Jornal de Negócios

06 setembro 2012

Verdades inconvenientes

(...) «À cultura da guerra civil só interessa transformar os adversários em demónios "fascistas", suspeitos, obrigados a autojustificarem-se no altar dos censores morais. (...) É a caricatura de um inimigo imaginário que estes órfãos da guerra civil perseguem. 

A democracia tem-nos providenciado uma aprendizagem das regras do debate democrático. Mas vivemos tempos perigosos. Se este sectarismo violento e falsificador vencesse na sociedade portuguesa, estaríamos a retroceder em muito do que construímos. Ficaríamos todos vulneráveis perante quem conseguisse fabricar uma "verdade ideológica" independentemente dos factos e da verdade» (...)

(Pedro Lomba, no Publico, de 4 de Setembro de 2012)

27 agosto 2012

cinco anos sem aprender nada

«Cinco anos depois, nenhum dos problemas foi resolvido, enquanto as consequências económicas e sociais da crise continuam a agravar-se. Entretanto, a história de como aqui chegámos vai sendo reescrita para mostrar que a culpa foi nossa.

A crise de 2007 foi tornada possível pelo níveis absurdos de expansão dos balanços e endividamento a que chegaram algumas das principais instituições financeiras. Esses níveis de alavancagem não serviram a economia e é discutível que tenham servido os próprios bancos. Beneficiaram, isso sim, os acionistas, que puderam aumentar o seu retorno por ação - diminuindo o capital comprometido.» (...)

(... ) «É estranho que tantos economistas que passam a vida a falar dos incentivos, considerem que é uma boa ideia salvar acionistas, sem condições nem penalizações. Essa ideia não a foram certamente buscar a nenhuma teoria económica que eu conheça.»

(José Gusmão, no Diário Económico)

22 agosto 2012

Direito de recusa de paternidade

(...) ««A lei portuguesa devia reconhecer aos homens o direito de recusar a paternidade de um filho nascido contra a sua vontade. A tese está contida na investigação A igualdade na decisão de procriar, defendida por Jorge Martins Ribeiro, no âmbito do mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho.» 

«Na óptica do investigador, é uma questão de igualdade. "Do mesmo modo que a mulher tem o direito legalmente reconhecido de abortar ou não abortar, perante uma gravidez não planeada, o homem deve poder decidir se quer ou não ser pai", sustenta.» (...)

Coisas de meninas ...

As Nações Unidas calculam que tenham desaparecido, até hoje, cerca de 200 milhões de mulheres através de abandono, morte ou aborto seletivo, apenas pelo facto de serem mulheres. Acontece sobretudo na China e na Índia, mas a prática tem-se estendido aos países ocidentais, no norte da Europa, Bélgica, Holanda, Reino-Unido, Canadá, Estados Unidos ...
Documentário aqui.

04 agosto 2012

A política e a realidade

Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios

(...) «solução evoluiu para uma intervenção em Espanha e Itália (é impressionante como num repente se normalizou falar de uma intervenção em Itália…) diferente da portuguesa. Não há dinheiro para retirar estes dois países do mercado, colocando-os num ecossistema controlado. O plano passa por fazer uma gestão quase diária da dívida destes países, com um pulmão nos mercados e outro em respiração assistida. E mesmo assim, diz o BCE, os empréstimos serão a curto prazo - para manter os países na trela. Para obrigá-los à austeridade e às reformas estruturais. Para obrigarem os mediterrâneos a serem como os bárbaros.

Algumas considerações que não nos cansaremos de repetir: a crise não é de nações, não é portuguesa nem espanhola, é do euro; a austeridade não tem alternativa europeia, mas não está a resultar, porque desemprega, porque mata a economia, destrói a sociedade, tritura riqueza em impostos, porque nisso torna a própria dívida insustentável; as reformas estruturais são apesar disso importantes, para libertar a economia dos interesses que a capturam, para abri-la à concorrência.

Não há nenhuma resposta instantânea para a crise. Nenhuma cimeira, nenhum BCE, nenhum alemão tem poder para desligar num átimo a máquina da destruição. O que tem de ser feito é moroso e doloroso. Mas escusa de ser desvairado. Precisa de sentido. Não está a ter. Tem de ter.» (...)

25 julho 2012

África: promessas quebradas

Livro do médico e investigador da SIDA, Edward C. Green, Broken Promises explica com dados e números porque é que a epidemia de HIV / SIDA continua a grassar em África, apesar dos orçamentos milionários das campanhas de ajuda ...
Um resumo aqui, a propósito da conferência de Melinda Gates, em Londres.

