Jornal de Negócios

25 março 2013

A simplicidade do desnorte

JPP, no Abrupto: «Sempre que o governo falha os seus objectivos, há mais um pacote de austeridade.

Cada vez que há um novo pacote de austeridade, o governo falha os seus objectivos.

 Enquanto não sairmos deste círculo vicioso, daqui não saímos.

No fundo, é simples.»

28 fevereiro 2013

Prender os suspeitos do costume

J. Pacheco Pereira, no Abrupto:


(...) «o combate à evasão fiscal tem sido ineficaz onde deveria ser. 

O furor do Estado volta-se contra as cabeleireiras, os mecânicos de automóveis e as tabernas, mas ignora os esquecimentos de declaração de milhões de euros, que só são declarados quando descobertos e não merecem uma palavra de condenação nem do ministro das Finanças, nem do Banco de Portugal, nem de ninguém dos indignados com a factura dos cafés. 

E é exactamente porque o combate à evasão fiscal falha, ou porque a economia está morta, ou porque os Monte Brancos são mais numerosos do que todas as montanhas dos Alpes, dos Andes, do Himalaia, que se assiste a uma espécie de desespero fiscal que leva o Estado (os governos) a entrar pela liberdade e individualidade dos cidadãos comuns de forma abusiva e totalitária. 

Digo totalitária, mais do que autoritária, porque a tentação utópica de "conhecer" e controlar a sociedade e os indivíduos através da monotorização de todas as transacções económicas é de facto resultado de mente como a do Big Brother. 
(...)

«A nossa indiferença colectiva face ao continuo abuso do Estado, que nada melhor nos dias de hoje revela do que o fisco, vai acabar por se pagar caro. Muitos tentaram fugir ao fisco? É verdade, muitos inclusive nunca pagaram impostos e vivem numa economia paralela, mas a sanha contra eles, que face ao fisco não tem direitos, nem defesa, nem advogados, contrasta com a complacência afrontosa com a fraude fiscal com os poderosos. É que também nisso, na perseguição aos pequenos, se revela o mundo totalitário de 1984 e do Triunfo dos Porcos, em que alguns são mais iguais do que outros. E pelo caminho, para garantir que os pequenos sejam apanhados na malha, pelo desespero de um fisco que quer sugar uma economia morta de recursos que ela não tem, é que se usa o número de contribuinte como número único, cruzado nos computadores das finanças, muito para além do que é necessário e equilibrado, numa ameaça às liberdades de cada português.» (JPP, no Abrupto)


15 fevereiro 2013

Os de cima e os de baixo

(...) "Os políticos, os partidos, que em democracia só ganham sentido quando exprimem os interesses, as necessidades, as dificuldades de todos, insisto de todos e no presente, falham esse dever.

É possível? Claro que é possível. É só saber olhar, saber ver, saber falar com, e saber decidir em função dos interesses de muitos.

É fazer as escolhas certas e não se distrair. É olhar para o salário do fim do mês, para a vida no desemprego, para o que diz, com inteira clareza, a Cáritas, em vez de estar obcecado com o jornal do dia seguinte.

O maior risco da nossa democracia é que quem devia falar está calado, e que quem fala devia estar calado."
(JPP , no Abrupto)

18 janeiro 2013

É oficial: há médicos a mais ...

Pela primeira vez, o Governo inscreve no memorando "professores" e "profissionais da Saúde" como os alvos principais no âmbito da nova bolsa de excedentários que será criada já este ano com o objetivo de reduzir o número de funcionários e a despesa pública.

10 janeiro 2013

parole, parole ...

José Manuel Fernandes, no Público de 4 de Janeiro de 2012 (via  O Povo)I

(...) «a mensagem presidencial colocou-se à margem do debate que se devia fazer em Portugal e reforçou a ilusão, confortável, que há-de vir uma qualquer solução da Europa. Esta é uma ilusão que não custa alimentar, pois ninguém será responsabilizado por ela - os portugueses ainda não votam em Merkel, em Hollande ou em Monti - e permite empurrar os problemas para a frente.


Mais tarde ou mais cedo Portugal, para além de saber que relação quer entre o Estado, a economia e a sociedade, terá também de debater se consegue ter crescimento económico no quadro de uma moeda única de matriz alemã. Ainda esta semana o comentador de economia do Daily Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard, notava que algumas das mais importantes moedas do mundo - o dólar, o iene, a libra, a coroa sueca, o franco suíço - estão a desvalorizar, enquanto o euro se valoriza.



E valoriza por ortodoxia e por causa do peso da economia alemã. É assim e será assim enquanto o euro mantiver a sua matriz genética, que é a do marco.


Resta saber se algum dia, neste ambiente monetário, a nossa economia conseguirá crescer o suficiente para, ao menos, pagar o serviço da dívida. Mas este é outro debate que Cavaco, um dos pais do euro, nunca patrocinará. » (...)

"economia [caseira] de guerra"

Helena Sacadura Cabral no seu blogue "Fio de Prumo":

«Hoje, com uma displicência digna de quem decidiu por-se a ver a música passar, recusei dois convites de natureza laboral. Expliquei que tinha decidido fazer cortes radicais nas despesas e também no trabalho imenso que tinha.


