Jornal de Negócios

30 outubro 2010

«A tribo das causas urgentes»

Helena Matos, no Público:

(...) «A tribo das causas urgentes»

«Não sei se se deslocam em grupo, se se encontram ocasionalmente ou se os seus espíritos se unem de preferência entre o fim do Verão e o início do Outono. Mas confesso que estou a ficar cansada deles. Quem são eles? A tribo das causas urgentes.

Desde há vários anos que vivemos em constante estado de urgência, ouvindo de minuto a minuto que ou fazemos algo muito rapidamente e em força ou será o caos, a desgraça e o opróbrio. Que me recorde, nos últimos anos os profetas do apocalipse mobilizaram-nos para combater a ameaça da escassez dos alimentos, a gripe A e sobretudo as alterações climáticas.

Agora vivem no arrebatamento orçamental. De repente Portugal tem de ter um orçamento para mostrar ao estrangeiro, custe o que custar e independentemente do que lá estiver inscrito.

Mesmo que os mercados e o estrangeiro nos fizessem a gentileza de acreditar num orçamento que prevê crescimento para o próximo ano e em que as contas do deve e haver não batem certas, há o detalhe de o Orçamento ir ser pago por nós, cá dentro. Logo, discuti-lo é não só o nosso direito mas também o nosso dever, tanto mais que o Governo é minoritário.

E a não ser que se considere que agora os governos minoritários em situação de crise têm os orçamentos automaticamente aprovados não se vê nem como nem por quê se há-de temer ou abreviar essa discussão. Muito menos porque, como defendeu o ministro Silva Pereira, deve essa discussão decorrer à porta fechada. Os portugueses só são responsáveis para pagarem a dívida que os seus governantes geraram?

Sim, a discussão deve ser feita na praça pública porque é da publicidade dessa discussão que pode resultar um orçamento com impactos menos desastrosos no espaço privado dos cidadãos, das famílias e das empresas.

Depois de anos a desprezarem quem lhes falava de números e a responderem com prosa poética de 3.ª categoria aos avisos sobre o endividamento, os membros da tribo das causas urgentes descobriram que a nossa redenção está neste Orçamento. E só nos resta esperar que o transe lhes passe. Ou mais propriamente que a razão deste transe seja substituída por outra.

Porque uma das características desta espécie de tribo informal das causas urgentíssimas é que o extraordinário frenesi que se apodera deles no momento em que descobrem uma causa só tem paralelo na sua capacidade de esquecer essa causa quando a trocam por outra. Assim e apenas por isso não causa espanto que ninguém se tenha escandalizado com a extinção do Secretariado Técnico da Comissão das Alterações Climáticas. Recordo que ainda não há muito tempo as alterações climáticas nos eram apresentadas não só como uma grande questão mas como aquilo que devia ser a preocupação central de quem nos governava e de nós mesmos.

Recordo que chegou a equacionar-se a criação de uma espécie de ONU para o clima, para lá de coisas tão disparatadas quanto a criminalização do simples acto de negar as ditas alterações climáticas. Esse era o tempo em que a senhora Merkel viajava até umas paragens marítimas geladas e olhava para os icebergues que lhe diziam ameaçados pelo aquecimento global com a expressão compungida que agora reserva às contas de Portugal, Espanha e Grécia.

Entretanto, como é óbvio, o ambiente na Terra, com ou sem alterações climáticas provocadas pelo Homem, continua a colocar questões muito sérias. Mas isso agora não interessa nada. O que conta agora é ter um orçamento. O paradoxo é tal que as pessoas que durante anos foram tratadas como excêntricas ou quase paranóicas por procurarem chamar a atenção para a insustentabilidade das nossas contas se arriscam agora a passar por irresponsáveis quando defendem que este Orçamento deve ser discutido.

Tudo aquilo que nos está agora a acontecer era mais que previsto e anunciado há anos.

