Jornal de Negócios

19 janeiro 2012

tropeçando nos próprios pés

(...) «Os pais temem que os filhos venham a ficar em casa sozinhos, caso seja aplicado o novo regime que elimina o sábado como dia de descanso, por falta de estruturas capazes de acolher as crianças.»


«O que vai acontecer é que muitos filhos vão ficar sozinhos em casa, porque o mercado vai tentar dar resposta às mudanças, mas neste momento o país não está preparado, não tem estruturas para deixar os alunos», alertou Rui Martins, secretário da CNIPE.

O representante da CNIPE lembrou à Lusa que esta mudança implica ter os estabelecimentos a funcionar ao fim-de-semana, mas também ter transportes para as crianças: «Há muito tempo que deixou de haver escola ao sábado e, depois, também não há transportes. É preciso não esquecer que há muitas escolas que são distantes de casa dos alunos, que estão a muitos quilómetros de distância», lembrou Rui Martins.» (No Sol, 19 de Janeiro)

(maus) negócios

(...) «As Barrigas de Aluguer não são um bom negócio para as pessoas envolvidas. Parece, mas não. 

Queres ser durante nove meses apenas uma barriga? Poder, podes, mas estou a pedir-te o que ninguém merece. Estamos fartos de saber que o dinheiro não paga tudo e que brincar com os sentimentos, as fragilidades humanas, não abona em favor do humano. Ousa saber, sim! Agora, ousa fazer, nem sempre.

 Mesmo que eu deseje muito uma coisa, é preciso atender a todos os interesses envolvidos, e, principalmente, chamar as coisas pelos nomes, e tratar as pessoas como pessoas. Por muito que se insista em "pedir" uma barriga, por muito que se insista em "dar" a barriga, temos assistido ao filme, e à Medicina que assim se comporta. E também às leis que tudo enquadram. Não é famoso. 

Como gosta de repetir uma amiga minha: é um quadro de miséria. Mortal, mesmo. Sim, mesmo que eu seja a generosa amiga que empresta a barriga (e outros "cenários" reais poderia aqui referir), é caso para cantar a música pimba: "E quem é, quem é, e quem é, quem é, a avó da criança?" 

Mais, o bebé já crescidinho, transportando em si "carne" que é também de terceira (os médicos explicam melhor esta parte das interacções e transformações biológicas nos nove meses), estremecerá sempre ao ouvir Caetano Veloso perguntar: "Onde está você agora?". E não será seguramente o único a ter gravada essa pergunta, que é uma ferida no coração.» (Fátima Pinheiro, Público, 19 de Janeiro)

16 janeiro 2012

gente confusa

(...) «Quem diz acreditar na ressurreição de Jesus Cristo como filho de Deus não pode ser maçon, visto que a maçonaria nega nos seus pressupostos e sempre no seu pensamento e na sua acção, o Deus que se revela pessoalmente: o Deus humanado que vem servir e não ser servido, que padeceu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia e que fundou a Igreja una, santa, católica e apostólica.
Grande confusão de Sá Fernandes, portanto, a induzir confusão.
Ou se é maçon, o que é uma pena, ou se é católico.»

13 janeiro 2012

coerencia


(...) «Um católico, consciente da sua fé e que celebra a Eucaristia não pode ser maçon. E se o for convictamente, não pode celebrar a Eucaristia. E a incompatibilidade reside nas visões inconciliáveis do sentido do homem e da história.» (...)
(Nota Pastoral do Cardeal Patriarca de Lisboa)

10 janeiro 2012

Receitas para o crescimento

«Não é possível melhorarmos enquanto país se não melhorarmos enquanto pessoas. E este elemento de mudança não está ao alcance de nenhum governo.

Um país para ser verdadeiramente livre e próspero terá de fomentar a autocrítica e o pensamento, defender uma consciência moral, assumir que existe um bem-comum e que todos nós somos responsáveis pela sua conquista.» (...)

(...) «aqueles que ontem foram as vítimas, se tiverem oportunidade, convertem-se amanhã em carrascos. Impera o principio justificativo “ todos fazem assim...”. E quando alguém deixa de acreditar nos princípios é porque deixou de os ter. A corrupção não se combate apenas com leis gerais, numa planificação em grande escala. 
A corrupção só se combate eficazmente quando o indivíduo reconhece que o mal está dentro de si próprio. Mas como será possível alcançar este objectivo se apenas se promove o auto-endeusamento?» (...)

Pedro Afonso, Psiquiatra

09 janeiro 2012

África: celeiro do mundo?

«Países que exportam capital mas importam alimentos estão a transferir a sua produção agrícola para países com necessidade de capital ou com terra de sobra.»


(...) «Michael Ochieng Odhiambo, [é o] autor do relatório "Pressões comerciais sobre terras em África", que realizou a pedido da Coligação internacional para o Acesso à Terra. Odiambo é também advogado ambientalista e diretor executivo de um instituto para resolução de conflitos sobre recursos sediado no Quénia, e acrescenta que tal fenómeno equivale a uma expropriação, precisamente porque nem a população nem os costumes locais são levados em conta.

