Jornal de Negócios

16 novembro 2012

Amor nos tempos do capitalismo

Novo livro de Eva Illouz: 
«O amor romântico, tal como o vivem homens e mulheres do nosso tempo, é cenário de um processo paradoxal: por um lado, os indivíduos modernos mostram-se melhor apetrechados que os seus antecessores para tolerar repetidas experiências de abandono, ruturas, engano ou separação, na medida em que se veem capazes de reagir perante tais experiências com desapego, autonomia, hedonismo, cinismo e ironia.
Por outro lado, precisamente porque desenvolveram este tipo de estratégias, privaram-se a si próprios da capacidade de amar com paixão» (resenha de aceprensa.pt)

26 outubro 2012

Acabem com esta crise, já!

(...) «O que trama as nações fracas do euro (como Espanha e Portugal) é, não tendo meios de desvalorizar a moeda – como fez a Islândia no rescaldo da crise com sucesso – estão sujeitas ao “pânico auto--realizável”. O facto de não poderem “imprimir dinheiro” torna esses países vulneráveis “à possibilidade de uma crise auto-realizável, na qual os receios dos investidores quanto a um incumprimento em resultado de escassez de dinheiro os levariam a evitar adquirir obrigações desse país, desencadeando assim a própria escassez de dinheiro que tanto receiam”. É este pânico que explica os juros loucos pagos por Portugal, Espanha e Itália, enquanto a Alemanha lucra a bom lucrar com a crise do euro – para fugir ao “pânico” os investidores emprestam dinheiro à Alemanha sem pedir juros e até dando bónus aos alemães por lhes deixarem ter o dinheirinho guardado em Frankfurt.
Se Krugman defende que “os países com défices orçamentais e problemas de endividamento terão de praticar uma considerável austeridade orçamental”, defende que para sair da crise seria necessário que “a curto prazo, os países com excedentes orçamentais precisam de ser uma fonte de forte procura pelas exportações dos países com défices orçamentais”.

Nada disto está a acontecer. “A troika tem fornecido pouquíssimo dinheiro e demasiado tardiamente” e, “em resultado desses empréstimos de emergência, tem-se exigido aos países deficitários que imponham programas imediatos e draconianos de cortes nos gastos e subidas de impostos, programas que os afundam em recessões ainda mais profundas e que são insuficientes, mesmo em termos puramente orçamentais, à medida que as economias encolhem e causam uma baixa de receitas fiscais”» (...)

23 outubro 2012

Há falta de política, ou de compromisso?

(...) «Na primeira década do século XXI, a militância em partidos políticos caiu 20% na Alemanha, 27% na Suíça e 36% na Grã-Bretanha. E isso, apesar de o custo das quotas ter vindo a baixar relativamente ao custo de vida.

Os partidos perdem militantes todos os anos, e as fórmulas alternativas de participação não têm vindo a impor-se na "grande política".

(...)
A dificuldade para conseguir novos filiados está a fazer com que alguns partidos dêem mais voz e voto aos "simpatizantes", que embora não estejam filiados, podem ser registados como participando dos valores que o partido defende.

Nesta linha, os socialistas espanhóis vão aprovar, previsivelmente em novembro, uma "nova regulamentação para selecionar candidatos". O objetivo que pretende a reforma é abrir as eleições a "simpatizantes" do PSOE, e não somente aos filiados, cujo número tem vindo a baixar anualmente e ronda agora os 220.000. Para figurar como simpatizante apenas será necesario assinar uma declaração de compromisso com os valores do partido, e pagar uma quota simbólica de um a três euros.

Esta é uma maneira de enfrentar a crise de credibilidade que sofrem as organizações políticas em grande parte do Ocidente, e que se traduz, além da perda de militância, na abstenção eleitoral.

A experiência dos socialistas franceses pode ser animadora. O partido conta com 200.000 militantes, mas quando efetuou as suas eleições primárias -abertas aos simpatizantes- para escolher o candidato às eleições presidenciais que viriam a ser vencidas por Hollande, participaram 2,9 milhões de pessoas.

O baixo associativismo constitui uma importante barreira para a "democratização da democracia" desejada por muitos.