E desde 2009 que se tornou irreversível. Simplesmente não o quisemos ver. Até porque nessa fase a tribo das causas urgentes andava entretida com umas causas intercalares, como o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo que supostamente nos manteria entretidos por algum tempo, sobretudo se o Presidente da República tivesse vetado o diploma. Este aliás é um dos casos em que a tribo era mais numerosa do que aqueles que urgentemente pretendia libertar: até Setembro de 2010 realizaram-se, em Portugal, 131 casamentos entre pessoas do mesmo sexo. O que dá 262 homossexuais casados, número francamente muito inferior ao mobilizado pela tribo das causas urgentes quando se arrebatou com esta questão que garantiam de relevância cósmica.

Não sei qual será a próxima causa urgentíssima da tribo das causas urgentes. Mas tenho a certeza que em matéria orçamental muita coisa de que nos arrependeremos mais tarde será aprovada quase sem darmos por isso caso nos deixemos mais uma vez dominar pelo folclore da urgência.» (...) (Helena Matos)

28 outubro 2010

Debates interessantes


O colunista do Expresso, Henrique Raposo, intervém na mesa " Deus: questão para crentes e não-crentes", afirmando: "Eu não sou um crente. Porém não consigo considerar-me um ateu. No fundo sou um ex-ateu que não teve a coragem de se confrontar com a ideia de Deus"


Video aqui.

25 outubro 2010

Adivinhem quem disse?

(...) «Retirar o abono de família a pessoas que recebem 629 euros por mês é algo que demonstra uma política anti-social, anti-família e anti-natalidade» (...)

«como é que um Governo que tantas vezes enche a boca com o Estado social adopta medidas como esta, ou como outra que retira o 13º mês às pessoas mais pobres, que recebem abaixo do salário mínimo e que têm filhos em idade escolar» (...)

«Bastava o Governo dar um pouco menos às empresas públicas e já era possível dar um pouco mais a quem precisa, porque recebe muito pouco» (...)

se calhar não são favas contadas ...




(...) «existe um grande desconforto com a responsabilidade objectiva do actual Presidente da República, que tem levado ao colo o Governo até este beco sem saída em que o país se encontra» (...)

«Desde a promulgação da lei do casamento gay, até hoje, não se tem testemunhado mudança de posição daqueles que estão resolvidos a não votar na 1.ª volta das presidenciais em Cavaco Silva. Esse facto opera-se pois com ou sem candidatura alternativa no centro-direita.

É verdade que a ponderação da actual conjuntura de emergência pode fazer com que os resultados das
próximas eleições presidenciais não permitam medir exactamente o descontentamento, Eppure, si muove ("no entanto, move-se"), como terá dito Galileu, depois de levado a retractar-se em 1633 da sua posição de que a terra se movia em torno do sol...

Uma nota mais "leve": Portugal é, de facto, um país em que ainda está vigente a cultura "do respeitinho" evidente na reacção autoritária dos donosdo centro-direita (opinion makers e alguma, pouca, da camada dirigente dos partidos). Ou na cumplicidade dos sistemas de poder na comunicação social: em aproximadamente quatro meses, não há uma sondagem em que tenha sido perguntado qual o acolhimento a algumas das pessoas que foram indicadas como possíveis candidatos alternativos a Cavaco Silva... O que, reconheça-se, sendo preocupante, não é novo nem dramático» (...)

(António Pinheiro Torres, Público de 20 de Outubro de 2010, opinião; texto completo também aqui)

30 milhões de euros


O Estado pagou 30 milhões de euros pelos abortos efectuados desde a liberalização da lei.
Estudo aqui.




<- foto de mão de embrião humano com 12 semanas.

20 outubro 2010

depois do deputado do gravador, o deputado da cantina


«O deputado do PS Ricardo Gonçalves gostava de ter a cantina da AR aberta ao jantar. Isto porque 3700€/mês que aufere "não dão para tudo". Fiquei com um "aperto no coração" ao ler isto, diz Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

«Pensava que nada me podia surpreender na política, mas eis que um deputado me acorda para a triste realidade: Portugal. O absurdo é o limite. O horizonte da estupidez ganha novos desígnios e contornos todo o santo dia. Ao deputado Ricardo Rodrigues dos gravadores junta-se agora o deputado Ricardo Gonçalves das refeições.

