10 dezembro 2012
07 dezembro 2012
Pés na terra
(...) «Relembro o que anda esquecido. O fim da Universidade não consiste em formar meninos não racistas, não sexistas e não imperialistas, mas em transmitir o saber da forma mais objectiva possível.
Jamais poderemos libertar-nos de todos os preconceitos, mas devemos tentar. Há uns anos, visitei a catedral de Christ"s Church em Oxford, onde se encontra um memorial em honra de J. Locke.
Eis o que lá está escrito: "Sei que a verdade, por oposição à falsidade, existe e que, se as pessoas quiserem e se pensarem que a busca vale o esforço, pode ser encontrada."
É por partilhar esta visão que julgo que, nas salas de aula, os docentes não podem difundir ideais políticos. A instituição académica não é um cantinho de Hyde Park onde cada um monta a sua banca.
Claro que, cá fora, podemos falar de política: mas não devemos fazê-lo diante de alunos. Estes não são hereges a converter, mas jovens a quem devemos inculcar a paixão pelo saber.» (...)
(Maria Filomena Mónica, Público, 7 de Dezembro de 2012)
Tropeçando nos próprios pés
«A natureza continua a estar ligada à parentalidade [goste-se, ou não]
O problema surgiu ao descobrir-se que a lei de New Jersey estabelece que o adulto que se declare pai ou mãe de uma criança deve ter um vínculo "físico" ou "orgânico" com ela; se não tem que solicitar a adoção. No entanto, a mulher do pai biológico, que não deu o óvulo nem o útero, nega-se a realizar os trâmites de adoção, alegando que a criança é geneticamente o filho do seu marido.
Em New Jersey, Estados Unidos, um casal decidiu ter um filho por inseminação artificial. Assim, enquanto o pai deu o esperma, uma mulher deu o óvulo e uma terceira mulher alugou o útero. A esposa do pai quis assegurar o papel de mãe depois do parto, pelo que ela e o marido instaram a dadora de óvulos e a que alugou o útero a assinarem um documento pelo qual renunciavam a qualquer direito à maternidade.
O problema surgiu ao descobrir-se que a lei de New Jersey estabelece que o adulto que se declare pai ou mãe de uma criança deve ter um vínculo "físico" ou "orgânico" com ela; se não tem que solicitar a adoção. No entanto, a mulher do pai biológico, que não deu o óvulo nem o útero, nega-se a realizar os trâmites de adoção, alegando que a criança é geneticamente o filho do seu marido.
Mas o estado de New Jersey não quer admitir uma exceção à lei em vigor para não criar um perigoso precedente.
Segundo os advogados do Ministério Público, permitir à esposa do pai declarar-se mãe do filho deste seria injusto em relação a muitos casais que têm que submeter-se aos trâmites da adoção. O casal recorreu aos tribunais, e na Última Instância, o assunto ficou pendente. Três juízes do Supremo Tribunal de New Jersey votaram a favor e três contra. A falta de acordo entre eles, anula a sentença do Tribunal de Apelação, que negou reconhecer como mãe da criança a esposa do pai.» (...)
04 dezembro 2012
Quando o estado quer ser dono do amor
É «aberrante o rei pretender regulamentar o amor. Só um tempo como o nosso, com uma doentia ânsia legislativa, aspira a tal coisa.
O pior é que nestas poucas décadas o Estado conseguiu fazer uma salganhada de uma responsabilidade tão importante. Neste momento, em Portugal, custa mais despedir a criada do que o marido, pois o contrato de casamento é mais frágil do que o de trabalho ou sociedade. Como além disso a lei fez questão de estender aos solteiros os direitos dos casados, através da promoção das uniões de facto, a instituição do casamento civil é hoje quase inepta. Afinal os antigos tinham razão»
(...) «Não admira que as pessoas ultimamente se tenham deixado disso. Os valores de 2010, último ano disponível, são de 3.8 casamentos por mil habitantes, descendo de mais de sete em 1992 e quase dez em 1973. Parece que hoje em dia os homossexuais são os únicos que querem casar-se.»