Haverá vida para além dos partidos tradicionais?

As injúrias contra a política "tradicional" (partidos, sistemas eleitorais ou representativos) converteram-se em moeda corrente entre os que criticam o "sistema". No entanto, as alternativas têm-se caraterizado pela sua volubilidade e falta de organização.

A Internet atua ao mesmo tempo como catalisador e sepultura de muitos dos protestos. A maior acessibilidade à informação e opinião não trouxe a ansiada "democratização da democracia". Existe sim a sensação contrária. Num mundo globalizado e complexo, muitos cidadãos retiram-se da discussão política geral e refugiam-se em fóruns virtuais sobre temas específicos do seu interesse, com ligações muito indiretas à "grande política". A crise financeira, com o seu efeito íman de atrair todas as discussões para a economia, acrescentou um ponto de opacidade que torna ainda mais improvável que o cidadão médio participe. Isto notou-se também no plano institucional: o recurso a tecnocratas para liderar países em crise ou o crescimento de partidos populistas (e normalmente radicais) são na realidade duas faces de uma mesma moeda.

Dá a impressão de que o "ativismo do clique" não é um antídoto contra o fenómeno que alguns chamam "privatização da política": discute-se em casa, com os amigos, ou nessa privacidade publicada das redes sociais, mas depois não existe mobilização que vá para lá disso.» (...)

17 outubro 2012

Más companhias

(...) «Os povos só têm duas formas de se manifestar em democracia: pelo voto e pela palavra. Esta última, na rua, desde que seja isso mesmo, ou seja com a garantia de que é uma expressão colectiva de desagrado, de mal estar, sem recurso a qualquer tipo de violência.


Estou de acordo com Silva Lopes quando diz que uma boa parte do que nos está a acontecer é fruto da política europeia e que se houver manifestações contra elas irá para a rua. Eu também.


A enorme, diria mesmo, desbragada falta de solidariedade do velho continente é algo que a mim não surpreende. A construção do projecto de uma Europa Unida e não federada é uma utopia cujas consequências estão à vista. Nem esquerda, nem direita saem bem na fotografia.
E nós, que só pensamos em ser bons alunos, mesmo que a matéria não nos interesse, vamos pelo mesmo caminho. Este obtuso Orçamento como pano de fundo da crise interna é bem a prova disso!» (...) (Helena Sacadura Cabral, no Fio de Prumo)

Por outro lado, é o próprio FMI a reconhecer que a estratégia está errada para Portugal ...

15 outubro 2012

A conjuntura ...

(...) «a austeridade pouco tem a ver com a dívida. Ela serve para curar o défice, uma sangria que teremos de resolver, haja ou não dívida. Rejeitar juros e reembolsos não curaria a doença, só adiaria os sintomas.» (...)

10 outubro 2012

Escrito pelo vice-presidente do Banco Mundial ...

(...) «the deflationary spiral, particularly in Greece and Spain, is causing output to contract so rapidly that further spending cuts and tax increases are not reducing budget deficits and public debt relative to GDP. 

And Europe’s preferred solution – more austerity – is merely causing fiscal targets to recede faster. As a result, markets have again started to measure GDP to include some probability of currency re-denomination, causing debt ratios to look much worse than those based on the certainty of continued euro membership.
While all of this is happening in Europe’s south, most of the northern countries are running current-account surpluses. 

Germany’s surplus, at $216 billion, is now larger than China’s – and the world’s largest in absolute terms. Together with the surpluses of Austria, the Netherlands, and most non-eurozone northern countries – namely, Switzerland, Sweden, Denmark, and Norway – northern Europe has run a current-account surplus of $511 billion over the last 12 months. That is larger than the Chinese surplus has ever been – and scary because it subtracts net demand from the rest of Europe and the world economy.» (...)

É longo, em inglês e economês, mas foi escrito pelo vice-presidente do Banco Mundial ... Talvez fosse bom ouvi-lo.

