21 março 2011
O armário
(...) «Louçã e companhia, na sua falta de gratidão e respeito pelo passado, gostariam de esconder os antigos combatentes, fechá-los num armário para que eles não apareçam, porque são a memória de um tempo iníquo. E dizem-se eles democratas e liberais. Não vejo onde.» (Pedro Lomba, no Público, de 17 de Março)
18 março 2011
«Sair do socialismo com dor»

No Jornal de Negócios, Fernando Braga de Matos:
«este socialismo de ventre mole que não compete com o capitalismo de Estado da China, nem com a social democracia de mercados altamente competitivos, nem com o liberalismo americano»
(...) «Sabemos agora, de maneira extremamente penosa mas definitiva, que este modelo esclerótico não funciona e que já caminhava para a ruptura há 15 anos, como demonstrava o famoso gráfico de Medina Carreira, exibido vezes sem conta pelo ecrã de TV para todos verem o despudor: economia catatónica + despesa em crescimento anual de vários pontos percentuais = falência.
Para sair dolorosamente da nossa cruz, ouço falar de novos paradigmas salvadores, mas como já estão todos vistos ao longo da História do mundo, muito em particular nos últimos 200 anos, deve tratar-se de alguma religião nova, tipo Cientologia, trazida do espaço sideral por seres verdes, mas não necessariamente ecologistas.
Para mim, cidadão monótono e pouco dado à fantasia, basta-me a evidência empírica para assegurar que resulta o que resultou, falha o que falhou, arranja-se o que é susceptível de arranjo, e o resto são fantasias.
Querem saber quais são os nove países mais avançados do mundo, no Índice do Instituto Legatum (citado por Fareed Zacaria, na Time), o qual considera a riqueza material e a qualidade de vida? Noruega, Dinamarca, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Canadá, Holanda e Suíça , por esta ordem (1).
Em todos eles há mercados fortemente competitivos, intervenção mínima do Estado na economia, cheques-ensino, estímulo a sistemas mistos de saúde, sistemas de Segurança Social com base também na capitalização, a chamada flexisegurança, horrores a que aqui chamam neoliberalismo. (...)
(1) Os EUA são o 10º.
«Só as ditaduras se justificam pelo "conteúdo"» ...
«O eng. Sócrates comprometeu Portugal em Bruxelas com o PEC IV, sem comunicar coisa alguma ao Parlamento, ao Presidente da República, aos partidos da oposição e aos parceiros sociais.
Quando umas tantas pessoas protestaram, o eng. Sócrates respondeu, indignadamente, que o que lhe importava não era a "forma", era o "conteúdo" do que fizera.Só em Portugal esta explicação poderia ter passado sem um escândalo maior, ou mesmo sem a demissão imediata do primeiro-ministro. (...) A democracia é "forma". Só as ditaduras se justificam pelo "conteúdo".» (...) Vasco Pulido Valente, no Público.
17 março 2011
"Portugal é o país da europa onde os homens se reformam mais tarde"
«Portugal é o país da Europa onde os homens se reformam mais tarde, aos 67 anos e dois anos depois da idade legal de reforma, segundo o relatório da OCDE 'Pensions at a Glance', hoje divulgado.Para este cálculo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) utilizou a idade média de reforma efectiva entre 2004 e 2009 dos 30 países que integram a organização.» (...) No Sol.
14 março 2011
O "pagador-utilizador"

É uma questão em aberto: quem deve pagar os serviços públicos, quando (quanto?) e porquê ...
Aqui, uma perspectiva.
12 março 2011
os 33
O jornalista (Jonathan Franklin) que esteve com os mineiros soterrados no Chile (no i), a propósito do seu relato no livro "Os 33" :
(...) «Eu sou muito optimista e acredito mesmo no altruísmo. Acredito que as pessoas fazem coisas boas não porque são pagas para isso, mas porque é a coisa certa para fazer. A maioria das pessoas faz coisas pelas razões certas e para mim, isto confirmou muitos dos sentimentos que eu tenho perante a vida no geral e perante a minha vida de jornalista.
No Camp Hope [nome de baptismo para a zona da mina] não havia jornalistas neutros. Se o cabo se tivesse partido e aqueles dois mil jornalistas tivessem que ajudar, eles teriam agarrado no cabo e puxado os mineiros até à superfície. Para mim isto foi o anti-11 de Setembro. Como jornalistas, focamo-nos sempre nas guerras e nos tornados e as coisas más mas em todas as partes do mundo há voluntários, há gente que vai a escolas ensinar crianças ou a hospitais.
Acho que há muito mais altruísmo no mundo do que as pessoas pensam e acho que isto foi um breve momento em que foi possível ver que as pessoas têm coisas boas dentro de si. As pessoas esquecem-se disso. Pega-se no jornal e lê-se sobre as reservas de petróleo que o Kadhafi bombardeou, mas também há pessoas que estão com certeza a trabalhar como voluntárias num hospital de Trípoli.
Para mim, isto confirmou que há muito mais boa vontade no mundo e que a imprensa não está a fazer um bom trabalho a ensinar isso.» (...)