It´s the economics :-(

13 julho 2012

inverno demográfico

«Portugal está em via de ser o 2º país mais envelhecido do mundo
(...)
O Estado considera as crianças como cidadãos mas, muitas vezes, ignora a sua existência ou trata-as como uma percentagem variável.

Vejamos o que se passa em vários domínios:

- Taxa do IRS – cada filho vale zero;
- Deduções personalizantes do IRS – cada filho vale cerca de 75%;
- Deduções de educação, saúde,…(entre os 3º e 6º escalão do IRS) – cada filho vale 10%;
- Abono de família – cada filho vale meia pessoa – 50%;
- Taxas moderadoras – cada filho vale 0;
- Passe Social Mais ‐ cada filho vale 25%.

Estas situações revestem‐se de uma enorme injustiça e acarretam ao país graves consequências, pois comprometem o crescimento económico e a coesão social, nomeadamente, a sustentabilidade da segurança social e do sistema de saúde.» (...)

12 julho 2012

Poemas Imperfeitos

Todos os dias escrevo
com a tenção desmedida
de construir um poema
que sempre me surpreenda
como me surpreende a vida

(Hugo de Azevedo, Poemas Imperfeitos)

04 julho 2012

os incêndios do costume

(...) «Se um executivo de um banco é corrupto, é um mau executivo. Ponto final!
E portanto o conselho de administração deve despedi-lo.
Se não o faz,  é porque o conselho também é corrupto.

Então terão que ser os acionistas a despedir o conselho de administração.

Se não o fizerem, deve ser a sociedade a reclamar que o façam.» (...)

Pode acontecer que seja necessário despedir toda uma geração de líderes viciados em corrupção.

02 julho 2012

iluminados

(...) «é uma pessoa muito observadora. 

Soubemo-lo no último Prós e Contras. Quando vai a um supermercado e olha para os carrinhos de compras dos outros clientes, acha que as suas escolhas não são racionais. 

Não sei o que o douto professor conhecerá da vida das outras pessoas para fazer essa avaliação, mas se calhar não necessita de saber muito. Ele faz parte daquela elite que julga conhecer as nossas necessidades mesmo quando são apenas nossas. 

É também dos que acham que os que pensam diferente sofrem de uma irremediável "impiedade" que faz deles monstros em potência. 

Até porque é um dos subscritores do manifesto "por um futuro decente", que junta gente que, como ele, só pensa no bem do próximo - desde que o próximo aceite que sejam eles a dizerem o que é o seu bem.» (...)

(José Manuel Fernandes, no Público, via blogue "O Povo".)

19 junho 2012

Mudar de sistema

No i de economia:
«Muhammad Yunus, prémio Nobel da paz e mentor do microcrédito, deixou no Brasil, onde participa na conferência Rio+20, um alerta sobre o falhanço da luta contra a pobreza. «Tornámo-nos uma espécie de robôs de fazer dinheiro», acusa, numa altura em que ele próprio vê ameaçado o seu projeto mais emblemático, o Grameen Bank.

«A estrutura económica básica que temos hoje não contribui para acabar com a pobreza. Foi essa estrutura que criou a pobreza, e ela não pode solucioná-la.» (...)

«O sistema atual é fortemente baseado no dinheiro, tudo gira em torno de fazer dinheiro. Tornámo-nos uma espécie de robôs de fazer dinheiro. Esquecemos que somos seres humanos. O dinheiro é parte das nossas vidas, não é a nossa vida.» (...)

«Quando percebermos isso vamos ser capazes de resolver as coisas» (...)

"Quem quer matar o Serviço Nacional de Saúde?"


18 junho 2012

A Oeste nada de novo




JPP. no Abrupto
(...) «O que é que move isto tudo? A resposta é a mais estandardizada que há: o dinheiro. Nem sequer é o poder, porque os poderes em Portugal, fora das vantagens que deles podem vir, são fraquinhos. 


Nesta altura em que estou a escrever e na altura em que me estiverem a ler, coisas semelhantes estão a ser feitas por todo o lado. É como se fosse uma respiração tão habitual, que quem assim respira não dá por ela, nem se apercebe bem do que está a fazer. Só quando subitamente se dá um desastre, como seja tudo isto aparecer num computador ou telefone errado, então é que cai o Carmo e a Trindade. 



Mas cai por pouco tempo, porque será sol de pouca dura. Nem há forte condenação social, nem institucional, pelo que, passados os apertos destes dias, tudo voltará à normalidade. 




A qualidade dos mandantes e dos mandados, a nossa claustrofobia social, o amadorismo e facilitismo de uma sociedade sem exigência, as carreiras feitas de favores e obediência aos poderosos, a escassez de bens e empregos para muita fome e ambição, criam um sólido cimento que ninguém quebra.» (...)