Trabalhar na Arábia Saudita (I)

Aqui, entrevista a uma enfermeira espanhola que trabalha há 1 ano na Arábia Saudita: o porquê e o como ... (texto em espanhol, Diário de Navarra, 7 de Outubro de 2012)

09 outubro 2012

A lógica (e a sua falta)

(...) «não pode haver uma sociedade civil livre se os «civis» não desejam libertar-se da tutela do Estado; 

não pode haver uma economia dinâmica se o maior sonho de qualquer empresário é ter negócios com o Estado; 

não pode haver mudança de paradigma quando toda a gente que conta tudo faz para manter o paradigma (vejam-se os casos exemplares da RTP, das Fundações ou das Autarquias); 
não pode haver um Estado menos rapace quando toda a vida do país continua a girar em torno do subsídio, da prestação social, das isenções disto e daquilo, dos negócios privilegiados entre o Estado e grupos económicos privados; 

não pode haver um Estado menos gastador quando os governantes e seus «acessórios», desde a câmara municipal mais comezinha até à Presidência da República, passando por deputados, ministros e ministérios, gastam de modo ostensivo e insensível a riqueza que tantos, tão sacrificadamente, foram produzindo e da qual foram esbulhados por um Estado financeiramente incontinente.» (...)

08 outubro 2012

Prémio Nobel da Medicina (politicamente incorreto)

"Atreveram-se" ... a premiar um cientista (Shynia Yamanaka) que fez um notável avanço numa área politicamente incorreta: reprogramar células adultas para se desenvolverem como pluripotentes ...
Notícia aqui e aqui.. Esta era uma área "emperrada" pela teimosia em investigar em células de embriões, cujos resultados práticos eram irrelevantes.
São boas notícias para todos este Prémio Nobel,  recebido em conjunto com o inglês John B. Gurdon que já se dedica a esta área desde 1992.

05 outubro 2012

Adeus minha raínha

«Os crimes e a barbárie da revolução francesa causam pânico, mas basta pisar Versalhes para começar a entender a situação. Sacralizar a revolução francesa é um desatino, tal como é um desatino sacralizar a monarquia. Há tantas cabeças repugnantes metidas num gorro frígio, como numa coroa real. Este filme ajuda a compreender melhor tudo isto.» (Alberto Fijo, em aceprensa.pt)


"Les adieux à la reine"

Realizador: Benoît Jacquot;
Intérpretes: Diane Kruger, Léa Seydoux, Virginie Ledoyen, Xavier Beauvois, Noémie Lvovsky, Francis Leplay, Grégory Gadebois; 
100 min 

De regresso ao básico ...

Pedro Lains, no seu blogue (Economia e História Económica):
« A origem da crise é o euro mas não é só o euro. Portugal tem problemas próprios e são eles que o distinguem da Holanda. É preciso olhar para esses problemas. Todavia, quando partimos da ideia de que a crise se deveu aos "excessos" das pessoas ou das instituições, ao mau comportamento destes ou daqueles, não conseguimos olhar para o que mais interessa. E, em economia, o que mais interessa é a economia, e não são as "mentalidades". A economia portuguesa endividou-se porque as taxas de juro a isso a levaram. Esse é o problema. O problema não é, no essencial,  que esse endividamento tenha sido mal gasto, em PPPs, auto-estradas ou "gorduras" do Estado. O problema é a dívida e apenas a dívida. Fora ela, a economia portuguesa é igual às demais da Europa - só que mais pobre.


    Um primeiro exemplo: Portugal não tem auto-estradas a mais, o que tem é uma solução de um défice de ligações rodoviárias resolvido numa altura da história em que essa solução é feita por auto-estradas. E como sabemos que não são vias a mais? Simples, olhando para indicadores de dotação de capital social fixo (é assim que se chama) a nível internacional, onde se vê que Portugal compara mal com a média europeia (curiosamente ou não, compara melhor nesses indicadores do que nos de capital humano - desde há cem anos para cá, aliás). 

Portugal também não tem gente a mais com casa própria e endividada. O que tem é uma solução para a habitação resolvida com juros baixos e sem intervenção do Estado. Na Europa mais avançada, todos os anos os estados promovem a construção de dezenas de milhares de habitações sociais para alugar. E o mesmo raciocínio aplica-se a muita outra coisa. Como a essa obsessão de banqueiros centrais (e marxistas) que são os bem não-transaccionáveis internacionalmente, que Portugal também não tem a mais. E como se confirma tudo isto? Olhando para comparações detalhadas da estrutura produtiva portuguesa e dos seus vizinhos europeus. Claro que a malta das finanças nem de perto nem de longe gosta dessas comparações, em que a OCDE, esse antro de "liberais gauchistes", é perita.

