televisão dizer compungido que o País precisava de forte austeridade. Desde então multiplica-se em justificações por todos os canais. Mas o Orçamento do Estado para 2010 foi aprovado apenas a 12 de Março. Bastaram seis meses para o Governo confirmar que perdeu o controlo da situação. A crise, álibi há dois anos, pouco tem a ver com isto. Não só tem sido menos grave do que se temia, como afecta todos os países e todos lidam com ela sem as nossas piruetas. Qualquer pessoa sensata sabia que o Orçamento de Março era supinamente desadequado. O que nenhuma pessoa séria podia era prever o grau de descontrolo destes meses.


A verdade é que José Sócrates, que há um ano afirmou "Está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu" (agência Lusa, 22.07.09), nunca compreendeu realmente a questão orçamental. Preocupa-se com ela, fala nela repetidamente, mas não entende a sua natureza. Por isso ela vem sempre assombrar-lhe a governação, apesar dos repetidos e apregoados sucessos do estadista.


A despesa pública não é uma montanha, que precise de terraplanagem a golpes de IVA. É um vulcão que explode tanto mais quanto mais impostos lhe atiram para cima. Não vale a pena cortar-lhe um pedaço, como este Orçamento de 2011 pretende, porque o mal não está no nível mas na tendência imparável. Este é o monstro que fez fugir Guterres e Barroso e que Sócrates jurou vencer em 2005. Para isso viu-se forçado a violar logo a solene promessa eleitoral de não aumentar impostos. Três anos depois cantou vitória, para o ver regressar no ano seguinte, maior que nunca. Já está na altura de perceber que as cócegas dos planos de austeridade só servem para o acirrar.


Porque todas as propostas apresentadas até hoje, quando não aumentam os impostos, engordando a besta, limitam-se a reduzir gastos sem mexer nas regras que os aceleram. Mesmo com forte descida pontual como esta, ao fim de algum tempo tudo volta ao mesmo. E mais uma vez, apesar das juras de só baixar a despesa, não se resistiu à obsessão de aumentar o IVA.


Não vale a pena continuar a perguntar, como se fez doentiamente estes dias, se as severas medidas anunciadas serão suficientes para resolver o problema. Elas simplesmente não se dirigem ao problema. São meros anestésicos e analgésicos de urgência, que tratam os sintomas enquanto o doente precisa de cirurgia e internamento prolongado. Apesar de estar lá há seis anos, o Governo vem sempre a correr às urgências.
O cancro a operar são os milhões em direitos, regalias, institutos, subsídios e salários, todos justificados, todos blindados na lei e que o País não pode pagar.

Mesmo aparados aqui e ali, ressurgem sempre. Os acontecimentos destes meses mostram como os recipientes estão atentos na sua defesa. No próprio dia do anúncio das medidas os polícias estavam na rua por uma questão de promoções. Têm toda a razão. Não há é dinheiro.


O problema é político. Será que quem lidar mesmo com a situação se aguenta no poder? Não é por acaso que, dos países em dificuldades, Portugal foi o último a reagir. Os mercados percebem isto perfeitamente. O Orçamento de 2011 não é a prova que o Governo lida com a situação. São meras juras de drogado, que os credores, que não são parvos, conhecem à distância.»

13 outubro 2010

deriva

(...) «“Estamos a viver há muito tempo, há tempo demais – 8, 10, 15 anos - um período de pura deriva, em que os impostos aumentam ou diminuem, as penalizações aumentam ou diminuem, não de acordo com objectivos, ideias ou projectos, mas de acordo com as necessidades do dia”, afirmou Barreto, citando como exemplo as medidas tomadas em Maio, que agora foram agravadas no Orçamento para o próximo ano.

“Com esta maneira de atacar a política fiscal não se consegue nem fazer justiça nem delinear instrumentos que permitem prosseguir uma política, porque vai buscar os impostos que precisa por causa do défice”» (...)

(António Barreto, entrevista à Antena 1, citada no Jornal de Negócios)

06 outubro 2010

"Crescimento: Fazendo Acontecer"

"Crescimento: Fazendo Acontecer".

Conselhos para gestores na Revista do IESE
(...)

«Está cansado de ouvir as mesmas histórias gastas cerca de Steve Jobs e do iPod, ou as crianças no Google?
Não é um guru high-tech, nem trabalha para uma organização notoriamente favorável à inovação?