Um belo dia chegam tratores que lhes começam a lavrar a terra e quando perguntam às autoridades locais o que se passa respondem-lhes que ninguém sabe; foi tudo secretamente acordado com alguns funcionários governamentais corruptos, sem que nenhum habitante local tivesse sido consultado.»

Desenvolvimento ou apropriação?

«As empresas estrangeiras e as multinacionais que investem em terrenos em África refutam tais acusações e asseveram que estão a fornecer novas sementes, nova tecnologia e novas alfaias agrícolas, para além de proporcionarem dinheiro. A companhia britânica New Forest Company, que a Oxfam acusa de ter expulsado das suas terras 20.000 pessoas no Oeste do Uganda, afirma ter um historial impecável de investimentos sociais e de desenvolvimento, tendo também criado 2.000 postos de trabalho em zonas remotas do país, tornando maior o acesso a atendimento médico, à educação e a água depurada.

Os seus opositores afirmam que argumentos como o da criação de emprego e o fomento do desenvolvimento económico não são senão "patranhas" do governo, e que tais companhias são "roubos" neocoloniais, que apenas enriquecem as elites locais.

A resposta de Odhiambo é que ninguém nega que o modo como essas extensões de terra são usadas possa melhorar, e que tais intervenções nada têm de mau. A queixa consiste no modo como tem decorrido o processo. São normalmente ignorados por completo os direitos das comunidades locais, cujo sustento se baseia nesses terrenos. Em alguns casos, empresas chinesas, por exemplo, trazem os seus próprios trabalhadores e desalojam os habitantes das suas terras ancestrais ou comunitárias. Os governos corruptos e a falta de leis e normas adequadas agravam a injustiça.

Lorenzo Cotula, do Instituto Internacional do Meio Ambiente e do Desenvolvimento, afirma que nenhum país africano exige legalmente o consentimento livre e informado das pessoas afectadas por estes acordos sobre terras.

Alguns países desenvolvidos sentem-se atraídos pelo facto de faltarem em África instituições democráticas que funcionem devidamente; e por serem poucas ou inexistentes as leis reguladoras das condições laborais, da protecção do ambiente ou da propriedade comunal da terra. Muitos governos africanos consideram-se proprietários de toda a terra e agem como se não existisse propriedade comunal.»

Mas ...

«Nenhuma rapariga que hoje em dia vá à escola quer passar o resto da vida a cultivar a terra. Ela viu quanto a mãe sofreu e vê que se lhe oferecem melhores oportunidades; os rapazes, menos ainda. Para eles, a capital ou o centro urbano mais próximo são a terra prometida, mesmo se isso supuser uma vida de miséria a realizar trabalhos temporários numa obra durante uma temporada» (...)

Então?

(...) «Qual é então para a agricultura africana o caminho do progresso? Se os seus habitantes fossem consultados e tiveram voz e voto, e se estrangeiros e africanos trabalhassem juntos, poder-se-ia desenvolver a agricultura, tomando os africanos gradualmente conta dela e pondo-se um freio ao abandono da terra?» (...)

Ler mais em aceprensa.pt.

05 janeiro 2012

Gato escondido, com rabo de fora

J. Pacheco Pereira, no seu blogue

«Antes, no PSD, falava-se à vontade contra a Maçonaria, muitas vezes com ignorância, mas sempre colocando a Maçonaria do lado do inimigo, das forças da conspiração que o partido era suposto combater. Agora, que alguns dos seus principais dirigentes pertencem a uma Maçonaria, o assunto tornou-se tabu.»

18 dezembro 2011

Até eu percebo

(...) « A ideia de que um país consegue melhorar a sua balança comercial através de zero importações, é uma ideia tão estranha como a de que um governo  consegue pagar as dívidas sem ter receitas.

Vai ficar contente quando eu lhe disser que - tecnicamente - não estamos em recessão.
O consumo de uns, é o ganho de outros. A sra. Merckel, ao continuar a insistir em que os seus  principais parceiros comerciais cortem nas despesas, está a cortar à Alemanha as principais fontes do seu crescimento.» (...)
(Robert Skidelsky, Professor Economia Política, na Universidade de Warwick)

07 dezembro 2011

Um quinto da população portuguesa vive sozinha


"Um quinto da população portuguesa vive sozinha" (noticia no Público em linha). Apesar disto (e dos custos que esta situação acarreta) o IRS continua a não levar em conta a dimensão e as necessidades das famílias com filhos (violando a Constituição e os princípios da igualdade e da equidade).

Apesar da falta que nos fazem as famílias estáveis , as alterações que constam na Proposta de Orçamento para 2012 fazem com que, para duas famílias com o mesmo rendimento, o potencial de imposto a pagar aumente (em termos absolutos e relativos) muito mais consideravelmente para as famílias com filhos a cargo, tanto mais quanto maior o número de filhos.

O estudo aqui (abreviado) e aqui (completo).

05 dezembro 2011

O euro é apenas o marco (alemão)?