    É óbvio que também há muito desperdício e muito dinheiro metido em bolsos impróprios, mas isso é um problema moral ou de tribunais e não um problema macroeconómico.

    Mas, então, qual é o principal problema económico português? É o facto de, dentro de determinados sectores, a produção ser concentrada em cadeias de valor mais baixo. Não é que haja menos indústria e mais serviços: há é mais fábricas de motores eléctricos ou de moldes, do que fábricas de carros ou de medicamentos. Tudo isto é bocado enfadonho, eu sei, mas era necessário fazer este acrescento ao que se escreveu dois posts abaixo. 

    Em suma: a economia portuguesa não precisa de levar pancada, muito menos a partir do Ministério das Finanças e muito menos ainda a partir do Orçamento. Com esta ideia na mesa, tudo se torna mais fácil.»

Os senadores

(...) «Portugal não chegou onde chegou por ser uma barca que navegou sem piloto: houve pilotos, houve responsáveis, houve muita gente que contribuiu, por acção ou omissão, para chegarmos aos intoleráveis 88 mil milhões de despesa pública (e 7,5 mil milhões de despesas anuais com os juros da dívida). Muita dessa gente tem hoje cabelos brancos e continua a achar que devia estar no Governo, como se esse fosse um qualquer direito divino que lhe assistisse. Até o vai dizer a programas de televisão.

Mas para pior já basta assim. Para esbulho fiscal já chega o anunciado, não precisamos ainda de mais impostos para pagar ainda menos cortes nas despesas. Por isso só desejo que a providência nos livre de quem nos trouxe até aqui e nem isso é capaz de admitir.»
(José Manuel Fernandes, Público, 5 de Outubro)

03 outubro 2012

dress code ou sentido prático

Em www.educaremportugues.com, por 

Bárbara Wong, Jornalista


À minha frente, duas estagiárias envergam os calções da moda. Curtos e de ganga. Acham que as vou mandar ao Palácio de Belém, à Assembleia da República, a um ministério, seja onde for? Não. 
Uma delas responde: "Tá-se?", "na boa" e despede-se com um "vou bazar!" Tremo só de pensar que fale assim com as pessoas que deve contactar. É o nome do jornal que põe em causa.
Um colega que a ouve comenta: "A geração Morangos com Açúcar chegou às redacções!"
Chegou com 20/21 anos, graças à Declaração de Bolonha, com três anos de formação superior e sem a mínima noção do saber estar num local de trabalho.


Mas a culpa não é delas. 
- É dos pais
Eu devo ter sido a última rapariga do planeta a usar combinações e saiotes, obrigada pela minha avó e pela minha mãe, a vesti-los por debaixo das saias mais transparentes. Gozada à grande pelas colegas que nunca tinham visto aquelas peças de roupa interior. Obrigada a despi-las mal saía a porta de casa e a guardá-las na mochila. Não peço que as usem (já nem devem existir), mas peço que os pais as ensinem a vestir, tenham uma palavra a dizer quando as meninas vão às compras. "O umbigo é bonito para se ver na praia, não na escola, muito menos no local de trabalho."

- É da escola
As meninas/os meninos não têm de estar na sala de aula com o rabo de fora, com a barriga à mostra, com o boné na cabeça, com os chinelos nos pés. Custa perder um bocadinho da aula a mandá-los vestir a bata de Ciências? Custa, mas pode ser que aprendam... Quem sabe, a funcionária da portaria pode fazer essa triagem antes que os alunos entrem na escola.

- É da faculdade
O ensino superior espera que os meninos cheguem lá bem formados e acredita que estes têm autonomia e são responsáveis, que são adultos. Mas não são. São uns miúdos de calções, literalmente.
Alguém - pode ser o professor responsável pelo estágio, se faz favor - tem de explicar como se deve estar num local de trabalho já que os pais e os professores do básico e do secundário não ensinaram. 