É um gerente comum numa empresa comum, executando a sua parte do negócio e lutando para encontrar ideias e recursos? Onde estão então as histórias para o ajudar?

É assim que começa o professor Darden Jeanne Liedtka no seu artigo repleto de histórias de gestores normais que alcançaram um crescimento extraordinário tornando-se "catalisadores" - pessoas que aprendem a navegar dentro das organizações, provocando como que reacções químicas que geram resultados significativos e crescimento sustentável .

Muitos gestores estão programados para pensar de forma corporativa, para procurar segurança e precisão, e dependem de dados para prever e planear.

Esta abordagem é mortal quando se trata do mundo imprevisível do crescimento, diz Liedtka. O que se deve recomendar é fazer algumas apostas rápidas, pequenas, obtendo feedback rápido do mercado.

Isto requer uma nova forma de pensar, um ponto sublinhado pelos professores do IESE, Julia Prats e Sosna Marc, no seu artigo sobre como os líderes se devem adaptar constantemente no passeio esburacado do crescimento.

A capacidade de mudança do modelo de crescimento para o modelo de crise, e vice-versa, requer um forte conjunto de competências pessoais, escrevem eles.

Há 4 áreas chave:

1. Quando as pessoas se lhe opõem, a tendência natural é lutar contra. Não faça isso. Escute-os. As soluções que procura podem vir dos seus opositores.

2. Não queira ser herói. Os líderes de crescimento bem sucedidos não se consideram todo-poderosos, mas sim como elementos que tentam estimular reacções positivas, utilizando as variáveis já existentes.

3. Coloque toda a gente no mesmo fuso horário: um CEO contou-nos que almoçou diariamente com a sua equipa de gestão, em vez de ler os seus relatórios. Só assim reparou que o diretor de produção estava preocupado e que o diretor de marketing estava a lutar sozinho.

Em vez de longas e cansativas reuniões, faça grupos de trabalho numa sala de reuniões, sem cadeiras em que cada um possa expor todos os seus problemas a céu aberto, e receber feedback, numa questão de minutos.

4. Mantenha-se dentro da estrada, isto é, mantenha uma visão equilibrada das coisas, senão estará simplesmente a saltar de uma crise para outra. Como? Ter uma vida fora da empresa ajuda, assim como ouvir conselheiros confiáveis. Muitas vezes os CEO's vivem rodeados não por pessoas, mas por bolhas. É responsabilidade do CEO criar a cultura e o espaço em que as pessoas se sentem com poder suficiente para lhe dizer quando está a fazer uma coisa errada.

(...) e ainda:

Os incentivos têm que ser criados, tal como na Índia, onde os salários e as condições de trabalho são muito superiores à média.
Deixar de lado os seus indivíduos mais talentosos e criativos não é a melhor base para promover o crescimento.» (...)

24 setembro 2010

questões de sempre


Bento XVI no Reino Unido:

(...) «há algumas bases éticas da sociedade civil e política que simplesmente não podem ser mudadas por quem exerce o poder, inclusive se o poder é democrático?



A resposta de Bento XVI é, obviamente, sim, porque “se os princípios morais que sustentam o processo democrático não forem determinados por algo mais sólido que o consenso social, a fragilidade do processo [democrático] se faz muito evidente”.
Aqui, sem dúvida, o Santo Padre pensa, entre outras coisas, nas leis antivida aprovadas pelo Parlamento britânico e outras democracias de recentes décadas, ao sabor do “consenso social”, mas contrárias ao bem verdadeiro da sociedade.
Bento XVI não mencionou diretamente o aborto, a eutanásia e a pesquisa com embriões, mas deu outro exemplo do sacrifício dos fundamentos morais da sociedade. Referindo-se à atual crise financeira global, recordou aos parlamentares que isso demonstra à sociedade o que ela pode esperar quando os fundamentos éticos são sacrificados pelo interesse privado e o pragmatismo.
Afirmou que “há um amplo consenso de que a falta de um sólido fundamento ético na atividade econômica contribuiu para as graves dificuldades [econômicas] em que hoje vivem milhões de pessoas em todo o mundo”.
Insistindo neste ponto, recordou aos parlamentares “uma das conquistas especialmente notáveis do Parlamento britânico”, a abolição do comércio de escravos. O Santo Padre indicou que a campanha que esta legislação conduziu foi um marco. Construiu-se “não sobre o terreno cambiante da opinião pública” (de fato, a população se mantinha como muito ambivalente), mas “sobre princípios éticos firmes, enraizados na lei natural” e, se poderia dizer, liderados por cristãos dedicados a isso, tais como William Wilberforce.
Após essa afirmação, Bento XVI tratou sobre a réplica óbvia: “onde se pode encontrar o fundamento ético das decisões políticas? Respondeu assinalando que “as normas objetivas que governam a ação correta são acessíveis à razão, prescindindo do conteúdo da revelação”. Contra as afirmações do relativismo, a razão humana pode conhecer o que é verdade e o que é correto» (...)