(...) «o que o politólogo norte-americano Walter Russel Mead definiu como a "guerra cultural do euro". Na verdade boa parte das dificuldades actuais derivam do confronto entre duas culturas económicas diferentes. De um lado está a França e os países do "Clube Med", que preferem uma economia com alguma inflação e com desvalorização da moeda, semelhante às economias que tinham antes do euro. Do outro lado está a Alemanha, que prefere uma moeda forte e uma inflação baixa, com juros também baixos. Na altura da criação do euro os franceses só conseguiram convencer os alemães a abandonarem o seu querido marco prometendo que a nova moeda obedeceria às regras alemãs e não às francesas»


(...) «quando nós próprios aderimos ao euro o que fizemos foi aderir ao marco com outro nome. Tudo isso ficou estabelecido nos tratados, pelo que uma boa parte da discussão que vai por essa Europa fora é em torno da revisão ou não desses mesmos tratados. Mais: há mesmo quem (como Viriato Soromenho Marques) defenda abertamente que se devem violar os tratados para salvar o euro. Ficamos porém sem saber o que poríamos depois no lugar desses tratados, sendo que se hoje eles ainda colocam limites à acção de Merkel ou Sarkozy, sem eles a discricionariedade da "ditadura Merkozy" seria total.» (...)

(Ainda JMF, no Público,em 2 de dezembro)

O governo central

(...) «Podemos discutir a falta de bons líderes europeus nos dias que passam, mas não podemos nem devemos tomar como modelos os líderes do passado que nos meteram no actual imbróglio. Eu sei que isto que estou a dizer é uma grande heresia, mas é bom que fique claro que chegámos onde chegámos porque criámos uma moeda única sem lhe darmos condições económicas e políticas para triunfar, o que aconteceu por responsabilidade desses líderes bem-amados.

Nigel Lawson, que na época do lançamento do projecto do euro era ministro das Finanças de Margaret Thatcher, recordou recentemente num artigo da Spectator que logo nessa altura defendeu aquilo que hoje todos dizem: não seria possível construir uma união monetária sem um governo económico conjunto, e isso em democracia exigiria sempre uma união política. Lawson, naturalmente, estava contra uma união política (que também considerava impraticável) e, por isso, opôs-se ao projecto do euro. 

Mesmo assim esses "queridos líderes" do passado, Delors, Mitterrand e Kohl, decidiram avançar com a construção de um castelo sem alicerces. 

Foi isso mesmo que ainda há poucas semanas defendeu também Joschka Fischer, alguém que está nos antípodas políticos de Lawson. Segundo o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, quando o euro foi criado "a ideia de um governo central tinha poucos apoiantes". 

Foi por isso que "essa fase da construção da união monetária foi adiada, deixando este impressionante edifício sem os sólidos alicerces necessários à manutenção da estabilidade em tempos de crise". Ou seja, tanto à direita como à esquerda se admite hoje que esses "grandes líderes" não fizeram, em tempos mais prósperos e mais fáceis, o que se pede aos líderes de hoje para serem eles a fazer, isto é, a união política. 

Pelo menos é o que pessoas como Fischer pedem abertamente. Outros, como Lawson, continuam a achar que tal não pode ser feito sem sacrifício dos princípios da democracia. É também o que eu penso, e só estranho que tantos desvalorizem este importante detalhe.» (...)
(José Manuel Fernandes, Público 2 de dezembro de 2011)

04 dezembro 2011

este homem quase me convence :-)

http://www.lauenstein.tv/balance_beyond/index.html

 

(...) «Voltemos à greve, porque a greve, para além das suas razões ou irrazões, para além de como foi ou podia ter sido, toca na intangibilidade do poder, perturba, incomoda. 
 
Num programa de televisão [eu] disse umas coisas de trivial doutrina democrática sobre o direito à greve, que, imaginem!, são muito próximas do que Sá Carneiro disse em seu tempo. Ouviram-se de imediato as bocas espumarem com "uma vez comunista, sempre comunista". 
 
Como eu nunca fui do PCP, que é o que para eles significa ser "comunista", presumo que se devem referir a Passos Coelho, que, esse sim, foi comunista de papel passado. 
Eu fui outra coisa certamente pior, maoísta, radical, ultracomunista, esquerdista, e, portanto, na versão muito comum de que há uma psicologia da patologia ideológica, uma espécie de malformação genética, como os cromossomas de Lombroso, a ideia de que uma vez uma coisa, sempre essa mesma coisa permanece firmemente entrincheirada nos ataques ad hominem
 
 
Curiosamente nunca se diz de ninguém que "uma vez fascista, sempre fascista", talvez porque à direita faz-se muito bem essa reciclagem sem memória nem culpa. Gente que andou de braço erguido e palma estendida na "saudação romana" antes e depois do 25 de Abril pelos vistos não padece desta patologia ideológica, que só existe para o lado oposto, para o lado do Mal puro.» (...)

"Dar gás"


O Presidente Obama pede ao Congresso americano que aprove mais uma baixa de impostos para relançar a economia: "agora é tempo carregar no pedal do combustível, não de de pisar no travão". ( ... mais no Wall Street Journal)