Vá lá, alguém faça o seu trabalho para não ser eu, aqui e agora a explicar que estão numa empresa onde não vão servir umas cervejas, mas exercer funções de jornalistas estagiárias.
Ainda bem que chegou o Outono!
BW

Nota: Nem todos chegam aqui assim. Mas, volta e meia, aparecem umas aves raras.»

01 outubro 2012

fazer de conta (sem fazer as contas ...)

(...) «Este Governo não teve coragem, por exemplo, de fazer uma verdadeira reforma administrativa que reduzisse efectivamente o número de concelhos. 

No século XIX, em 1836 o Governo de então, com muito menos meios, foi mais audaz, ambicioso e eficaz, realizando uma verdadeira reforma administrativa que implicou a redução do número de concelhos – de 800 passaram para 385 - numa época em que as acessibilidades eram muito inferiores às actuais, os automóveis ainda não existiam, e Portugal rural era muito mais povoado. 

O actual Governo limitou-se a encerrar algumas freguesias e não teve coragem para enfrentar o lobby dos autarcas, não ousando tocar nas suas nomenklaturas locais, perante as quais cedeu.

Em relação às fundações, também as nomenklaturas partidárias e dos amigos, familiares e enteados falaram mais alto e a montanha pariu um rato: eliminaram-se apenas três ou quatro fundações, quando simplesmente se impunha o encerramento de todas as fundações públicas ineficazes e sorvedoras de dinheiros públicos e a cessação de transferências do Estado para as fundações privadas.

Enfim, tudo isto nos mostra que esta gente não vai reformar coisa nenhuma, vai antes saquear o que puder.» (...)

26 setembro 2012

A liberdade de expressão justifica tudo?

«O cenário tem-se repetido periodicamente nos últimos anos.

Num país ocidental, alguém faz por conta própria um subproduto ofensivo -neste caso um vídeo sobre Maomé-; este subproduto chega ao YouTube e obtém uma difusão mundial suscitada pelos protestos que gera; nos países muçulmanos acontecem manifestações e grupos interessados agitam as massas populares a protestarem violentamente contra os países ocidentais atacando o que têm ao seu alcance, embaixadas ou empresas.


Protestos em Londres, frente à embaixada dos EUA
Os governos ocidentais condenam o subproduto e asseguram que nada tem a ver com eles, mas que tão-pouco podem proibí-lo para respeitar a liberdade de expressão; os países islâmicos pedem que seja retirado e se condene o ofensor, reclamando uma legislação internacional contra a blasfémia. No final, há mais alguns mortos e alguns amigos a menos.


Num mundo globalizado, no Ocidente custa a entender que outras culturas não vivem na era da irreverência. O conflito entre a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, foi analisado por Rafael Palomino em El Derecho y la protección de los sentimientos religiosos.

Outras vezes, os protestos -não violentos- devem-se a produtos que invocam a liberdade artística para atacar as crenças cristãs: La libertad de creación artística y el respeto a las creencias.

O debate sobre os limites entre a liberdade de expressão e a incitação ao ódio a comunidades crentes discute-se em diversos países, como explica José María Sánchez--Galera em Cuando la libertad de expresión hiere susceptibilidades.» (...)

Um egípcio disse a Kirkpatrick: "Quando se ataca alguém, só se causa dano a uma única pessoa. Mas quando se insulta uma fé dessa maneira, insulta-se um país por inteiro". (...)

19 setembro 2012

O moralismo político

JPP, no Abrupto:

(...) «No meio disto tudo, Passos Coelho fornece outro produto, mais à sua dimensão de executante, mas que também transporta alguma desta raiva. É quando Passos Coelho diz que "não estamos a exigir de mais", como se fosse pouco o que se está a "exigir" e ainda não levaram em cima com a dose toda. 

É quando avança com mais uma comparação moral que mostra o imaginário onde estamos metidos; não podemos correr o risco de nos cruzar com os nossos credores "nos bons restaurantes e boas lojas". É mesmo isso que os portugueses andaram a fazer nos últimos anos, a comprar malas Vuitton e sapatos Jimmy Choo! 