(J César da Neves, no Diário de Notícias)
O pior é que nestas poucas décadas o Estado conseguiu fazer uma salganhada de uma responsabilidade tão importante. Neste momento, em Portugal, custa mais despedir a criada do que o marido, pois o contrato de casamento é mais frágil do que o de trabalho ou sociedade. Como além disso a lei fez questão de estender aos solteiros os direitos dos casados, através da promoção das uniões de facto, a instituição do casamento civil é hoje quase inepta. Afinal os antigos tinham razão»(...) «Não admira que as pessoas ultimamente se tenham deixado disso. Os valores de 2010, último ano disponível, são de 3.8 casamentos por mil habitantes, descendo de mais de sete em 1992 e quase dez em 1973. Parece que hoje em dia os homossexuais são os únicos que querem casar-se.»
(J César da Neves, no Diário de Notícias)
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03 dezembro 2012
Células estaminais em 15 dias, sem matar embriões
O Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona (CMR (B)) desenvolveu uma nova técnica de laboratório que permite encurtar o tempo de produção de células-mãe a partir de células adultas. O trabalho está publicado na revista Nature.
Esta equipa de investigação conseguiu reprogramar células da pele humana para se diferenciarem em células de vasos sanguíneos, em menos tempo do que o habitual, com a vantagem adicional de que - com esta técnica - é menos frequente o aparecimento de anomalias genéticas e tumores, do que com as técnicas habituais.
16 novembro 2012
Amor nos tempos do capitalismo
Novo livro de Eva Illouz:
«O amor romântico, tal como o vivem homens e mulheres do nosso tempo, é cenário de um processo paradoxal: por um lado, os indivíduos modernos mostram-se melhor apetrechados que os seus antecessores para tolerar repetidas experiências de abandono, ruturas, engano ou separação, na medida em que se veem capazes de reagir perante tais experiências com desapego, autonomia, hedonismo, cinismo e ironia.
Por outro lado, precisamente porque desenvolveram este tipo de estratégias, privaram-se a si próprios da capacidade de amar com paixão» (resenha de aceprensa.pt)
26 outubro 2012
Acabem com esta crise, já!
(...) «O que trama as nações fracas do euro (como Espanha e Portugal) é, não tendo meios de desvalorizar a moeda – como fez a Islândia no rescaldo da crise com sucesso – estão sujeitas ao “pânico auto--realizável”. O facto de não poderem “imprimir dinheiro” torna esses países vulneráveis “à possibilidade de uma crise auto-realizável, na qual os receios dos investidores quanto a um incumprimento em resultado de escassez de dinheiro os levariam a evitar adquirir obrigações desse país, desencadeando assim a própria escassez de dinheiro que tanto receiam”. É este pânico que explica os juros loucos pagos por Portugal, Espanha e Itália, enquanto a Alemanha lucra a bom lucrar com a crise do euro – para fugir ao “pânico” os investidores emprestam dinheiro à Alemanha sem pedir juros e até dando bónus aos alemães por lhes deixarem ter o dinheirinho guardado em Frankfurt.
Se Krugman defende que “os países com défices orçamentais e problemas de endividamento terão de praticar uma considerável austeridade orçamental”, defende que para sair da crise seria necessário que “a curto prazo, os países com excedentes orçamentais precisam de ser uma fonte de forte procura pelas exportações dos países com défices orçamentais”.
Nada disto está a acontecer. “A troika tem fornecido pouquíssimo dinheiro e demasiado tardiamente” e, “em resultado desses empréstimos de emergência, tem-se exigido aos países deficitários que imponham programas imediatos e draconianos de cortes nos gastos e subidas de impostos, programas que os afundam em recessões ainda mais profundas e que são insuficientes, mesmo em termos puramente orçamentais, à medida que as economias encolhem e causam uma baixa de receitas fiscais”» (...)