22 setembro 2010

"Pope Benedict... an apology" (The Independent)

«LONDRES, terça-feira, 21 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - A revista satírica britânica Private Eye costuma publicar hipotéticas cartas de desculpas da imprensa quando a opinião que transmite sobre uma pessoa é desmentida pela realidade.

"Isso poderia ser aplicado à visita de Estado do Papa Bento XVI", afirma Dominic Lawson, editorialista de The Independent, em sua coluna de hoje, "Pope Benedict... an apology".

"O Papa. Uma desculpa. Queremos pedir desculpas por descrever Sua Santidade como o líder tirânico com botas militares de uma instituição corrupta empenhada no estupro de crianças e no extermínio de todo o continente africano. Agora aceitamos que é um homem idoso e doce, que fica feliz da vida quando beija os bebês e que este país tem muito a aprender da sua humanidade e preocupação pelos mais fracos da sociedade."

Com ironia, Lawson constata a mudança generalizada de tom da imprensa inglesa após a visita do Papa. O próprio Independent, constata, publicou comentários editoriais que "seriam impensáveis há uma semana".

"Quando alguém é qualificado como um monstro (ou ‘um velho vilão lascivo de batina', como disse Richard Dawkins) e surge como uma modesta figura acadêmica visivelmente incômoda com a grandiloquência política de uma visita de Estado, os opinadores percebem que seus leitores prefeririam um tom mais amável", afirma Lawson.

"Suspeito que é precisamente o caráter apolítico do Papa Bento XVI que lhe dá certo atrativo popular, inclusive àqueles que não são membros da Igreja Católica e que sem dúvida se sentem obrigados a seguir seus inamovíveis pronunciamentos doutrinais."

O colunista que foi diretor do Spectator conclui: "A humildade talvez seja a mais difícil das virtudes; os mais presuntuosos críticos laicistas do Papa poderiam aprender do seu exemplo".

Este não foi o único comentário. No "dia depois" da visita, segundo constata um informe de Catholic Voices, é evidente a moderação da imprensa inglesa de todos os âmbitos de opinião, assim como o unânime reconhecimento do êxito da visita, contra quase todos os prognósticos.

Repassando um a um os 5 principais cabeçalhos ingleses, em sua edição de segunda-feira, 20 de setembro, o informe mostra como foi a cobertura da beatificação do cardeal Newman no Cofton Park.

Os da esquerda

Assim, The Guardian, representante da esquerda liberal, dedica duas página a uma reportagem sobre a beatificação, assinada pelo seu correspondente religioso, Stephen Bates.

Outra correspondente, Riazat Butt, afirma que "o êxito real desta viagem histórica não foi Bento XVI, mas seu rebanho, que desafiou as expectativas e a publicidade negativa para dar as boas-vindas ao Papa".

Na seção de comentários do jornal, um dirigente recorda aos leitores por que The Guardian apoiou a visita, "apesar do conservadorismo intransigente e às vezes cruel de Bento XVI", pois "se tratava de um assunto diplomático sério".

O editorial não acredita que o Papa tenha superado "a divisão religioso-leiga", mas tem algumas palavras críticas contra os manifestantes, que "talvez não vejam nenhuma conexão entre eles e as turbas antipapistas do passado, mas há um fracasso em dar à fé o respeito sincero que lhe é devido".

Na seção do defensor do leitor, destaca-se a crítica de muitos leitores com relação ao que consideram a "hostilidade instintiva da religião" por parte do jornal, ainda que o ombudsman alegue a extensa cobertura dada pelo The Guardian à visita.

Talvez a mudança mais sintomática tenha sido, como foi comentado no início desta notícia, o caso do The Independent, jornal que, durante o período anterior à visita, tornou-se porta-voz do setor laicista mais agressivo.