09 março 2011
Para ler
JPP, no Abrupto, irritante como de costume, mas realista:
(...) «As condicionantes que hoje existem para Sócrates serão as mesmas que terá Passos Coelho na governação, as mesmas ou piores. Basta pensar um pouco, exercício que não faz muita gente no PSD que acha que as portas dos ministérios estão escancaradas à sua frente a cada sondagem favorável e que não percebe por que é que não se entra já por aí dentro para ocupar os gabinetes e os carros do Estado e acrescentar um título pomposo aos cartões-de-visita novos em folha para distribuir na terra.
Pensando-se, chega-se à conclusão de puro bom senso que, mesmo que haja algum estado de graça num novo Governo e alguma distensão sem Sócrates, e, na possibilidade de haver uma maioria absoluta de dois partidos, um passo muito positivo para a governação, tudo o resto que condiciona a governação hoje continuará na mesma.
Em particular continua na mesma a necessidade de fortes programas de austeridade, com as consequentes efeitos de agitação e perturbação social, potenciados por uma esquerda ainda mais enraivecida e um PS ressabiado pela queda. Ou será que alguém pensa, no PSD, que se vai mentir nas eleições, prometendo qualquer "esperança" virtual no fim próximo do túnel? Pelo contrário, a única linguagem séria é falar verdade aos portugueses, essa palavrinha que tanto irritava Sócrates e os seus aliados no PSD contra Ferreira Leite.
A única alteração qualitativa neste cenário seria um acordo consistente, duradouro, firmemente ancorado no voto popular e parlamentar, que comprometesse PSD, PS e CDS, algo hoje muito improvável, mesmo na situação desesperada actual.
A única alteração qualitativa neste cenário seria um acordo consistente, duradouro, firmemente ancorado no voto popular e parlamentar, que comprometesse PSD, PS e CDS, algo hoje muito improvável, mesmo na situação desesperada actual.
Por isso, este vosso autor que sempre se opôs a qualquer variante de "bloco central" (e que obviamente entende que não é isso que está a propor), tem poucas dúvidas de que, sem um entendimento desta natureza de boa-fé e sólido que compreenda questões constitucionais, de governação, de reorganização administrativa do país, de mudanças profundas na justiça, na legislação do trabalho, na fiscalidade e nos impostos, ou seja, em quase tudo o que pode ser bloqueado ou pelo PS ou pelo PSD na oposição, não vamos lá. Nem nós, nem eles, nem todos. Xeque-mate em meia dúzia de jogadas, ou alguém atira os tabuleiros ao chão e a parte democrática do jogo soçobrará na demagogia e depois na anarquia. Já estivemos mais longe»
Nem tudo vale no Carnaval
(...) »Na 2ª feira, confrontado com a entrada de um grupo de jovens da "geração à rasca" na sala onde decorria um encontro com militantes do PS, José Sócrates, surpreendido, ainda conseguiu dizer: "É Carnaval, ninguém leva a mal".
(...) revelam miopia face a problemas graves da sociedade. No caso da "geração à rasca", a tentação da classe política (não apenas o PS) tem sido para desvalorizar os protestos.
Com excepção do BE, que percebeu a oportunidade mas não tem sabido surfar a onda.Voltemos à "geração à rasca". A tentação é não ligar a uma força difusa, cuja "cola" que a une é a contestação aos políticos que construíram uma sociedade onde eles não têm emprego e onde vão viver pior que as gerações anteriores. O alheamento da classe política é preocupante. Porque aos poucos começa a notar-se um crescendo, acelerado pela canção dos "Deolinda".
E embora estejamos num país onde os jovens mais radicais são meninos de côro quando comparados com os seus congéneres franceses, gregos e até espanhóis, um dia a corda parte. Com estrondo. Porque o problema é tão grave que não há "quick fixes" que o resolvam.»
(...) revelam miopia face a problemas graves da sociedade. No caso da "geração à rasca", a tentação da classe política (não apenas o PS) tem sido para desvalorizar os protestos.
Com excepção do BE, que percebeu a oportunidade mas não tem sabido surfar a onda.Voltemos à "geração à rasca". A tentação é não ligar a uma força difusa, cuja "cola" que a une é a contestação aos políticos que construíram uma sociedade onde eles não têm emprego e onde vão viver pior que as gerações anteriores. O alheamento da classe política é preocupante. Porque aos poucos começa a notar-se um crescendo, acelerado pela canção dos "Deolinda".
E embora estejamos num país onde os jovens mais radicais são meninos de côro quando comparados com os seus congéneres franceses, gregos e até espanhóis, um dia a corda parte. Com estrondo. Porque o problema é tão grave que não há "quick fixes" que o resolvam.»
08 março 2011
Tratar diferente, o que é diferente
O Tribunal Constitucional francês e o Supremo Tribunal acabam de recusar a transformação de uma união civil (PACS) entre duas pessoas do mesmo sexo, num casamento, como tinha sido solicitado por considerar que "o princípio da igualdade não se opõe a que o legislador regule, de forma diferente, situações que são diferentes".