(No i-online, Acabem com esta crise já, Paul Krugmann)
23 outubro 2012
Há falta de política, ou de compromisso?
(...) «Na primeira década do século XXI, a militância em partidos políticos caiu 20% na Alemanha, 27% na Suíça e 36% na Grã-Bretanha. E isso, apesar de o custo das quotas ter vindo a baixar relativamente ao custo de vida.
Os partidos perdem militantes todos os anos, e as fórmulas alternativas de participação não têm vindo a impor-se na "grande política".
(...)
A dificuldade para conseguir novos filiados está a fazer com que alguns partidos dêem mais voz e voto aos "simpatizantes", que embora não estejam filiados, podem ser registados como participando dos valores que o partido defende.
Nesta linha, os socialistas espanhóis vão aprovar, previsivelmente em novembro, uma "nova regulamentação para selecionar candidatos". O objetivo que pretende a reforma é abrir as eleições a "simpatizantes" do PSOE, e não somente aos filiados, cujo número tem vindo a baixar anualmente e ronda agora os 220.000. Para figurar como simpatizante apenas será necesario assinar uma declaração de compromisso com os valores do partido, e pagar uma quota simbólica de um a três euros.
Esta é uma maneira de enfrentar a crise de credibilidade que sofrem as organizações políticas em grande parte do Ocidente, e que se traduz, além da perda de militância, na abstenção eleitoral.
A experiência dos socialistas franceses pode ser animadora. O partido conta com 200.000 militantes, mas quando efetuou as suas eleições primárias -abertas aos simpatizantes- para escolher o candidato às eleições presidenciais que viriam a ser vencidas por Hollande, participaram 2,9 milhões de pessoas.
O baixo associativismo constitui uma importante barreira para a "democratização da democracia" desejada por muitos.
Haverá vida para além dos partidos tradicionais?
As injúrias contra a política "tradicional" (partidos, sistemas eleitorais ou representativos) converteram-se em moeda corrente entre os que criticam o "sistema". No entanto, as alternativas têm-se caraterizado pela sua volubilidade e falta de organização.
A Internet atua ao mesmo tempo como catalisador e sepultura de muitos dos protestos. A maior acessibilidade à informação e opinião não trouxe a ansiada "democratização da democracia". Existe sim a sensação contrária. Num mundo globalizado e complexo, muitos cidadãos retiram-se da discussão política geral e refugiam-se em fóruns virtuais sobre temas específicos do seu interesse, com ligações muito indiretas à "grande política". A crise financeira, com o seu efeito íman de atrair todas as discussões para a economia, acrescentou um ponto de opacidade que torna ainda mais improvável que o cidadão médio participe. Isto notou-se também no plano institucional: o recurso a tecnocratas para liderar países em crise ou o crescimento de partidos populistas (e normalmente radicais) são na realidade duas faces de uma mesma moeda.
Dá a impressão de que o "ativismo do clique" não é um antídoto contra o fenómeno que alguns chamam "privatização da política": discute-se em casa, com os amigos, ou nessa privacidade publicada das redes sociais, mas depois não existe mobilização que vá para lá disso.» (...)
(em aceprensa.pt)
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17 outubro 2012
Más companhias
(...) «Os povos só têm duas formas de se manifestar em democracia: pelo voto e pela palavra. Esta última, na rua, desde que seja isso mesmo, ou seja com a garantia de que é uma expressão colectiva de desagrado, de mal estar, sem recurso a qualquer tipo de violência.
Estou de acordo com Silva Lopes quando diz que uma boa parte do que nos está a acontecer é fruto da política europeia e que se houver manifestações contra elas irá para a rua. Eu também.
A enorme, diria mesmo, desbragada falta de solidariedade do velho continente é algo que a mim não surpreende. A construção do projecto de uma Europa Unida e não federada é uma utopia cujas consequências estão à vista. Nem esquerda, nem direita saem bem na fotografia.