Em seu editorial de ontem, "Benedict spoke to Britain", o jornal admitiu que a visita "foi melhor, inclusive muito melhor do que se poderia esperar", graças sobretudo "ao que o Papa disse e como disse", mostrando "que tem um lado mais cálido, mais humano e menos rígido do que parece de longe".

"E com relação às suas alusões a quão arriscado é para a tolerância desterrar a religião às margens, talvez ele tenha deixado uma Grã-Bretanha com a mente um pouco mais aberta que quando a encontrou", conclui o editorial de forma surpreendente.

Conservadores

Por sua parte, o Daily Mail, conservador, publicou um comentário assinado por Stephen Glover, no qual afirma que a visita "foi muito além" de um êxito que a própria hierarquia católica não esperava: "O Papa falou à alma do nosso país, afirmando as verdades morais eternas que nossos próprios líderes políticos e religiosos preferem evitar".

Um dos êxitos surpreendentes destacado por Glover foi o "rosto jovem" da Igreja Católica britânica; o editorial do jornal também critica os ateus radicais, contrários à visita: "Não têm nada a oferecer como caminho de esperança para os jovens nem para ninguém".

The Times não dedica um editorial, mas publica uma reportagem de Richard Owen, seu correspondente em Roma, que se surpreende com a ênfase do Papa no "pluralismo sadio" e nas "diversas tradições religiosas" da sociedade britânica, assegurando que "este não é o homem que foi eleito papa há 5 anos".

Por último, o Daily Thelegraph apresenta um Papa sorridente na capa e afirma que ele "parecia muito mais preocupado em reconduzir o diálogo entre a Igreja e a sociedade civil do que provocar conversões", ao mesmo tempo em que cita os "exageros laicistas".»

15 setembro 2010

orfãos de mãe viva

Público, 13 de Setembro,
por G. Portocarrero:


«"Eu e o David estamos à espera de gémeos. Esperamos que a imprensa respeite a nossa privacidade" - eis a declaração pública de Neil Patrick Harris, protagonista da série televisiva How I met your mother e, segundo as mesmas fontes, "corajoso" "homossexual assumido".

Tenho duas boas razões para me pronunciar sobre o caso: não só sou gémeo como, por ser trigémeo, fui com essas minhas duas irmãs notícia por esse motivo.

Mas, esclareça-se, não por inconfidência familiar, pois os nossos pais teriam preferido manter a novidade no recato da família e dos amigos. Hoje seríamos notícia por mais uma razão: para além do insólito triplo nascimento, sem o truque da fertilização artificial, acresce a proeza de sermos filhos de um pai e de uma mãe, e não de dois homens ou de duas mulheres.


É caricato, senão mesmo absurdo, o anúncio mediático de um acontecimento que se pretende privado: se o interessado não respeita a intimidade da sua vida, que não só "assume" como também exibe, com que direito exige reserva aos meios de comunicação social?!


Ao revelar o facto à imprensa, este deixa logicamente de ser do âmbito da sua privacidade, pelo que não faz sentido pedir que se respeite como particular uma notícia que já o não é, precisamente porque foi pelo próprio posta na praça pública. Só tem direito à discrição quem não faz alarde das suas circunstâncias pessoais e familiares.


Não deixa de ser curioso que o principal actor de How I met your mother espere, com outro homem, gémeos, porque, pelo menos na minha família, talvez excessivamente conservadora e tradicional, foram sempre as mães que ficaram à espera... Supõe-se que quem aguarda os filhos são os respectivos pais, biológicos ou adoptivos. Mas não duas pessoas do mesmo sexo, que não são evidentemente os progenitores, nem podem, por esse motivo, fazer as suas vezes.



Por isso, é logicamente defensável e eticamente exigível a proibição legal da adopção por dois indivíduos do mesmo sexo. Pode-se ser pai, sem mãe, ou mãe, sem pai, mas dois homens ou duas mulheres, mesmo sendo óptimas pessoas, nunca poderão ser pai e mãe de ninguém.

Quando muito dois "pais", ou duas "mães", mas não pai e mãe, que é o que se exige para o são desenvolvimento de um ser humano. Uma segunda "mãe" não substitui o pai, como um segundo "pai" não supre a ausência materna. Estes gémeos, não obstante os seus dois "pais", têm a desgraça de não serem, desculpe-se o termo, filhos da mãe.