Já havia um precedente para este tipo de decisão quando o Supremo francês, em 2007, cancelou um casamento civil autorizado pelo Presidente da Câmara de Bègles, porque "segundo a lei francesa, casamento é a união entre um homem e uma mulher".
Já havia um precedente para este tipo de decisão quando o Supremo francês, em 2007, cancelou um casamento civil autorizado pelo Presidente da Câmara de Bègles, porque "segundo a lei francesa, casamento é a união entre um homem e uma mulher".
O Tribunal considera que o direito destes pares a ter "uma vida familiar normal" não implica que possam contrair casamento entre si, sublinhando que manTêm toda a liberdade de viver em união livre ou em fazer um contrato civil de união (PACS).
"ao manter o princípio de que o casamento é a união entre um homem e uma mulher, o legislador, no exercício da sua competência, estimou que a distinta situação entre os pares do mesmo sexo e os casais compostos por homem e mulhera podem justificar uma diferença no tratamento dentro do Direito da Família."
Os grupos de militância pro-gay falam em discriminação, mas de facto, o que o Tribunal afirma é que não existe discriminação por se tratar de situações diferentes.
Comemos o que nos dão
JPP, no Abrupto:
«Os jornais de hoje são um completo espectáculo da submissão acrítica às modas. Manifestam-se por um lado, como um excelente amplificador da moda que está; e por outro, como um considerável obstáculo a que se pense para além da moda que está. Seguem sem hesitar todos os slogans, rodriguinhos, lugares comuns, "mensagens" que lhes aparecem em frente e, como nunca reflectem sobre o que estão a fazer, continuam na mesma até ao absurdo. Exemplos: a revolta árabe, o "deolindismo" militante, etc., etc.
Depois, muda a moda e tudo fica esquecido. Exemplos: a história do urânio empobrecido. Já ninguém se lembra...»
07 março 2011
Como previsto ...
«As crises têm afectado mais as mulheres e esta não é diferente. O aumento da precariedade laboral feminina está a verificar-se mais entre as contratadas a termo, sobretudo grávidas, puérperas ou lactantes, alerta a presidente da CITE.
As mulheres têm actualmente «uma taxa de desemprego superior» e «têm aumentado exponencialmente os casos de trabalhadoras que não veem os seus contratos renovados», sobretudo grávidas, puérperas e lactantes, denuncia Sandra Ribeiro, há um ano à frente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), organismo sob a tutela do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. » (...)
As mulheres têm actualmente «uma taxa de desemprego superior» e «têm aumentado exponencialmente os casos de trabalhadoras que não veem os seus contratos renovados», sobretudo grávidas, puérperas e lactantes, denuncia Sandra Ribeiro, há um ano à frente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), organismo sob a tutela do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. » (...)
Isto não é novo, como não é nova a passividade dos que criaram esta nova forma de exploração da mulher.
02 março 2011
27 fevereiro 2011
Rebeldias pouco rebeldes
JPP, no Abrupto:
(...) «Não há nenhum atavismo que impeça os países árabes muçulmanos de serem democracias plenas, mas existem enormes dificuldades de ordem social, cultural e religiosa que não podem ser ignoradas pelo bem-avontadismo multicultural ocidental, que é o pano de fundo de muitas das maiores asneiras desta narrativa comunicacional.
Uma delas, e talvez a maior de todas, é a da condição feminina. Pode parecer estranho que comece por aqui, mas a história mostra que em todas as genuínas tentativas de modernização quer autocráticas (como a do Xá do Irão) ou a de Atatürk, ou protodemocráticas, vindas de movimentos de opinião laicos, nacionalistas ou influenciados por eventos internacionais (por exemplo, a influência considerável da Revolução Francesa no império otomano e no Egipto), a condição da mulher foi o ponto limite, que barrou qualquer desenvolvimento e motivou o retrocesso de movimentos reformistas. A situação da mulher como património dos homens, tanto do pai, dos irmãos, como do marido, e a sua real submissão a um mundo masculino, torna impossível uma democracia, porque, mesmo que muitas feministas o esqueçam em nome da multiculturalidade, não há democracia sem igualdade entre homens e mulheres.» (...)
Uma delas, e talvez a maior de todas, é a da condição feminina. Pode parecer estranho que comece por aqui, mas a história mostra que em todas as genuínas tentativas de modernização quer autocráticas (como a do Xá do Irão) ou a de Atatürk, ou protodemocráticas, vindas de movimentos de opinião laicos, nacionalistas ou influenciados por eventos internacionais (por exemplo, a influência considerável da Revolução Francesa no império otomano e no Egipto), a condição da mulher foi o ponto limite, que barrou qualquer desenvolvimento e motivou o retrocesso de movimentos reformistas. A situação da mulher como património dos homens, tanto do pai, dos irmãos, como do marido, e a sua real submissão a um mundo masculino, torna impossível uma democracia, porque, mesmo que muitas feministas o esqueçam em nome da multiculturalidade, não há democracia sem igualdade entre homens e mulheres.» (...)
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