Se o primeiro meteu gravadores no bolso. Este afirma que o que lhe põem no bolso não chega para tudo, mesmo que seja um valor a rondar os 3700€/ mês. Uma miséria. "Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer" Correio da Manhã (vou fazer uma pausa para ir buscar uns kleenex...)

O corte de 5% nos salários irá obrigá-lo, como "deputado da província", a apertar o cinto e consequentemente o estômago, levando-o a sugerir com ironia mas com seriedade (!?) a abertura da cantina da AR para poder jantar. Uma espécie de Sopa dos Pobres mas sem pobres e sem vergonha. Só com políticos, descaramento e sopa.

"Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá" Valerá a pena acrescentar alguma coisa? Não me parece. Só dizer que as almôndegas que comi ao jantar não se vão aguentar no estômago durante muito tempo depois de ter feito copy/paste desta declaração.

Mas continuando a dar voz ao Sr. Deputado: "Estamos todos a apertar o cinto, e os deputados são de longe os mais atingidos na carteira". Pois é, coitadinhos, andam todos a pão e água. Alguns são meninos para largar os bifes do Gambrinus.
Bem sabemos que os grandes sacrificados do novo pacote de austeridade do Governo vão ser os senhores deputados. Ninguém tinha dúvidas quanto a isto. E ajuda a explicar o "aperto de coração" que o Primeiro-Ministro sentiu ao ter de tomar estas "medidas duras". Sabia perfeitamente que ao fazê-lo estava a alterar os hábitos alimentares do Sr. Deputado Ricardo Gonçalves, o que é lamentável.

Que tal um regresso à província com o ordenado mínimo e um pacote senhas do Macdonalds? Ser deputado não é o serviço militar obrigatório. Pela parte que me toca de cidadão preocupado está dispensado. Não o quero ver passar necessidades.

Há quem sobreviva com pensões de valor equivalente a 4 dias de ajudas de custo do senhor deputado. Quem ganha o ordenado mínimo está habituado a privações, paciência. Agora com 3700€ por mês e 60€/dia de ajudas compreendo que seja mais difícil saber onde cortar. Podíamos começar por cortar na pouca-vergonha. Mas isso seria pedir demais.» Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

"a portagem mais cara e caótica do mundo"

O diário espanhol “El Mundo” diz que Portugal implementou “a portagem mais cara e caótica do mundo”.Viajar da Galiza para o Porto custa 77 euros, num total de 76 quilómetros.

“A forma de pagamento é tão complicada que a maioria dos condutores, por ignorância ou por desrespeito, não efectuaram o pagamento no primeiro dia de funcionamento”, acrescenta o jornal.

E no “Xornal de Galicia”, o novo sistema de portagens é considerado “um autêntico assalto”, "gravíssimo e escandaloso".

“O que aconteceu na sexta-feira nas (...) auto-estradas é algo que o senso comum rejeita em pleno século 21", acrescenta.

18 outubro 2010

antes era o capitalismo, agora é o "sistema"


(...) « não são muitos, são até muito poucos, mas tem um megafone cujo som se ouve mais do que devia pelo seu mérito. Essa megafone são os blogues e as caixas de comentários, que jornalistas e alguns políticos mais novos, tomam por “opinião pública”.

Não é, mas para quem desde a sua pre-adolescência vive de SMS, tweets, Facebook e blogues é difícl convencê-los de que há mundo lá fora. É certo que esse mundo é mais complicado, menos satisfatório do ego, mais hostil à nossa própria importância, demora mais tempo e implica mais conhecimento e estudo. Aqui não é preciso nada disso, um igualitarismo imbecil torna tudo igual e todos são grandes poetas e grandes analistas políticos, que só uma imensa conspiração do “sistema” impede o reconhecimento.

Até nisso é muito um mundo adolescente e, pior ainda, um mundo adolescente serôdio, em que muita gente que já tem idade para ter juízo fica eternamente na casa dos pais, ou seja na internet. Como no esquerdismo, o verbo basta e a encantação dos slogans substitui-se à realidade.

No passado, era tudo feito em folhas mal amanhadas, mas os esquerdistas também achavam que mudavam o mundo com elas e, se não mudavam, é porque uma sinistra conspiração dos “aparelhos de reprodução do poder de estado”, mantinha as massas alienadas. Hoje é o “sistema”, antes era a alienação.»