A que título serão então acolhidos, por Neil e pelo seu amigo David, estes gémeos? Tudo leva a crer que mais não são do que um complemento da sua sui generis união, infecunda por natureza, de que não são a continuação natural, mas um artificial apêndice. Obtido, talvez, através de uma "proletária", ou seja, uma mulher anónima cuja maternidade fica reduzida à procriação da "prole", que depois enjeita em benefício de terceiros.


Neil Harris será muito valente ao "assumir" publicamente a sua tendência sexual, mas não o é quando se trata de arcar com uma consequência necessária a essa sua opção: a impossibilidade de geração. Pior: esquece que os "seus" gémeos não assumiram a infelicidade de serem órfãos de mãe viva, cuja identidade seguramente nunca conhecerão; que não escolheram o triste fado de nem sequer terem uma mãe adoptiva; que certamente nunca saberão qual dos seus dois "pais" foi o seu progenitor, pois, nesse caso, o outro "pai" deixaria de o ser; que provavelmente nunca poderão ter outros irmãos, filhos dos mesmos progenitores; e que nem sequer tiveram direito à privacidade porque, antes até de nascerem, houve quem fizesse questão de se gabar publicamente da proeza da aquisição dos irmãos em gestação.


É de crer que as duas crianças sejam esperadas com amor, mas foram condenadas à infelicidade de nunca experimentarem a ternura de um colo materno. E, nos bastidores deste drama, é provável que haja uma mulher explorada, uma mãe silenciada, comprada, usada e, por fim, descartada. Esperemos que a Neil Patrick Harris não lhe falte a coragem, quando tiver que explicar aos gémeos "How I met your mother".»

12 setembro 2010

Portugal x EUA: educação

No blogue Cachimbo de Magritte:

(...) «tanto no discurso político, como no discurso dos diversos agentes educativos, transparece nos EUA uma preocupação muito grande face ao baixo desempenho escolar dos alunos, o que faz com que actualmente, ao contrário do que acontece noutros sectores, haja um consenso considerável entre democratas e republicanos acerca dos caminhos a seguir para alterar o estado da educação. Por cá, não só ficamos com a sensação de que o baixo desempenho dos alunos é uma inevitabilidade, como continuamos a discutir à moda das tribos: escola pública de um lado e escola privada do outro – como se as famílias e os alunos estivessem preocupados com a propriedade e gestão das escolas, e não com a qualidade da educação!»

(...) «não obstante a escola pública ser dominante nos EUA, de há 20 anos para cá os americanos inovam e experimentam programas escolares alternativos, a maioria deles assentes na ideia de ampliação da escolha da escola por parte dos pais, mediante o financiamento público de escolas não públicas. É o caso, entre outros, das charter schools (escolas com contrato) e dos programas de vouchers (cheque escolar). A par desta vontade de inovar e melhorar o sistema, os EUA desenvolvem estudos rigorosos sobre os efeitos destes programas»

(...) «Nos EUA, melhor ou pior, vai havendo acesso aos dados estatísticos de educação, e os investigadores põem as mãos na massa para chegar a conclusões rigorosas e credíveis. Por cá, há ainda quem continue a ficar escandalizado com a publicação anual dos rankings escolares – esse pequeníssimo passo na transparência do sistema – e o Ministério teima em ficar com os dados estatísticos guardadinhos só para si (...) Lembro que ainda não passou um mês desde a demissão de Paulo Trigo Pereira do lugar de coordenador do Observatório das Politicas Locais de Educação, OPLE, motivada pela recusa do Ministério em facultar aos centros de investigação o acesso às bases de dados estatísticos» (...)

02 agosto 2010

O que ainda falta

(...) «Zita Seabra e Assunção Cristas, durante duas horas, discutiram soluções para o País e o cenário que traçaram foi tudo menos risonho. Desde a iminente e quase inevitável entrada em Portugal do FMI para resolver a crise económica, até à constatação de que o País está na bancarrota e a ser governado por um Executivo que assume atitudes "negacionistas", Zita Seabra e Assunção Cristas mostraram que estão muito preocupadas com o futuro de um País "falido", onde "ninguém quer ir para o poder".




"A maioria dos políticos estão a pensar: se o FMI vier, nós safamo-nos", diz Zita Seabra. "É o melhor que um Governo pode ter para se desculpar", acrescenta Assunção. Mas a ex-deputada do PSD lembra que a entrada do FMI para resolver a situação económica de Portugal "significa reformas mal feitas e feitas por pessoas que não conhecem o País. Vão doer a quem não devia".