E nós, que só pensamos em ser bons alunos, mesmo que a matéria não nos interesse, vamos pelo mesmo caminho. Este obtuso Orçamento como pano de fundo da crise interna é bem a prova disso!» (...) (Helena Sacadura Cabral, no Fio de Prumo)
Por outro lado, é o próprio FMI a reconhecer que a estratégia está errada para Portugal ...
15 outubro 2012
A conjuntura ...
(...) «a austeridade pouco tem a ver com a dívida. Ela serve para curar o défice, uma sangria que teremos de resolver, haja ou não dívida. Rejeitar juros e reembolsos não curaria a doença, só adiaria os sintomas.» (...)10 outubro 2012
Escrito pelo vice-presidente do Banco Mundial ...
(...) «the deflationary spiral, particularly in Greece and Spain, is causing output to contract so rapidly that further spending cuts and tax increases are not reducing budget deficits and public debt relative to GDP.
And Europe’s preferred solution – more austerity – is merely causing fiscal targets to recede faster. As a result, markets have again started to measure GDP to include some probability of currency re-denomination, causing debt ratios to look much worse than those based on the certainty of continued euro membership.
CommentsWhile all of this is happening in Europe’s south, most of the northern countries are running current-account surpluses.
Germany’s surplus, at $216 billion, is now larger than China’s – and the world’s largest in absolute terms. Together with the surpluses of Austria, the Netherlands, and most non-eurozone northern countries – namely, Switzerland, Sweden, Denmark, and Norway – northern Europe has run a current-account surplus of $511 billion over the last 12 months. That is larger than the Chinese surplus has ever been – and scary because it subtracts net demand from the rest of Europe and the world economy.» (...)
É longo, em inglês e economês, mas foi escrito pelo vice-presidente do Banco Mundial ... Talvez fosse bom ouvi-lo.
Trabalhar na Arábia Saudita (I)
Aqui, entrevista a uma enfermeira espanhola que trabalha há 1 ano na Arábia Saudita: o porquê e o como ... (texto em espanhol, Diário de Navarra, 7 de Outubro de 2012)
09 outubro 2012
A lógica (e a sua falta)
(...) «não pode haver uma sociedade civil livre se os «civis» não desejam libertar-se da tutela do Estado;
não pode haver uma economia dinâmica se o maior sonho de qualquer empresário é ter negócios com o Estado;
não pode haver mudança de paradigma quando toda a gente que conta tudo faz para manter o paradigma (vejam-se os casos exemplares da RTP, das Fundações ou das Autarquias);
não pode haver um Estado menos rapace quando toda a vida do país continua a girar em torno do subsídio, da prestação social, das isenções disto e daquilo, dos negócios privilegiados entre o Estado e grupos económicos privados;
não pode haver um Estado menos gastador quando os governantes e seus «acessórios», desde a câmara municipal mais comezinha até à Presidência da República, passando por deputados, ministros e ministérios, gastam de modo ostensivo e insensível a riqueza que tantos, tão sacrificadamente, foram produzindo e da qual foram esbulhados por um Estado financeiramente incontinente.» (...)
08 outubro 2012
Prémio Nobel da Medicina (politicamente incorreto)
"Atreveram-se" ... a premiar um cientista (Shynia Yamanaka) que fez um notável avanço numa área politicamente incorreta: reprogramar células adultas para se desenvolverem como pluripotentes ...
Notícia aqui e aqui.. Esta era uma área "emperrada" pela teimosia em investigar em células de embriões, cujos resultados práticos eram irrelevantes.
Notícia aqui e aqui.. Esta era uma área "emperrada" pela teimosia em investigar em células de embriões, cujos resultados práticos eram irrelevantes.
São boas notícias para todos este Prémio Nobel, recebido em conjunto com o inglês John B. Gurdon que já se dedica a esta área desde 1992.
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