(...) «Neste contexto, o radicalismo manifesta-se com vigor na actual questão magna da política portuguesa – permite-se ou não a passagem do OE socialista. Também aqui o quadro da discussão que grassa em certos blogues e nas caixas de comentários é puramente esquerdista.

Antes era o capitalismo o inimigo, agora é o “sistema”, sendo que o “sistema” não é mais do que a democracia e o próprio capitalismo. Nada de novo. Contra o “sistema” só vale uma revolução pura e voluntariosa, que comece tudo a zero, certamente sobre os escombros do “mundo antigo”.

Onde é que eu já vi isto? Coloca-se o país em pantanas, mas não há problemas porque das chamas do incêndio da revolução nasce o “mundo novo”, ou uma qualquer variante da Fénix Renascida.» (...)
(JPP, no Abrupto)

o orçamento são meras juras de drogado

No DN de 18 de Outubro (por J. CÉSAR DAS NEVES):

«É patético Portugal viver obcecado por uma entidade abstracta e longínqua, os mercados internacionais. O busílis da política nacional é: se o Parlamento reprova o Orçamento, será que os credores se zangam? Os níveis asfixiantes da dívida põem-nos a adivinhar eflúvios da finança mundial, contemplando ânsias e caprichos dessa fluida personalidade planetária, que aliás supinamente desprezamos.
Ninguém domina os movimentos de milhões de credores. A teoria económica explica a razão lógica porque os mercados são imprevisíveis. Mas, por muitos defeitos que tenham, uma coisa é certa: não são estúpidos. As nossas medidas ambíguas, joguinhos de imagem, discursos comoventes e intrigas palacianas não os impressionam.


No passado dia 29 o senhor primeiro-ministro veio à televisão dizer compungido que o País precisava de forte austeridade. Desde então multiplica-se em justificações por todos os canais. Mas o Orçamento do Estado para 2010 foi aprovado apenas a 12 de Março. Bastaram seis meses para o Governo confirmar que perdeu o controlo da situação. A crise, álibi há dois anos, pouco tem a ver com isto. Não só tem sido menos grave do que se temia, como afecta todos os países e todos lidam com ela sem as nossas piruetas. Qualquer pessoa sensata sabia que o Orçamento de Março era supinamente desadequado. O que nenhuma pessoa séria podia era prever o grau de descontrolo destes meses.


A verdade é que José Sócrates, que há um ano afirmou "Está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu" (agência Lusa, 22.07.09), nunca compreendeu realmente a questão orçamental. Preocupa-se com ela, fala nela repetidamente, mas não entende a sua natureza. Por isso ela vem sempre assombrar-lhe a governação, apesar dos repetidos e apregoados sucessos do estadista.


A despesa pública não é uma montanha, que precise de terraplanagem a golpes de IVA. É um vulcão que explode tanto mais quanto mais impostos lhe atiram para cima. Não vale a pena cortar-lhe um pedaço, como este Orçamento de 2011 pretende, porque o mal não está no nível mas na tendência imparável. Este é o monstro que fez fugir Guterres e Barroso e que Sócrates jurou vencer em 2005. Para isso viu-se forçado a violar logo a solene promessa eleitoral de não aumentar impostos. Três anos depois cantou vitória, para o ver regressar no ano seguinte, maior que nunca. Já está na altura de perceber que as cócegas dos planos de austeridade só servem para o acirrar.


Porque todas as propostas apresentadas até hoje, quando não aumentam os impostos, engordando a besta, limitam-se a reduzir gastos sem mexer nas regras que os aceleram. Mesmo com forte descida pontual como esta, ao fim de algum tempo tudo volta ao mesmo. E mais uma vez, apesar das juras de só baixar a despesa, não se resistiu à obsessão de aumentar o IVA.


Não vale a pena continuar a perguntar, como se fez doentiamente estes dias, se as severas medidas anunciadas serão suficientes para resolver o problema. Elas simplesmente não se dirigem ao problema. São meros anestésicos e analgésicos de urgência, que tratam os sintomas enquanto o doente precisa de cirurgia e internamento prolongado. Apesar de estar lá há seis anos, o Governo vem sempre a correr às urgências.
O cancro a operar são os milhões em direitos, regalias, institutos, subsídios e salários, todos justificados, todos blindados na lei e que o País não pode pagar.