Bla bla blaPassos dizia que as pessoas "simples" percebiam isto, porque de facto para ele as coisas são assim simples. Então como é que nos devemos "cruzar com os nossos credores"? De alpergatas, vestidos de chita, trabalhando dez horas por um salário de miséria? É que não é preciso andar muito tempo para trás para ter sido assim. Ainda há quem se lembre. Deve ser por isso que é preciso "ajustar".

(...)  Em alturas de mudança social profunda, neste caso associada à destruição da classe média e ao empobrecimento generalizado, quem não percebe isto, não percebe nada.» (...)

13 setembro 2012

"Ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras"

(...) «Não é a derrapagem do défice que mata a união que faz deste um território, um país. É a cegueira das medidas para corrigi-lo. É a indignidade. O desdém. A insensibilidade. Será que não percebem que o pacote de austeridade agora anunciado mata algo mais que a economia, que as finanças, que os mercados - mata a força para levantar, estudar, trabalhar, pagar impostos, para constituir uma sociedade?»

(...) «Alternativas? Havia. Ter começado a reduzir as "gorduras" que o Governo anunciou ontem que vai começar a estudar para cortar em 2014 (!). Mesmo uma repetição do imposto extraordinário de IRS que levasse meio subsídio de Natal, tirando menos dinheiro aos trabalhadores e gerando mais receita ao Estado, seria mais aceitável. O aumento da TSU é uma provocação. É ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras.»


(...) «Não foi a austeridade que nos falhou, foi a política que levou ao corte de salários transferidos para as empresas, foi a política fraca, foi a política cega, foi a política de Passos Coelho, Gaspar e Borges, foi a política que não é política.

Esta guerra não é para perder. Assim ela será perdida. Não há mais sangue para derramar. E onde havia soldados já só estão as espadas.»
(Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios)

06 setembro 2012

Verdades inconvenientes

(...) «À cultura da guerra civil só interessa transformar os adversários em demónios "fascistas", suspeitos, obrigados a autojustificarem-se no altar dos censores morais. (...) É a caricatura de um inimigo imaginário que estes órfãos da guerra civil perseguem. 

A democracia tem-nos providenciado uma aprendizagem das regras do debate democrático. Mas vivemos tempos perigosos. Se este sectarismo violento e falsificador vencesse na sociedade portuguesa, estaríamos a retroceder em muito do que construímos. Ficaríamos todos vulneráveis perante quem conseguisse fabricar uma "verdade ideológica" independentemente dos factos e da verdade» (...)

(Pedro Lomba, no Publico, de 4 de Setembro de 2012)

27 agosto 2012

cinco anos sem aprender nada

«Cinco anos depois, nenhum dos problemas foi resolvido, enquanto as consequências económicas e sociais da crise continuam a agravar-se. Entretanto, a história de como aqui chegámos vai sendo reescrita para mostrar que a culpa foi nossa.

A crise de 2007 foi tornada possível pelo níveis absurdos de expansão dos balanços e endividamento a que chegaram algumas das principais instituições financeiras. Esses níveis de alavancagem não serviram a economia e é discutível que tenham servido os próprios bancos. Beneficiaram, isso sim, os acionistas, que puderam aumentar o seu retorno por ação - diminuindo o capital comprometido.» (...)

(... ) «É estranho que tantos economistas que passam a vida a falar dos incentivos, considerem que é uma boa ideia salvar acionistas, sem condições nem penalizações. Essa ideia não a foram certamente buscar a nenhuma teoria económica que eu conheça.»

(José Gusmão, no Diário Económico)

22 agosto 2012

Direito de recusa de paternidade

(...) ««A lei portuguesa devia reconhecer aos homens o direito de recusar a paternidade de um filho nascido contra a sua vontade. A tese está contida na investigação A igualdade na decisão de procriar, defendida por Jorge Martins Ribeiro, no âmbito do mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho.» 

«Na óptica do investigador, é uma questão de igualdade. "Do mesmo modo que a mulher tem o direito legalmente reconhecido de abortar ou não abortar, perante uma gravidez não planeada, o homem deve poder decidir se quer ou não ser pai", sustenta.» (...)