Na verdade, a minha revolta é tal que não quero que o Dr. Gaspar seja o maior beneficiário do meu esforço. Prefiro reduzir gastos e consumo, mas o meu ele não leva mais. Assim, estabeleci as metas que se seguem e vou cumpri-las. (...)
«este esquema permitir-me-á reduzir 25% do que antes despendia.


A ver vamos como me comporto nesta economia de guerra. Se não chegar, arranjo um ou dois explicandos» (...)
Um sarilho :)

07 dezembro 2012

Pés na terra

(...) «Relembro o que anda esquecido. O fim da Universidade não consiste em formar meninos não racistas, não sexistas e não imperialistas, mas em transmitir o saber da forma mais objectiva possível. 

Jamais poderemos libertar-nos de todos os preconceitos, mas devemos tentar. Há uns anos, visitei a catedral de Christ"s Church em Oxford, onde se encontra um memorial em honra de J. Locke. 

Eis o que lá está escrito: "Sei que a verdade, por oposição à falsidade, existe e que, se as pessoas quiserem e se pensarem que a busca vale o esforço, pode ser encontrada." 

É por partilhar esta visão que julgo que, nas salas de aula, os docentes não podem difundir ideais políticos. A instituição académica não é um cantinho de Hyde Park onde cada um monta a sua banca. 

Claro que, cá fora, podemos falar de política: mas não devemos fazê-lo diante de alunos. Estes não são hereges a converter, mas jovens a quem devemos inculcar a paixão pelo saber.» (...)

(Maria Filomena Mónica, Público, 7 de Dezembro de 2012)

Tropeçando nos próprios pés

«A natureza continua a estar ligada à parentalidade [goste-se, ou não]

Em New Jersey, Estados Unidos, um casal decidiu ter um filho por inseminação artificial. Assim, enquanto o pai deu o esperma, uma mulher deu o óvulo e uma terceira mulher alugou o útero. A esposa do pai quis assegurar o papel de mãe depois do parto, pelo que ela e o marido instaram a dadora de óvulos e a que alugou o útero a assinarem um documento pelo qual renunciavam a qualquer direito à maternidade.


O problema surgiu ao descobrir-se que a lei de New Jersey estabelece que o adulto que se declare pai ou mãe de uma criança deve ter um vínculo "físico" ou "orgânico" com ela; se não tem que solicitar a adoção. No entanto, a mulher do pai biológico, que não deu o óvulo nem o útero, nega-se a realizar os trâmites de adoção, alegando que a criança é geneticamente o filho do seu marido. 

Mas o estado de New Jersey não quer admitir uma exceção à lei em vigor para não criar um perigoso precedente.

Segundo os advogados do Ministério Público, permitir à esposa do pai declarar-se mãe do filho deste seria injusto em relação a muitos casais que têm que submeter-se aos trâmites da adoção. O casal recorreu aos tribunais, e na Última Instância, o assunto ficou pendente. Três juízes do Supremo Tribunal de New Jersey votaram a favor e três contra. A falta de acordo entre eles, anula a sentença do Tribunal de Apelação, que negou reconhecer como mãe da criança a esposa do pai.» (...)

04 dezembro 2012

Quando o estado quer ser dono do amor

É «aberrante o rei pretender regulamentar o amor. Só um tempo como o nosso, com uma doentia ânsia legislativa, aspira a tal coisa.
O pior é que nestas poucas décadas o Estado conseguiu fazer uma salganhada de uma responsabilidade tão importante. Neste momento, em Portugal, custa mais despedir a criada do que o marido, pois o contrato de casamento é mais frágil do que o de trabalho ou sociedade. Como além disso a lei fez questão de estender aos solteiros os direitos dos casados, através da promoção das uniões de facto, a instituição do casamento civil é hoje quase inepta. Afinal os antigos tinham razão»
(...) «Não admira que as pessoas ultimamente se tenham deixado disso. Os valores de 2010, último ano disponível, são de 3.8 casamentos por mil habitantes, descendo de mais de sete em 1992 e quase dez em 1973. Parece que hoje em dia os homossexuais são os únicos que querem casar-se.»



(J César da Neves, no Diário de Notícias)

03 dezembro 2012

Células estaminais em 15 dias, sem matar embriões

O Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona (CMR (B)) desenvolveu uma nova técnica de laboratório que permite encurtar o tempo de produção de células-mãe a partir de células adultas. O trabalho está publicado na revista Nature.

Esta equipa de investigação conseguiu reprogramar células da pele humana para se diferenciarem em células de vasos sanguíneos, em menos tempo do que o habitual, com a vantagem adicional de que - com esta técnica - é menos frequente o aparecimento de anomalias genéticas e tumores, do que com as técnicas habituais.

16 novembro 2012

Amor nos tempos do capitalismo

Novo livro de Eva Illouz: 
«O amor romântico, tal como o vivem homens e mulheres do nosso tempo, é cenário de um processo paradoxal: por um lado, os indivíduos modernos mostram-se melhor apetrechados que os seus antecessores para tolerar repetidas experiências de abandono, ruturas, engano ou separação, na medida em que se veem capazes de reagir perante tais experiências com desapego, autonomia, hedonismo, cinismo e ironia.
Por outro lado, precisamente porque desenvolveram este tipo de estratégias, privaram-se a si próprios da capacidade de amar com paixão» (resenha de aceprensa.pt)