Mesmo aparados aqui e ali, ressurgem sempre. Os acontecimentos destes meses mostram como os recipientes estão atentos na sua defesa. No próprio dia do anúncio das medidas os polícias estavam na rua por uma questão de promoções. Têm toda a razão. Não há é dinheiro.


O problema é político. Será que quem lidar mesmo com a situação se aguenta no poder? Não é por acaso que, dos países em dificuldades, Portugal foi o último a reagir. Os mercados percebem isto perfeitamente. O Orçamento de 2011 não é a prova que o Governo lida com a situação. São meras juras de drogado, que os credores, que não são parvos, conhecem à distância.»

13 outubro 2010

deriva

(...) «“Estamos a viver há muito tempo, há tempo demais – 8, 10, 15 anos - um período de pura deriva, em que os impostos aumentam ou diminuem, as penalizações aumentam ou diminuem, não de acordo com objectivos, ideias ou projectos, mas de acordo com as necessidades do dia”, afirmou Barreto, citando como exemplo as medidas tomadas em Maio, que agora foram agravadas no Orçamento para o próximo ano.

“Com esta maneira de atacar a política fiscal não se consegue nem fazer justiça nem delinear instrumentos que permitem prosseguir uma política, porque vai buscar os impostos que precisa por causa do défice”» (...)

(António Barreto, entrevista à Antena 1, citada no Jornal de Negócios)

06 outubro 2010

"Crescimento: Fazendo Acontecer"

"Crescimento: Fazendo Acontecer".

Conselhos para gestores na Revista do IESE
(...)

«Está cansado de ouvir as mesmas histórias gastas cerca de Steve Jobs e do iPod, ou as crianças no Google?
Não é um guru high-tech, nem trabalha para uma organização notoriamente favorável à inovação?

É um gerente comum numa empresa comum, executando a sua parte do negócio e lutando para encontrar ideias e recursos? Onde estão então as histórias para o ajudar?

É assim que começa o professor Darden Jeanne Liedtka no seu artigo repleto de histórias de gestores normais que alcançaram um crescimento extraordinário tornando-se "catalisadores" - pessoas que aprendem a navegar dentro das organizações, provocando como que reacções químicas que geram resultados significativos e crescimento sustentável .

Muitos gestores estão programados para pensar de forma corporativa, para procurar segurança e precisão, e dependem de dados para prever e planear.

Esta abordagem é mortal quando se trata do mundo imprevisível do crescimento, diz Liedtka. O que se deve recomendar é fazer algumas apostas rápidas, pequenas, obtendo feedback rápido do mercado.

Isto requer uma nova forma de pensar, um ponto sublinhado pelos professores do IESE, Julia Prats e Sosna Marc, no seu artigo sobre como os líderes se devem adaptar constantemente no passeio esburacado do crescimento.

A capacidade de mudança do modelo de crescimento para o modelo de crise, e vice-versa, requer um forte conjunto de competências pessoais, escrevem eles.

Há 4 áreas chave:

1. Quando as pessoas se lhe opõem, a tendência natural é lutar contra. Não faça isso. Escute-os. As soluções que procura podem vir dos seus opositores.

2. Não queira ser herói. Os líderes de crescimento bem sucedidos não se consideram todo-poderosos, mas sim como elementos que tentam estimular reacções positivas, utilizando as variáveis já existentes.

3. Coloque toda a gente no mesmo fuso horário: um CEO contou-nos que almoçou diariamente com a sua equipa de gestão, em vez de ler os seus relatórios. Só assim reparou que o diretor de produção estava preocupado e que o diretor de marketing estava a lutar sozinho.

Em vez de longas e cansativas reuniões, faça grupos de trabalho numa sala de reuniões, sem cadeiras em que cada um possa expor todos os seus problemas a céu aberto, e receber feedback, numa questão de minutos.