A solução, diz, devia ser encontrada pelos próprios portugueses: "devíamos fazer as nossas reformas profundas de forma imediata, com conta peso e medida para não prejudicar mais quem já foi prejudicado, os desempregados e os mais pobres". E aqui a deputada do CDS aponta o dedo o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, lembrando que o grande aumento da despesa aconteceu recentemente "no sector Estado, dentro da própria casa do ministro das Finanças".» (...) ( No Diário Económico)

26 julho 2010

O estadão




(...) «Sócrates sempre foi defensor de uma forma particular de Estado: aquele que é utilizado para garantir o poder e que serve para colocar a mão visível no mundo económico e social.




Lamenta-se o equívoco: governar Portugal não é mandar em tudo. É confiar na sociedade, nas pessoas e nas empresas.




Para Sócrates o Estado é a mesa do banquete da Família Adams. É por isso que é trágico vê-lo como inocente defensor do Estado contra os delírios neo-liberais que o PSD deixou escorrer a conta-gotas. »(...) (Fernando Sobral, no Jornal de Negócios)

21 julho 2010

a poluição também entope as artérias

Para além dos engarrafamentos nas estradas, o trânsito também contribui para entupir as artérias do corpo, por causa da poluição que provoca.

Um estudo feito pelo Centro de Investigação em Epidemiologia Ambiental, de Barcelona, levou a Sociedad Española de Cardiologia e a Fundación Española del Corazón a advertir os cidadãos que o morar perto de uma estrada de grande circulação, leva a uma deterioração das artérias ao dobro da velocidade a que normalmente ocorreria.

Nas artérias carótidas (pescoço) das pessoas que foram observadas no estudo, a acumulação de gordura e o aumento de espessura foram maiores do que no grupo de controle (pessoas não expostas a poluição).

A advertência estende-se a todos os locais que tenham níveis de poluentes acima do recomendado pela OMS ( 25 a 30 mcg / m3).

vidas (pouco) gay

No JN:

(...) « Segundo fonte policial, o arguido terá mantido um relacionamento amoroso com o jovem que terá abandonado a ligação homossexual para iniciar um relacionamento heterossexual. Num contexto de desolação amorosa, Francisco Leitão terá assassinado a jovem e, pouco depois colocou termo à vida do antigo companheiro, por alegadamente, este ter descoberto o crime. Em Março deste ano, terá feito nova vítima, num cenário semelhante. O alegado homicida terá mantido um outro relacionamento homossexual, mas também desta vez o companheiro acabou por finalizar a relação para iniciar uma outra com uma mulher, motivando a vingança» (...)

Em Espanha são as próprias organizações militantes dos grupos pro-homossexualidade que denunciam que existe violência em "32,2% deste tipo de relações", e que é preciso "acabar com o mito de que não existem maus-tratos nas relações homossexuais" (notícia Publico.es e Sevilla.com)

19 julho 2010

Cuba

Representantes da hierarquia da Igreja Católica em Cuba visitaram o dissidente Guilherme Fariñas, empenhado desde Fevereiro numa greve de fome exigindo a libertação de uma dezena de presos que, segundo diz, se encontram "gravemente doentes".
(...)

«A Igreja cubana, comprometida na procura do bem comum, não estabelece um aliança com o governo - "a possibilidade de actuar na sociedade, de servir os homens e as mulheres que vivem no nosso país, não depende de um pacto social expresso ou tácito entre a Igreja e o Estado", assinalou o cardeal cubano -, mas faz um esforço profundo por diminuir as tensões e assume o papel de interlocutora eficiente.

(...)
A Igreja cubana, à qual o governo do presidente Raúl Castro pediu pela primeira vez mediação para apresentar uma oferta às Damas de Branco (esposas dos presos processados em Março de 1998, que aos Domingos costumam desfilar em grupo por uma vistos avenida da capital), aposta no diálogo. De facto foi esse um dos tópicos dominantes na X Semana Social Católica recentemente concluída, na qual académicos residentes no pais e outros emigrados, assim como leigos da várias dioceses cubanas, acordaram em que demograficamente, os grupo pró-diálogo na margem norte do estreito da Florida vão ganhando terreno. Cedem as raivas antigas.» (Álvaro Rojas, em aceprensa)