4. Mantenha-se dentro da estrada, isto é, mantenha uma visão equilibrada das coisas, senão estará simplesmente a saltar de uma crise para outra. Como? Ter uma vida fora da empresa ajuda, assim como ouvir conselheiros confiáveis. Muitas vezes os CEO's vivem rodeados não por pessoas, mas por bolhas. É responsabilidade do CEO criar a cultura e o espaço em que as pessoas se sentem com poder suficiente para lhe dizer quando está a fazer uma coisa errada.

(...) e ainda:

Os incentivos têm que ser criados, tal como na Índia, onde os salários e as condições de trabalho são muito superiores à média.
Deixar de lado os seus indivíduos mais talentosos e criativos não é a melhor base para promover o crescimento.» (...)

24 setembro 2010

questões de sempre


Bento XVI no Reino Unido:

(...) «há algumas bases éticas da sociedade civil e política que simplesmente não podem ser mudadas por quem exerce o poder, inclusive se o poder é democrático?



A resposta de Bento XVI é, obviamente, sim, porque “se os princípios morais que sustentam o processo democrático não forem determinados por algo mais sólido que o consenso social, a fragilidade do processo [democrático] se faz muito evidente”.
Aqui, sem dúvida, o Santo Padre pensa, entre outras coisas, nas leis antivida aprovadas pelo Parlamento britânico e outras democracias de recentes décadas, ao sabor do “consenso social”, mas contrárias ao bem verdadeiro da sociedade.
Bento XVI não mencionou diretamente o aborto, a eutanásia e a pesquisa com embriões, mas deu outro exemplo do sacrifício dos fundamentos morais da sociedade. Referindo-se à atual crise financeira global, recordou aos parlamentares que isso demonstra à sociedade o que ela pode esperar quando os fundamentos éticos são sacrificados pelo interesse privado e o pragmatismo.
Afirmou que “há um amplo consenso de que a falta de um sólido fundamento ético na atividade econômica contribuiu para as graves dificuldades [econômicas] em que hoje vivem milhões de pessoas em todo o mundo”.
Insistindo neste ponto, recordou aos parlamentares “uma das conquistas especialmente notáveis do Parlamento britânico”, a abolição do comércio de escravos. O Santo Padre indicou que a campanha que esta legislação conduziu foi um marco. Construiu-se “não sobre o terreno cambiante da opinião pública” (de fato, a população se mantinha como muito ambivalente), mas “sobre princípios éticos firmes, enraizados na lei natural” e, se poderia dizer, liderados por cristãos dedicados a isso, tais como William Wilberforce.
Após essa afirmação, Bento XVI tratou sobre a réplica óbvia: “onde se pode encontrar o fundamento ético das decisões políticas? Respondeu assinalando que “as normas objetivas que governam a ação correta são acessíveis à razão, prescindindo do conteúdo da revelação”. Contra as afirmações do relativismo, a razão humana pode conhecer o que é verdade e o que é correto» (...)

22 setembro 2010

"Pope Benedict... an apology" (The Independent)

«LONDRES, terça-feira, 21 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - A revista satírica britânica Private Eye costuma publicar hipotéticas cartas de desculpas da imprensa quando a opinião que transmite sobre uma pessoa é desmentida pela realidade.

"Isso poderia ser aplicado à visita de Estado do Papa Bento XVI", afirma Dominic Lawson, editorialista de The Independent, em sua coluna de hoje, "Pope Benedict... an apology".

"O Papa. Uma desculpa. Queremos pedir desculpas por descrever Sua Santidade como o líder tirânico com botas militares de uma instituição corrupta empenhada no estupro de crianças e no extermínio de todo o continente africano. Agora aceitamos que é um homem idoso e doce, que fica feliz da vida quando beija os bebês e que este país tem muito a aprender da sua humanidade e preocupação pelos mais fracos da sociedade."

Com ironia, Lawson constata a mudança generalizada de tom da imprensa inglesa após a visita do Papa. O próprio Independent, constata, publicou comentários editoriais que "seriam impensáveis há uma semana".

"Quando alguém é qualificado como um monstro (ou ‘um velho vilão lascivo de batina', como disse Richard Dawkins) e surge como uma modesta figura acadêmica visivelmente incômoda com a grandiloquência política de uma visita de Estado, os opinadores percebem que seus leitores prefeririam um tom mais amável", afirma Lawson.

"Suspeito que é precisamente o caráter apolítico do Papa Bento XVI que lhe dá certo atrativo popular, inclusive àqueles que não são membros da Igreja Católica e que sem dúvida se sentem obrigados a seguir seus inamovíveis pronunciamentos doutrinais."

O colunista que foi diretor do Spectator conclui: "A humildade talvez seja a mais difícil das virtudes; os mais presuntuosos críticos laicistas do Papa poderiam aprender do seu exemplo".

Este não foi o único comentário. No "dia depois" da visita, segundo constata um informe de Catholic Voices, é evidente a moderação da imprensa inglesa de todos os âmbitos de opinião, assim como o unânime reconhecimento do êxito da visita, contra quase todos os prognósticos.

Repassando um a um os 5 principais cabeçalhos ingleses, em sua edição de segunda-feira, 20 de setembro, o informe mostra como foi a cobertura da beatificação do cardeal Newman no Cofton Park.

Os da esquerda

Assim, The Guardian, representante da esquerda liberal, dedica duas página a uma reportagem sobre a beatificação, assinada pelo seu correspondente religioso, Stephen Bates.

Outra correspondente, Riazat Butt, afirma que "o êxito real desta viagem histórica não foi Bento XVI, mas seu rebanho, que desafiou as expectativas e a publicidade negativa para dar as boas-vindas ao Papa".

Na seção de comentários do jornal, um dirigente recorda aos leitores por que The Guardian apoiou a visita, "apesar do conservadorismo intransigente e às vezes cruel de Bento XVI", pois "se tratava de um assunto diplomático sério".

O editorial não acredita que o Papa tenha superado "a divisão religioso-leiga", mas tem algumas palavras críticas contra os manifestantes, que "talvez não vejam nenhuma conexão entre eles e as turbas antipapistas do passado, mas há um fracasso em dar à fé o respeito sincero que lhe é devido".

Na seção do defensor do leitor, destaca-se a crítica de muitos leitores com relação ao que consideram a "hostilidade instintiva da religião" por parte do jornal, ainda que o ombudsman alegue a extensa cobertura dada pelo The Guardian à visita.

Talvez a mudança mais sintomática tenha sido, como foi comentado no início desta notícia, o caso do The Independent, jornal que, durante o período anterior à visita, tornou-se porta-voz do setor laicista mais agressivo.

Em seu editorial de ontem, "Benedict spoke to Britain", o jornal admitiu que a visita "foi melhor, inclusive muito melhor do que se poderia esperar", graças sobretudo "ao que o Papa disse e como disse", mostrando "que tem um lado mais cálido, mais humano e menos rígido do que parece de longe".

"E com relação às suas alusões a quão arriscado é para a tolerância desterrar a religião às margens, talvez ele tenha deixado uma Grã-Bretanha com a mente um pouco mais aberta que quando a encontrou", conclui o editorial de forma surpreendente.

Conservadores

Por sua parte, o Daily Mail, conservador, publicou um comentário assinado por Stephen Glover, no qual afirma que a visita "foi muito além" de um êxito que a própria hierarquia católica não esperava: "O Papa falou à alma do nosso país, afirmando as verdades morais eternas que nossos próprios líderes políticos e religiosos preferem evitar".

Um dos êxitos surpreendentes destacado por Glover foi o "rosto jovem" da Igreja Católica britânica; o editorial do jornal também critica os ateus radicais, contrários à visita: "Não têm nada a oferecer como caminho de esperança para os jovens nem para ninguém".

The Times não dedica um editorial, mas publica uma reportagem de Richard Owen, seu correspondente em Roma, que se surpreende com a ênfase do Papa no "pluralismo sadio" e nas "diversas tradições religiosas" da sociedade britânica, assegurando que "este não é o homem que foi eleito papa há 5 anos".

Por último, o Daily Thelegraph apresenta um Papa sorridente na capa e afirma que ele "parecia muito mais preocupado em reconduzir o diálogo entre a Igreja e a sociedade civil do que provocar conversões", ao mesmo tempo em que cita os "exageros laicistas".»